sábado, 31 de janeiro de 2015

HERANÇA PARANORMAL

Nota 4,0 Sem sustos e chato, título genérico já evidencia que este suspense é uma tremenda furada

Alguém se anima a assistir um filme com um título tão genérico como Herança Paranormal? Esse suspense, com toda pinta de produção B, é a prova de que por pior que seja o enredo um título mau escolhido pode limar definitivamente qualquer possibilidade de encontrar um mínimo de público interessado. Pegando carona descaradamente no fenômeno Atividade Paranormal, o longa se beneficiaria se no Brasil fosse utilizada a tradução literal do título original, "O Cético", uma escolha mais impactante e que expressaria mais fielmente a ideia da trama escrita e dirigida por Tennyson Bardwell que economizou nos sustos e não tingiu uma cena sequer com vermelho proveniente de sangue. Para uma produção do gênero bem realizada isso seria um elogio, mas não é o caso. O cineasta passou longe de realizar uma obra original, pelo contrário, preferiu se ater a situações previsíveis e que não assustam, jogando uma boa premissa no lixo que poderia render uma interessante discussão sobre o ceticismo diante de fenômenos aparentemente sem explicações. Após a morte de sua tia, Bryan Becket (Tim Daly), um advogado realista e ganancioso, resolve dar um tempo em seu casamento já em crise com a desculpa que precisa ir morar na velha residência da falecida para evitar depredações e roubos enquanto os trâmites da herança são finalizados. Ele está crente que é o herdeiro, mas para sua surpresa existe um testamento outorgando a entrega do imóvel para o instituto de pesquisas do Dr. Warren Koven (Bruce Altman), responsável pelo laboratório de distúrbios do sono. A velha senhora tinha interesse nesses estudos que visavam a capacidade de clarividência das pessoas e nível de percepção de fenômenos paranormais, já que ela própria era atormentada a noite por vozes que escutava em sua casa.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA - O INÍCIO

NOTA 5,5

Com pretensões de explicar o
passado de Leatherface, longa
é apenas uma desculpa para
um show de carnificina e tortura
Em 1974, o cineasta Tobe Hooper pegou de surpresa o público com um filme chocante. Um grupo de jovens perdido em uma região afastada passa a ser atacado por um assassino cruel que mutila suas vítimas com a ajuda de uma serra elétrica. Quem ouviu o ruído na época até hoje sente calafrios na espinha, até porque O Massacre da Serra Elétrica não era um simples filme de terror sobre um serial killer, mas continha críticas ácidas à Guerra do Vietnã (servindo a mensagem para outros conflitos) e espetadas ao comportamento das sociedades da época como na antológica cena do jantar antropofágico. A ideia era criticar a crueldade do ser humano, uma variação do conflito entre civilização e barbárie, a soberania dos “homens de bem” enfrentando a fúria e a loucura dos rejeitados. Com baixo orçamento e direção e elenco amadores, o longa tornou-se um cult movie e ganhou algumas continuações, uma inclusive equivocada do próprio Hooper achincalhando sua obra, e em 2003 a produção ganhou um remake que não causou o mesmo impacto que o original, mas pelo menos passou bem longe do lixo que muitos esperavam. Como é de praxe no gênero do terror, não demorou muito e o assassino grandalhão e desfigurado munido de sua moto-serra estava novamente em ação, mas desta vez em uma produção que conta suas origens. Bem, pelo menos era essa intenção. O Massacre da Serra Elétrica – O Início só por se tratar de um prequel (filme que mostra eventos anteriores ao da obra original) já nasceu estigmatizado a ser criticado duramente, mas quem curte filmes do estilo costuma aprovar o trabalho do diretor Jonathan Liebesman, do péssimo No Cair da Noite, que procurou ao máximo ser fiel a atmosfera e a cadência de eventos do remake assinado por Marcus Nispel. Pontinhos positivos pela lição de casa bem feita. Felizmente tais opções salvaram o filme de ser um verdadeiro engodo. Sim, o longa pode não cumprir satisfatoriamente seus reais objetivos, mas o show de carnificina explícita está garantido.  O início da trama se passa no final da década de 1930 mostrando uma mulher grávida trabalhando sob condições precárias em um abatedouro no Texas e é justamente nesse lugar fétido que ela dá a luz ao seu filho e não resiste. A criança é salva por Luda Mae Hewitt (Marietta Marich) e passa a ser criada também pelo xerife Hoyt (R. Lee Ermey), Montgomery (Terrence Evans) e Henrietta (Kathy Lamkin), um grupo um tanto bizarro. Bem, criado é modo de falar, pois na verdade Thomas Lewitt (Andrew Bryniarski) se tornou um adulto violento e irracional graças a infância e a adolescência repletas de abusos emocionais e físicos que sofreu de seus tutores, pessoas completamente doentias. O período de juventude do futuro Leatherface (cara de couro, apelido em referência a máscara que ele comumente utiliza para esconder suas deformidades faciais congênitas) não é apresentado, sendo que a narrativa pula de seu nascimento já para sua fase adulta.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (2003)

