domingo, 31 de agosto de 2014

OS PEQUENINOS

Nota 7,5 Apesar de previsível para agradar crianças, longa conquista adultos com sua nostalgia

Qual criança nunca imaginou que pequenas criaturas podem habitar o interior das paredes ou do chão da sua casa? Tal fantasia povoa o universo infantil há décadas tanto que em meados dos anos 50 a escritora Mary Norton sentiu-se instigada a desenvolver tal argumento dando origem a fábula “The Borrowers”, que também é o título original do filme dirigido por Peter Hewitt que no Brasil ganhou a genérica alcunha de Os Pequeninos. Em inglês o nome tem um significado mais irônico, algo traduzido como “aqueles que tomam emprestado”, e realmente é quase isso que eles costumam fazer. Medindo aproximadamente dez centímetros, eles têm facilidade para entrar sorrateiramente na casa dos humanos e fazer alguns empréstimos de objetos, mas que na verdade jamais são devolvidos. Tudo o que colocam as mãos eles inventam uma maneira para aproveitar em suas casas, ou melhor, casa. Sim, no singular mesmo. Aparentemente ao longo dos anos o grupo destes pequeninos homenzinhos acabou se dissipando até que sobrou apenas a família Clock cujo patriarca, o Sr. Pod (Jim Broadbent), luta diariamente para manter a sobrevivência de todos. Constantemente ele acompanha seus filhos Arrietty (Flora Newbigin) e Peagreem (Tom Felto) no trajeto até o interior da casa da família Lender, de quem são de certa maneira vizinhos ou até mesmo inquilinos, em busca de alimentos e bugigangas conquistados através de planos meticulosamente estruturados como se fossem planos de guerra ou resgate, mas a fonte está para secar. Joe (Aden Gillett) e Victoria (Doon Mackichan) se surpreendem ao escutarem da boca do advogado Ocious P. Potter (John Goodman) que sua tia recém-falecida não fez um testamento comprovando que ela deixava para eles a casa onde vivem, mas o casal jura que tal documento existe, porém, se não for encontrado rapidamente eles perderão o direito de reivindicar a propriedade. Na verdade trata-se de uma trapaça do inescrupuloso e rechonchudo advogado que não vê a hora de demolir a residência e construir no lugar a “Pottersville”, um espaço que abrigaria mais de vinte famílias bem de vida onde atualmente apenas um clã decadente reside.

A essa altura Pete (Bradley Pierce), o único filho dos Lender, que já desconfiava que existissem outras pessoas habitando sua casa consegue capturar Arrietty, mas para a surpresa da pequenina ele não é o vilão que seu pai tanto tinha medo. O garoto revela que logo irá se mudar com seus pais para uma nova casa e promete que dará um jeito de levar ela e sua família junto às escondidas. Acomodados dentro de uma caixinha, no entanto, os filhos de Pod acabam caindo da mudança para o desespero da mamãe Homily (Celia Imrie) que teme o que pode acontecer aos seus pequenos (sem trocadilhos). Contudo, os irmãos são espertos e conseguem voltar à antiga casa onde descobrem os planos de Potter e tentam impedi-lo roubando o testamento que ele estava prestes a destruir, porém, o gordinho toma conhecimento da existência das criaturinhas e tenta se livrar do problema com a ajuda de Jeff (Mark Williams), um abobalhado exterminador de pragas. A partir deste momento o roteiro escrito por Gavin Scott e John Kamps ganha ares de Esqueceram de Mim. O vilão sofre um bocado com as emboscadas criadas pelos irmãos Clock que, embora pequenos, possuem inteligência e agilidade feito gente grande. Enquanto isso, Pete se encarrega de levar os pais das criaturinhas ao encontro dos filhos, mas tal gancho acaba sendo mal explorado assim como outras ideias. Apesar de algumas soluções fáceis e do maniqueísmo na descrição do Bem e do Mal, algo clichê, mas necessário para também levar lições de moral ao público-infantil, Os Pequeninos não deixa de ser atraente aos espectadores mais crescidinhos que devem se envolver com a trama graças ao ritmo ágil, piadas inocentes e da atmosfera nostálgica que recria graciosamente a Londres da metade do século 20. Aliás, os cenários repletos de quinquilharias lembram a uma tradicional casa de vovó e a parcimônia no uso de efeitos especiais agrega à obra um gostinho de matinê antiga irresistível, algo acentuado pela alusão do início ao fim ao filme Querida Encolhi as Crianças (muitos exemplos de coisas que para os adultos são insignificantes, mas para quem é pouco maior que uma formiga se tornam verdadeiras ameaças e desafios) e até uma sequência que faz uma releitura de uma cena-símbolo de qualquer adaptação do conto “As Viagens de Gulliver”. Ótimo programa familiar.

Aventura - 89 min - 1997

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