quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O ARTISTA

NOTA 9,0

De origem francesa, preto e branco
e sem um único diálogo sequer, obra
que homenageia o cinema agrada por sua
ousadia e ao mesmo tempo simplicidade
É curioso, mas em plena época em que muitos cineastas, produtores e estúdios passaram a investir pesado em histórias mirabolantes ou tecnologias de ponta e efeitos 3D para atrair o público de volta às salas de cinema ou até mesmo para injetar algo a mais na campanha publicitária de produções deficientes, muita gente do meio cinematográfico se uniu ao coro de críticos do mundo todo para exaltar O Artista, uma surpreendente obra com tom nostálgico que teria tudo para ser pisoteada por onde passasse. Isso na base do preconceito é bom deixar claro. Só vendo para crer no que este trabalho significa, principalmente para os dias atuais em que a arte cinematográfica está tão debilitada e requentada. Filmado em preto e branco, de origem francesa e sem um único diálogo durante toda sua duração, parece até que estamos falando de um daqueles filmes clássicos que vez ou outra são restaurados para serem relançados em cinematecas e salas alternativas, mas o trabalho originalíssimo do cineasta Michel Hazanavicius conseguiu preencher até mesmo as salas multiplex dos shoppings centers. Claro que isso graças às dezenas de premiações que recebeu. De todos os festivais e eventos dos quais participou a obra saiu ao menos com um troféu de lembrança, tendo sua apoteótica consagração no Oscar 2012 que curiosamente não lhe reservou uma das vagas para Melhor Filme Estrangeiro, mas cedeu à obra nada menos que dez indicações das quais cinco transformaram-se em estatuetas douradas, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Apesar de sua origem francesa, o longa é praticamente uma homenagem à Hollywood dos primórdios do cinema, entre as décadas de 1920 e 1930, um tempo em que uma imagem literalmente valia mais que mil palavras. Hazanavicius arquitetou seu trabalho com muito cuidado para fazer o espectador se sentir feliz ao final da projeção e sonhando com um mundo idílico, uma época que infelizmente não volta mais. Apesar do caráter onírico, o enredo enfoca fatos reais e muito importantes tanto para a História da sétima arte quanto para compreendermos a modernização do mundo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

P2 - SEM SAÍDA

NOTA 5,0

Suspense poderia ir além abordando
a transformação de uma pessoa diante
de situação de perigo, mas fica no clichê
apostando em sangue e claustrofobia
Quem tem que trabalhar na véspera de Natal realmente rem todos os motivos para surtar, mas se o caso é com alguém já problemático a noite feliz tem tudo para acabar em pesadelo. P2 – Sem Saída, em sua essência, aborda um tema que fica muito em evidência nessa época do ano, a solidão, mas apenas o usa como pretexto para sustentar uma história cujo objetivo é deixar o expectador sob alta tensão, sem preocupação alguma em desenvolver os personagens que, diga-se de passagem, basicamente são dois. Faltam poucas horas para a ceia natalina e a advogada workaholic Angela Bridges (Rachel Nichols) ainda está trabalhando no escritório. Quando decide encerrar seu expediente e seguir para a casa de sua irmã percebe que o prédio comercial já está totalmente vazio e o pior é que seu carro não quer pegar. Presa no segundo andar do estacionamento (para quem ainda não havia compreendido o título), ainda bem que, ou melhor dizendo, infelizmente ela descobre que está na companhia do vigilante noturno Thomas (Wes Bentley). Muito gentil ele lhe oferece ajuda sem hesitar e até a deixa usar seu gabinete para dar um telefone, mas não demora muito para ela descobrir um lobo em pele de cordeiro. O rapaz nutre uma paixão platônica por Angela e armou uma emboscada com direito a ceia romântica e tudo, mas é óbvio que as coisas não saem como ele esperava. Incialmente, o segurança esforça-se para demonstrar seu amor e ser correspondido, porém, a resistência da jovem atiça seu lado perturbado. Começa assim uma longa sessão de tortura na qual a própria Angela é intensamente agredida, mas segundo seu algoz tudo é em nome do amor.

domingo, 20 de dezembro de 2015

DANÇANDO PARA A VIDA

Nota 4,0 Ancorado pela presença de Emma Watson, longa é frágil e com falhas de edição

Era uma vez um solitário senhor de idade que passou toda a sua vida dedicando-se à paleontologia, sua grande paixão, mas o solitário Matthew Brown (Richard Griffits) tem uma tardia surpresa. De uma hora para a outra se vê obrigado a aceitar em sua casa sua sobrinha Sylvia (Emilia Fox), que acabara de ficar órfã, e sua babá (Victoria Wood), mesmo que a jovem já não fosse mais nenhuma criancinha para precisar de cuidados de uma ama. A inesperada família que forma acaba por abrandar o coração do professor que surpreende ao aceitar a guarda de mais três meninas que ainda bebês são colocadas em seu caminho. Batizadas com o fictício sobrenome Fóssil, homenagem a paixão do idoso por dinossauros e também por ser uma alcunha única como a forma que elas entraram em sua vida, Pauline (Emma Watson), Petrova (Yasmin Paige) e Possy (Lucy Boyton) acabaram crescendo longe do pai adotivo que sumiu em uma expedição e não deixou muitos recursos para se manterem, a não ser sua mansão que para gerar receita acaba virando uma pensão. Ambientado na década de 1930 em um bucólico bairro londrino, Dançando Para a Vida resume essa introdução em poucos minutos adotando certo tom de fábula, mas infelizmente ao longo da projeção percebemos que este não é um cuidado narrativo. A edição rápida e truncada perdura ao longo de todo o filme e tira o brilho da singela história de Heidi Thomas baseado no romance "Ballet Shoes" de Noel Streatfeild. Feito para a televisão britânica e lançado no Brasil diretamente em DVD, o longa claramente se apóia na popularidade de Watson, sendo o primeiro trabalho da então atriz-mirim fora da série de Harry Potter, mas que aqui passa longe da imagem carismática que carregava. Talvez justamente para apresentar um trabalho diferenciado é que tenha aceitado o papel. Inicialmente meiga, Pauline perde a doçura ao descobrir seu talento para a interpretação e quando consegue uma chance para atuar no teatro, despreparada, ela deixa a fama subir à cabeça e passa a agir de forma grosseira e tempestiva com as pessoas e a quebrar regras.

sábado, 19 de dezembro de 2015

ESTRADA MALDITA

Nota 5,0 Com ambientação própria ao medo, longa peca ao revelar segredos cedo demais

Parece que a véspera de Natal está se tornando uma data macabra, ao menos para o cinema. Se antigamente a época era sinônimo de comédias leves para toda a família, nos últimos anos têm chamado a atenção a quantidade de produções que usam o festejo como pano de fundo para contar histórias de suspense e horror, sempre colocando suas vítimas diante de situações extremas que as forçam a acionar seus instintos de sobrevivência. Estrada Maldita segue bem essa linha. O roteiro de Joe Gangemi e Steven Katz, este responsável pelo texto do ótimo A Sombra do Vampiro, começa em uma sala de aula quando uma estudante (Emily Blunt) está trocando mensagens de celular com uma amiga a respeito da viagem que fará para passar o Natal com a família. Pela primeira vez ela iria fazer o trajeto de ônibus, mas um mural de recados da faculdade lhe chama a atenção e ela resolve aceitar a carona oferecida por um outro aluno (Ashton Holmes), uma prática comum nos EUA. Aparentemente o rapaz só estava fazendo uma gentileza, mas aos poucos a garota começa a desconfiar que ele não é um completo desconhecido e que sabe demais sobre sua vida, sendo a oferta da carona algo premeditado. O pé atrás aumenta quando o jovem decide pegar um atalho que os leva a uma rota alternativa em meio a uma densa floresta. Estaria ele tramando um sequestro ou estupro? O fato é que a viagem que deveria durar cerca de seis horas acaba entrando madrugada a dentro por conta de um acidente que atrapalha os reais planos do rapaz, tempo suficiente para a dupla tentar ajustar suas diferenças, mas fatores externos interrompem constantemente a conversa. Sem comida, com o celular fora de área, presos dentro do carro por conta de uma forte nevasca e tentando se proteger de um frio literalmente de matar, eles aguardam ansiosos por ajuda, mas as chances de alguém passar por aquele lugar isolado são mínimas. Será mesmo?

domingo, 13 de dezembro de 2015

EM MEUS SONHOS

Nota 2,5 Romance é amontoado de clichês, incluindo o mundo gastronômico como pano de fundo

