domingo, 7 de setembro de 2014

O PEQUENO VAMPIRO

Nota 7,0 Longa conquista crianças e adultos com trama divertida, ligeira e nostálgica

Grandes ideias podem surgir inesperadamente e geralmente impulsionadas por algum tipo de necessidade. Foi isso que aconteceu com Angela Sommer-Bodenburg que de uma simples professora passou a ser uma escritora de sucesso. Ao perceber a carência do setor literário europeu para atender as expectativas do público infanto-juvenil local (certamente bem antes de Harry Potter, as aventuras nas terras de Nárnia e companhia bela caírem no gosto universal), ela mesma decidiu escrever histórias que incentivassem seus alunos ao hábito da leitura. O filme O Pequeno Vampiro é inspirado em seu livro homônimo, um sucesso editorial que gerou pelo menos mais quinze outras obras literárias narrando as aventuras do protagonista de dentinhos afiados e traduzida para mais de vinte idiomas. Um sucesso desse porte não seria ignorado pelos ianques e logo profissionais de Hollywood se aliaram a produtores alemães e holandeses para adaptar a obra para as telas. Com roteiro de Larry Wilson e Karey Kirkpatrick, este também responsável pelo argumento de A Fuga das Galinhas lançado pouco tempo antes, o longa nos apresenta ao pequeno Tony (Jonathan Lipnicki), um garoto que todas as noites tem estranhos sonhos com um clã de vampiros, nada mais natural já que ele vive em um gigantesco e antigo casarão na Escócia onde circulam lendas de que no passado a região era berço das criaturas sanguinárias. Recém-chegado da Califórnia, ele está tendo dificuldades para se adaptar à nova vida e constantemente é humilhado na escola, mas ganhará um improvável amigo. Brincando em seu quarto, certa noite ele chama a atenção do jovem vampiro Rudolph (Rollo Weeks) que o confunde com um de sua espécie. Desfeito o mal entendido, eles acabam fazendo amizade e não demora muito para Tony conhecer a família do amigo e o drama que vivem. Contrariando expectativas, as temidas criaturas da noite revelam-se não ser cruéis como nas histórias de terror. Frederick (Richard E. Grant) e Freda (Alice Krige), os pais de Rudolph, são evoluídos e querem deixar de lado a imagem ruim que os vampiros têm. A dieta a base de sangue humano é trocada por mordidas nos pescoços de bovinos, mas isso ainda é muito pouco para eles viverem com liberdade entre os humanos.

Ainda atormentados pelos raios de luz, crucifixos e estacas, estes vampiros estão dispostos a abandonar a vida eterna pela mortalidade. Está para acontecer um fenômeno, a passagem de um determinado cometa pela Lua, que poderia transformá-los em humanos, mas o rito só funcionará se estiverem munidos de um secular amuleto. Houve uma tentativa a muitos anos de realizarem o ritual, mas ele foi interrompido quando a tal pedra foi roubada por Von (Ed Stoppard), outro vampiro, mas que foi ferido e socorrido pela humana Elizabeth (Elizabeth Berrington). Tudo isso Tony consegue ver com riqueza de detalhes em seus sonhos, assim ele descobre que o amuleto deve estar em poder da tradicional família de Lorde McAshton (John Wood), um milionário da região que logo é convencido por um caça-vampiros (Jim Carter) que as temidas criaturas estão prestes a atacar o que atrapalharia na publicidade do campo de golfe que irá inaugurar em breve. Como era de se esperar ninguém acredita nas histórias de Tony, nem mesmo seus pais, Robert (Tommy Kinkley) e Dottie (Pamela Gidley), que ao conhecerem a família de Rudolph os consideram excêntricos e amáveis aristocratas adeptos de figurinos de época e linguajar rebuscado, mas relevam em prol da amizade do filho. Histórias de terror costumam chamar a atenção das crianças, mas é uma tarefa difícil adaptá-las para o universo delas ainda mais para um cineasta como o alemão Uli Edel, diretor de produções pesadas como Christiane F. – Drogada e Prostituída e Corpo em Evidência. Todavia, ele surpreende com a desenvoltura que mostra na condução de O Pequeno Vampiro, produto acima da média que não subestima a inteligência do público-alvo e que pode divertir adultos com seu toque de nostalgia. Com belas locações, ação e piadas divertidas, podemos deixar de lado a implicância com o excesso de cenas escuras ou a facilidade em que se estabelece o contato entre os protagonistas-mirins, mas fica a sensação de que o personagem Gregory (Dean Cook), irmão mais velho e revoltado de Rudolph, foi subaproveitado. Defendendo o espírito violento da espécie, poderia render a discussão da ovelha negra em meio ao clã de vampiros politicamente corretos. Em tempo: Lipnicki, na época em alta após o sucesso de O Pequeno Stuart Little, mostra-se mais uma vez carismático e talentoso, mas sua carreira infelizmente não vingou.

Aventura - 95 min - 2000

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