domingo, 17 de agosto de 2014

UM MONSTRO EM PARIS

Nota 7,0 Apesar de problemas narrativos, animação francesa conquista com visual refinado

Já faz algum tempo que filmes de animação deixaram de ser uma opção exclusiva para a criançada, assim aumentou a pressão dos estúdios em cima dos realizadores. Não basta contar com a bilheteria dos pais ou responsáveis que levam as crianças aos cinemas. É preciso também chamar a atenção de quem não tem a desculpa de ter um pimpolho para acompanhar. Talvez a maturidade mínima exigida dos enredos para se alcançar tal objetivo tenha colaborado para desenhos animados fora do eixo Hollywood ganharem mais visibilidade. Não é só uma trama mais elaborada o chamariz, mas a própria origem diferenciada das produções pode ser um convite para adultos. Sim, ainda há quem ache coisa de intelectual ou chique gostar de filmes franceses, por exemplo, ainda mais se for uma animação que ousa brigar por espaço com os gigantes norte-americanos. No entanto, mesmo amparado por elogios da crítica especializada, Um Monstro em Paris não caiu no gosto popular. A trama escrita por Stephane Kazand Jian e Bibo Bergeron, este também autor da história original e responsável pela direção, se passa na bela Paris de meados da década de 1910. O jovem Emile é apaixonado por filmes e sonha em viver um romance de cinema com Maud, a moça que trabalha na bilheteria das salas de exibição, no entanto, sua timidez o impede de se declarar e ele acaba se contentando em viver um amor platônico. Como projecionista, o rapaz a vê diariamente no trabalho e alimenta o sonho de poder fazer seus próprios filmes, o que poderia ser possível com uma câmera que seu amigo Raoul lhe dá. Metido a galã e vendendo animação, esse homem inventa engenhocas quando tem folga de seu trabalho como entregador de mercadorias, mas uma de suas missões irá acabar em desastre. Certa noite, Raoul e Emile vão deixar uma encomenda na estufa de um professor de botânica, mas na ausência dele deveriam procurar seu macaco-assistente, o esperto Charles. Tudo muito simples, mas a dupla quis se divertir com a tal câmera dentro do laboratório e acabaram criando um gigantesco girassol que não aguentou o próprio peso e tombou sobre as prateleiras de produtos químicos.

Passado o susto, eles descobrem que na confusão alguma reação aconteceu entre as substâncias e trouxe à tona algum tipo de monstro com olhos avermelhados e que se locomove com rapidez. Por onde passa o tal vulto deixa sua marca de susto involuntariamente, mas acaba sendo acolhido pela jovem cantora Lucille que se encanta pelo talento da assombração para a música. Disfarçando e o batizado de Francoeur, ela deseja fazer seus shows em sua companhia, mas a criatura está na mira do comissário Maynott que como autoridade quer capturar e exterminá-lo para provar sua coragem à população. Tal feito seria extremamente benéfico à sua campanha para prefeito de Paris e quem sabe assim finalmente conquistaria o amor da cantora, mas Raoul e Emile também estão à caça do monstro, porém, para lhe protegerem. O argumento é promissor, mas é certo que faltou um trabalho mais apurado em seu desenvolvimento. A criatura do título é pouco explorada, a dupla de heróis carece de mais astúcia, seus respectivos interesses românticos não convencem e o vilão é apenas razoável. Se a história é irregular, por que Um Monstro em Paris merece ser visto? O simples fato de ser um produto não americano já vale a curiosidade. Com referência a textos clássicos como “O Fantasma da ópera”, “Frankestein” e “O Corcunda de Notre Dame”, é perceptível que o enredo não foi bolado de uma hora para a outra, mas para competir em um mercado onde imagem é tudo talvez Bergeron tenha se preocupado mais em elaborar o visual. Diretor dos bons O Caminho Para El Dorado e O Espanta Tubarões, não se pode negar que este seu trabalho é dotado de charme e beleza. Com a ajuda da trilha sonora, cada cena carrega o irresistível clima parisiense e de época e a obra chama atenção desde o início com sua introdução que invoca o clima das antigas sessões de cinema com direito a um resumo de notícias antes do filme. O clímax de tudo não poderia ser em outro local senão a Torre Eiffel retratada com riqueza de detalhes. Com alguns belos números musicais em tom onírico, o filme foi realizado com técnicas em 3D para se adequar ao mercado contemporâneo, embora em versão tradicional o resultado seja espetacular, mas na maioria dos países o lançamento foi feito diretamente em DVD. A velha regra, se os ianques não gostam... 

Animação - 90 min - 2011 

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2 comentários:

renatocinema disse...

Amigo concordo com quase tudo de seu conceito.......só acho que não podemos usar o argumento de que o fato do filme, por não ser americano, merece ser visto.

Não sou o maior fã do cinema do país de Barack Obama, porém, não podemos esquecer que por la também existe coisa boa. Eu sou fã dos Simpsons e outros derivados que esculacham o próprio padrão americano.

Gosto muito de animação. As japonesas e europeias são as prediletas.

Jack e o Coração Mecânico assisti recentemente e amei.......Valeu pela sua dica.

Abraços

Guilherme Z. disse...

Sim Renato, sei que nos EUA há muitos desenhos bons, mas como o acesso a animações que não são de lá ainda é restrito (pelo menos em cinema ou DVD original), quando há distribuidoras dispostas a investir nestes produtos eles acabam naturalmente chamando a atenção, de certa forma ganham um quê de originalidade. Foi essa a ideia que quis passar no texto.

Grato pelo comentário.

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