quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O ARTISTA

NOTA 9,0

De origem francesa, preto e branco
e sem um único diálogo sequer, obra
que homenageia o cinema agrada por sua
ousadia e ao mesmo tempo simplicidade
É curioso, mas em plena época em que muitos cineastas, produtores e estúdios passaram a investir pesado em histórias mirabolantes ou tecnologias de ponta e efeitos 3D para atrair o público de volta às salas de cinema ou até mesmo para injetar algo a mais na campanha publicitária de produções deficientes, muita gente do meio cinematográfico se uniu ao coro de críticos do mundo todo para exaltar O Artista, uma surpreendente obra com tom nostálgico que teria tudo para ser pisoteada por onde passasse. Isso na base do preconceito é bom deixar claro. Só vendo para crer no que este trabalho significa, principalmente para os dias atuais em que a arte cinematográfica está tão debilitada e requentada. Filmado em preto e branco, de origem francesa e sem um único diálogo durante toda sua duração, parece até que estamos falando de um daqueles filmes clássicos que vez ou outra são restaurados para serem relançados em cinematecas e salas alternativas, mas o trabalho originalíssimo do cineasta Michel Hazanavicius conseguiu preencher até mesmo as salas multiplex dos shoppings centers. Claro que isso graças às dezenas de premiações que recebeu. De todos os festivais e eventos dos quais participou a obra saiu ao menos com um troféu de lembrança, tendo sua apoteótica consagração no Oscar 2012 que curiosamente não lhe reservou uma das vagas para Melhor Filme Estrangeiro, mas cedeu à obra nada menos que dez indicações das quais cinco transformaram-se em estatuetas douradas, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Apesar de sua origem francesa, o longa é praticamente uma homenagem à Hollywood dos primórdios do cinema, entre as décadas de 1920 e 1930, um tempo em que uma imagem literalmente valia mais que mil palavras. Hazanavicius arquitetou seu trabalho com muito cuidado para fazer o espectador se sentir feliz ao final da projeção e sonhando com um mundo idílico, uma época que infelizmente não volta mais. Apesar do caráter onírico, o enredo enfoca fatos reais e muito importantes tanto para a História da sétima arte quanto para compreendermos a modernização do mundo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A ÁRVORE DA VIDA

NOTA 9,0

Um dos filmes mais originais
dos últimos tempos só não ganha
nota máxima por inevitavelmente ser
uma obra para público específico
Filmes que participam ou vencem festivais já chegam aos cinemas com uma bela propaganda e com um público cheio de expectativas. Quando há um elenco e diretor de peso e o apoio da mídia, principalmente da internet, a ansiedade pelo que está por vir é ainda maior. Tal movimento de divulgação em massa ocorreu, por exemplo, com Melancolia, de Lars von Trier, que muito antes de estrear já chamava a atenção, até por conta das declarações polêmicas do diretor que na ocasião tornou-se pessoa não grata no Festival de Cannes que antes o recebia de braços aberto. O fato é que ter bastante publicidade de forma alguma serve como termômetro para avaliar se um filme é bom ou ruim e nessas muita gente acaba se decepcionando com o que assiste impulsionadas pelo pensamento de que precisa estar por dentro do que está sendo comentado. É ótimo que exista essa vontade de participar de alguma discussão, mas é preciso estar preparado para saber separar o gosto pessoal do coletivo. No caso de A Árvore da Vida também é preciso saber distinguir o que é um cinema de puro entretenimento e o que é uma produção voltada ao conceito de arte. O longa ganhou projeção pelas indicações e prêmios que conquistou e logo virou objeto de análises de blogs e sites que fomentaram sua publicidade, mas só pelo seu poético título já era de se esperar que é uma obra que prioriza sentimentos e contemplação, ainda mais quando descobrimos que leva a assinatura do diretor e roteirista Terrence Malick. Na época completando 38 anos de carreira, ele contabilizada apenas cinco longas em seu currículo, mas a pouca produtividade em nada arranha a fama do cineasta, pelo contrário, curiosamente só soma, sendo que seus filmes surgem com uma aura diferenciada. Após o pouco visto O Novo Mundo, drama épico que conta a história da índia Pocahontas sob uma ótica mais adulta, ele voltava aos holofotes para tratar da relação entre pai e filho de uma família comum propondo uma interessante analogia com o surgimento do universo até o fim dos tempos. Dessa forma, o diretor narra uma grande viagem pela evolução da vida e tenta desvendar seus mistérios ao mesmo tempo em que liga esses temas ao viés familiar mostrando os efeitos da natureza e da fé sobre um grupo de pessoas. Chegaram a tentar rotular o filme como produção de cunho religioso, mas na verdade não existe defesa de dogmas de qualquer tipo de crença. O objetivo é levar à reflexão sobre os caminhos da vida que é feita de momentos de alegria e tristeza em proporções semelhantes, além de ser influenciada pelos rumos da natureza e do próprio ser humano.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

NOTA 9,0

Drama mostra lado pouco
esplendoroso da Índia através da
história de rapaz de origem humilde
que literalmente vence na vida
Entra ano e sai ano e muita gente continua com suas simpatias e rituais em busca de ajuda para conseguir uma vida financeira confortável. Bem, já que a maioria tem esse desejo, a dica é fechar o ano assistindo Quem Quer Ser Um Milionário?, elogiada e premiada produção americana que mostrou ao mundo uma Índia realista, pobre, repleta de problemas, mas ainda assim com uma população esperançosa. A sugestão não é só pelo fato de ter dinheiro envolvido na história, mas principalmente pela mensagem de otimismo e reflexiva que o filme nos deixa. A câmera do eclético diretor Danny Boyle apresenta o cotidiano do povão que por coincidência não difere muito da realidade das áreas menos favorecidas brasileiras. Até mais interessante que o próprio filme em si é a sua trajetória desde a concepção até o clímax, a festa do Oscar. Um diretor que já trabalhou com a juventude rebelde, lidou com zumbis, frequentou uma ilha aparentemente deserta e se aventurou pela ficção científica em uma época em que o gênero estava praticamente sepultado, só prova que ele não tem medo de experimentar, testar novos temas e ambientações. Por isso não é para se estranhar a sua audácia de voltar suas atenções para um país pouco conhecido e procurar o que havia de mais comum e pobre por lá. O que é espantoso mesmo é a recepção acalorada do público e crítica americana a uma obra com diversos diálogos em língua estrangeira, o hindu, o idioma oficial da índia, o que exige o uso de legendas, coisa que os ianques detestam. E o fenômeno não foi só por lá. Com uma mensagem universal, o longa fez uma carreira brilhante por onde passou e conquistou quase todos os prêmios disponíveis da temporada. O único senão é que o elenco foi esnobado nessas festas, algo já esperado por serem desconhecidos até então e pela origem indiana (foram selecionados entre os populares e aprenderam a atuar “pegando no batente”). Curiosamente, na própria Índia houve rejeição a este trabalho, muito porque condenaram a opção de explorar o universo de favela, mas se a história exige tal cenário não se pode fazer nada. Se a ambientação causa incômodo por expor mazelas sociais, o cinema nada mais fez que mostrar a realidade. Queixas devem ser direcionadas a governantes e afins para mudar esse quadro. O realismo da obra se deve muito ao auxílio do dramaturgo e cineasta indiano Loveleen Tandan, contratado para ceder uma minuciosa pesquisa sobre seu país, mas cuja importância foi tanta que acabou recebendo o crédito de co-diretor.

domingo, 27 de dezembro de 2015

KATE E LEOPOLD

Nota 6,0 Carisma dos protagonistas ajuda a manter interesse por comédia romântica fantasiosa

Meg Ryan tem uma trajetória profissional mais ou menos como a de Julia Roberts. Seu terreno seguro é o gênero romântico e seus filmes já tem público cativo, talvez por isso elas tenham se tornado símbolo do cinema lucrativo da década de 1990, mas ambas hoje em dia já não estão no mesmo patamar de outrora. A diferença é que a loira de olhos claros não conseguiu transitar bem por outros estilos de filmes e acabou criando raízes em um mesmo, motivo que talvez explique o porquê de sua presença nas telas nos últimos anos ser quase nula. Chegam novas safras de atrizes para ocupar sua vaga e ela sofre com a escassez de bons papéis para mulheres maduras. Todavia, mesmo repetindo um personagem que ela praticamente passou a vida toda interpretando, em Kate e Leopold a balzaquiana prova mais uma vez que faz bem aquilo a que se propõe. Ela dá vida a Kate, uma bela e bem-sucedida executiva do mundo da publicidade que vive brigando com seu ex-namorado Stuart (Liev Schreiber). Eles vivem no mesmo prédio e ela implica com as loucuras do rapaz que se dedica a pesquisas científicas. Um dia, ele descobre um portal que acaba acidentalmente transportando de uma época antiga para os tempos contemporâneos Leopold (Hugh Jackman), um nobre do século 19. Sem saber como mandá-lo de volta para o passado e enfrentando alguns problemas pessoais, Stuart abriga em seu apartamento o rapaz que precisa enfrentar as mudanças radicais existentes entre a época que vivia e a que passou a habitar de uma hora para a outra. Kate inicialmente evita contato com Leopold por achar que ele está fazendo algum tipo de brincadeira já que ele se comporta, fala e se veste estranhamente, mas logo ela passa a se sentir atraída pelo seu jeito gentil e romântico. Um homem do tipo é artigo raro e ela obviamente não poderia deixar passar a chance de literalmente ter um príncipe ao seu lado.