O universo gastronômico é um prato cheio para o gênero romântico e Em Meus Sonhos é mais uma pequena fita que o utiliza como pano de fundo para conquistar o paladar, ou melhor, a preferência do espectador, principalmente mulheres jovens mais propensas a fantasias com príncipes encantados. Natalie Russo (Katharine McPhee) e Nick Smith (Mike Vogel) são dois jovens que estão desacreditados quanto a possibilidade de um amor verdadeiro e obviamente o destino dará aquele empurrãozinho para que seus caminhos se cruzem, porém, somente em sonhos. Se apegando a uma crença da cidade em que vivem que diz que há uma fonte dos desejos, ambos jogam ao mesmo tempo uma moedinha torcendo para que encontrem sua alma gêmea, mas ignoram a presença um do outro. Contudo, eles passam a se encontrar em seus sonhos e a viver um amor platônico, um romance que segundo a lenda deverá ser concretizado em até uma semana, caso contrário o feitiço da fonte se esvai. Talvez se ficasse restrita ao onírico a trama escrita por Teena Booth e Suzette Couture teria uma cadência melhor, mas para dar sustento ao frágil argumento foram (mal) inseridos conflitos cotidianos para os personagens. Nick está insatisfeito com seu trabalho e em paralelo está desenvolvendo um projeto em segredo que acredita que será um ponto de virada em sua carreira, mas vive com seu foco desviado por conta das visitas surpresas e inoportunas de sua mãe. Charlotte (JoBeth Willians) não vê a hora de ver seu filho casado e tenta empurrá-lo novamente para os braços de Lori (Chiara Zanni), sua ex-noiva, mas mesmo que ele não se acerte com ela o importante é que a mulher escolhida passe pelo crivo da sogra. É óbvio que ao conhecer Natalie ela vai implicar e fazer de tudo para impedir o romance... Errado! Contrariando expectativas a mãe do rapaz conhece a garota por acaso antes mesmo do filho e de cara se simpatiza com ela. Numa receita tão insossa, a velha rixa nora versus sogra faz falta.

sábado, 12 de dezembro de 2015

FILHA DA LUZ

Nota 3,0 Na onda do medo da chegada do anticristo, suspense apenas requenta clichês

De tempos em tempos ocorre um fenômeno no cinema e curiosamente diversas produções com temáticas semelhantes são lançadas em períodos muito próximos. Seria espionagem industrial? Bom, no caso de Filha da Luz podemos dizer que foi oportunismo, porém, muito mal aproveitado. Durante o período que antecedeu a virada para o século 21 e para o novo milênio existia o medo do fim do mundo ou da chegada do anticristo na Terra, o que aguçou Hollywood a extravasar seus demônios literalmente. Diversas produções exploraram estes temas e até o clássico O Exorcista foi relançado com cenas adicionais. O longa dirigido por Chuck Russel, da comédia-sucesso O Máskara, e estrelado por Kim Basinger foi só mais um título a explorar o satanismo e a engrossar a lista de produções ruins da safra. Lançado na época de auge das videolocadoras e do DVD e ainda com o frisson das dúvidas espalhadas por fanáticos religiosos quanto ao futuro da humanidade, certamente a fita atraiu curiosos e aficionados pela temática, mas hoje é esquecido. E com razão. Basinger interpreta Maggie O’Connor, uma solitária e pacata enfermeira que tem sua rotina modificada com a visita surpresa de sua irmã mais nova, a irresponsável e viciada em drogas Jenna (Angela Bettis), que chega acompanhada da filha recém-nascida. O intuito da visita é apenas entregar a criança para Maggie que acaba adotando-a meio que à força, porém, o tempo passa e uma relação de mãe e filha se estabelece com a pequena Cody (Holliston Coleman). Aos seis anos de idade e com um leve autismo diagnosticado, a menina começa a demonstrar ter dons especiais, o que chama a atenção de uma seita religiosa que acredita que ela seria uma espécie de reencarnação de Jesus Cristo, a única pessoa capaz de deter os planos do Diabo para dominar o planeta.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A HORA DA VIRADA

 Nota 2,0 Comédia é apenas mais uma a investir na união do esporte e das lições de moral
 
Todos sabem que os americanos são fanáticos por esportes e que o casamento de tal temática com o cinema já rendeu vários sucessos, mas também muitos filmes esquecíveis não por serem necessariamente ruins e sim pelo fato de não apresentarem novidade alguma, simplesmente repetirem fórmulas já testadas e quase sempre com conteúdo moral edificante. A Hora da Virada não foge à regra e seu título nacional já deixa explícita a mensagem de positivismo trabalhada na base dos clichês pelo roteiro de Jon Lucas e Scott Moore e pela direção de Steve Carr que assim como em seu longa anterior, A Creche do Papai, cria um passatempo ligeiramente divertido, mas sob medida para entreter as crianças, seu público-alvo. Roy McCormick (Martin Lawrence) é um treinador de basquete que veio do nada, mas alcançou fama rapidamente treinando grupos universitários. Sua conta bancária também cresceu em semelhante proporção graças aos vários contratos publicitários que fechou, o que lhe rendeu a alcunha de “o rei do patrocínio”. Porém, o tempo passou e chegou um momento em que a maré de azar bateu e sua equipe perdeu todos os jogos e assim o treinador deixou aflorar seu temperamento egocêntrico e explosivo. Após um ataque de fúria durante uma das partidas, McCormick acaba perdendo o emprego e consequentemente seu contrato com a agência de publicidade. Todavia, para tentar recuperar sua credibilidade e a boa vida que tinha, ele conta com a ajuda de seu empresário, Tim Fink (Breckin Meyer), este que na verdade também é ganancioso é não quer perder seu potencial cliente. O rapaz o convence a recomeçar de baixo, assim com muito custo ele consegue um trabalho voluntário na mesma escola que em sua adolescência o consagrou um campeão das quadras.

sábado, 5 de dezembro de 2015

A CASA DOS MORTOS

Nota 3,0 Produção insossa recicla argumento da casa assombrada por episódio macabro 

De forma simplificada, título é a sintetização da ideia central de uma história transmitida através de uma única ou algumas poucas palavras. Muito se comenta sobre as estranhas nomeações que alguns filmes recebem, mas também há casos em que a escolha apesar de condizente com o enredo acaba soando genérica demais e não empolga. Um bom exemplo disso é A Casa dos Mortos. Quantas produções você já assistiu que se encaixariam perfeitamente a esse título? Usando e abusando do chamado found footage, o uso de imagens de vídeos caseiros e supostamente verídicos, o que turbinou a publicidade de filmes como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, a trama escrita por Doug Simon, Max Lobello e Will Canon, este que também assina a direção, não deixa de ser um alinhavado de clichês. Michele (Cody Horn), Bryan (Scott Mechlowicz), John (Dustin Milligan), Donnie (Aaron Yoo) e Jules (Megan Park) formam um grupo de jovens que resolve gravar um documentário em uma antiga e abandonada casa que no passado foi palco de um massacre no qual cinco adolescentes foram brutalmente assassinados por uma amiga da escola após realizarem um ritual de invocação satânica, aliás, ela própria se enforcou depois. É claro que para a gravação ter credibilidade e realismo, o grupo decide fazer a mesma sessão espírita que mais uma vez resulta em tragédia. John seria o único sobrevivente do episódio e passa a ser interrogado pela psicóloga Elizabeth Klein (Maria Bello), mas o rapaz está em estado de choque e com dificuldades para relembrar o que aconteceu, embora afirme que dois de seus amigos estão vivos, porém, desaparecidos. Paralelo a isso o detetive Mark Lewis (Frank Grillo) analisa detalhadamente as fitas gravadas pelos jovens na tal residência, assim tendo em mãos um quebra-cabeças que por vezes parece extremamente complexo. Será mesmo tão complicado assim? Para o expectador diplomado no gênero não é muito difícil desvendar os mistérios da trama, o duro é manter a atenção em algo tão insosso.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ALMA PERDIDA