NOTA 8,5

Refilmagem de clássico de
terror mantém o espírito do
original e apresenta um
serial killer justificável
Em 1974, uma época repleta de violentos conflitos e muito sangue derramado no Vietnã, o diretor Tobe Hooper fez um dos mais inquietantes filmes do período retratando de forma escatológica e impactante a crueldade do ser humano. Com poucos recursos e utilizando elenco e equipe técnica amadora, o roteiro apresentava uma variação do antigo conflito entre civilização e loucura fazendo uma inteligente metáfora. Na trama, um grupo de jovens vai parar em uma estranha cidade no Texas onde acabam sendo perseguidos, mutilados e mortos por uma família desequilibrada cujo líder aparentemente é uma figura monstruosa. O que poderia ter se tornado um clássico trash acabou se tornando uma obra de referência para o gênero terror e até mesmo para o período. Quase três décadas depois, o mundo todo acompanhava quase que em tempo real pela TV e internet os confrontos entre as tropas americanas e os representantes dos exércitos de diversos países árabes, o que inspirou o produtor Michael Bay, especialista em lançar blockbusters, em mais uma vez trazer à tona a discussão sobre a irracionalidade que existe por trás dos conflitos armados usando uma produção de horror. Será mesmo? Era melhor que a resposta fosse sim. Quem sabe com essa pegada institucional a refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica seria um pouco mais respeitada. Não é um trabalho excepcional, mas também está longe de ser o lixo que a crítica tratou de propagar, mas fazer o quê se a própria distribuidora tratou de manchar a imagem filme marcando e remarcando sua estreia no Brasil por quase dois anos. Assim, quando estreou, rotular este produto como descartável era praticamente inevitável. Todavia, ao mesmo tempo em que esta produção é um caça-níquel óbvio, ela de certa forma acaba prestando uma homenagem ao original. Bem, só o fato de ser divertida, manter o clima de tensão constante e ter um vilão digno já basta para dizer que pelo menos este remake não estraga a reputação do longa que o inspirou visto que antes deste trabalho alguns outros tentaram lucrar em cima da imagem do assassino conhecido como Leatherface (cara de couro), inclusive um dirigido pelo próprio Hooper se divertindo tirando um sarro de seu longa mais famoso. O diretor Marcus Nispel, experiente na área de videoclipes e que futuramente também seria o responsável pelo remake de Sexta-Feira 13, sabia que tinha um grande desafio pela frente lidando com uma obra cultuada, com um terror cru e realista, mas conseguiu captar a essência deste material com perfeição e imprimiu um ritmo de adrenalina para conseguir captar a atenção das novas plateias afinal de contas apenas o som potente de uma motosserra ou um pouquinho de sangue aqui ou ali não seria o bastante para satisfazer um público que cresceu assistindo a horrores bem mais viscerais, tanto ficcionais quanto reais.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A NOIVA SÍRIA

NOTA 8,0

Drama tem momentos de humor
graças aos absurdos que podem
acabar com um casamento devido
a conflitos étnicos e políticos
Tem gente que sonha com festas de casamento, aniversários, reuniões de fim de ano, enfim qualquer tipo de festejo. Para outros tais eventos são sinônimos de estresse e confusão, principalmente quando há familiares envolvidos, mas só o fato de estar em um ambiente onde provavelmente poucos convidados se conhecem ou existe algum tipo de conflito mal resolvido já gera certa tensão. O cinema sempre gostou de explorar estes tipos de problemas caseiros que podem acabar mal ou simplesmente ficarem como uma lembrança hilária na memória de que os vivenciou, neste caso um prato cheio para fisgar a emoção do público que facilmente se identifica com a narrativa. Bem, o início de A Noiva Síria sugere algo singelo assim, mas conforme a trama avança se torna algo bem mais sério e relevante. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001 o Oriente Médio como um todo tem chamado a atenção e coube ao cinema a função de quebrar a imagem que boa parte da população mundial passou a alimentar da região. Por lá não existem apenas guerras sangrentas e homens-bombas, porém, a cultura local é um tanto exótica e curiosa. Você sabia que existem pessoas que se comunicam através de megafones porque não podem ultrapassar territórios demarcados? Que para conseguir atravessar essas áreas é preciso vencer uma série de burocracias? Que existe um povo que não tem nacionalidade definida? E você aceitaria se casar com alguém que nunca viu e, pior ainda, abrir mão de sua própria família por conta deste ato? Parece coisa de décadas atrás, mas por incrível que pareça ainda é uma realidade e é em torno destas peculiaridades que gira o filme do israelense Eran Riklis, de Lemon Tree, um agradável drama com alguns toques involuntários de humor. Coproduzido entre França, Israel e Alemanha, a trama roteirizada pelo próprio cineasta em parceria com o palestino Suha Arraf se passa na fronteira entre Israel e a Síria, nas colinas de Golan, região habitada pela comunidade drusa Majdal Shams, um povo cuja nação não é definida, mas vive sob o domínio israelense desde 1967. Qual a importância disso? Simplesmente tal povo fica em meio a um fogo cruzado entre muçulmanos e judeus e entre eles mesmos há uma divisão entre simpatizantes de cada um desses lados. É justamente nessa área que estão acontecendo os preparativos para o casamento de Mona (Clare Khoury), uma jovem drusa que vive na parte israelense. O evento está mobilizando todas as atenções, principalmente de seus familiares, e o longa concentra suas ações neste único dia a partir das poucas horas que antecedem a cerimônia que será realizada de forma pouco convencional.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