sábado, 26 de dezembro de 2015

A ÚLTIMA PROFECIA

Nota 4,0 Apesar do clima soturno, fita não decola com história arrastada e sem sustos

Embora sabemos que o aviso de baseado em fatos reais geralmente acompanha a publicidade dos filmes mais como um elemento caça-níquel, não é raro nos interessarmos por produções do tipo. Naturalmente elas trabalham em nossas mentes um elemento: a curiosidade. Todos os gêneros lançam mão de tal recurso, mas é certo que fitas de terror e suspense se beneficiam e ainda podem se dar ao luxo de inventar a vontade, afinal sabemos que o argumento é inspirado em episódios reais, mas dificilmente sabemos até que ponto o que vemos na tela de fato aconteceu. Algumas produções também podem esbarrar em temáticas muito regionais, o que impede a repercussão fora de seu país de origem. Bem, no caso de A Última Profecia nem mesmo os americanos deram bola para este suspense arrastado e confuso que não assusta, não envolve emocionalmente e tampouco desperta curiosidade. A fita tem como base a lenda do Homem-Mariposa, um vulto escuro com formas humanas, mas também dotado de um grande par de asas cujas aparições misteriosas sempre antecedem alguma tragédia. Nos EUA há diversos registros de pessoas que afirmam ter tido tal visão, mas ninguém sabe dizer se ele seria um anjo profético,  um mensageiro da morte ou até mesmo um extraterrestre. Também poderia ser delírio de indivíduos facilmente impressionáveis. Baseado em fatos reais ocorridos entre novembro de 1966 e dezembro de 1967 e narrados no livro "The Mothman Profecies" do jornalista e parapsicólogo John A. Keel, o filme acompanha o drama vivido por John Klein (Richard Gere), um jornalista que perde sua esposa Mary (Debra Messing) devido a complicações geradas por um acidente de carro. Ela estava ao volante e momentos antes de perder a direção teria tido estranhas visões que a perturbaram. Durante o período em que ficou internada, ela fazia relatos e desenhava sobre uma criatura sinistra intrigando o marido que após sua morte tenta seguir sua vida, mas o destino parece impedi-lo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

SOBREVIVENDO AO NATAL

NOTA 7,0

Como toda boa ceia de Natal,
longa conta com situações
tradicionais à produções do gênero
e ratifica mensagens de solidariedade
Todo Natal é a mesma coisa. As pessoas reclamam da correria, dos compromissos, do estresse das compras e do cansaço para os preparativos da ceia e do almoço, mas que atire a primeira pedra quem nunca parou para pensar o quanto seria chato passar esta data sozinho e ignorando tudo que envolva tal festa? Bem, há quem realmente não goste do período natalino e não tem nada que os faça mudar de ideia, mas é certo que muitos preferem esquecer qualquer imagem que lembre ao Papai Noel por causa de lembranças tristes e esse é o ponto de partida de Sobrevivendo ao Natal, comédia que reúne tradicionais elementos de filmes que comemoram a data e exaltam o espírito de solidariedade e a importância da família e amigos, mas que acabou sendo mal recepcionado pela crítica e público americano e consequentemente chegou chamuscado em outros países. A trama gira em torno de Drew Lathan (Ben Affleck), um executivo bem sucedido, mas cheio de problemas emocionais por causa de seu passado humilde e praticamente solitário. Cansado de passar o Natal sozinho ele é aconselhado a voltar à casa em que morou quando criança e assim realizar uma espécie de simpatia para recuperar sua alegria e entusiasmo a respeito da data festiva. O problema é que o tempo só parou de certa forma para o rapaz e agora a residência está ligeiramente modificada e abriga uma nova família, os Valcos. Dizem que tem coisas que o dinheiro não compra, será mesmo? Acostumado a esbanjar dinheiro com futilidades, Lathan não pensa duas vezes e logo propõe uma insólita, porém, tentadora proposta ao clã: oferece um bom dinheiro para que eles finjam serem os parentes que ele nunca teve e lhe proporcionem uma festa natalina tradicional como ele sempre sonhou. O patriarca Tom (James Gandolfini) aceita a ideia numa boa assim como sua esposa Christine (Catherine O’Hara) e seu filho Brian (Josh Zuckerman), mesmo após uma breve hesitação, mas nada que um polpudo cheque não resolvesse. Todo o acordo foi sacramentado com direito a contrato impresso e cláusulas rigidamente estipuladas, mas os Valcos não esperavam que o tal marmanjo iria mudar suas vidas enlouquecendo-os com seus devaneios de família perfeita e tradições natalinas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

P2 - SEM SAÍDA

NOTA 5,0

Suspense poderia ir além abordando
a transformação de uma pessoa diante
de situação de perigo, mas fica no clichê
apostando em sangue e claustrofobia
Quem tem que trabalhar na véspera de Natal realmente rem todos os motivos para surtar, mas se o caso é com alguém já problemático a noite feliz tem tudo para acabar em pesadelo. P2 – Sem Saída, em sua essência, aborda um tema que fica muito em evidência nessa época do ano, a solidão, mas apenas o usa como pretexto para sustentar uma história cujo objetivo é deixar o expectador sob alta tensão, sem preocupação alguma em desenvolver os personagens que, diga-se de passagem, basicamente são dois. Faltam poucas horas para a ceia natalina e a advogada workaholic Angela Bridges (Rachel Nichols) ainda está trabalhando no escritório. Quando decide encerrar seu expediente e seguir para a casa de sua irmã percebe que o prédio comercial já está totalmente vazio e o pior é que seu carro não quer pegar. Presa no segundo andar do estacionamento (para quem ainda não havia compreendido o título), ainda bem que, ou melhor dizendo, infelizmente ela descobre que está na companhia do vigilante noturno Thomas (Wes Bentley). Muito gentil ele lhe oferece ajuda sem hesitar e até a deixa usar seu gabinete para dar um telefone, mas não demora muito para ela descobrir um lobo em pele de cordeiro. O rapaz nutre uma paixão platônica por Angela e armou uma emboscada com direito a ceia romântica e tudo, mas é óbvio que as coisas não saem como ele esperava. Incialmente, o segurança esforça-se para demonstrar seu amor e ser correspondido, porém, a resistência da jovem atiça seu lado perturbado. Começa assim uma longa sessão de tortura na qual a própria Angela é intensamente agredida, mas segundo seu algoz tudo é em nome do amor.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ESTÃO TODOS BEM

NOTA 8,0

Com trama folhetinesca que
mescla estilo de cinema europeu
e independente americano, drama
conquista com temas universais 
O mundo mudou, mas o tempo não apaga o desejo dos pais em verem seus filhos bem encaminhados na vida. Por mais moderninhos que possam ser, que atire a primeira pedra o pai ou a mãe que não sonhou ao menos uma vez com um futuro brilhante para seus pimpolhos, incluindo a escolha da profissão que seguiriam? É a partir dessa ansiedade que se alicerça o drama Estão Todos Bem, versão americana do italiano Estamos Todos Bem dirigido por Giuseppe Tornatore em 1990. Com roteiro e direção de Kirk Jones, do simpático Nanny McPhee – A Babá Encantada, o longa nos apresenta a Frank Goode (Robert De Niro), um sessentão viúvo e aposentado que ocupa seus dias com tarefas domésticas como limpar a casa, cuidar do jardim e fazer compras. Aliás, sua última visita ao supermercado foi especial, pois ele comprou os ingredientes para uma refeição muito aguardada. Além do trivial, escolheu um bom vinho e até comprou uma churrasqueira, tudo para recepcionar com muito carinho seus quatro filhos para um almoço. Depois que se tornaram adultos e cada um seguiu sua vida em um lugar diferente dos EUA, há anos eles não conseguiam se reunir, mas este homem sabe que essa separação não é algo recente. Ele sempre trabalhou em uma fábrica de cabos telefônicos dedicando-se ao máximo para poder dar de tudo do bom e do melhor para sua família, mas só agora que está sozinho se deu conta que ao longo da vida dedicou pouca atenção a eles e não os viu crescer. Contudo, todo entusiasmo de Frank transforma-se em frustração quando cada um dos convidados telefona na véspera do encontro para avisar que não poderá ir mais, cada um com uma desculpa. Todos menos David, esse que nem chegou a justificar sua ausência. Só por esses minutos iniciais o longa já fisga a audiência. Os filhos estariam mesmo com problemas ou o passado da família é que os impedem de tentarem se aproximar do pai? Sejam lá quais forem os motivos, o elo com espectador já está praticamente estabelecido afinal de contas quem nunca passou por uma situação frustrante semelhante? Muitos pais que o digam, mas o amor incondicional paterno passa por cima de qualquer adversidade ou mal entendido e por isso Frank resolve fazer suas malas e viajar para visitar cada um de seus filhotes e em cada porta que bate uma surpresa o espera. Os rostos sorridentes e inocentes de suas crianças foram substituídos por feições abatidas e levemente tristes, mas custa para este senhor à moda antiga compreender que nada mais é como antes e que os planos que traçou para cada um deles não vingaram. A sensação de decepcioná-lo seria o motivo do afastamento destes jovens adultos, mas existe um agravante na situação.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ANASTASIA