NOTA 1,0

Repleto de clichês, sustos
previsíveis e protagonista que
não cativa, longa ainda peca ao
buscar estopo em ferida histórica
Se pararmos para analisar as décadas de 1960 a 1980 chegaremos ao bom censo de que foram épocas de ótimas e marcantes produções de horror e suspense, mas se forçarmos a memória para lembrar filmes-ícones dos gêneros nos anos seguintes talvez dê para contar nos dedos o que se salva. O Sexto Sentido e Os Outros são verdadeiras aulas de como meter medo sem precisar fazer uso da violência gráfica ao mesmo tempo que se conta uma envolvente história, porém, é preciso traquejo e criatividade para feitos do tipo. Em tempos em que tudo é descartável, por que queimar os neurônios com algo que já nasce com prazo de validade determinado? Talvez assim pensava o diretor e roteirista David S. Goyer quando fez Alma Perdida, uma colcha de retalhos de referências a outros filmes que vão desde o clássico O Exorcista, chupando os últimos resquícios de criatividade de A Hora do Pesadelo até copiar escancaradamente ideias de refilmagens de fitas de horror orientais como O Chamado e O Grito, vertente já em decadência na época. A história começa com Casey Beldon (Odette Yustman) fazendo uma corrida em um parque quando leva um susto envolvendo a visão de um estranho garoto, figura que passa a atormentá-la seguidamente tanto acordada quanto dormindo. Fatos bizarros como cães que entortam a cabeça, agressões e ameaças do menino que toma conta e insetos que saem de dentro de ovos de galinha, diga-se de passagem, todos clichês de fitas do tipo aqui mal inseridos, também a deixam ressabiada. Paralelo a isso, volta à tona as lembranças de sua mãe Janet (Carla Gugino) que se suicidou quando ela era criança e lhe deixou mágoas e ainda certa dúvida quanto a diferença de pigmentação em um de seus olhos, algo que mais tarde vem a saber que seria um indício de que poderia ser gêmea. De fato, ela descobre que não seria filha única, mas quase teria tido um irmão que acabou falecendo ainda na barriga da mãe estrangulado pelo cordão umbilical. Seria ele o garoto que a está assombrando? Que mistério! Porém, Goyer tenta não entregar tudo de bandeja e cria uma mirabolante subtrama para explicar o drama de Casey que como a maioria das mocinhas de histórias do tipo parece abdicar de sua rotina para se dedicar exclusivamente a bancar a detetive.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

AMOR À SEGUNDA VISTA

NOTA 4,0

Encontro de dois ícones das
comédias românticas deixa a
desejar mal aproveitando até
mesmo os clichês básicos do gênero 
Sandra Bullock faz drama, suspense, ficção, ação, talvez lhe falte coragem para encarar o terror, mas não tem jeito sua imagem está irremediavelmente ligada ao humor. Já Hugh Grant é aquele galã à moda antiga que toda mulher romântica gostaria de ter ao seu lado, o que talvez explique a filmografia restrita do ator que coleciona papéis sempre muito semelhantes em histórias idem. Uma especialista em fazer rir e um sedutor nato. Dois nomes de pesos num mesmo projeto só poderia render sucesso. Bem, a comédia romântica Amor À Segunda Vista até cumpriu seu papel em termos financeiros na época de seu lançamento. Rendeu bem nas bilheterias norte-americanas e ocupou o primeiro lugar de público por umas duas ou três semanas em outros países, inclusive o Brasil, mas passados vários anos a produção não conseguiu alcançar o status de clássico de sessão da tarde, rótulo perfeito para um trabalho açucarado e que reuniu pela primeira e única vez ícones do gênero. Lucy Kelson (Bullock) é uma advogada especialista em direito ambiental e na defesa de minorias que vai fundo nas causas que abraça. Já George Wade (Grant) é um empresário milionário, almofadinha e namorador que tem tudo o que quer, mas sempre às custas do trabalho dos outros. Do setor imobiliário, o magnata está envolvido com um projeto que desapropriaria uma área ocupada por um antigo centro comunitário em um subúrbio de Nova York que além de deixar centenas de pessoas sem opções de lazer e integração também destruiria as lembranças da infância da ferrenha advogada. Quando vai pessoalmente interferir no caso, contudo, Lucy é surpreendida. Em menos de cinco minutos ela consegue demonstrar toda a sua eficiência a ponto de convencer Wade, que também a conquista com seu charme e lábia, a contratá-la como sua advogada prometendo um salário polpudo e a proteção do tal prédio que tanto defende. Quando a esmola é demais.... Não demora muito e Lucy descobre que lidar com problemas jurídicos do empresário é o de menos. Na verdade, ele a contratou para ser sua conselheira em praticamente todos os aspectos de sua vida, desde a escolha de uma simples roupa, passando por palpites para conquistar uma nova mulher até fechamentos de grandes negócios, esse sim o trabalho propriamente dito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A CASA AMALDIÇOADA

NOTA 3,0

Com cenário rico em detalhes e
amedrontador, longa se preocupa
mais com o visual e o enredo
fica a mercê dos efeitos especiais 
Filmes sobre casas assombradas são como produções cujos protagonistas são vampiros ou mortos-vivos: não importa o quanto tempo passa, sempre haverá público para eles. O problema é quando a plateia passa a aceitar qualquer lixo, mas felizmente não foi o que aconteceu com A Casa Amaldiçoada, obra merecidamente esquecida pelo simples detalhe de que não assusta nem criancinhas. Aliás, calcada em exagerados efeitos especiais, a certa altura a produção ganha ares de videogame, detonando totalmente o clima razoavelmente eficiente construído até então. A trama começa nos apresentando a Eleanor Lance (Lili Taylor), ou Nell como gosta de ser chamada, uma mulher solitária que está prestes a ser despejada. Sofrendo com as lembranças da mãe que faleceu a pouco tempo, ela se interessa por um anúncio de jornal que convida insones a participarem de um estudo do psicólogo David Marrow (Liam Neeson). A gigantesca, secular e misteriosa mansão Hill House é o local escolhido para o exercício de observação que contará ainda com Theo (Catherine Zeta-Jones), uma mulher aparentemente fútil, mas que aos poucos se revela segura e fiel amiga, e Luke (Owen Wilson), rapaz boa praça e primeiro a perceber que os problemas de sono são mera desculpa para uma obsessão do médico que selecionou perfis que se enquadravam melhor a sua ideia de promover um estudo a respeito do medo e histeria influenciados pelas reações do próprio grupo pressionado por uma ambientação propícia e palco de uma intrigante história. O grupo é avisado de que ao cair da noite o portão da mansão é trancado com cadeados reforçados e que ninguém poderá ouvir seus gritos e acudi-los. Por melhor que fosse a recompensa, alguém em sã consciência toparia continuar como cobaia? O roteiro de David Self força a barra para nos fazer acreditar que haveriam sim loucos para topar passar alguns dias em um casarão escuro e repleto de ornamentos luxuosos, mas no fundo macabros. Sabe-se lá quais os critérios do médico para selecionar seus pacientes, todavia, Theo e Luke parecem não sofrer para dormir e mostram-se deslumbrados pelo cenário, ao contrário de Nell, a pessoa mais sensível do grupo e que de imediato revela ter um interesse maior pela casa, principalmente por conta das vozes de crianças que afirma ouvir clamando por socorro.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

MINHA MÃE QUER QUE EU CASE

NOTA 4,0

Mais uma vez Diane Keaton se
repete e interpreta uma mulher neurótica
e pentelha, mas ainda assim rouba
a cena e garante um pouco de graça
O título Minha Mãe Quer Que Eu Case já leva direto ao assunto sobre o que se trata esta comédia romântica, mas a objetividade da produção para por aí. A trama é estendida além do necessário para narrar o dilema de uma jovem que deve escolher entre um marido rico e sisudo ou o amor puro e a leveza de uma vida ao lado de um cara divertido e descolado, porém, que vive à base de trocados. Vão faltar doces para ofertar a quem acertar qual dos pretendentes a personagem Milly (Mandy Moore) vai desposar. Ela é a caçula de uma família composta só por mulheres que tem o azar de ser comandada pela neurótica matriarca Daphne (Diane Keaton), dona-de-casa que sem ter com o que se preocupar ocupa seu tempo pentelhando suas filhas das quais se orgulha de ter criado sem precisar de um homem ao lado. As mais velhas, Maggie (Lauren Graham) e Mae (Piper Perabo), parecem conformadas e lidam bem com os incisivos palpites da mãe, porém, a mais nova esconde um estilo um pouco rebelde por trás da faceta de boa moça. Independente financeiramente e já morando sozinha, a doceira Milly não tem sorte na vida amorosa, embora aparentemente goste de provar de um cardápio variado de homens, mas isso preocupa Daphne que na tentativa de tentar desencalhar a jovem resolve colocar em segredo um anúncio em um site de encontros. Muitos candidatos surgem, um mais estranho que o outro, porém, nada mais anormal que o fato de ser a futura sogra de um deles quem se apresenta para realizar a seleção. Munida de um roteiro de perguntas, parece que ela no fundo tenta encontrar o parceiro ideal que nunca teve, assim fica encantada pelo arquiteto Jason (Tom Everett Scott), um rapaz bonitão, bem-sucedido, de família tradicional e que cultiva um padrão de vida elitizado. Após um encontro armado pela alcoviteira, Milly realmente demonstra interesse por seu pretendente, mas o destino também colocou em seu caminho Johnny (Gabriel Macht), um pai solteiro que ganha a vida dando aulas de música e tocando em restaurantes. O que lhe falta de dinheiro e ambição sobram em alegria, atenção e carinho, ao contrário do arquiteto que aos poucos começa a demonstrar impaciência, sisudez e dominação, ainda que de leve.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