SEX DRIVE - RUMO AO SEXO

NOTA 3,0

Reciclando uma velha fórmula
para cativar adolescentes, longa
não traz grandes novidades, apelando
para situações e vocabulário chulos
Por que os desgastados filmes de seriais killers ainda são feitos e estão até ganhando refilmagens? A resposta é simples: o público está sempre se renovando, assim não há de faltar plateia imune a previsibilidade destas fitas ou buscando uma desculpa para dar aquele abraço apertado na paquerinha nos momentos de sustos. O mesmo pensamento deve influenciar as decisões de produtores que ainda investem dinheiro nas comédias adolescentes com pegada erótica. Sempre tem gente nova para rir de babaquices ou se animar com nudez gratuita a ponto de... Bem, deixa pra lá. Visando atender aos anseios das plateias teoricamente virgens e levemente inocentes, O Clube dos Cafajestes, Porky’s e American Pie cumpriram seus objetivos e tornaram-se boas lembranças para suas respectivas gerações, tudo que almejava e não conquistou Sex Drive – Rumo ao Sexo. A intenção de produções do tipo geralmente é dialogar com os jovens e procurar retratar o mais próximo possível seu universo, tendo como alicerce os tabus acerca da perda da virgindade. Os caras metem os pés pelas mãos na ansiedade de perderem tal rótulo até que finalmente são desencantados de preferência com a ajuda de uma garota que se não for a mulher da sua vida ao menos será lembrada como uma boa lembrança. Já no caso da produção em questão, o diretor Sean Anders pesou a mão e recheou a fita com palavrões, nudez e consumo de entorpecentes além do necessário, assim tornando-se até uma ofensa para seu público-alvo. O fracasso do filme demonstra que realmente não houve identificação entre as partes. Roteirizado por John Morris e pelo próprio Anders, a trama gira em torno do ingênuo e desengonçado Ian (Josh Zuckerman), um adolescente que vê a possibilidade de realizar seu desejo de perder a virgindade quando conhece uma bela garota pela internet. Mesmo mentido sobre seu perfil, hobbies e cotidiano, o jovem toma coragem e marca um encontro, porém, terá que viajar para outra cidade para conhecê-la. Assim, ele rouba o carrão de Rex (James Marsden), seu irmão mais velho, e cai na estrada na companhia dos amigos Lance (Clark Duke) e Felicia (Amanda Crew). Durante a viagem, obviamente, o trio enfrentará dificuldades e situações embaraçosas e não demorará muito para o verdadeiro dono do veículo sentir falta de seu xodó e querer a cabeça do irmão.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

POSSUÍDA (2009)

NOTA 3,0

Repetindo erros e clichês
comuns ao gênero, suspense
desperdiça boa premissa com
cenas mal desenvovidas
Uma família com um membro problemático se muda para um casarão afastado e não demora muito para que passe a ser atormentada por barulhos e acontecimentos estranhos até descobrir que forças do mal agem naquele local. Em números, quantos filmes com enredo similar você já assistiu? E quantos deles você achou ruim ou no máximo regular? Pois é, se fizéssemos as contas certamente a resposta para ambas as respostas seriam bem próximas. Dificilmente produções do tipo alcançam sucesso hoje em dia, pois nada mais são que cópias do que deu certo, mas principalmente do que deu errado em projetos parecidos, assim faltando elementos surpresas ou ao menos críveis para torná-las marcantes ou que deixem aquela vontade de rever de vez em quando só para matar o tempo livre. E o que esperar de um produto com uma premissa tão batida protagonizada por um ator que há anos vem construindo uma carreira aos trancos e barrancos após um início extremamente promissor? Essa é a dúvida que em primeiro lugar surge quando nos deparamos com Possuída, suspense com pitadas de terror estrelado por Kevin Costner. Pelo título genérico você pode não dar muito valor a esse filme, mas ele faz bem seu papel de entreter e amedrontar os espectadores... E só! Não espere uma produção que te deixará boquiaberto ou que revolucione o gênero, dessa forma dá para encarar sem grandes complicações este produto que parece um enlatado da TV americana. Todavia, rotulá-lo desta maneira é como taxá-lo de filme B. Na realidade é perceptível que houve cuidado para realizar a produção, preocupação em criar um envolvente clima de suspense, mas como é de praxe nesses casos o caldo entorna na reta final quando é preciso amarrar as pontas soltas que foram desfiadas ao longo do desenrolar da trama. O roteiro de John Travis nos apresenta à John James (Costner), um renomado escritor recém-divorciado que após ser abandonado pela esposa decide dar novos rumos a sua vida mudando para um antigo casarão afastado em Mercy, na Carolina do Sul, na companhia de seus dois filhos, o pequeno Sam (Gattlin Griffith) e a pré-adolescente Louisa (Ivana Barquero). O pai e o garoto parecem dispostos a enfrentar os desafios da adaptação, mas a menina está vivendo a complicada fase de transformações para a fase adulta e se rebela por não se conformar em ter que viver longe da cidade grande e dos amigos. Ela passa a nutrir uma relação de amor e ódio com o pai, mas sua pirraça não é nada diante do que está para acontecer.