NOTA 7,5

Seguindo a risca fórmulas Disney,
animação cumpre seu papel de entreter,
mas apesar da trama de cunho adulto
longa peca no quesito originalidade
Não tem jeito. Longa-metragem de animação divertido e de qualidade é sinônimo de Disney e ponto final. Durante muito tempo tal empresa conseguiu ostentar elogios do tipo, mas no final da década de 1990 outros estúdios começaram a se organizar para contra-atacar a gigante do entretenimento familiar. Após um longo e conturbado período a casa do Mickey Mouse conseguiu se reerguer com sucessos como O Rei Leão, projeto que mostrou que ousar poderia ser o segredo para se manter no topo, porém, versões infantilizadas de contos como Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame não conseguiram a repercussão esperada. Mesmo assim, outros estúdios resolveram entrar na briga pela audiência infantil e consequentemente conquistar a atenção de seus pais explorando tramas originais ou de cunho mais adulto. A Twenty Century Fox, uma das mais tradicionais companhias cinematográficas dos EUA, aproveitou um momento de descuido da concorrente que relançava no Natal de 1997 o clássico A Pequena Sereia apoiando-se na publicidade da restauração do longa e assim conseguiu espaço para Anastasia brilhar, ainda que discretamente. Animação tradicionalíssima, a fita combina todos os elementos que fizeram a fama da Disney: capricho visual, cenários e figurinos repletos de detalhes, canções que ajudam a contar a história e astros e estrelas emprestando suas vozes aos personagens, além de momentos açucarados ou de emoção escancarada. No centro das atenções uma linda princesa trata de passar a mensagem de que para ser alguém na vida é preciso ter coragem, determinação e caráter e é claro que um detestável vilão não poderia faltar para reforçar a lição de moral de que o crime não compensa. Baseada na peça teatral de Marcelle Maurette, a trama se passa na Rússia entre as décadas de 1910 e 1920 e segue os passos da infância à juventude de Anastasia, a filha do Czar Nicholas. Em dezembro de 1916, durante uma noite de festa no palácio da nobre família Romanov, uma confusão acontece devido a Revolução Russa e o maldoso feiticeiro Rasputin aproveita para se livrar de todos aqueles a quem declarou guerra. Do tradicional e poderoso clã apenas a Imperatriz Maria sobrevive ao ataque. Sua dor é maior pela perda da neta ainda criança, assim decide se mudar Paris para tentar esquecer a tragédia.

domingo, 20 de dezembro de 2015

DANÇANDO PARA A VIDA

Nota 4,0 Ancorado pela presença de Emma Watson, longa é frágil e com falhas de edição

Era uma vez um solitário senhor de idade que passou toda a sua vida dedicando-se à paleontologia, sua grande paixão, mas o solitário Matthew Brown (Richard Griffits) tem uma tardia surpresa. De uma hora para a outra se vê obrigado a aceitar em sua casa sua sobrinha Sylvia (Emilia Fox), que acabara de ficar órfã, e sua babá (Victoria Wood), mesmo que a jovem já não fosse mais nenhuma criancinha para precisar de cuidados de uma ama. A inesperada família que forma acaba por abrandar o coração do professor que surpreende ao aceitar a guarda de mais três meninas que ainda bebês são colocadas em seu caminho. Batizadas com o fictício sobrenome Fóssil, homenagem a paixão do idoso por dinossauros e também por ser uma alcunha única como a forma que elas entraram em sua vida, Pauline (Emma Watson), Petrova (Yasmin Paige) e Possy (Lucy Boyton) acabaram crescendo longe do pai adotivo que sumiu em uma expedição e não deixou muitos recursos para se manterem, a não ser sua mansão que para gerar receita acaba virando uma pensão. Ambientado na década de 1930 em um bucólico bairro londrino, Dançando Para a Vida resume essa introdução em poucos minutos adotando certo tom de fábula, mas infelizmente ao longo da projeção percebemos que este não é um cuidado narrativo. A edição rápida e truncada perdura ao longo de todo o filme e tira o brilho da singela história de Heidi Thomas baseado no romance "Ballet Shoes" de Noel Streatfeild. Feito para a televisão britânica e lançado no Brasil diretamente em DVD, o longa claramente se apóia na popularidade de Watson, sendo o primeiro trabalho da então atriz-mirim fora da série de Harry Potter, mas que aqui passa longe da imagem carismática que carregava. Talvez justamente para apresentar um trabalho diferenciado é que tenha aceitado o papel. Inicialmente meiga, Pauline perde a doçura ao descobrir seu talento para a interpretação e quando consegue uma chance para atuar no teatro, despreparada, ela deixa a fama subir à cabeça e passa a agir de forma grosseira e tempestiva com as pessoas e a quebrar regras.

sábado, 19 de dezembro de 2015

ESTRADA MALDITA

Nota 5,0 Com ambientação própria ao medo, longa peca ao revelar segredos cedo demais

Parece que a véspera de Natal está se tornando uma data macabra, ao menos para o cinema. Se antigamente a época era sinônimo de comédias leves para toda a família, nos últimos anos têm chamado a atenção a quantidade de produções que usam o festejo como pano de fundo para contar histórias de suspense e horror, sempre colocando suas vítimas diante de situações extremas que as forçam a acionar seus instintos de sobrevivência. Estrada Maldita segue bem essa linha. O roteiro de Joe Gangemi e Steven Katz, este responsável pelo texto do ótimo A Sombra do Vampiro, começa em uma sala de aula quando uma estudante (Emily Blunt) está trocando mensagens de celular com uma amiga a respeito da viagem que fará para passar o Natal com a família. Pela primeira vez ela iria fazer o trajeto de ônibus, mas um mural de recados da faculdade lhe chama a atenção e ela resolve aceitar a carona oferecida por um outro aluno (Ashton Holmes), uma prática comum nos EUA. Aparentemente o rapaz só estava fazendo uma gentileza, mas aos poucos a garota começa a desconfiar que ele não é um completo desconhecido e que sabe demais sobre sua vida, sendo a oferta da carona algo premeditado. O pé atrás aumenta quando o jovem decide pegar um atalho que os leva a uma rota alternativa em meio a uma densa floresta. Estaria ele tramando um sequestro ou estupro? O fato é que a viagem que deveria durar cerca de seis horas acaba entrando madrugada a dentro por conta de um acidente que atrapalha os reais planos do rapaz, tempo suficiente para a dupla tentar ajustar suas diferenças, mas fatores externos interrompem constantemente a conversa. Sem comida, com o celular fora de área, presos dentro do carro por conta de uma forte nevasca e tentando se proteger de um frio literalmente de matar, eles aguardam ansiosos por ajuda, mas as chances de alguém passar por aquele lugar isolado são mínimas. Será mesmo?

domingo, 13 de dezembro de 2015

EM MEUS SONHOS

Nota 2,5 Romance é amontoado de clichês, incluindo o mundo gastronômico como pano de fundo