OS FANTASMAS SE DIVERTEM

NOTA 9,5

Irônico, diferente, escrachado,
nostálgico e com fundo melancólico,
comédia de humor negro só erra por
não explorar mais a fundo os personagens
O diretor Tim Burton ainda estava iniciando sua carreira, mas quando lançou Os Fantasmas se Divertem conseguiu apresentar todas as características que marcariam sua filmografia, do bizarro ao gótico, e obviamente atestando sua criatividade infinita. A ideia era fazer um filme de terror cujo protagonista seria um demônio que se disfarçaria de humano para se aproximar de duas famílias normais, porém, exterminaria uma delas e estupraria a filha adolescente da outra. Cruzes! Será que o projeto original daria certo? Tendo o cineasta no comando tudo é possível, mas certamente remodelar o argumento e transformá-lo em uma comédia foi uma jogada de mestre. Escrito por Michael McDowell, Warren Skaaren e Larry Wilson, na realidade trata-se de uma obra de humor negro que usa e abusa da criatividade e do que é pouco convencional, aproveitando-se de um elenco em ascensão na época para atrair público e acostumá-lo com o estilo de Burton. A trama começa nos apresentando o casal Barbara (Geena Davis) e Adam Maitland (Alec Baldwin) que levam uma rotina pacata e harmônica em um casarão numa colina de uma cidade bucólica no interior dos EUA. Certa tarde eles acabam sofrendo um acidente de carro (ridículo, porém, fatídico) e caem em um rio, mas só percebem que bateram as botas tempos depois. Muito apaixonados, eles não parecem se importar que morreram, afinal nem a morte foi capaz de separá-los e assim tentam manter suas rotinas, mas vão descobrir que a vida do além é cheia de regras e burocracia. Além das filas para serem atendidos no além (para fazer graça, um mundo retratado com um extravagante colorido tal qual em A Noiva Cadáver), durante mais de um século terão que viver presos dentro da própria casa, não podendo nem mesmo pisar no jardim, mas quando estão se acostumando com a situação a paz do casal é interrompida com a chegada de Delia (Catherine O’Hara) e Charles Deetz (Jeffrey Jones), excêntricos milionários que compram o casarão de uma parente dos antigos proprietários. Ou eles ainda seriam os donos do imóvel? Os Maitland não pretendem e nem podem sair dali, contudo, são inofensivos como fantasmas e os esforços para espantar os novos moradores acabam sempre em fracasso. A adolescente Lydia (Winona Ryder), a filha incompreendida e depressiva dos Deetz, talvez por não se enquadrar no mundo que vive é dotada de uma sensibilidade ímpar e é a única que consegue ver e interagir com os fantasmas e tentando ajuda-los só acaba piorando a situação para eles.

sábado, 31 de outubro de 2015

CONTOS DO DIA DAS BRUXAS

Nota 7,5 Reunião de contos busca resgatar verdadeiro espírito dos festejos do Halloween

Original, esquisito, interessante, confuso, apavorante e engraçado. Todos esses adjetivos, embora antagônicos, caem como uma luva para o filme Contos do Dia das Bruxas, produção de horror idealizada para resgatar o verdadeiro espírito do Halloween perdido ao longo dos anos pelo cinema. O dia 31 de outubro é marcado em diversos países por festejos que incluem desfiles, bailes à fantasia, a busca das crianças de porta em porta muito mais por doces que por travessuras e as tradicionais maratonas de filmes de terror na televisão. De origem europeia, a comemoração acabou sendo mais difundida e modelada pela cultura americana, principalmente pelo cinema que dava atenção a data com produções enfocando fantasmas, bruxas, vampiros e tudo que é criatura que pudesse arrancar gritos da plateia, contudo, com o tempo os filmes de seriais killers acabaram roubando a cena afinal os festejos são ideias para qualquer maluco literalmente extravasar seus demônios e vítimas bobinhas é o que não faltam à solta nas ruas. Que o diga o psicopata Michael Meyers e seu sugestivo Halloween – A Noite do Terror. Michael Dougherty, roteirista de X-Men 2 e dos questionáveis Lenda Urbana 3 e Superman – O Retorno, certamente guarda boas lembranças de seus tempos de criança e adolescente quando saia para se divertir no Halloween e ouvir histórias de arrepiar com os amigos e essas memórias parecem impressas em seu filme. Como em um pesadelo no qual os maiores absurdos podem acontecer e não há ordem para começo, meio e fim, o diretor e roteirista procura alinhavar cinco histórias aparentemente ligadas por uma estranha e perigosa criatura disposta a manter acesa as tradições do Halloween. A primeira trama mostra o casal Emma (Leslie Bibb) e Henry (Tahmoh Penikett) voltando para a casa após uma festa, mas a moça mostra-se visivelmente irritada com a bagunça deixada na porta da sua casa e decide pôr um fim nos festejos em seu pedaço antes do sol raiar. O problema é que há uma tradição que diz que aquelas famosas lanternas de cabeça de abóbora não devem ser apagadas ou destruídas tão cedo, caso contrário...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

LENDA URBANA

NOTA 3,0

Apesar da premissa interessante,
terror não foge dos clichês e se
perde em seu mirabolante argumento
até chegar a um clímax vexatório 
Quem já foi em um acampamento escolar certamente já se apavorou com as histórias de terror contadas em torno de uma fogueira tarde da noite, mas se você também já morou em uma república já deve ter vivido situação parecida. Bem, viver no campus de um colégio ou universidade não faz parte da realidade de nós brasileiros, mas para os americanos isso é de praxe. Sem muito pensar nos estudos, os jovens ianques entregues ao ócio gastam seu tempo com paqueras, baladas e amedrontando os colegas com contos macabros a respeito de mortes misteriosas. É esse o ponto de partida de Lenda Urbana, mais um exemplar da onda dos “teen slashers”, filmes que se resumem a um psicopata perseguindo um grupo de jovens incautos, filão que na época estava em alta com os sucessos de Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado. Sem comprovação real dos acontecimentos, os mitos populares que dão título ao filme geralmente envolvem assassinatos, aparições ou desparecimentos mal esclarecidos e eis o grande diferencial da fita. O serial killer utilizaria algumas lendas urbanas para emboscar suas vítimas, contudo, hoje essa peculiaridade não agrega em nada à produção afinal já estamos saturados de assassinatos clichês. De qualquer forma, o prólogo continua sendo um dos melhores do gênero, apesar de bastante esquemático a favor do vilão. Michelle (Natasha Gregson Wagner) está dirigindo a noite por uma estrada deserta e em meio a uma forte chuva quando percebe que seu combustível está acabando, forçando-a a parar em um posto de gasolina de beira de estrada. Ela é atendida por Michael (Brad Dourif, estranhamente não creditado), um sujeito esquisitão, maltrapilho e gago que com suas expressões e forma de agir deixa no ar certa ambiguidade. Não convém dizer o que acontece para não estragar a surpresa de quem por ventura não tenha assistido ainda (alguém?), mas há uma boa inversão de expectativas na introdução que, embora até a metade da projeção pareça não ter uma ligação direta com o restante da trama, serve para ilustrar o que são as tais lendas urbanas. Depois somos apresentados ao grupo de desafortunados que passará a ser vítima de um maníaco que está agindo em um campus universitário, obviamente já deixando claro quem serão os heróis, a boa moça Natalie (Alicia Witt) e o jornalista amador Paul (Jared Leto). O lance é descobrir qual dos coadjuvantes será promovido nos minutos finais revelando-se ser o mascarado da vez, ou melhor, o encapuzado, já que ele se esconde sob a proteção de uma veste de inverno.

sábado, 11 de julho de 2015

A PRESENÇA

Nota 1,0 Arrastado e sem sustos, longa vale apenas pela cuidadosa e melancólica ambientação

Escritor com bloqueio criativo decide se refugiar em um lugar isolado para se concentrar e escrever aquela que poderia ser sua grande obra, mas acaba se desequilibrando com acontecimentos estranhos. Em quantas madrugadas insones você já não se deparou com filmes sustentados por um argumento do tipo? E quantas vezes se decepcionou com o que viu? Com o suspense A Presença não é diferente. A trama gira em torno de uma escritora (Mira Sorvino) que se muda temporariamente para uma cabana em uma remota ilha onde passou alguns momentos da sua infância em busca de tranquilidade para escrever um novo romance, no entanto, ela não estará sozinha. Ela é vigiada todo o tempo por um rapaz (Shane West), um espírito que habita a choupana e que passa a influenciar no cotidiano e nas atitudes da moça. Não demora muito e ela também ganhará a companhia de seu noivo (Justin Kirk) que veio com o propósito de pedi-la em casamento e que involuntariamente desperta uma obsessão ainda maior do tal espectro pela nova inquilina. Sentindo-se perseguida tanto pelo pretendente quanto pela presença de alguém do além, a escritora perde a noção entre a sanidade e a loucura. Tentando manter a aura de mistério do início ao fim, Tom Provost, roteirista e estreando como diretor, não dá nomes aos seus personagens, apenas um coadjuvante é batizado, o Sr. Browman (Muse Watson). Ele é o vizinho mais próximo desta mulher que procura refúgio em um local cujo acesso só pode ser feito através de barco, mas a participação deste senhor na trama é mínima e nada acrescenta a algo que não tem um momento sequer empolgante. No desenrolar da história ficamos sabendo que a protagonista tem um trauma que a impede de sequer pensar em formar uma família e que o espírito com expressões blasé quer persuadi-la a matar seu noivo, mas nada que injete empolgação na pasmaceira. Do inexplicável regresso à casa que lhe traz lembranças danosas da época que era criança à uma exagerada e descabida cena de discussão de relação com o noivo que deveria ser o clímax, não conseguimos criar empatia com a protagonista e seus dramas e medos inconsistentes.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

