sábado, 9 de agosto de 2014

COMPORTAMENTO SUSPEITO

Nota 5,0 Complô para homogeneizar jovens é tratado de forma superficial em detrimento a sustos

Transformar adolescentes rebeldes em modelos de disciplina e sucesso, este é um pesadelo dos jovens norte-americanos? Seria o sonho de seus pais? O cinema ianque está sempre de olho nesse dilema para lucrar, mas quase nunca se aprofunda no tema. Seja ensinando que quem sai da linha é morto por psicopatas ou até mesmo recorrendo a intervenções cirúrgicas e psicológicas, muitos filmes já apostaram na fórmula do estudante novato que se vê em meio a uma comunidade perfeita, porém, a sensação de que algo está errado é inerente. Comportamento Suspeito segue à risca a receita mostrando a adaptação de Steve Clark (James Marsden) à pacata rotina da pequena cidade de Cradle Bay cujos acontecimentos mais importantes parecem girar em torno de um conceituado colégio. Como em qualquer instituição de ensino, o local abriga diversos grupos de estudantes que se unem por conta de afinidades. Tem a turma dos baladeiros, das patricinhas, dos skatistas e os Blue Ribbons (na tradução “os jaquetas azuis”), um grupo de jovens metidos a conservadores, super estudiosos e envolvidos em campanhas de caridades, o sonho de qualquer pai ou educador. Logo de cara, Steve não se identifica com a turma dos perfeitinhos e acaba fazendo amizade com a rebelde sem causa Rachel (Katie Holmes) e com Gavin (Nick Stahl), este que afirma ter visto com seus próprios olhos atitudes suspeitas de um dos engomadinhos acobertadas por um policial. Não demora muito e estes amigos descobrem que os adultos da cidade compactuam com as experiências do Dr. Caldicott (Bruce Greenwood), um sujeito maluco que convence os pais com filhos problemáticos a permitirem que seus pimpolhos sejam submetidos a uma clandestina intervenção cirúrgica, uma espécie de lobotomia, para eliminar o que há de “podre” em suas cabecinhas. A transformação, no entanto, tem como efeito colateral a propensão a surtos de violência quando os ânimos se alteram, seja uma tensão sexual ou por provocações feitas ao novo estilo de vida que adotam. Gavin está apreensivo porque descobre que será o novo contemplado da ação e seu novo amigo mal pode acreditar quando o vê de cabelo penteadinho com gel e trajando a tal jaqueta azul. É hora de investigar a fundo a questão.

Por mais conflitos que tivessem com os filhos, como pais em sã consciência compactuariam com a robotização deles? A situação é ainda mais absurda porque aparentemente eles sabem que os possíveis surtos de loucura podem culminar em incidentes e mortes e quando isso acontece tudo é encoberto com desculpas esfarrapadas. Não há um adulto sequer que não tenha filhos e aderido ao sistema? Ou a conspiração envolveria dinheiro para calar a boca de alguns? O roteiro de Scott Rosenberg tem potencial perturbador, mas é uma pena que a direção de David Nutter desperdice o bom argumento. Após ganhar experiência dirigindo alguns episódios da série de ficção científica “Arquivo X”, um mega sucesso dos anos 90, o diretor fez sua estreia nos cinemas adotando um estilo que faz seu filme parecer um capítulo de seriado esticado. O elenco jovem ressalta essa impressão, ainda mais por ser uma clara tentativa de catapultar de vez o nome de Katie Holmes ao estrelato. Na época ela era protagonista da série “Dawson’s Creek” e não por acaso é o interesse romântico do protagonista cuja rebeldia é mal explicada pelo trauma causado pelo suicídio do irmão, embora também fique no ar que no relacionamento com os pais falta diálogo. Pena que a parte dramática do enredo não é desenvolvida e as atenções são voltadas ao clima de tensão já que fica claro que Rachel e Steve mais cedo ou mais tarde serão as próximas vítimas. Ou seriam abençoados? Revelando precocemente a verdadeira origem dos jovens perfeitos, Comportamento Suspeito fica sem eixo de sustentação. O caminho mais óbvio seria apostar nas tentativas desesperadas do casalzinho tentar alertar seus pais sobre a bizarra situação, mas o filme perde-se em meio a ganchos mal explorados como uma sequência dentro de um hospício que pouco ou nada agrega à trama. De qualquer forma, a produção entretém e conta com clima nostálgico sedutor, ganhando pontos com o humor injetado por Newberry (William Sadler), o zelador da escola cuja obsessão em acabar com a infestação de ratos acaba sendo de suma importância para o clímax de tudo. Em tempo: coincidência ou não, o longa foi lançado poucos meses após Prova Final cuja temática é semelhante e ambos não se tornaram sucesso. É duro se ver na tela. Rebeldes ou perfeitos ao extremo é certo que qualquer adolescente precisa de ajustes, mas só a vivência os propicia.

Suspense - 84 min - 1998 

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