O universo gastronômico é um prato cheio para o gênero romântico e Em Meus Sonhos é mais uma pequena fita que o utiliza como pano de fundo para conquistar o paladar, ou melhor, a preferência do espectador, principalmente mulheres jovens mais propensas a fantasias com príncipes encantados. Natalie Russo (Katharine McPhee) e Nick Smith (Mike Vogel) são dois jovens que estão desacreditados quanto a possibilidade de um amor verdadeiro e obviamente o destino dará aquele empurrãozinho para que seus caminhos se cruzem, porém, somente em sonhos. Se apegando a uma crença da cidade em que vivem que diz que há uma fonte dos desejos, ambos jogam ao mesmo tempo uma moedinha torcendo para que encontrem sua alma gêmea, mas ignoram a presença um do outro. Contudo, eles passam a se encontrar em seus sonhos e a viver um amor platônico, um romance que segundo a lenda deverá ser concretizado em até uma semana, caso contrário o feitiço da fonte se esvai. Talvez se ficasse restrita ao onírico a trama escrita por Teena Booth e Suzette Couture teria uma cadência melhor, mas para dar sustento ao frágil argumento foram (mal) inseridos conflitos cotidianos para os personagens. Nick está insatisfeito com seu trabalho e em paralelo está desenvolvendo um projeto em segredo que acredita que será um ponto de virada em sua carreira, mas vive com seu foco desviado por conta das visitas surpresas e inoportunas de sua mãe. Charlotte (JoBeth Willians) não vê a hora de ver seu filho casado e tenta empurrá-lo novamente para os braços de Lori (Chiara Zanni), sua ex-noiva, mas mesmo que ele não se acerte com ela o importante é que a mulher escolhida passe pelo crivo da sogra. É óbvio que ao conhecer Natalie ela vai implicar e fazer de tudo para impedir o romance... Errado! Contrariando expectativas a mãe do rapaz conhece a garota por acaso antes mesmo do filho e de cara se simpatiza com ela. Numa receita tão insossa, a velha rixa nora versus sogra faz falta.

sábado, 12 de dezembro de 2015

FILHA DA LUZ

Nota 3,0 Na onda do medo da chegada do anticristo, suspense apenas requenta clichês

De tempos em tempos ocorre um fenômeno no cinema e curiosamente diversas produções com temáticas semelhantes são lançadas em períodos muito próximos. Seria espionagem industrial? Bom, no caso de Filha da Luz podemos dizer que foi oportunismo, porém, muito mal aproveitado. Durante o período que antecedeu a virada para o século 21 e para o novo milênio existia o medo do fim do mundo ou da chegada do anticristo na Terra, o que aguçou Hollywood a extravasar seus demônios literalmente. Diversas produções exploraram estes temas e até o clássico O Exorcista foi relançado com cenas adicionais. O longa dirigido por Chuck Russel, da comédia-sucesso O Máskara, e estrelado por Kim Basinger foi só mais um título a explorar o satanismo e a engrossar a lista de produções ruins da safra. Lançado na época de auge das videolocadoras e do DVD e ainda com o frisson das dúvidas espalhadas por fanáticos religiosos quanto ao futuro da humanidade, certamente a fita atraiu curiosos e aficionados pela temática, mas hoje é esquecido. E com razão. Basinger interpreta Maggie O’Connor, uma solitária e pacata enfermeira que tem sua rotina modificada com a visita surpresa de sua irmã mais nova, a irresponsável e viciada em drogas Jenna (Angela Bettis), que chega acompanhada da filha recém-nascida. O intuito da visita é apenas entregar a criança para Maggie que acaba adotando-a meio que à força, porém, o tempo passa e uma relação de mãe e filha se estabelece com a pequena Cody (Holliston Coleman). Aos seis anos de idade e com um leve autismo diagnosticado, a menina começa a demonstrar ter dons especiais, o que chama a atenção de uma seita religiosa que acredita que ela seria uma espécie de reencarnação de Jesus Cristo, a única pessoa capaz de deter os planos do Diabo para dominar o planeta.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A HORA DA VIRADA

 Nota 2,0 Comédia é apenas mais uma a investir na união do esporte e das lições de moral
 
Todos sabem que os americanos são fanáticos por esportes e que o casamento de tal temática com o cinema já rendeu vários sucessos, mas também muitos filmes esquecíveis não por serem necessariamente ruins e sim pelo fato de não apresentarem novidade alguma, simplesmente repetirem fórmulas já testadas e quase sempre com conteúdo moral edificante. A Hora da Virada não foge à regra e seu título nacional já deixa explícita a mensagem de positivismo trabalhada na base dos clichês pelo roteiro de Jon Lucas e Scott Moore e pela direção de Steve Carr que assim como em seu longa anterior, A Creche do Papai, cria um passatempo ligeiramente divertido, mas sob medida para entreter as crianças, seu público-alvo. Roy McCormick (Martin Lawrence) é um treinador de basquete que veio do nada, mas alcançou fama rapidamente treinando grupos universitários. Sua conta bancária também cresceu em semelhante proporção graças aos vários contratos publicitários que fechou, o que lhe rendeu a alcunha de “o rei do patrocínio”. Porém, o tempo passou e chegou um momento em que a maré de azar bateu e sua equipe perdeu todos os jogos e assim o treinador deixou aflorar seu temperamento egocêntrico e explosivo. Após um ataque de fúria durante uma das partidas, McCormick acaba perdendo o emprego e consequentemente seu contrato com a agência de publicidade. Todavia, para tentar recuperar sua credibilidade e a boa vida que tinha, ele conta com a ajuda de seu empresário, Tim Fink (Breckin Meyer), este que na verdade também é ganancioso é não quer perder seu potencial cliente. O rapaz o convence a recomeçar de baixo, assim com muito custo ele consegue um trabalho voluntário na mesma escola que em sua adolescência o consagrou um campeão das quadras.

sábado, 5 de dezembro de 2015

A CASA DOS MORTOS

Nota 3,0 Produção insossa recicla argumento da casa assombrada por episódio macabro 

De forma simplificada, título é a sintetização da ideia central de uma história transmitida através de uma única ou algumas poucas palavras. Muito se comenta sobre as estranhas nomeações que alguns filmes recebem, mas também há casos em que a escolha apesar de condizente com o enredo acaba soando genérica demais e não empolga. Um bom exemplo disso é A Casa dos Mortos. Quantas produções você já assistiu que se encaixariam perfeitamente a esse título? Usando e abusando do chamado found footage, o uso de imagens de vídeos caseiros e supostamente verídicos, o que turbinou a publicidade de filmes como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, a trama escrita por Doug Simon, Max Lobello e Will Canon, este que também assina a direção, não deixa de ser um alinhavado de clichês. Michele (Cody Horn), Bryan (Scott Mechlowicz), John (Dustin Milligan), Donnie (Aaron Yoo) e Jules (Megan Park) formam um grupo de jovens que resolve gravar um documentário em uma antiga e abandonada casa que no passado foi palco de um massacre no qual cinco adolescentes foram brutalmente assassinados por uma amiga da escola após realizarem um ritual de invocação satânica, aliás, ela própria se enforcou depois. É claro que para a gravação ter credibilidade e realismo, o grupo decide fazer a mesma sessão espírita que mais uma vez resulta em tragédia. John seria o único sobrevivente do episódio e passa a ser interrogado pela psicóloga Elizabeth Klein (Maria Bello), mas o rapaz está em estado de choque e com dificuldades para relembrar o que aconteceu, embora afirme que dois de seus amigos estão vivos, porém, desaparecidos. Paralelo a isso o detetive Mark Lewis (Frank Grillo) analisa detalhadamente as fitas gravadas pelos jovens na tal residência, assim tendo em mãos um quebra-cabeças que por vezes parece extremamente complexo. Será mesmo tão complicado assim? Para o expectador diplomado no gênero não é muito difícil desvendar os mistérios da trama, o duro é manter a atenção em algo tão insosso.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A BATALHA DE SEATTLE

NOTA 7,0

Alinhavando histórias ficcionais,
drama tenta retratar toda a tensão que
tomou conta de uma cidade por causa de
manifestação contra abusos de poderosos
Costumamos (ou ao menos deveríamos) valorizar filmes que privilegiam fatos históricos, mesmo aqueles que nada mais são que um pequeno grão de areia em meio a um episódio grandioso. Isso explica a enorme quantidade de títulos que envolvem a Guerra Fria, por exemplo, mas é uma pena que fatos mais recentes da História sejam esquecidos rapidamente como é o caso da temática de A Batalha de Seattle. Episódio marcante de revolta popular contra os abusos dos governantes, tal conflito não inspirou diretores de cinema, tanto que apenas o ator Stuart Townsend teve coragem de relembrá-lo anos depois. Estreando como diretor e roteirista, logo no início ele deixa claro que seu longa é baseado em fatos reais, porém, seus personagens são fictícios, mas nada que atrapalhe a dramaticidade da produção, pelo contrário, as várias tramas paralelas soam perfeitamente críveis. O problema é que a inexperiência como redator impediu que o estreante se aprofundasse em cada uma delas, sendo que o projeto como um todo é bastante ambicioso, seguindo o estilo narrativo de títulos consagrados como Crash – No Limite que ao mesmo tempo em que pretende fazer uma crítica social também tem a preocupação de desenvolver histórias que façam o espectador se identificar e criar um vínculo com os personagens e consequentemente se sentir atraído pela temática principal. Para compreender melhor o enredo, é necessário explicar o que foi o conflito do título. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente em 1947, foi assinado um acordo entre 23 países a respeito de tarifas para importações e exportações com o propósito de legalizar e expandir o comércio mundial. Ao longo de mais de 50 anos, outras nações se uniram ao projeto e assim surgiu a Organização Mundial do Comércio (OMC), que pouco a pouco passou a impor suas vontades sobre os governos e aqueles que desrespeitassem as regras eram punidos, podendo ser expulsos do grupo. A ganância dos membros fez com que o respeito a situações envolvendo o meio ambiente ou os direitos humanos ficassem em segundo plano, sendo que os interesses econômicos estão sempre acima de tudo, assim o órgão é muito criticado e alvo comum de protestos populares. O ápice desses conflitos ocorreu no final de 1999. A partir de 30 de novembro, durante cinco dias, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Seattle, cidade que serviria naquele período para sediar a chamada “Rodada do Milênio”, reunião da OMC de grande importância que tinha o objetivo de avaliar os resultados dos últimos anos das suas ações e planejamento para os próximos meses, ou em outras palavras, realizar um balanço do quanto se perdeu (mortes, desmatamentos, extinção de animais entre outros fatores negativos) em favor dos lucros que chegaram às contas dos poderosos e o quanto eles ainda poderiam somar futuramente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