GRITOS MORTAIS

NOTA 7,0

Com clima e visual que remetem
ao horror clássico, longa assusta
com trama acima da média, mesmo
com clichês e personagens manjados 
Alguém ainda pode sentir medo de brinquedos possuídos por almas demoníacas? Quando Brinquedo Assassino foi lançado até que gerou certo impacto por transformar em algo ameaçador um objeto que deveria ser sinônimo de ternura e aconchego. Suas diversas continuações e também fitas genéricas que tentaram pegar carona em seu sucesso trataram rapidamente de jogar a ideia para a categoria de filmes trash, assim não é de se estranhar o receio para o lançamento de Gritos Mortais, terror cujo vilão é personificado na figura de um boneco de ventríloquo. Poucos filmes exploraram o tema, como o pouco conhecido e antigo Magia Negra estrelado por Anthony Hopkins vivendo um artista que pouco a pouco é dominado por seu boneco. Três décadas depois, esse trabalho quase folclórico voltou a inspirar, mas talvez pelo fato de não ser popular não ajudou a criar um sucesso. O jovem Jamie Ashen (Ryan Kwanten) tem sua esposa Lisa (Laura Regan) brutalmente assassinada na mesma noite em que recebem um misterioso pacote sem remetente contendo um estranho boneco. Antes a moça havia relembrado uma história que ouvia quando criança sobre uma mulher chamada Mary Shaw (Judith Roberts) que não possuía filhos, apenas bonecos que tratava como pessoas de carne e osso, e quando alguém a visse em sonhos jamais deveria gritar, caso contrário estaria condenado a morte. Atordoado com o assassinato da companheira, porém, com a polícia apontando-o como o principal suspeito, o rapaz resolver regressar à sua cidade natal, Ravens Fair, a fim de provar sua inocência e punir o verdadeiro criminoso que julga ser o tal fantoche. No povoado todos conhecem a lenda de Mary Shaw, uma senhora que ganhava a vida com suas apresentações de ventriloquismo, mas certa noite quando teve a veracidade de seu show questionada acabou surtando e matou a criança que ousou afrontá-la. Inconformada, a população se vingou de maneira bizarra e cruel. A artista foi morta e teve sua língua arrancada, mas seu corpo foi enterrado junto de suas dezenas de bonecos de trabalho como havia pedido em testamento. Algum tempo depois os moradores da região começaram a sofrer mortes misteriosas e seus corpos sempre eram encontrados com as línguas arrancadas e em posições estáticas. Paralelo a isso, os bonecos também passaram a sumir de suas covas, o que gerou a lenda de que os fantoches de ventriloquismo seriam sinônimos de mal presságio e Ashen se apega à crença para solucionar a morte da esposa.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

DEU A LOUCA NOS MONSTROS

NOTA 8,0

Mescla de aventura, comédia e
terror ganhou status de ícone
nostálgico, um retrato de uma época
de inocência, descobertas e diversão
Que saudades da década de 1980! Tempos em que criança vivia como criança e muitos filmes clássicos que marcaram a infância de marmanjos são o retrato de uma época que infelizmente não volta mais. Qual guri hoje em dia tem um clubinho de amigos para planejar aventuras e sonha em ter uma casa na árvore? Contatos virtuais não valem. Qual garoto cultiva aquele amor platônico que o faz desejar ser grande o mais rápido possível? Com as redes sociais a paquera perdeu sua inocência. E as madrugadas viradas assistindo filmes de terror regadas a refrigerante e pipocas com a galera? Hoje até rola programas do tipo, mas cada um na sua casa na base dos filmes on demand e a zoeira é via comentários whats up ou webcam.  Para quem já passou dos trinta anos certamente vez ou outra deve sentir saudades de ir até a locadora escolher aquele filminho bacana que serviria de desculpa para a reunião com os amigos no fim de semana, mesmo com o inconveniente de ter que rebobinar a fita e sair de casa para devolver. Hoje praticamente extintos, tais estabelecimentos comerciais tiveram sua importância, pois com eles o acesso as produções dos mais diferentes gêneros se tornara bem mais fácil que uma ida ao cinema e as fitas de terror se beneficiaram dessa aproximação com o público mais jovem. Do trash levado a sério, passando pelo “terrir” até chegar a tramas de horror legítimo, muitas fitas de arrepiar ou que usavam o medo apenas como pano de fundo marcaram momentos inesquecíveis de muitas pessoas como é o caso de Deu a Louca nos Monstros, divertida aventura que ressuscitava criaturas clássicas do horror que arrepiaram plateias entre as décadas de 1930 e 1950,  mas que teve alguns problemas para encontrar seu público logo de cara por ser uma mescla de gêneros e conter palavras e situações incomuns em produções que teoricamente visava crianças e adolescentes, como um jovem fumando, vampiras seminuas ou pais sendo provocados pelos filhos, o que no fundo é pura hipocrisia da época. A trama começa em um castelo da Transilvânia quando o Dr. Abraham Van Helsing (Jack Gwillim) e um grupo de habitantes locais invadem o castelo do Conde Drácula (Duncan Regehr), a fim de detê-lo para sempre, mas algo dá errado e o próprio caçador acaba sumindo em meio a um redemoinho que traga tudo e a todos a sua volta. Um século mais tarde (lembrando que o filme é de 1987), o príncipe das trevas volta à vida desejando recuperar um antigo amuleto mágico, o mesmo que foi usado no ritual para destruí-lo, e ressuscita o Frankenstein (Tom Noonan), a Múmia (Michael Reid Mackay), o Lobisomem (Carl Thibault) e o Monstro da Lagoa Negra (Tom Woodruff) para ajudá-lo nessa tarefa que tem prazo certo para acabar, caso contrário, todos eles voltariam para o limbo de onde saíram.

domingo, 5 de julho de 2015

BEARY E OS URSOS CAIPIRAS

Nota 2,5 Inspirado em atração da Disneylândia, longa é frágil, datado e carece de humor

O cinema usa os mais diferentes tipos de inspiração, desde uma simples palavra, passando por quadrinhos e videogames, até adaptações de livros gigantescos ou fatos da vida real. Poderia a atração de um parque temático também gerar um filme? Bem, a franquia Piratas do Caribe provou que isso é possível, ou seria apenas um golpe de sorte? Cerca de um ano antes da Disney lançar a primeira aventura do pirata Jack Sparrow o estúdio investiu em Beary e os Ursos Caipiras, transposição para as telonas de um famoso show exibido na Disneylândia, O “Country Bear Jamboree”. Embora até então esse musical fosse conhecido apenas por turistas, a empresa acreditava no carisma dos personagens e deu liberdade ao roteirista Mark Perez para criar livremente em cima da restrita apresentação de bonecos mecânicos que desde 1972 encanta e diverte crianças e também aos adultos que inevitavelmente deixam aflorar o espírito infantil quando visitam o parque. A trama narra a odisseia de Beary, um ursinho de dez anos de idade que fora adotado e criado como um filho pelo Sr. e pela Sra. Barrington (Stephen Tobolowsky e Meagen Fay), um casal caridoso que não sabe direito como lidar com a fase pré-adolescente dele, embora também sejam pais de um garoto um pouco mais velho, o impertinente Dex (Eli Marienthal), que com inveja dos paparicos ao irmão resolve lhe contar a verdade sobre suas origens. Sim, em um mundo onde humanos e ursos convivem harmoniosamente jamais passou pela cabeça do menino peludo e fofinho que ele seria diferente dos demais membros da família, mas agora que sabe sobre a adoção decide tomar coragem e sair de casa para conhecer suas raízes. Partindo para uma região interiorana, Beary encontra a banda “The Country Bears”, ou melhor, conhece seus integrantes em um momento ruim. Sucesso na década de 1970, o grupo acabou se separando por conta de intrigas e carreiras mal administradas. Contudo, a casa de shows onde costumavam se apresentar está em dificuldades financeiras e prestes a fechar as portas, mas o ursinho, como grande fã do grupo, os incentiva a se reunirem novamente a fim de realizarem uma apresentação beneficente para reativar o local onde acredita que seria mais feliz convivendo com outros de sua espécie. Paralelo a isso, os policiais Cheets (Diedrich Bader) e Hamm (Daryl Mitchell) iniciam uma atrapalhada (e sem graça) investigação para tentar achar Beary.