domingo, 25 de janeiro de 2015

D-WAR - GUERRA DOS DRAGÕES

Nota 2,0 Apesar de bem intencionado, longa tem história ruim e efeitos especiais fraquíssimos

Filmes com animais ferozes, gigantescos e sedentos por trucidar humanos já viraram, como se diz por aí, carne de vaca. Sinônimos de produções de baixo orçamento e de qualidade duvidosa em diversos aspectos, mesmo assim ainda existem produtoras e distribuidoras que investem ou até mesmo se sustentam explorando esse filão que já rendeu Anaconda, Pânico no Lago, entre tantas outras pérolas trash. Difícil imaginar que ainda exista quem se interesse por obras toscas e com roteiros requentados envolvendo animais geneticamente modificados e outras aberrações, mas sempre tem algum produto estranhíssimo do tipo sendo lançado. Investir em criaturas do passado também pode ser uma opção para alimentar tal nicho. Os dinossauros já foram protagonistas de alguns filmes precários e outros até com tecnologia de ponta. Um pouco parecidos com eles, mas um tanto fantasiosos, os dragões, símbolos importantíssimos na cultura oriental, também já ganharam as telas em diversas ocasiões, mas hoje em dia é difícil pensar neles como criaturas sanguinárias, já que eles constantemente batem ponto nas produções infantis fazendo as vezes de dócil animal de estimação. D-War Guerra de Dragões viria para resgatar a antiga imagem ameaçadora desses animais. A história começa na Coréia, durante o período da Dinastia Chosen, com o nascimento da filha de um poderoso rei. Um monge fala para o monarca sobre os perigos que cercam o nascimento da menina, que poderia ser a chave para a sobrevivência da humanidade perante a encarnação de uma poderosa serpente que tem o poder de se transformar em dois dragões alados que lutam pela soberania, chamados Imoogi, que representa o bem, e Buraki, que é do lado do mal. Para evitar tragédias no futuro, um jovem aprendiz passa a ser treinado para proteger a garota até o seu vigésimo aniversário. Quando o dia fatídico chega, a cidade é invadida e apenas o aprendiz é deixado para salvar a menina, mas ele acaba falhando.

sábado, 24 de janeiro de 2015

13 - O JOGADOR

Nota 1,0 Apostando em um jogo perverso e masoquista, longa sobrevive por fiapo de roteiro

Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris entre outros astros brucutus fizeram fama e fortuna com seus filmes de ação que bombaram entre os anos 80 e 90, mas o terreno teve que ser repassado a novos donos. Will Smith e Denzel Washington, por exemplo, fazem sucesso no gênero, mas já provavam que podem atuar em produções dramáticas e surpreender. Vin Diesel e Dwayne Johnson indiscutivelmente são lembrados como grandes ícones do cinema de ação dos anos 2000 e sem data para o abandonarem, mas são obrigados a dividir as honras com Jason Stathan, o protagonista da trilogia Carga Explosiva entre outros tantos filmes repletos de adrenalina ou que exalam misoginia como é o caso deste 13 – O Jogador. Todavia, apesar de sua presença ser destacada no material publicitário, o astro com cara de poucos amigos surge aqui em um papel praticamente coadjuvante. Teoricamente a trama gira em torno do jovem Vince Ferro (Sam Riley) que de uma hora para a outra tem a sorte (ou seria azar?) de conseguir acessar um material confidencial com algumas instruções para participar de um tipo de jogo do qual poderia sair milionário, porém, isso estava destinado para outra pessoa que acabou falecendo. Com problemas financeiros, Vince assume o lugar do desconhecido e nem imagina que estaria colocando sua vida em perigo em prol da ganância. Ao chegar no lugar indicado, o rapaz descobre do que o tal jogo se trata. Um grupo de homens poderosos, como Jasper Bagger (Statham), gasta seu tempo ocioso com um estranho hobby: eles fazem apostas valendo um bom dinheiro em uma espécie de roleta russa. Cada apostador escolhe um humano que poderia sair vivo ou morto de um tiroteio proposital. São várias as rodadas do jogo e entre um dos mais sortudos a continuarem vivos está Patrick Jefferson (Mickey Rourke), um grande adversário para Vince. O que esperar de uma produção dessas? Muito tiro, blá-blá-blás estratégicos e praticamente zero de emoção, a não ser que você seja um masoquista como os tais apostadores que poderiam estar gastando a grana com caridade. Ops! Se gostam desse joguinho estúpido é óbvio que ninguém ali é flor que se cheire.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