HORROR EM AMITYVILLE

NOTA 8,0

Embora abuse da imaginação,
refilmagem acerta no ritmo,
ambientação e em sustos, sendo
um respiro ao gênero terror
Remexer em situações misteriosas do passado para conseguir material para filmes de terror e suspense pode soar como uma ideia batida e que vai dar com os burros n'água, mas esse tipo de produção tem seu público cativo e por isso anualmente algumas dezenas de títulos com pretensões de deixar os espectadores roendo as unhas desembarcam nos cinemas ou diretamente nas locadoras. O famoso baseado em fatos reais é o chamariz e quanto mais instigantes e bizarros forem os fatos que deram origem ao roteiro melhor, embora muitas produções utilizem esse recurso de forma desonesta só para atrair público. Ainda bem que vez ou outra surge um excelente filme de terror que não se prende a apenas agradar plateias acéfalas, mas tem pretensões de arrebatar novos fãs para o gênero e agregar ou até mesmo reconstruir sua imagem. Um bom exemplo disso é Horror em Amityville, longa dotado de muitas qualidades, como uma narrativa coesa, boas interpretações, ambientação aterrorizante e cenas que assustam, mas não chegam a chocar totalmente. Uma pena que pouca gente o tenha assistido, ao menos no cinema. Os fatos que originaram esta história começaram no dia 13 de novembro de 1974 quando a polícia da região de Amityville foi chamada para atender um caso de assassinato coletivo. Em uma casa grande, de estilo antigo e a beira de um lago, o sonho de muitas pessoas, a cena que foi encontrada é digna de pesadelo. Uma família inteira foi assassinada de madrugada enquanto dormia. Poucos dias depois, Ronald Defeo Jr. confessou ter matado com um rifle seus pais e seus quatro irmãos e alegou que foi levado a esses atos por vozes misteriosas que ouvia dentro da residência. Ignorando a história macabra, um ano depois a propriedade é adquirida pelo casal George (Ryan Reynolds) e Kathy Lutz (Melissa George) que vão morar lá com seus dois filhos. Não demora muito e situações estranhas passam a acontecer e o chefe da família começa a demonstrar um comportamento violento. Sua esposa então passa a investigar o passado da casa e tem certeza de que há algo de maligno por lá que precisa ser combatido o mais rápido possível antes que o destino de sua família seja o mesmo dos antigos habitantes.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ALMA PERDIDA

NOTA 1,0

Repleto de clichês, sustos
previsíveis e protagonista que
não cativa, longa ainda peca ao
buscar estopo em ferida histórica
Se pararmos para analisar as décadas de 1960 a 1980 chegaremos ao bom censo de que foram épocas de ótimas e marcantes produções de horror e suspense, mas se forçarmos a memória para lembrar filmes-ícones dos gêneros nos anos seguintes talvez dê para contar nos dedos o que se salva. O Sexto Sentido e Os Outros são verdadeiras aulas de como meter medo sem precisar fazer uso da violência gráfica ao mesmo tempo que se conta uma envolvente história, porém, é preciso traquejo e criatividade para feitos do tipo. Em tempos em que tudo é descartável, por que queimar os neurônios com algo que já nasce com prazo de validade determinado? Talvez assim pensava o diretor e roteirista David S. Goyer quando fez Alma Perdida, uma colcha de retalhos de referências a outros filmes que vão desde o clássico O Exorcista, chupando os últimos resquícios de criatividade de A Hora do Pesadelo até copiar escancaradamente ideias de refilmagens de fitas de horror orientais como O Chamado e O Grito, vertente já em decadência na época. A história começa com Casey Beldon (Odette Yustman) fazendo uma corrida em um parque quando leva um susto envolvendo a visão de um estranho garoto, figura que passa a atormentá-la seguidamente tanto acordada quanto dormindo. Fatos bizarros como cães que entortam a cabeça, agressões e ameaças do menino que toma conta e insetos que saem de dentro de ovos de galinha, diga-se de passagem, todos clichês de fitas do tipo aqui mal inseridos, também a deixam ressabiada. Paralelo a isso, volta à tona as lembranças de sua mãe Janet (Carla Gugino) que se suicidou quando ela era criança e lhe deixou mágoas e ainda certa dúvida quanto a diferença de pigmentação em um de seus olhos, algo que mais tarde vem a saber que seria um indício de que poderia ser gêmea. De fato, ela descobre que não seria filha única, mas quase teria tido um irmão que acabou falecendo ainda na barriga da mãe estrangulado pelo cordão umbilical. Seria ele o garoto que a está assombrando? Que mistério! Porém, Goyer tenta não entregar tudo de bandeja e cria uma mirabolante subtrama para explicar o drama de Casey que como a maioria das mocinhas de histórias do tipo parece abdicar de sua rotina para se dedicar exclusivamente a bancar a detetive.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

AMOR À SEGUNDA VISTA

NOTA 4,0

Encontro de dois ícones das
comédias românticas deixa a
desejar mal aproveitando até
mesmo os clichês básicos do gênero 
Sandra Bullock faz drama, suspense, ficção, ação, talvez lhe falte coragem para encarar o terror, mas não tem jeito sua imagem está irremediavelmente ligada ao humor. Já Hugh Grant é aquele galã à moda antiga que toda mulher romântica gostaria de ter ao seu lado, o que talvez explique a filmografia restrita do ator que coleciona papéis sempre muito semelhantes em histórias idem. Uma especialista em fazer rir e um sedutor nato. Dois nomes de pesos num mesmo projeto só poderia render sucesso. Bem, a comédia romântica Amor À Segunda Vista até cumpriu seu papel em termos financeiros na época de seu lançamento. Rendeu bem nas bilheterias norte-americanas e ocupou o primeiro lugar de público por umas duas ou três semanas em outros países, inclusive o Brasil, mas passados vários anos a produção não conseguiu alcançar o status de clássico de sessão da tarde, rótulo perfeito para um trabalho açucarado e que reuniu pela primeira e única vez ícones do gênero. Lucy Kelson (Bullock) é uma advogada especialista em direito ambiental e na defesa de minorias que vai fundo nas causas que abraça. Já George Wade (Grant) é um empresário milionário, almofadinha e namorador que tem tudo o que quer, mas sempre às custas do trabalho dos outros. Do setor imobiliário, o magnata está envolvido com um projeto que desapropriaria uma área ocupada por um antigo centro comunitário em um subúrbio de Nova York que além de deixar centenas de pessoas sem opções de lazer e integração também destruiria as lembranças da infância da ferrenha advogada. Quando vai pessoalmente interferir no caso, contudo, Lucy é surpreendida. Em menos de cinco minutos ela consegue demonstrar toda a sua eficiência a ponto de convencer Wade, que também a conquista com seu charme e lábia, a contratá-la como sua advogada prometendo um salário polpudo e a proteção do tal prédio que tanto defende. Quando a esmola é demais.... Não demora muito e Lucy descobre que lidar com problemas jurídicos do empresário é o de menos. Na verdade, ele a contratou para ser sua conselheira em praticamente todos os aspectos de sua vida, desde a escolha de uma simples roupa, passando por palpites para conquistar uma nova mulher até fechamentos de grandes negócios, esse sim o trabalho propriamente dito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A CASA AMALDIÇOADA

