quarta-feira, 17 de setembro de 2014

JUSTIÇA INFINITA

NOTA 7,0

Através da história de um jornalista,
longa tenta esmiuçar ao máximo a
temática do terrorismo, porém, é muito

assunto para desenvolver em pouco tempo 
Os atentados terroristas de 11 de setembro 2001 ou as consequências deste dia triste, o que é mais assustador? Sem dúvidas os ataques pegaram a todos de surpresa, mas a paranoia que tomou conta do mundo logo em seguida é algo bem mais perturbador, mas como diz o ditado há males que vem para o bem. É até um pouco absurdo chegar a essa conclusão, mas apesar de muito sofrimento, mortes, preconceitos e outras tantas coisas negativas que surgiram com a guerra ao terror e seus desdobramentos, o cinema acabou lucrando afinal de contas material é o que não falta para histórias de forte impacto e apelo emocional. Melhor dizendo, o lucro é mais em termos de conteúdo. Financeiramente poucas obras conseguiram sucesso e a maioria acaba sendo lançada direto em DVD, mas isso não significa que sejam ruins, pelo contrário, em geral são boas produções, porém, que acabam ficando reféns da repetição de temas. Pouco tempo depois de As Torres Gêmeas e Voo United 93 abrirem caminho para a exploração da temática (respeitando o período de jejum exigido pelo governo em respeito às vítimas), muitos projetos do tipo já estavam engatilhados e acabaram saturando o filão em velocidade recorde. Contudo, o que pode parecer datado na realidade pode ser extremamente atual como é o caso de Justiça Infinita, mescla de drama e suspense baseado em fatos reais e que aborda os casos de membros da imprensa sequestrados por muçulmanos que são usados como instrumentos de tortura e manipulação. O norte-americano Arnold Silverman (Kevin Collins) é um jornalista judeu que está investigando a rede financeira da Al-Qaeda, mas na verdade também possui razões de ordem pessoal para se interessar pela rede terrorista. Sua irmã estava trabalhando no World Trade Center na manhã em que os aviões se chocaram com os prédios, porém, seu corpo não foi encontrado. Paralelamente, acompanhamos o início do envolvimento político de kamal Khan (Raza Jaffrey), filho de um casal de paquistaneses e estudante da Universidade de Londres. Ao reencontrar um antigo colega de escola, Waqar Islam (Irvine Igbal), que agora é um muçulmano fundamentalista, ele resolve acompanhá-lo até a Bósnia para juntar-se à causa dos terroristas. Todavia, a viagem abre seus olhos para cruéis verdades sobre a política internacional.

A trama parece simples, mas exige do espectador bastante atenção por trabalhar com três frentes narrativas e de períodos distintos. Após os créditos iniciais, que em off evocam lamentações a respeito dos ataques às torres gêmeas e alertam que o terrorismo é o grande mal da atualidade, mas não forte o suficiente para abalar os norte-americanos a ponto deles cederem a pressões, a história começa mesmo em dezembro de 2001 no Consulado Americano da cidade de Karachi. Sarah Callendar (Jennifer Calvert) se encontra com o inspetor Akhtar (Jeff Mirza) para relatar o sumiço de seu amigo Silverman que foi para a região investigar rotas comerciais ilegais envolvendo o Irã, principalmente armas. A essa altura o rapaz já está sob a batuta de sequestradores, entre eles Kamal que afirma que o jornalista pensa como todos os americanos que rotulam qualquer árabe como um selvagem assassino. Percebendo a mágoa do preconceito, e aproveitando-se do fato de possuírem histórias de vidas parecidas, Silverman tenta manter um diálogo amistoso com seu algoz para convencê-lo a deixar falar com Islam, possivelmente um dos “cérebros” das operações terroristas. O segundo tempo narrativo se passa nos anos 80 resgatando o passado deste muçulmano. Após um período na Inglaterra, onde já demonstrava sua excessiva devoção aos costumes muçulmanos e que atrapalharam sua adaptação ao estilo de vida britânico, ele decidiu abandonar os estudos, mas aconselhou Kamal a continuar, pois afirmava ser benéfico que alguns árabes tivessem conhecimento de como funcionam as sociedades e políticas ocidentais, pois só assim poderiam combatê-las e finalmente formar um mundo justo. Quando foi para os EUA, bem antes dos ataques ao WTC, Islam já colaborava no recrutamento de jovens e crianças que seriam treinados para colocar em prática a chamada Missão Islâmica no Ocidente. É aí que entra o terceiro foco narrativo acompanhando as investigações de Silverman para compreender todos os caminhos que culminaram no fatídico episódio que matou sua irmã. É nesta fase que ele ganha a ajuda da tal Sarah uma especialista em cultura de países árabes e também em análises de vídeos e fotografias. Obviamente o rapaz não tem esperanças que a irmã esteja viva, mas quer punir os culpados e desarticular facções terroristas, mesmo que consiga fazer isso apenas com um grupo isolado. Embora pregando que seu objetivo é oferecer a oportunidade dos árabes mudarem a imagem de vilões que adquiriram, pairam suspeitas a respeito dos motivos reais do americano e ele acaba sendo feito de refém e só será libertado em troca de prisioneiros da base de Guantanamo.