sábado, 4 de julho de 2015

O CAIXÃO

Nota 2,0 Bom argumento é desperdiçado em suspense fraco que flerta levemente com o drama

Muitas pessoas relatam que em momentos de profunda tristeza já chegaram a sonhar com o próprio funeral e considerem isso um mal sinal, porém, há quem acredite que deitar em caixões é a solução para gravíssimos problemas de saúde, seja do corpo ou da alma. Esse é mote do suspense O Caixão, mas cujo argumento interessantíssimo é desenvolvido de forma vagarosa e sem grandes momentos apoiando-se nos clichês já conhecidos do horror oriental. A Tailândia é berço de pequenas produções de terror e suspense que ganharam projeção internacional, como Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado, e a julgar pela introdução o diretor e roteirista Ekachai Uekrongtham prometia superar expectativas com este trabalho. Sua câmera capta com maestria uma cena impressionante. Uma jovem em close relata que está o mais próximo possível da morte deitada em seu caixão e vivenciando seu próprio funeral ainda em vida. A câmera recua e percebemos que ela está deitada em uma das centenas de urnas funerárias que circundam uma gigantesca estátua de uma venerada entidade da cultura tailandesa. Os participantes do ritual em massa acreditam que dessa forma conseguem enganar a morte e fugir da má sorte. O professor Thanachai (Michael Pupart) estuda há anos vários casos de pessoas que afirmam que se livraram de graves problemas de saúde ou de acidentes após passarem um tempo repousando dentro de caixões, mas se elas conseguem prolongar suas vidas estranhamente algo de ruim acontece a pessoas próximas a elas. Essa espécie de maldição vai tirar o sossego de Su (Karen Mok) e Chris (Ananda Everingham) dois estranhos que tiveram suas vidas cruzadas inesperadamente por notícias ruins. A garota foi diagnosticada com câncer no pulmão enquanto o rapaz poucos dias antes do casamento recebeu a notícia de que sua noiva entrou em coma de uma hora para a outra.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

PÂNICO

NOTA 9,0

Basicamente requentando clichês
do gênero, longa surpreende com seu
ritmo, diálogos e interpretações críveis,
mas conclusão poderia ser mais enxuta
Qual o seu filme de terror favorito? A partir desta simples pergunta e tão comum entre adolescentes quando estão na fase de se reunir com amigos para zoar curtindo alguns sustos é que surgiu um dos maiores fenômenos do gênero, Pânico, um marco que revitalizou o combalido mundo dos seriais killers que de tão indestrutíveis começaram a virar sinônimo de comédia. Alguém lembrou do asqueroso Freddy Krueger? Por uma feliz coincidência ou golpe de gênio mesmo, Wes Craven, o cineasta que na década de 1980 marcou seu nome na História do cinema e tirou o sono de muita gente com A Hora do Pesadelo, voltava uma década mais tarde a fazer o público berrar e roer as unhas. Desde que lançou seu assassino de garras afiadas, pele queimada e um inconfundível figurino uma série de outras produções semelhantes surgiram, inclusive muitas feitas especialmente para lançamento em vídeo aproveitando o boom das videolocadoras. Com o cenário inflado de filmes idênticos a saturação seria inevitável. Eis que Craven decidiu sacudir as coisas simplesmente requentando a velha fórmula do grupo de jovens formado por atores praticamente desconhecidos fugindo de um sádico assassino, mas a forma de apresentar isso a um novo público foi diferenciada. A trama tem como atrativo um serial killer fanático por filmes de terror que está aterrorizando uma pacata cidade do interior da Califórnia assassinando brutalmente adolescentes. O vilão da história não é um ser invencível, mas sim uma pessoa comum com algum tipo de transtorno psicológico, mas ainda assim mais inteligente que boa parte de seus alvos. Sua tática de ataque é um tanto curiosa. Primeiramente, ele telefona para sua vítima e a envolve em uma espécie de brincadeira envolvendo perguntas a respeito do cinema de horror. Quem atende desconfia que isso é um trote de algum amigo e embarca na conversa, porém, tudo fica assustador quando se erra alguma resposta. Imediatamente, uma pessoa usando uma máscara de fantasma e roupas pretas invade a casa da pessoa e a mata com generosos golpes de faca.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

CONFIA EM MIM

NOTA 3,0

Apesar da parte técnica correta
até demais, longa derrapa na
narrativa clichê e sem novidades
que engessa seus protagonistas
Para cumprir a cota de exibição de filmes nacionais os cinemas passaram a aceitar produções amadoras? Em uma primeira apreciação é essa sensação que nos deixa Confia em Mim, longa que na época de seu lançamento foi amparado por uma propaganda maciça na televisão, local que, diga-se de passagem, o projeto se enquadra bem melhor simplesmente porque parece um compacto de uma novela. Bem, a estreia do diretor Michel Tikhomiroff não é necessariamente de qualidade duvidosa, pelo contrário, técnica e esteticamente cumpre suas funções além do necessário, mas seus problemas vão desde as atuações estereotipadas, passando pelo roteiro atropelado até chegar na direção inconsistente, ou seja, a produção é falha em seus pilares de sustentação. Não há tempo suficiente para amadurecer situações e personagens e tudo é muito previsível desde a introdução que tenta vender ao espectador a ideia de uma açucarada comédia romântica. A jovem Mari (Fernanda Machado) é subchefe de um restaurante de médio porte, mas parece frustrada profissionalmente, sempre tendo suas ideias rejeitadas pelo patrão Edgar (Fábio Herford), e também não mantém um bom relacionamento com Beatriz (Clarissa Abujanra), sua mãe que ao que tudo indica é milionária. Todavia, seus problemas aparentemente são solucionados em um passe de mágica ao conhecer o simpático Caio (Mateus Solano) durante uma degustação de vinhos. O rapaz demonstra ter se apaixonado por ela à primeira vista e seus sentimentos são correspondidos logo no primeiro encontro. O romance caminha a passos largos, com direito a planos de dividirem o mesmo teto, mas o caldo entorna quando a garota é incentivada pelo namorado a abrir seu próprio restaurante e ele, com toda pose de empresário de sucesso, iria ajuda-la com a parte burocrática e administrativa. Caio deveria acertar os detalhes da aquisição de um imóvel, mas acaba sumindo com as economias da companheira, ou melhor, com o dinheiro que ela conseguiu de empréstimo da mãe. Sempre muito pacata e ingênua, Mari agora não tem apenas uma dívida financeira a honrar, mas também um acerto de contas consigo mesma, algo que só irá conseguir colocando seu grande amor atrás das grades. Em quantas madrugadas de insônia você já encontrou um filmeco do tipo tapando buraco na TV para lhe fazer companhia?

quarta-feira, 1 de julho de 2015

MULAN (1998)

NOTA 10,0

Arriscando-se com trama mais
madura e cheia de mensagens,
Disney consegue uma animação
madura, mas sem perder a doçura
Nas primeiras décadas de existência da Disney, suas princesas e heroínas eram jovens doces, meigas e que viviam sonhando com um príncipe com quem viveriam felizes para sempre, como a percursora Branca de Neve. A ingenuidade das moças também era característica dos rapazes quando protagonistas dos contos, como no caso do boneco de madeira Pinóquio, e até animais como Bambi resgatavam tal pureza nas telas. Os anos passaram, o criador do estúdio faleceu, a crise assolou os profissionais que tentavam dar continuidade a sua obra e histórias água-com-açúcar já não conquistavam nem mesmo as crianças. Quando buscaram inspiração em contos com mais dramaticidade, como A Pequena Sereia, embora floreando um pouco as coisas, a Disney conseguiu se reerguer e tomar coragem para projetos mais ousados. As personagens femininas outrora recatadas e submissas passaram a demonstrar coragem e independência chegando ao ápice com a protagonista de Mulan, longa baseado em um antigo e milenar poema chinês. Roteirizado a dez mãos por Rita Hsiao, Chris Sanders, Philip LaZebnik, Raymond Singer e Eugenia Bostwick-Singer, a trama começa de forma impactante. Os hunos estão invadindo a China liderados pelo inescrupuloso Shan-Yu ofendidos com a construção da Grande Muralha. Para enfrentar os invasores, o Imperador ordena que cada família deve ceder um homem para se juntar ao exército, mas antes disso somos apresentados à Mulan que está às voltas com os preparativos para aquele que deveria ser o grande momento da sua vida, o dia em que seria avaliada por uma casamenteira que lhe arranjaria um bom marido e assim traria honra à sua família conhecida por venerar tradições. No entanto, a jovem não nasceu para ser uma dona-de-casa submissa. De espírito naturalmente livre, ela é alegre, corajosa e inteligente e seu compreensivo pai a respeita e a ama do jeito que ela é. O amor entre eles é tão grande que ela não pensa duas vezes quando sabe da convocação imperial. Como seu pai é o único homem do clã, mas já está com idade e debilitado por um problema em uma das pernas, a jovem decide assumir seu lugar na batalha e defender a honra de seus familiares para que esqueçam a vergonha de ter sido rejeitada para o casamento.