NOTA 3,0

Com cenário rico em detalhes e
amedrontador, longa se preocupa
mais com o visual e o enredo
fica a mercê dos efeitos especiais 
Filmes sobre casas assombradas são como produções cujos protagonistas são vampiros ou mortos-vivos: não importa o quanto tempo passa, sempre haverá público para eles. O problema é quando a plateia passa a aceitar qualquer lixo, mas felizmente não foi o que aconteceu com A Casa Amaldiçoada, obra merecidamente esquecida pelo simples detalhe de que não assusta nem criancinhas. Aliás, calcada em exagerados efeitos especiais, a certa altura a produção ganha ares de videogame, detonando totalmente o clima razoavelmente eficiente construído até então. A trama começa nos apresentando a Eleanor Lance (Lili Taylor), ou Nell como gosta de ser chamada, uma mulher solitária que está prestes a ser despejada. Sofrendo com as lembranças da mãe que faleceu a pouco tempo, ela se interessa por um anúncio de jornal que convida insones a participarem de um estudo do psicólogo David Marrow (Liam Neeson). A gigantesca, secular e misteriosa mansão Hill House é o local escolhido para o exercício de observação que contará ainda com Theo (Catherine Zeta-Jones), uma mulher aparentemente fútil, mas que aos poucos se revela segura e fiel amiga, e Luke (Owen Wilson), rapaz boa praça e primeiro a perceber que os problemas de sono são mera desculpa para uma obsessão do médico que selecionou perfis que se enquadravam melhor a sua ideia de promover um estudo a respeito do medo e histeria influenciados pelas reações do próprio grupo pressionado por uma ambientação propícia e palco de uma intrigante história. O grupo é avisado de que ao cair da noite o portão da mansão é trancado com cadeados reforçados e que ninguém poderá ouvir seus gritos e acudi-los. Por melhor que fosse a recompensa, alguém em sã consciência toparia continuar como cobaia? O roteiro de David Self força a barra para nos fazer acreditar que haveriam sim loucos para topar passar alguns dias em um casarão escuro e repleto de ornamentos luxuosos, mas no fundo macabros. Sabe-se lá quais os critérios do médico para selecionar seus pacientes, todavia, Theo e Luke parecem não sofrer para dormir e mostram-se deslumbrados pelo cenário, ao contrário de Nell, a pessoa mais sensível do grupo e que de imediato revela ter um interesse maior pela casa, principalmente por conta das vozes de crianças que afirma ouvir clamando por socorro.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

MINHA MÃE QUER QUE EU CASE

NOTA 4,0

Mais uma vez Diane Keaton se
repete e interpreta uma mulher neurótica
e pentelha, mas ainda assim rouba
a cena e garante um pouco de graça
O título Minha Mãe Quer Que Eu Case já leva direto ao assunto sobre o que se trata esta comédia romântica, mas a objetividade da produção para por aí. A trama é estendida além do necessário para narrar o dilema de uma jovem que deve escolher entre um marido rico e sisudo ou o amor puro e a leveza de uma vida ao lado de um cara divertido e descolado, porém, que vive à base de trocados. Vão faltar doces para ofertar a quem acertar qual dos pretendentes a personagem Milly (Mandy Moore) vai desposar. Ela é a caçula de uma família composta só por mulheres que tem o azar de ser comandada pela neurótica matriarca Daphne (Diane Keaton), dona-de-casa que sem ter com o que se preocupar ocupa seu tempo pentelhando suas filhas das quais se orgulha de ter criado sem precisar de um homem ao lado. As mais velhas, Maggie (Lauren Graham) e Mae (Piper Perabo), parecem conformadas e lidam bem com os incisivos palpites da mãe, porém, a mais nova esconde um estilo um pouco rebelde por trás da faceta de boa moça. Independente financeiramente e já morando sozinha, a doceira Milly não tem sorte na vida amorosa, embora aparentemente goste de provar de um cardápio variado de homens, mas isso preocupa Daphne que na tentativa de tentar desencalhar a jovem resolve colocar em segredo um anúncio em um site de encontros. Muitos candidatos surgem, um mais estranho que o outro, porém, nada mais anormal que o fato de ser a futura sogra de um deles quem se apresenta para realizar a seleção. Munida de um roteiro de perguntas, parece que ela no fundo tenta encontrar o parceiro ideal que nunca teve, assim fica encantada pelo arquiteto Jason (Tom Everett Scott), um rapaz bonitão, bem-sucedido, de família tradicional e que cultiva um padrão de vida elitizado. Após um encontro armado pela alcoviteira, Milly realmente demonstra interesse por seu pretendente, mas o destino também colocou em seu caminho Johnny (Gabriel Macht), um pai solteiro que ganha a vida dando aulas de música e tocando em restaurantes. O que lhe falta de dinheiro e ambição sobram em alegria, atenção e carinho, ao contrário do arquiteto que aos poucos começa a demonstrar impaciência, sisudez e dominação, ainda que de leve.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

OS FANTASMAS SE DIVERTEM

NOTA 9,5

Irônico, diferente, escrachado,
nostálgico e com fundo melancólico,
comédia de humor negro só erra por
não explorar mais a fundo os personagens
O diretor Tim Burton ainda estava iniciando sua carreira, mas quando lançou Os Fantasmas se Divertem conseguiu apresentar todas as características que marcariam sua filmografia, do bizarro ao gótico, e obviamente atestando sua criatividade infinita. A ideia era fazer um filme de terror cujo protagonista seria um demônio que se disfarçaria de humano para se aproximar de duas famílias normais, porém, exterminaria uma delas e estupraria a filha adolescente da outra. Cruzes! Será que o projeto original daria certo? Tendo o cineasta no comando tudo é possível, mas certamente remodelar o argumento e transformá-lo em uma comédia foi uma jogada de mestre. Escrito por Michael McDowell, Warren Skaaren e Larry Wilson, na realidade trata-se de uma obra de humor negro que usa e abusa da criatividade e do que é pouco convencional, aproveitando-se de um elenco em ascensão na época para atrair público e acostumá-lo com o estilo de Burton. A trama começa nos apresentando o casal Barbara (Geena Davis) e Adam Maitland (Alec Baldwin) que levam uma rotina pacata e harmônica em um casarão numa colina de uma cidade bucólica no interior dos EUA. Certa tarde eles acabam sofrendo um acidente de carro (ridículo, porém, fatídico) e caem em um rio, mas só percebem que bateram as botas tempos depois. Muito apaixonados, eles não parecem se importar que morreram, afinal nem a morte foi capaz de separá-los e assim tentam manter suas rotinas, mas vão descobrir que a vida do além é cheia de regras e burocracia. Além das filas para serem atendidos no além (para fazer graça, um mundo retratado com um extravagante colorido tal qual em A Noiva Cadáver), durante mais de um século terão que viver presos dentro da própria casa, não podendo nem mesmo pisar no jardim, mas quando estão se acostumando com a situação a paz do casal é interrompida com a chegada de Delia (Catherine O’Hara) e Charles Deetz (Jeffrey Jones), excêntricos milionários que compram o casarão de uma parente dos antigos proprietários. Ou eles ainda seriam os donos do imóvel? Os Maitland não pretendem e nem podem sair dali, contudo, são inofensivos como fantasmas e os esforços para espantar os novos moradores acabam sempre em fracasso. A adolescente Lydia (Winona Ryder), a filha incompreendida e depressiva dos Deetz, talvez por não se enquadrar no mundo que vive é dotada de uma sensibilidade ímpar e é a única que consegue ver e interagir com os fantasmas e tentando ajuda-los só acaba piorando a situação para eles.

domingo, 1 de novembro de 2015

O HÓSPEDE QUER BANANAS

Nota 5,0 Fraquinha, comédia tem protagonista simpático e presença luxuosa de Faye Dunaway

Sempre que pensamos em filmes envolvendo animais fofinhos é inevitável um prévio constrangimento por conta da irritante mania de colocar os bichanos fingindo falar. Raramente produções do tipo contam com boas histórias e os recursos utilizados para dublagem são péssimos, extremamente artificiais. Babe - O Porquinho Atrapalhado é uma rara exceção, contudo, sua continuação ficou no mesmo patamar de tantas outras bobagens do gênero. Assim, quando uma produção envolvendo animais abdica dessa tal liberdade criativa já deve ganhar alguns pontinhos, mas sabemos que o resultado não vai muito além de uma comediazinha rasa, mas perfeita para matar um tempo ocioso. O Hóspede Quer Bananas é uma boa fita do tipo contando com um simpático e divertido protagonista, além da presença da premiada atriz Faye Dunaway, então já uma presença bissexta no cenário hollywoodiano e ainda mais rara em produções de estilo sessão da tarde. A trama escrita por John Hopkins e Bruce Graham se passa entre os variados cômodos do Majestic,  um luxuoso hotel gerenciado com muita dedicação por Robert Grant (Jason Alexander), que apesar das responsabilidades do cargo é um cara boa praça e está sempre de bom humor e evitando conflitos entre os funcionários e hóspedes. Bem, com um peludo novo visitante vai ficar difícil manter a ordem no local. Dunston é um macaco que desde a infância foi treinado pelo explorador Lorde Rutledge (Rupert Everett) para praticar crimes perfeitos e assim livrá-lo da culpa. A ideia era que o símio invadisse os quartos e roubasse as jóias e outros pertences de valor dos ricaços, mas os planos acabam sendo desvirtuados, muito porque o ladrãozinho tem consciência de que está fazendo coisas erradas e ainda por cima é constantemente maltratado pelo seu mentor.