UMA GAROTA ENCANTADA

NOTA 8,0

Apesar dos exageros e do
estilo kitsch adotado, longa
diverte parodiando contos de
fadas e a sociedade moderna
Desde que certo ogro verde invadiu os cinemas e mudou completamente a maneira do público enxergar os desenhos animados, diversas produtoras e estúdios resolveram beber na mesma fonte: a sátira aos contos de fadas e aos sucessos de Hollywood. O resultado foi uma avalanche de produções repletas de citações a outros produtos cinematográficos, referências a acontecimentos de conhecimento mundial, críticas a sociedade moderna e reinvenções de clássicos contos literários, mas tudo embalado por trilhas sonoras repletas de canções famosas e tendo como matéria-prima principal as histórias de princesas, bruxas e afins. Não que as paródias e o recurso da intertextualidade fossem novidade no mundo da sétima arte, pelo contrário, é um recurso muito comum. O cinema, o teatro e a televisão sempre usaram livremente os contos infantis para emocionar, divertir e em alguns casos, com uma forcinha da imaginação, até para aterrorizar, no entanto nos acostumamos a ter as adaptações dos clássicos Disney como as mais fiéis às histórias originais, mas ao longo do tempo elas já sofreram tantas modificações que fica difícil saber quais são as versões originais, mas nada que incomode o público que ultimamente tem se divertido com a intertextualidade proposta por obras que seguem o estilo da elogiada animação Shrek que fisgou plateias de todas as idades com seu humor anárquico e crítico pautado em cima de histórias de domínio público e tirando um sarro de acontecimentos reais e celebridades, além é claro de explorar os enredos que até hoje ajudam a sustentar o império Disney. Aliás, até o próprio estúdio das princesas já realizou sua versão autocrítica com atores reais, mas antes de Encantada surgir outro filme já brincava com os clichês dos contos de princesas. Uma Garota Encantada é uma comédia infanto-juvenil que segue exatamente a mesma linha de seu sucessor, mas aposta mais no humor que no romance e acaba sendo diminuído nas comparações devido a sua produção modesta, porém, eficiente e que casa muito bem com o estilo debochado da narrativa. A grande equipe de roteiristas (Laurie Craig, Karen McCullah Lutz, Kirsten Smith, Jennifer Heath e Michele J. Wolff) tiveram a boa vontade de fazer um delicioso apanhado de brincadeiras com a cultura pop e a modernidade, mas é uma pena que depois do filme do tal ogro verde nada mais parece novidade e nem ele próprio conseguiu segurar sua franquia em alta com essa receita satírica.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

UM LUGAR QUALQUER

NOTA 7,5

Longa investe na simplicidade para
falar sobre vazio existencial através
da relação entre pai e filha forçados a
conviver após anos de separação
Ser filha de alguém famoso não é fácil. Sofia Coppola sentiu na pele as consequências de ter como pai ninguém menos que o lendário cineasta e produtor Francis Ford Coppola. Ela tentou a carreira de atriz, mas fracassou. Não adianta renegar o talento herdado do pai, o lugar dela é atrás das câmeras transformando em imagens roteiros que flertam com o drama e o humor. E quando se fala em imagens neste caso é de forma literal. As características dos trabalhos desta mulher basicamente se resumem a contemplação e ao registro de lugares e cotidianos aparentemente banais. Muito elogiada por As Virgens Suicidas, sua estréia como diretora, ela tem conseguido causar certo burburinho a cada novo lançamento seu e sempre dividindo opiniões. Não seria diferente com Um Lugar Qualquer, longa no qual ela revisitou temas já explorados em seu curto currículo. É impossível não se lembrar do premiado Encontros e Desencontros ao se deparar com a história de um homem um tanto perdido na vida e que só consegue se fixar em um eixo ao estreitar laços de amizade ou amorosos com alguém. Até o choque entre culturas de países diferentes bate cartão, assim como a tática de mais uma vez adotar como protagonista um ator que convive com o vazio fora das telas em sua vida pessoal em contraste com a sua vida agitada profissional. Johnny Marco (Stephen Dorff) é um bem sucedido ator de Hollywood que não leva uma vida pessoal muito exemplar. Ele esbanja dinheiro com bebidas e mulheres, mas não sabe se realmente é feliz, simplesmente vive de prazeres momentâneos e muita melancolia no restante no tempo. Quando ele está com o braço engessado se recuperando de um acidente ocorrido durante as filmagens de um novo trabalho e se preparando para uma viagem à Itália para receber um prêmio, sua rotina muda completamente com a chegada de sua filha de onze anos, Cleo (Elle Fanning). Ela vem para passar alguns dias com o pai, mas sem data para ir embora. Inicialmente, o ator não sabe bem como lidar com a menina e nem conhece muito sobre os seus costumes, mas seu estilo liberal de viver acaba o aproximando dela. Porém, esse contato mais próximo faz com que ele repense o caminho que está trilhando, alterando bastante seu comportamento e pensamentos. Curiosamente a filha parece muito mais segura de cada novo passo que dará que o próprio pai que teoricamente teria muito mais experiência de vida para acertar no futuro reavaliando os erros do passado. De qualquer forma, a relação deles será proveitosa para ambos, pois aprenderão a atingir o equilíbrio entre a responsabilidade e o descompromisso medindo os excessos de um e a cautela do outro.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