terça-feira, 30 de junho de 2015

NO CAIR DA NOITE

NOTA 2,5

Apesar do ponto de partida
promissor, terror se prende a clichês,
poupa violência gráfica e causa
sonolência com excesso de escuridão
Todo produto antes de ser lançado passa por um rigoroso estudo a respeito de custos, formatos, tamanhos e outras características. A produção de filmes também passa por processos semelhantes, mas parece que alguns fogem da fila de planejamento e ganham sinal verde aleatoriamente. Esse parece ser o caso de No Cair da Noite, terror que frustra pelos poucos sustos e que explora o batido tema do medo do escuro. A trama é baseada em um curta-metragem original de apenas cinco minutos escrito e dirigido por Joe Harris que imaginou que seu material poderia vir a se transformar em um bom longa. Para tanto se uniu aos roteiristas John Fasano e James Vanderbilt que o ajudaram a desenvolver o argumento, criando personagens e situações adicionais. Antes tivessem focado apenas na ampliação do prólogo que é bem interessante e a única coisa que presta na produção. Ilustrados por fotografias envelhecidas com um tom alaranjado que lembra ao fogo, os primeiros minutos contam rapidamente a história de Matilda Dixon, uma viúva que em meados do século 19 era muito popular na pequena cidade de Darkness Falls por fazer a caridade de trocar os dentes de leite das crianças por moedas de ouro, assim encorajando-as a não ter medo de arrancá-los quando houvesse necessidade. Tal hábito fez com que os habitantes locais a apelidassem de Fada dos Dentes, porém, repentinamente eles próprios se voltam contra a velhinha. Durante um incêndio em sua casa ela tem seu rosto queimado drasticamente o que a obriga a ficar reclusa, tendo coragem de apenas ir para a rua sob a proteção da escuridão da noite e usando uma máscara de porcelana branca. Sua única razão de viver era continuar fazendo o ato de caridade, mas quando duas crianças do povoado desaparecem imediatamente a acusam de sequestrar e matar menores e a condenam à morte por enforcamento. Tomada pelo ódio, em seus minutos finais ela lança uma maldição dizendo que voltaria na escuridão para se vingar. E com razão. Após sua execução os meninos perdidos são encontrados sãos e salvos e não relatam nada envolvendo a falecida. O roteiro seria bem mais interessante mostrando o medo psicológico e o arrependimento da população em tempos em que crenças em maldições eram corriqueiras e com efeitos acachapantes, mas acharam melhor dar um salto de 150 anos para mostrar como a lenda afetou a vida de Kyle Walsh (Chaney Kley), que teve a infância marcada por pesadelos bem realistas com a Fada dos Dentes às avessas, inclusive creditando a morte de sua mãe a ela.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

DIA DOS NAMORADOS MACABRO

NOTA 3,0

Refilmagem de terror pouco
conhecido apóia-se nos efeitos 3D
para dar sobrevida a trama fraca,
clichê e um tanto datada
Há alguns anos virou moda filmes que tocam o terror às vésperas do Natal, então por que não fazer o mesmo com outras datas emotivas? Dia dos Namorados Macabro não usa os festejos dos namorados (nos EUA conhecido como Dia de San Valentin e comemorado no dia 14 de fevereiro) como algo de suma importância para a trama, mas não se pode negar que o título vende bem o produto: um legítimo trash movie. Dosando bem carnificina e humor proposital, desde o início o roteiro de Todd Farmer e Zane Smith mostra que criatividade não é seu ponto forte. A introdução é ilustrada por reportagens de jornais acompanhadas de uma narração extremamente didática destacando um fatídico acidente em uma mina na pequena cidade de Harmony. O jovem Tom Hanniger (Jensen Ackles), filho do proprietário do local, teria cometido um engano operacional ocasionando a explosão da mineradora e a morte de seis trabalhadores. Após várias tentativas de resgate o único sobrevivente encontrado foi Harry Warden (Richard John Walters) que acaba sendo acusado de assassinato. Ele teria enlouquecido com tal situação claustrofóbica e matado seus companheiros mutilando-os com suas próprias ferramentas de trabalho. O criminoso foi levado para o hospital da cidade onde permaneceu em coma por um ano até despertar em plena comemoração de mais um Dia dos Namorados e não perdeu tempo para se vingar iniciando um novo massacre. Médicos, enfermeiros, pacientes e até crianças foram extirpadas com requintes de crueldade. Depois é óbvio que ele retornaria ao lugar onde realizou seus primeiros assassinatos e mais óbvio ainda que um grupo de jovens desmiolados resolve comemorar a noite dos apaixonados na mina abandonada. Queriam economizar o motel? Um dos incautos é o próprio Hanniger acompanhado da namorada Sarah (Jaime King). O rapaz vai até o carro pegar algumas bebidas e nesse meio tempo um novo massacre em tempo recorde acontece. Muito suspeita essa saidinha, não é? Olhos voam pelos ares, um rapaz tem o rosto desfigurado e uma garota tem a cabeça partida ao meio por um golpe pesado e certeiro com pá de escavação. A violência gráfica vai longe acompanhada de um ritmo frenético que faz os dez minutos iniciais parecerem o clímax da fita.

segunda-feira, 2 de março de 2015

PROVA FINAL

NOTA 6,0

Basicamente reciclando clichês de
fitas de horror teen, longa tenta um
toque de originalidade investindo na
ficção científica, mas esquece de assustar
O medo de uma invasão alienígena já é um tema para lá de batido no cinema. Em algumas produções o que deveria ser assustador acaba tornando-se cômico com a falta de estrutura dos roteiros e efeitos especiais um tanto capengas. Mesmo assim ainda há diretores e roteiristas que investem no filão e não é que vez ou outra um título cult surge como se caísse literalmente do céu? O horror teen Prova Final é um desses raros casos. A produção não é lá essas coisas, facilmente pode ser criticada pelo espectador comum, porém, é aquele tipo de filme pequeno que alimenta curiosidades. Para quem entende de cinema dois nomes fazem a diferença nos créditos. O roteiro é de Kevin Williamson, na época em alta com a repercussão dos dois primeiros filmes da série Pânico e de Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, mas neste trabalho optou por fugir do universo dos seriais killers e investir na ficção científica. Para tanto, a assinatura assumidamente trash do cineasta mexicano Robert Rodriguez, já venerado por trabalhos como El Mariachi e Um Drink no Inferno, foi essencial. Acostumado a trabalhar com orçamentos baixos e confiar mais na criatividade, o diretor conseguiu criar um típico filme de terror adolescente, mas intrigante, com reviravoltas, atuações acima da média e com vilões que fogem do lugar comum. A trama é praticamente uma releitura do clássico Os Invasores de Corpos, inclusive citado ao longo do filme, e a ação se passa em uma escola secundária do interior dos EUA onde situações suspeitas passam a acontecer de uma hora para a outra. O treinador Joe Willis (Robert Patrick) passa a beber água em excesso e a provocar alunos, a professora Karen Olson (Piper Laurie) muda o jeito de se vestir e se comportar demonstrando uma altivez desconhecida e até mesmo a simpática e politicamente correta Elizabeth Burke (Famke Janssen) se transforma em uma pessoa agressiva e confrontadora. Delilah Profitt (Jordana Brewster), uma patricinha editora do jornalzinho da escola, procurava um furo de reportagem e começa a perceber o estranho comportamento de funcionários do colégio e estudantes, desconfianças também alimentadas pelo nerd Casey Connor (Elijah Wood) que encontra uma estranha criatura no campo de esportes que acredita ser alguma manifestação alienígena que domina corpos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