sábado, 31 de outubro de 2015

CONTOS DO DIA DAS BRUXAS

Nota 7,5 Reunião de contos busca resgatar verdadeiro espírito dos festejos do Halloween

Original, esquisito, interessante, confuso, apavorante e engraçado. Todos esses adjetivos, embora antagônicos, caem como uma luva para o filme Contos do Dia das Bruxas, produção de horror idealizada para resgatar o verdadeiro espírito do Halloween perdido ao longo dos anos pelo cinema. O dia 31 de outubro é marcado em diversos países por festejos que incluem desfiles, bailes à fantasia, a busca das crianças de porta em porta muito mais por doces que por travessuras e as tradicionais maratonas de filmes de terror na televisão. De origem europeia, a comemoração acabou sendo mais difundida e modelada pela cultura americana, principalmente pelo cinema que dava atenção a data com produções enfocando fantasmas, bruxas, vampiros e tudo que é criatura que pudesse arrancar gritos da plateia, contudo, com o tempo os filmes de seriais killers acabaram roubando a cena afinal os festejos são ideias para qualquer maluco literalmente extravasar seus demônios e vítimas bobinhas é o que não faltam à solta nas ruas. Que o diga o psicopata Michael Meyers e seu sugestivo Halloween – A Noite do Terror. Michael Dougherty, roteirista de X-Men 2 e dos questionáveis Lenda Urbana 3 e Superman – O Retorno, certamente guarda boas lembranças de seus tempos de criança e adolescente quando saia para se divertir no Halloween e ouvir histórias de arrepiar com os amigos e essas memórias parecem impressas em seu filme. Como em um pesadelo no qual os maiores absurdos podem acontecer e não há ordem para começo, meio e fim, o diretor e roteirista procura alinhavar cinco histórias aparentemente ligadas por uma estranha e perigosa criatura disposta a manter acesa as tradições do Halloween. A primeira trama mostra o casal Emma (Leslie Bibb) e Henry (Tahmoh Penikett) voltando para a casa após uma festa, mas a moça mostra-se visivelmente irritada com a bagunça deixada na porta da sua casa e decide pôr um fim nos festejos em seu pedaço antes do sol raiar. O problema é que há uma tradição que diz que aquelas famosas lanternas de cabeça de abóbora não devem ser apagadas ou destruídas tão cedo, caso contrário...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

LENDA URBANA

NOTA 3,0

Apesar da premissa interessante,
terror não foge dos clichês e se
perde em seu mirabolante argumento
até chegar a um clímax vexatório 
Quem já foi em um acampamento escolar certamente já se apavorou com as histórias de terror contadas em torno de uma fogueira tarde da noite, mas se você também já morou em uma república já deve ter vivido situação parecida. Bem, viver no campus de um colégio ou universidade não faz parte da realidade de nós brasileiros, mas para os americanos isso é de praxe. Sem muito pensar nos estudos, os jovens ianques entregues ao ócio gastam seu tempo com paqueras, baladas e amedrontando os colegas com contos macabros a respeito de mortes misteriosas. É esse o ponto de partida de Lenda Urbana, mais um exemplar da onda dos “teen slashers”, filmes que se resumem a um psicopata perseguindo um grupo de jovens incautos, filão que na época estava em alta com os sucessos de Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado. Sem comprovação real dos acontecimentos, os mitos populares que dão título ao filme geralmente envolvem assassinatos, aparições ou desparecimentos mal esclarecidos e eis o grande diferencial da fita. O serial killer utilizaria algumas lendas urbanas para emboscar suas vítimas, contudo, hoje essa peculiaridade não agrega em nada à produção afinal já estamos saturados de assassinatos clichês. De qualquer forma, o prólogo continua sendo um dos melhores do gênero, apesar de bastante esquemático a favor do vilão. Michelle (Natasha Gregson Wagner) está dirigindo a noite por uma estrada deserta e em meio a uma forte chuva quando percebe que seu combustível está acabando, forçando-a a parar em um posto de gasolina de beira de estrada. Ela é atendida por Michael (Brad Dourif, estranhamente não creditado), um sujeito esquisitão, maltrapilho e gago que com suas expressões e forma de agir deixa no ar certa ambiguidade. Não convém dizer o que acontece para não estragar a surpresa de quem por ventura não tenha assistido ainda (alguém?), mas há uma boa inversão de expectativas na introdução que, embora até a metade da projeção pareça não ter uma ligação direta com o restante da trama, serve para ilustrar o que são as tais lendas urbanas. Depois somos apresentados ao grupo de desafortunados que passará a ser vítima de um maníaco que está agindo em um campus universitário, obviamente já deixando claro quem serão os heróis, a boa moça Natalie (Alicia Witt) e o jornalista amador Paul (Jared Leto). O lance é descobrir qual dos coadjuvantes será promovido nos minutos finais revelando-se ser o mascarado da vez, ou melhor, o encapuzado, já que ele se esconde sob a proteção de uma veste de inverno.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O HOMEM DO FUTURO

NOTA 8,0

Longa nacional surpreende
ao enveredar pela trilha da
ficção científica e ao
assumir suas inspirações
Você ainda é do tipo que tem preconceito com o cinema brasileiro por ter na sua cabeça a imagem de filmes que enfocam pobreza, miséria no nordeste, denúncia social ou adaptações literárias? Realmente ainda há muitos cineastas que investem em tais temas em busca de reconhecimento da crítica e prêmios e pouco se importando se haverá público para suas obras, mas felizmente o nosso cinema comercial caminha a passos largos e não depende mais de Xuxa ou Didi e tampouco do humor afiado e nem sempre bem usado de Marcelo Adnet. Existe vida inteligente e antenada tentando dar novos rumos a sétima arte nacional e um deles é Cláudio Torres, um diretor de cinema que não nega seu repertório cinematográfico oriundo de terras americanas. Embora acostumado a apreciar a arte nacional desde a forma mais simples até a mais mirabolante, afinal ele é filho de Fernanda Montenegro e do finado Fernando Torres, gente de teatro, o cineasta tem imprimido em seus trabalhos referências explícitas ao cinema americano, o que não é nenhum problema e sim uma qualidade já que é uma ousadia tomar tal decisão quando nosso mundinho cinematográfico está repleto de defensores da nossa cultura e prontos para atacar qualquer coisa que a negue. Torres na verdade adapta coisas estrangeiras ao nosso padrão de filmes, como o uso de efeitos especiais em Redentor e uma protagonista imaginária como no caso de A Mulher Invisível, e os resultados são no mínimo curiosos e parecem estar agradando o público. Em seu terceiro longa, O Homem do Futuro, ele envereda pelos caminhos da ficção científica, mas ainda mantém um pé na realidade. Embora exista a forte presença de um cenário hi-tech e alguns efeitos especiais chamativos, o roteiro se dedica a contar uma história de amor levemente dramática com a premissa do que uma pessoa faria se pudesse voltar no tempo para corrigir algo, um tema explorado, por exemplo, em Um Homem de Família, De Volta Para o Futuro e tantos outros títulos. O protagonista é João (Wagner Moura), um excêntrico cientista que durante um acidente com uma de suas novas invenções acaba reencontrando sua juventude e tendo a chance de corrigir algo que aconteceu e que mudou sua vida futura completamente.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