VOO NOTURNO

NOTA 9,0

Com sua ação praticamente
toda encerrada dentro de um
avião, suspense só declina em
seu ápice repleto de clichês
Mesmo com os jornais impressos e os noticiários da TV apinhados de tantos desastres reais e também fictícios para o cinema e novelas, os aviões ainda são o meio de transporte mais procurado para viagens longas e o sonho de muitos continua ser fazer um passeio sobrevoando os mares e continentes acima das nuvens. Os produtores e estúdios já investem no filão dos acidentes aéreos há muitas décadas tendo sua primeira fase de sucesso nos anos 70 quando se tornaram populares os filmes-catástrofes, aqueles que arrasam cidades ou colocam pessoas em risco em ambientes ou situações das quais aparentemente não há saída. Após o fatídico 11 de setembro de 2001 os aviões voltaram a ser alvo da lente de cineastas amedrontando a tripulação com vilões terroristas. Voo Noturno poderia ser apenas mais um produto do tipo, mas ele surpreende positivamente, embora críticas contra não faltem. É um clichê requentado? Uma proposta boa desperdiçada em uma produção cheia de furos? Mesmo assim você fica roendo as unhas de tensão? Sim, sim e sim. Digamos que esta é uma opção de filme B com pedigree. Tem seus momentos incrédulos, mas funciona do início ao fim muito melhor que algumas superproduções. A história começa oferecendo todo um clima digno de romance. Dois jovens que nunca se viram se encontram em um aeroporto por acaso e uma série de coincidências ocorrem culminando no fato de que eles farão a viagem juntos em um voo noturno, conhecido entre os americanos como “Red Eye”, e sentados lado a lado. Aí eles conversam mais, trocam confidências, se beijam e terminam o filme com um pretenso final feliz. Errado! A introdução é bem rápida para dar espaço a uma boa trama de suspense. Lisa Reisert (Rachel McAdams) gerencia um badalado hotel de Miami e tem pavor de avião, mas cai na lábia de Jackson Rippner (Cillian Murphy) que se mostra um jovem muito seguro e gentil. A aproximação não é a toa. O rapaz na realidade arquitetou o encontro. Ele é um criminoso que planeja a morte do Secretário de Defesa dos EUA, este que se hospedará no hotel de Lisa. Sua trama é forçar a moça a mandar seus empregados trocarem o alvo de quarto junto com a família de forma que ficasse mais fácil para que seu bando os atacasse. Se ela não fizer isso é o pai dela (Brian Cox) quem morre pelas mãos de outro assassino já a postos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

127 HORAS

NOTA 8,0

História verídica é contada
de maneira inovadora e
apostando na valorização
dos recursos técnicos
Baseado em fatos reais. Uma história forte e comovente. Um exemplo de coragem e superação. Esqueça quaisquer preconceitos em relação as produções inspiradas em fatos verídicos quando o assunto for 127 Horas, um pequeno drama que caminhou a passos largos rumo ao sucesso e chegou a concorrer aos principais prêmios da temporada 2011, inclusive o Oscar. Tamanha exposição aguçou a curiosidade de muita gente, mas certamente muitos se decepcionaram com o que viram. Vendido como o filme do cara que fica o tempo todo sozinho em meio a uma situação limite (quem nunca ouviu tal definição?), muitos também devem ter se desanimado e nem chegaram a assistir. Bem, como sempre dito neste blog, é o recheio que faz um bom filme e neste caso ele é servido de forma bem diferenciada e que em nada lembra as tradicionais produções que envolvem histórias de superação. Antes de qualquer coisa vamos ao enredo. Aron Ralston (James Franco) sempre foi apaixonado por atividades radicais e ao ar livre. No início de 2003, quando fazia uma escalada em uma região montanhosa e desértica em Utah, nos EUA, por um descuido acaba pisando em falso e cai em uma fenda existente entre grandes rochedos. Sem ninguém por perto e para piorar com uma rocha prendendo um de seus braços contra a parede do desfiladeiro, Ralston precisou usar o que tinha em sua mochila para conseguir escapar. Quanto mais raspava a pedra, mais parecia que ela esmagava seu membro. As horas passam vagarosamente e sem ter como comunicar a alguém o seu paradeiro e contando com pouca água e apenas algumas bugigangas, a morte parece eminente e o aventureiro passa a fazer uma espécie de diário dos seus últimos momentos de vida com o auxílio de uma câmera de vídeo. Com ela o rapaz registra pensamentos, lembranças e delírios como forma de criar um registro para quem encontrasse o aparelho desta que parecia ser sua última aventura entregasse a seus familiares como uma recordação. Entre memórias de bons momentos com a família e amigos, situações de desespero e até devaneios acerca de um futuro incerto, a narrativa dedica-se praticamente do início ao fim a capturar tais reações psicológicas que perduraram por mais de cinco dias.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

