sábado, 20 de setembro de 2014

DIA DE IRA

Nota 6,0 Trama envolvendo política e religião mais uma vez coloca judeus no olho do furacão

Quando se fala no massacre de judeus automaticamente nos lembramos do período da Segunda Guerra Mundial, algo natural visto que é um fato de bastante destaque nas aulas de História e há uma infinidade de títulos que destacam a temática. Contudo, tal perseguição já vem de longa data, desde meados do século 15, e manifestou-se principalmente no continente europeu, sendo um episódio marcante na Espanha com sua famosa inquisição. O país vivia um período próspero, era o maior império desde Roma, mas de repente um fervor religioso surgiu sob o lema “uma nação, uma fé”, ou seja, quem não era católico não poderia viver neste território, assim milhares de judeus tiveram que se converter à força ou fugirem para não serem condenados a morte. Quem decidia por ficar levava uma vida dupla: cristão para o mundo, judeu no coração. A trama de Dia de Ira se passa em 1542 e narra a história de Ruy de Mendoza (Christopher Lambert), um xerife que se depara com uma série de assassinatos brutais de membros da nobreza espanhola. O duque José de Santa Fé (Pál Makrai) foi uma das primeiras vítimas. Certa noite ele estava na companhia de uma prostituta em um canto público isolado e foi surpreendido por um homem mascarado que o retalhou, assim como fez com a garota e com os soldados que a distância escoltavam o nobre. Mendonza vai averiguar a cena do crime e encontra o corpo do homem marcado com a letra “D” e imediatamente vai dar a notícia para sua esposa, a duquesa Pilar (Irén Bordán), mas quando retorna ao local os cadáveres haviam sumido e o cenário estava sem o menor vestígio de tragédia. Alguns dias depois, a esposa do falecido surge em um evento público desacompanhada, mas afirma que o marido está bem de saúde e viajando a trabalho. Já ciente da inquisição promovida pela Igreja, Donoso Cabral (Ben O’Brien), fiel escudeiro do xerife, compartilha da mesma opinião de seu chefe: os estranhos acontecimentos do vilarejo tem algo a ver com política e religião, algum tipo de pacto no qual os mais nobres e ricos fazem questão de ignorar as evidências. As coisas complicam quando é encontrado junto a outras dezenas de corpos amontoados o cadáver do conde Raul de Jaramillo (Sándor Teri) marcado com a letra “E”.

Mendoza vai atrás da viúva, a condessa Carmen (Blanca Marsillach), mas ela também desconversa sobre a possibilidade do marido estar morto, mas neste caso foi encontrado junto a vítima uma joia, a mesma que o xerife havia dado a essa mulher anos atrás quando namoravam. Desconfiado, ainda mais pelo interesse de Frei Anselmo (James Faulkner) nas mortes, ele começa a estudar livros sobre as linhagens de famílias nobres da Espanha, mas encontra discrepâncias entre as publicações. No livro usado pelos religiosos, teoricamente o legítimo, constam os nomes das famílias Santa Fé e Jaramillo, mas em um outro não. O governador Francisco Del Ruiz (Brian Blessed) mostra-se surpreso quando é procurado por Mendoza para falar dessas coisas, ainda mais porque realmente nenhuma viúva apareceu para reivindicar providências quanto ao assassinato dos maridos e dá carta branca para os casos serem investigados. Contudo, a determinação de Mendoza vai bater de frente com o interesse de poderosos e colocará sua própria vida e família em risco, principalmente depois que ele consegue roubar uma lista com nomes de judeus marcados para morrer. Por trás do verniz de aventura épica descartável, Dia de Ira consegue envolver com um texto intrigante e clima de tensão crescente, fruto do bom trabalho do roteirista e diretor Adrian Rudomin. Todavia, quando o grande segredo é revelado os ânimos esfriam um pouco, porém, o interesse e mantido pelo conteúdo histórico que a fita proporciona. A Espanha viveu por muitos anos em relativa paz graças a união de Isabel de Castela e Fernando de Aragão (apenas citados), respectivamente uma cristã e um judeu. Durante muito tempo o rei protegeu seu povo, inclusive lhes concedendo nomes cristãos para poderem permanecer no país e não perderam tudo que conquistaram, até histórias foram forjadas para constar no tal livro das famílias locais, mas após sua morte os inquisidores começaram a perseguir estas pessoas. Inclusive até judeus que conseguiram se tornar nobres derramavam sangue da sua própria gente para evitar chantagens de pessoas em busca da famosa vida mansa e que poderiam revelar suas reais identidades. Apesar do excesso de nomes citados ao longo da narrativa complicar as coisas, a produção consegue surpreender tanto visualmente, com cenários e figurinos em tons sóbrios que reforçam o clima de incertezas da época, quanto pelo texto que oferece uma boa aula de História sobre um período praticamente ignorado em nossos materiais pedagógicos.

Suspense - 109 min - 2006

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