Boa parte do filme é preenchida pelos flashbacks das investigações do jornalista e o diretor Jamil Dehlavi, também autor do roteiro em parceria com Farrukh Dhondy, demonstra competência para amarrar uma intrincada trama que minuto a minuto desencava segredos e detalhes que nos ajudam a ter noção da dimensão das ações terroristas e tudo de sórdido que as rodeiam. Obviamente tanto ódio tem raízes no próprio território ianque. A certa altura Islam diz que é preciso que os americanos parem de derramar sangue muçulmano para que assim os árabes também parem de matar americanos, simples assim. O problema é como fazer um rei se ajoelhar para dialogar de igual para igual com o bobo da corte. Silverman quando escolheu sua profissão fez o juramento de buscar a verdade, portanto, fez a viagem para dar o direito de resposta a outra parte envolvida nos atentados, mas suas relações com o pessoal oriental vai de mal a pior porque algum tempo antes apareceu na TV lamentando a morte da irmã e prometendo que lutaria por vingança, assim automaticamente passou a ser considerado um aliado do então presidente George W. Bush que implantou uma ação homônima o filme. Justiça Infinita é um título coeso com a trama e que se refere a uma operação real onde não só os responsáveis diretos nos atentados de 2001 seriam punidos, mas até aqueles que apenas abrigavam ou ofereciam trabalhos a árabes também estariam sujeitos a penalidades. Os “vilões” do episódio obviamente retrucaram e apegados na fé inabalável em Alá, o único que poderia aplicar a justiça verdadeiramente, conseguiram que o plano fosse rebatizado de Liberdade Duradoura, mas isso era insignificante diante de um histórico de sangrentas e provocativas brigas. Os atentados não aconteceram sem motivos. Rixas políticas, empresariais, étnicas, religiosas, enfim uma série de fatores foram se somando até culminarem na tragédia. Em uma cena é até citado que a revolta islâmica tem muito a ver com a globalização que está acabando com os costumes dos povos. As muçulmanas já não tem mais pudor em mostrarem o corpo, os homens do grupo tornaram-se reféns do tráfico de drogas e a maioria se envergonha de tirar alguns minutos de seu dia para orar. Contudo, não é estourando aviões em prédios ou com fitas com gravações de decapitações que as coisas vão mudar. Muito menos com guerras, afinal já diz o ditado violência gera violência. Pelo conteúdo, vale a pena uma conferida neste trabalho, ou melhor, duas ou até três sessões. São muitos os detalhes para formar com perfeição este complicado quebra-cabeças cuja imagem final literalmente não é nada agradável.

Suspense - 93 min - 2006 

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