POPULAÇÃO 436

NOTA 4,5

Longa investe na batida ideia
da cidadezinha envolta a
mistérios, mas falta criatividade
para esconder a sensação de déja vu
Quando pensamos nos EUA logo vêm as nossas mentes as imagens de cidades urbanas e adeptas do que há de mais moderno para tornar o dia-a-dia mais confortável e tranquilo em vários sentidos. Todavia, o cinema está sempre lembrando que por lá também existem pequenas cidades interioranas que parecem paradas no tempo, ambientes perfeitos para serem palcos de histórias de mistério. Um lugar onde todos parecem felizes, assassinatos não existem, a solidariedade impera e todos se mobilizam em torno de um festival parece uma realidade de uma cidade do início do século passado, mas Rockwell Falls é contemporânea e ainda assim provinciana. Esse é o lugar onde vai parar o protagonista de População 436 cuja proposta é bem explícita no título. O tal lugar é uma pequena cidade perdida no meio do nada e cercada por uma densa floresta onde a paz parece reinar, todos se respeitam, os casos de doença são raros e quase sempre solucionados. Steve Kady (Jeremy Sisto) é um investigador federal que é enviado para lá a fim de atualizar o censo demográfico já que causa estranhamento o fato de que nos últimos cem anos o número de habitantes do local não mudou. Ano após ano o número se mantém inalterado em 436 indivíduos, mas ele só vai saber dessa coincidência quando já está em campo. No caminho, chama a atenção do rapaz o comportamento das pessoas a quem pede informações sobre a região, pois parece que todos têm receio de comentar o que quer que seja. Conseguindo chegar ao seu destino sozinho, Kady acaba tendo um problema com o carro e assim conhece Courtney Lovett (Charlotte Sullivan) que lhe apresenta a região e seus moradores, mas no fundo parece saber muito mais sobre o local do que revelou, assim como o policial Bobby Caine (Fred Durst) que à primeira vista tentou barrar sua entrada no povoado. Dessa forma, ele se sente tentado a investigar os mistérios que envolvem a cidade, uma iniciativa perigosa. Entre as crenças que o protagonista ouve estão a de que quem passa uma única noite por lá não pode mais ir embora e quem desafia essa máxima acaba falecendo pouco tempo depois ou fica gravemente doente, um estado perturbado que eles chamam de febre, mas que oferecem tratamento seguro.

domingo, 18 de janeiro de 2015

DUCK TALES E O TESOURO DA LÂMPADA PERDIDA

Nota 9,0 Animação com personagens clássicos e história ingênua exala nostalgia e diversão

Para quem viveu a infância intensamente entre as décadas de 80 e 90, com certeza os desenhos que passavam na TV naquela época deixaram um gostinho de saudades irresistível e sem dúvida nenhuma adaptação em longa-metragem dos tempos atuais consegue resgatar totalmente a magia daquela época, muito provavelmente porque a ingenuidade foi morrendo pouco a pouco conforme o tempo passou. Por exemplo, será que os simpáticos personagens da série animada “Duck Tales – Os Caçadores de Aventura” conseguiriam disputar espaço com as animações de hoje em dia? É bem possível que crianças pequenas conseguissem se entreter com Tio Patinhas e sua turma, mas as crianças mais velhas poderiam estranhar um pouco, contudo, vale a pena fazer o teste. Duck Tales – O Filme – O Tesouro da Lâmpada Perdida é uma excelente oportunidade para elas conhecerem a turma de habitantes de Patópolis cuja série animada foi produzida entre 1987 e 1990, esta por sua vez baseada nas aventuras em quadrinhos já existentes. No filme o milionário Tio Patinhas viaja com seus sobrinhos e o atrapalhado Capitão Bóing para o Egito em busca do tesouro de Coolei Baba. Junto com eles vai o ambicioso Dijon, que na verdade se infiltrou na viagem a pedido do feiticeiro Merlock, um homem que tem o poder de se transformar em animais e assim penetrar em qualquer lugar sem ser percebido. O tesouro é encontrado e, com dó no coração, Tio Patinhas dá para Patrícia, a filha da governanta de sua casa, um pequeno bule achado entre o ouro e as pedras preciosas para ela brincar. O que ninguém esperava é que na verdade esse objeto é uma lâmpada mágica e que dentro dela vive Geninho, um menino gênio que não pode ser encontrado por Merlock de maneira alguma para evitar que seus poderes sejam usados de forma para fazer o mal. Agora, ele vai contar com a ajuda da família de Patinhas para se esconder e tentar evitar que o malvado feiticeiro se apodere da fortuna deles.

