domingo, 28 de setembro de 2014

PAIXÃO À FLOR DA PELE

Nota 3,0 Romance busca sair da mesmice, mas acaba vítima de sua própria engenhosidade

Às vezes assistimos alguns filmes no cinema que simplesmente odiamos porque não entendemos nada em uma primeira apreciação. Quando lançados em DVD, alguns contam com a opção de acompanhar a trama com direito a explanações do diretor, mas tem muita produção que por mais que nos cercamos de informações simplesmente é intragável. Paixão à Flor da Pele tem justificativas para não ter sido um sucesso de público e nem mesmo os críticos deram muita bola. Confuso do início ao fim, parece que nem o pessoal responsável pela distribuição do filme na época do lançamento teve paciência para aturar tal engodo e erroneamente o divulgaram como um suspense com resquícios do estilo do mestre Alfred Hitchcock. Nada a ver. Com direção de Paul McGuigan, este produto é apenas mais uma tentativa frustrada de refilmar um sucesso europeu e escamotear a escassez de boas ideias em Hollywood.  Buscando inspiração no longa francês O Apartamento datado de 1996, o roteiro adaptado por Brandon Boyce tem como protagonista Matthew (Josh Harnett), um jovem empresário que acredita ter visto por acaso em uma cafeteria Lisa (Diane Krueger), uma mulher por quem ele foi perdidamente apaixonado, mas que sumiu misteriosamente há dois anos. Ele decide segui-la, descobre o seu endereço atual e sua rotina começa a ser moldada em função dos passos dela. Não gostaria de forçar um encontro, mas certo dia não aguenta a ansiedade e invade o apartamento para poder surpreendê-la. Contudo, ele não sabe que a mulher que tem seguido não é exatamente quem ele pensa ser, porém, ela sabe muito bem que está acontecendo um engano, mas quer tirar proveito disso. Alex (Rose Byrne) é amiga de Lisa e ficou apaixonada por Matthew a partir dos relatos e fotos que ela apresentava, porém, o rapaz nunca chegou a conhecê-la pessoalmente. Munida de informações íntimas do casal, ela fez de tudo para separá-los, mas jamais conseguiu se aproximar de seu amor platônico. Quando desconfia que reencontrou Lisa, o empresário não está errado. Ela realmente está vivendo temporariamente no tal apartamento, mas esta informação é omitida por Alex que assume a alcunha de Lisa, não a namorada fugida, mas outra com lábia suficiente para se aproveitar do estado atormentado do rapaz.

Provavelmente iludido pelas coincidências entre as Lisas, como o mesmo perfume ou o número de calçado, Matthew acaba mantendo relações com a garota mesmo ciente de que ela não é a mulher que procura e esta, por sua vez, nem desconfia dos planos de sua amiga. Confuso não? Para embolar ainda mais as coisas entra em cena Luke (Matthew Lillard), o melhor amigo do jovem que também está envolvido com um novo amor no momento, justamente Alex. É óbvio que a garota armou esse affair para ficar sabendo da rotina do ex de Lisa, mas sempre deu um jeito de fugir (e o destino ajudou) de um encontro com o empresário para não atrapalhar seus planos. Com viagem de trabalho marcada para a China e uma noiva a sua espera na volta, Matthew decide jogar tudo para o alto e seguir seus instintos de que está no caminho certo para descobrir o por quê de Lisa o ter abandonado quando ele propôs de morarem juntos. Quem sabe até teria a chance de resgatar a relação e evitar se casar com uma mulher que não ama. A trama em si não é difícil de compreender se fosse exposta dessa forma, simplesmente é um romance com toques de suspense cujo fio condutor é sustentado pelo nome menos conhecido do elenco. É a personagem de Byrne que articula todas as armações para manter Matthew e Lisa separados, é ela quem tem a visão de todo jogo e sabe como movimentar as peças para evitar um xeque-mate, mas o que atrapalha a trama é a confusa edição que mistura passado e presente para mostrar as várias versões dos fatos. Como desde o início é difícil se simpatizar com os perfis em cena, para perder o fio da meada basta um piscar de olhos, assim chegamos ao fim das quase duas horas de duração extremamente fatigados. A tentativa de fugir do lugar comum apostando em uma narrativa intrincada poderia elevar Paixão à Flor da Pele de patamar, mas a impressão que dá é que o longa merecia algumas sessões de teste e um apuro maior na sala de edição para lapidar o material. Vale também a ressalva que o remake despreza um detalhe essencial da trama original. Em tempos de celulares e emails, a narrativa perdeu o charme e o mistério que envolvia a comunicação através de cartas e telefonemas feitos em cabines públicas, o que deixava tudo mais intrigante. Se hoje fosse feita mais uma refilmagem, todo conflito poderia ser resumido em único dia tamanha a rapidez dos meios de comunicação. No caso não é um elogio ao avanço tecnológico. 

Romance - 115 min - 2004

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