TÃO FORTE E TÃO PERTO

NOTA 7,5

Abordagem diferenciada
sobre fatídico episódio e suas
consequências trazem certo
frescor e leveza à drama
As tristes e chocantes lembranças do fatídico dia 11 de setembro de 2001 envolvendo o ataque às Torres Gêmeas nos EUA ainda estão presentes na memória de todos aqueles que acompanharam as notícias inacreditáveis que iam sendo informadas minuto a minuto pela imprensa mundial e continuam sendo perpetuadas já que servem como uma grande fonte de inspiração para os diretores de cinema. Entre documentários, grandes produções e outras de proporções modestas, são vários os exemplos de filmes que retrataram de forma realista, amena ou com forte apelo dramático este episódio marcante da História moderna. Dez anos após a tragédia, foi a vez do cineasta Stephen Daldry, especialista em dramas e três vezes indicado ao Oscar, abordar o tema em Tão Forte e Tão Perto. Sem dúvidas esta obra está longe de ser um dos seus melhores trabalhos, mas está acima da média de outros produtos que trataram desta temática, tanto que surpreendentemente foi indicada pela Academia de Cinema ao prêmio de Melhor Filme, embora tal feito em nada ajudou em sua repercussão e bilheteria. Todavia, é uma obra a ser descoberta pelo grande público. A trama gira em torno de Oskar Schell (Thomas Horn), um garoto que tem um ótimo relacionamento com o pai, Thomas (Tom Hanks), este que sempre estimulou o lado aventureiro e lúdico do filho. Infelizmente, ele perde esta figura paterna no citado atentado terrorista e tal fato foi um grande baque em sua vida e também na da sua mãe, Linda (Sandra Bullock), de quem ele procura esconder a última mensagem que o pai deixou na secretária eletrônica a qual até ele mesmo recusa-se a ouvir.  Algum tempo depois, Oskar encontra em meio aos pertences do pai uma chave dentro de um envelope. O menino então desconfia que este é mais um dos costumeiros enigmas que seu pai lhe propunha e parte para uma expedição pela cidade de Nova York em busca de pessoas cujo sobrenome seja Black, a única palavra escrita no tal envelope que encontrou. Assim, ele passa a entrar em contato com os mais diversos tipos de pessoas e situações, certamente amizades e aprendizados que mais cedo ou mais tarde farão diferença na vida do garoto.

sábado, 1 de agosto de 2015

DRÁCULA 2000

Nota 3,0 Embora cumpra razoavelmente o que propõe, fita já carrega no título sua âncora

Teoricamente quem realiza um filme deseja que ele seja um sucesso e seja lembrado por anos e anos no imaginário popular, mas o que dizer de uma obra cujo próprio título trata de rotular a fita como algo datado? Quando pensaram no batismo de Drácula 2000 certamente os produtores queriam deixar bem marcado que esta seria uma versão modernizada do conto do rei dos vampiros, sua versão século 21, mas o tiro acabou saindo pela culatra e a produção já nasceu com ares de velharia mesmo apostando na trilha sonora hardcore e clima gótico revisitado. Em tempos que Hollywood literalmente exorcizava seus demônios aproveitando-se dos medos e dúvidas quanto a virada do milênio, obviamente o vampirão mor não poderia ficar de fora dessa onda e Wes Carven, da série Pânico, é quem foi o responsável (ou seria irresponsável?) de despertar o dentuço. Na verdade foi ele quem bancou a produção, provavelmente para ganhar o aval para algum futuro trabalho, mas a direção ficou a cargo do então novato Patrick Lussier que tentou dar uma roupagem mais jovem ao mito criado no século 19 pelo escritor irlandês Bram Stocker. Seu roteiro, em parceria com Joel Soisson, até que começa bem respeitando o perfil clássico do vilão, mas não demora muito para a trama descambar para situações previsíveis e destrinchar conceitos sem muito sentido. Nos dias atuais (lembrem-se, ano 2000, detalhe importantíssimo), Matthew Van Helsing (Christopher Plummer), um descendente direto do famoso caçador de criaturas das trevas, cuida de um antiquário em Londres que certa noite é invadido por um bando que arromba o cofre, mas ao invés de preciosidades valiosas encontram apenas um caixão  de prata lacrado no qual se encontra o corpo do primeiro e verdadeiro Drácula, vivido por Gerard Butler em época de trabalhos escassos e contas a baciadas. O ator se limita a fazer as caras e bocas características do sanguessuga não trazendo nenhum elemento diferenciado em sua composição, portanto, passa batido na vasta galeria de releituras do personagem.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

HAIRSPRAY - EM BUSCA DA FAMA

NOTA 9,0

Refilmagem de cult movie dos
anos 80 privilegia o estilo
musical a la Broadway para
falar sobre preconceitos e sonhos
Entre algumas das surpresas que a sétima arte tem nos proporcionado neste início de século 21 podemos destacar a volta em grande estilo dos musicais. Originais, refilmagens, de estilos clássicos ou moderninhos. Tem opções para todos os gostos. As produções da Broadway obviamente tornaram-se uma grande fonte de inspiração e alguns trabalhos curiosamente antes de chegarem aos palcos já tinham passado pelos cinemas. É uma relação muito amistosa que existe entre estas duas manifestações artísticas e sempre há a possibilidade de se melhorar aquilo que já era bom a cada nova adaptação como é o caso do filme Hairspray – Em Busca da Fama, um musical com um elenco espetacular, mas, como todos os títulos do gênero, divide opiniões. Milhões de pessoas se renderam às gargalhadas e acabaram dançando ao som da animada trilha sonora. Na mesma proporção, há quem critique, se irrite com tanta cantoria e não veja o menor fundamento para tal obra existir. É preciso deixar a alegria falar mais alto para poder aproveitar este filme cujas duas horas passam voando visto a quantidade de situações e personagens que o roteiro oferece. O diretor Adam Shankman fez a adaptação para o cinema do famoso musical da Broadway, que inclusive já teve a sua versão brasileira, mas esta deliciosa história já teve outra versão cinematográfica. O excêntrico cineasta John Waters baseou-se em suas memórias de infância para criar um de seus trabalhos mais famosos e mais próximo do estilo comercial, Hairspray - E Éramos Todos Jovens. O longa se tornou um cult movie instantâneo e foi sucesso de crítica e público. Tanto o filme dos anos 80 quanto o mais recente são exagerados e coloridos, mas o antigo fica em desvantagem em alguns pontos em relação a sua reinvenção. Envelheceu bastante e o visual kitsch pode incomodar, além de que não era assumidamente um musical. De qualquer forma, ambos são divertidos, marcaram época e ainda continuam colecionando fãs. Em 2002, o texto de Waters foi reformulado para ocupar os palcos e finalmente ganhou status de musical e foi nesta fonte que Shankman bebeu e construiu um delicioso show que diverte e ainda toca em uma ferida aberta há centenas de anos, mas que até hoje não cicatrizou totalmente: o preconceito. Tudo aqui parece tão cheio de vida justamente porque Waters pessoalmente levou o diretor a conhecer a cidade de Baltimore, o local onde as ações do longa acontecem, e passou a ele informações valiosas sobre o passado do local e como se comportava a sociedade da década de 1960. Shankman que até então tinha projetos modestos no currículo, como Operação Babá e Doze é Demais, teve finalmente em suas mãos um verdadeiro tesouro que soube cuidar muito bem e que atraiu um elenco sensacional, incluindo os coadjuvantes.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

AS HORAS

NOTA 10,0

Drama mistura épocas e
dramas através das histórias
de três mulheres vivendo
períodos pessoais difíceis
Existem produções que participam do Oscar e que marcam mesmo sem ter arrebatado a atenção dos votantes da Academia de Cinema. Detentor apenas do prêmio de Melhor Atriz, dado à Nicole Kidman, o filme As Horas é uma das grandes atrações que marcaram a História desta festa, mas que acabaram não recebendo o devido valor. Tudo bem, o páreo na época era duro, mas o fato de até o roteiro ter sido ignorado é um fato inexplicável. Baseado na obra homônima do escritor Michael Cunningham, a história adaptada por David Hare e dirigida por Stephen Daldry, de Billy Elliot, felizmente foi reconhecida em outras premiações. Desenvolvido em três épocas distintas, mas ainda assim mantendo elementos entre si que permitem narrativas paralelas e fragmentadas, o longa é poesia pura não só em seus diálogos, mas também em suas belíssimas cenas. Basicamente o roteiro fala de forma introspectiva sobre a doação da mulher ao homem, a respeito da sua anulação como pessoa e como ela lida com seus rompantes de desejos. A rotina de um só dia de três mulheres separadas por algumas décadas é narrada tendo como ponto de ligação o romance “Mrs. Dalloway”. Na década de 1920, a escritora Virginia Woolf (Nicole Kidman) está escrevendo a obra ao mesmo tempo em que lida com as limitações impostas por sua esquizofrenia e pelo excesso de zelo do marido Leonard (Stephen Dillane). Nos anos 50, Laura Brown (Julianne Moore) é uma dona-de-casa infeliz que está lendo o livro ao mesmo tempo em que prepara um bolo de aniversário para o marido Dan (John C. Reilly). A leitura poderá mudar seus pensamentos e ações de forma drástica. Por fim, em 2001, Clarissa Vaughan (Meryl Streep) está as voltas com os preparativos de uma festa em homenagem ao seu ex-amante e poeta Richard Brown(Ed Harris), que está a beira da morte. Ela praticamente está vivendo as mesmas ações que a protagonista do quase centenário livro.

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