OS ESTRANHOS

NOTA 6,0

Apesar da atmosfera claustrofóbica,
suspense parece se intimidar diante de
seus próprios vilões e não ousa na trama,
mas tecnicamente é acima da média 
Inspirado em fatos reais. Tais palavras soam como pesadelos para alguns que imediatamente passam a julgar negativamente os filmes, mas para outros é a isca para se sentirem atraídos. Ao final, teçam críticas negativas ou positivas a eles, de uma maneira geral sempre fica a dúvida até que ponto as verdadeiras histórias foram respeitadas e o quanto foi inventado. Um dos casos mais clássicos de obras que criaram enredos baseando-se livremente em histórias reais foi O Massacre da Serra Elétrica cuja trama cheia de simbolismos, inclusive como resposta a barbárie da Guerra do Vietnã, nasceu com a captura de Ed Gein, assassino diagnosticado com problemas mentais que para suprir a falta da mãe mutilava mulheres para guardar parte de seus corpos. Já Os Estranhos se inicia vendendo a ideia de inspirado no assassinato brutal de um casal em fevereiro de 2005 em uma casa de veraneio, mas tal ocorrência nunca foi confirmada. Posteriormente ao lançamento o diretor e roteirista Bryan Bertino afirmou ter se baseado nos assassinatos verídicos envolvendo uma família em 1969 e também em um fato ocorrido em seu bairro e que marcou sua infância. Buscando criar envolvimento com o espectador, mas sem sucesso imediato, o filme começa mostrando James (Scott Speedman) chegando na casa de campo de seus pais acompanhado da namorada Kristen (Liv Tyler) após uma festa, mas existe um clima pesado entre eles. Ela acabara de recusar o pedido de casamento do rapaz, mas serão obrigados a dividir o mesmo teto nesta noite, porém, não necessariamente o mesmo espaço. Todavia, não poderão se fazer de cegos, surdos e mudos por muito tempo, pois a calada da noite lhes reserva um verdadeiro pesadelo que de certa forma os unirá... e para sempre! Já é madrugada quando uma jovem bate firmemente na porta da casa procurando por outra garota. Não demora muito e ela volta e refaz a pergunta. Na terceira vez o questionamento é mais incisivo e o pânico toma conta do casal que percebe estar sendo ameaçado por jovens mascarados que rondam a residência e que de alguma maneira parecem ter acesso ao interior dela assim podendo pregar sustos livremente. E a trama se resume a isso. O casal tenta fugir da casa inúmeras vezes, mas acabam sempre barrados pelo trio de criminosos que não parecem dispostos a roubar. O intuito é amedrontar o máximo possível até poderem dar literalmente o golpe de misericórdia em suas vítimas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PROJETO DINOSSAURO

NOTA 0,5

Recorrendo ao recurso da colagem
de cenas supostamente reais, longa
não tem gênero definido e reforça a cada
minuto sua vocação trash e despropósito
O cinema de tempos em tempos se reinventa, mas o que é novidade hoje amanhã já pode estar ultrapassado. Há alguns anos os filmes-mosaicos, aqueles que intercalam história de diversos personagens e que quase sempre deixam interrogações aos espectadores, viraram febre. Dramas pesados e com verniz de produções para intelectuais ganharam as salas de multiplex, mas hoje já parecem realocados nos circuitos alternativos. Outra mania que pegou nos últimos tempos são os “found footage”, filmes que vendem a ideia de serem uma edição de imagens de fitas amadoras, mas que na verdade são produções razoavelmente elaboras que usam o recurso para escamotear precariedades, embora existam exceções. Pode-se dizer que A Bruxa de Blair deu o pontapé inicial na onda, mas o que economizou financeiramente esbanjou em criatividade para sua campanha publicitária. [Rec] e Cloverfield – Monstro usaram a técnica justamente para fugir da mesmice que assolava o gênero de terror e suspense. Já Atividade Paranormal e suas continuações, ainda que tenham se tornado sucessos comerciais, contribuíram para que a colagem de imagens supostamente reais caísse em decadência, ainda mais porque produções menores e de segunda usaram e abusaram do recurso. Projeto Dinossauro veio para engrossar essa lista de fracassos, apesar da premissa curiosa. Um grupo inicia uma expedição por uma área remota do Congo para investigar indícios da existência de estranhos animais na região, espécies que deveriam estar extintas a milhões de anos ou que poderiam ser mutações de répteis com traços pré-históricos. Marchant (Rochard Dillane) é o líder da missão e terá que lidar com diversos imprevistos, como a presença de Luke (Matt Kane), seu filho adolescente que embarca na viagem clandestinamente, e também a repentina mudança de personalidade de Charlie (Peter Brooke), até então seu melhor amigo e que se transforma no vilão da história. Epa! Isso é mesmo preciso em um filme cujos astros deveriam ser ferozes dinossauros? O problema é que este é o primo pobre de Jurassic Park e o constrangimento diante das figuras criadas pela equipe de efeitos especiais (se é que podemos chamar assim) é inevitável, assim como também soam ridículas as atuações, direção e a trama. Não há nada que salve a produção. Sua nota mínima seria apenas pelo argumento, embora desperdiçado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PÂNICO NA FLORESTA (2003)

NOTA 4,0

Basicamente repetindo clichês e
erros de filmes de terror teen, longa
escamoteia suas falhas com clima
envolvente e violência gráfica intensa
Grupo de jovens incautos vai parar em um local aparentemente longe de tudo e de todos, mas logo vão descobrir que não estão sozinhos e terão que correr contra o tempo para fugir de uma trupe de sádico assassinos. Mudam os cenários, os atores e a caracterização dos psicopatas, mas tal argumento é o que sustenta praticamente dez em cada dez filmes para adolescentes e Pânico na Floresta não foge à regra. O título genérico e que pega carona descaradamente na produção que revitalizou o gênero do terror já mostra que criatividade não é o forte desta fita que começa com um manjado prólogo envolvendo um casal de alpinistas que já entrega tudo que podemos esperar. Depois somos apresentados ao protagonista, o jovem Chris Flynn (Desmond Harrington), um estudante de medicina que está a caminho de uma entrevista de emprego e dirige por uma rota segura, mas um acidente na pista o faz tomar outro rumo. Ele vai até um obscuro posto de gasolina à procura de um telefone e lá descobre um mapa que indica uma estrada alternativa em meio à mata cerrada. Antes tivesse aguardado a liberação da pista e optado pelo trajeto tradicional. Na mesma estrada remota ele encontra um grupo de jovens que tiveram os pneus do carro furados por um arame farpado largado no meio do caminho. Jessie (Eliza Dushku) estava deprimida e seus amigos Evan (Kevin Zegers), Francine (Lindy Booth), Scott (Jeremy Sisto) e Carly (Emmanuelle Chriqui) queriam lhe proporcionar uma viagem para melhorar seu astral, mas tudo parece conspirar contra. Chris acaba batendo na traseira do veículo deles e estando todos literalmente em um mato sem cachorro o jeito era unir forças para tentar pedir ajuda, todavia, eles nem imaginam que tenham companhia na floresta. A certa altura o grupo se divide e alguns deles se deparam com uma cabana cercada de automóveis deteriorados. Dentro da choupana, muitas armas de caças, sujeira e pedaços de carne humana por todos os lados. Eis a única novidade (se é que podemos considerar assim) que o longa trás em relação a tantos outros filmes de slasher. Os vilões não são apenas frios psicopatas, mas canibais desfigurados frutos de relações incestuosas, quase monstros, porém, nem tão irracionais quanto parecem. Ágeis, estratégicos e íntimos de tudo quanto é instrumento que possa ferir, eles seriam as figuras mais interessantes do longa. Ou quase isso.

domingo, 4 de janeiro de 2015

UM AMOR PARA RECORDAR

 Nota 7,5 Previsível e maniqueísta, romance caiu no gosto popular e é amado pelas adolescentes

Quando os cinemas multiplex surgiram vendia-se o benefício do poder de escolha dado ao cliente afinal em um mesmo shopping ao invés de dois ou três filmes em cartaz era possível encontrar de dez a quinze opções diferentes. Não demorou muito para a cobiça corromper tal ideia e os blockbusters passarem a ocupar até metade destes complexos de exibição. E quem deseja ver um filme de menos destaque? Para tanto é preciso garimpar endereços e horários em cinema alternativos e é nessas horas que pinta a saudade das videolocadoras. Além da variedade de títulos, tais estabelecimentos traziam a vantagem do atendimento personalizado e da troca de experiência direta com outros clientes, assim muitos filmes com passagem relâmpago ou que sequer chegaram a ser exibidos nos cinemas conquistaram fama. Foi na base da propaganda boca-a boca que o romance Um Amor Para Recordar tornou-se um moderno clássico, pelo menos essa é a opinião de boa parte do público juvenil, o grande alvo da fita. A trama escrita por Karen Janszen se sustenta sobre a manjada premissa do jovem rebelde que imediatamente muda de vida e comportamento ao se apaixonar por uma garota exemplar, mas nada popular no colégio. Landon Carter (Shane West) é um rapaz irresponsável e impulsivo que acabou sendo punido na escola por fazer uma brincadeira de mau gosto com um colega que quase ficou paraplégico. Como punição, porém, com finalidade socioeducativa, ele é obrigado a participar da montagem de uma peça teatral, algo que queimaria o filme de qualquer moleque metido a bad boy. Todavia, durante os ensaios, ele faz amizade com Jamie Sullivan (Mandy Moore), a filha do pastor da cidade, uma moça conservadora e exemplar em suas atitudes e talvez por isso um tipinho nada popular ou atraente.

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