sábado, 17 de janeiro de 2015

ANGEL-A

Nota 7,0 Filmado em preto-e-branco, estética acaba sobressaindo ao conteúdo desta obra

O famoso cineasta, roteirista e produtor francês Luc Besson, de O Quinto Elemento, apresenta aqui um trabalho, no mínimo, curioso. Sem filmar desde a enésima versão de Joana D’Arc que lançou em 1999, o diretor retoma seu posto atrás das câmeras investindo em um visual diferenciado para marcar sua volta em grande estilo. Filmado em preto-e-branco e utilizando interessantes ângulos e panorâmicas para capturar as cenas, Angel-A é uma obra que não é de encantar grandes platéias, mas vale a pena dar uma conferida para ter contato com um cinema de qualidade técnica irretocável, divertido e com novas possibilidades, porém, uma opção longe dos “filmes-cabeça” como se costuma rotular tudo que venha do velho continente. A história criada pelo próprio cineasta nos apresenta a André (Jamel Debbouze), um rapaz com quase trinta anos, mas que não tem sorte e vive afogado em dívidas gigantescas, o que o mantém na mira de perigosíssimos gângsteres que agem nos arredores de Paris. Sem ter como renegociar suas pendências e sem crédito na praça, André resolve acabar com sua própria vida. Quando está prestes a se jogar de uma ponte ele nota que uma bela jovem também pretende fazer o mesmo. Ela pula e no impulso o rapaz também se atira na água e a resgata. Ela é Ângela (Rie Rasmussen), uma mulher muito especial, que impressiona por sua altura, que entrou em sua vida para trazer muitas transformações positivas, mesmo que para isso ela precise usar táticas um pouco mais violentas. Os dois acabam descobrindo que têm muito em comum, mas que um relacionamento entre eles pode ser impossível. Assumindo todos os cargos possíveis dos bastidores, Besson continua demonstrando que seu talento é mesmo para criar visuais interessantes, neste caso recorrendo a uma estética considerada ultrapassada curiosamente para captar as mais belas paisagens daquela que é chamada de Cidade-Luz.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A SOMBRA DO VAMPIRO

NOTA 10,0

Fantasia acerca de lenda
dos bastidores de um
clássico é uma verdadeira
homenagem à sétima arte

Os vampiros são alguns dos personagens mais recorrentes da história cinematográfica. Desde os tempos do cinema mudo as temidas criaturas da noite conquistaram seu espaço sendo Nosferatu a obra do tipo mais marcante deste período. Datado do ano de 1922, este clássico do terror expressionista alemão foi o primeiro filme a ser originado do famoso livro “Drácula” assinado por Bram Stoker, que sete décadas mais tarde ganharia sua versão-coqueluche pelas mãos de Francis Ford Coppola. Neste espaço de tempo, centenas de filmes de vampiros surgiram e em cada um eles se apresentavam com alguma novidade. Sedutores, perversos, divertidos, depressivos, românticos e até versões femininas e infantis tivemos. É óbvio que tudo que é demais enjoa e a maioria das produções de vampirismo lançadas nos últimos tempos automaticamente são tachadas como trashs. Em meio a estagnação da imagem desse mito no final do século 20, o diretor E. Elias Merhige trouxe um sopro de originalidade curiosamente revisitando o clássico mudo de F. W. Murnau. O ator Max Schreck fez uma personificação tão assustadora de um vampiro naquela época, tanto no visual quanto no comportamento, que diversas de suas cenas permanecem até hoje vivas no imaginário coletivo, mesmo sendo uma produção que agrade mais aos cinéfilos que o espectador de fim de semana. Sua imagem excêntrica e curiosa que impressionava a todos no set deu origem a lenda de que ele realmente era um mordedor de pescoços e é justamente esse o gancho trabalhado em A Sombra do Vampiro, um presente aos cinéfilos que encontram aqui subsídios para uma nostálgica, intrigante e ao mesmo tempo agradável viagem no tempo. Terror, suspense, drama, filme de arte ou de humor negro? É até difícil classificar este trabalho único e criativo. Experimental seria a palavra mais adequada. Impedido de filmar a história do Conde Drácula tal qual no romance de Stoker já que a viúva do escritor não cedeu os direitos da adaptação, Murnau (John Malkovich) fez algumas adaptações na história original, como batizar o personagem principal de Conde Orlok, e estava disposto a fazer de seu filme Nosferatu a obra mais autêntica do cinema. Para tanto ele toma uma decisão ousada e excêntrica: contrata um vampiro de verdade para ser o protagonista. A escolha também ajuda o diretor a arrancar atuações mais realistas do restante do elenco que imediatamente fica curioso e intrigado, pois ninguém conhece Schreck (Willem Dafoe) e estranham seu comportamento nos bastidores e em cena. Sempre caracterizado como o personagem, só querendo filmar a noite e apresentando certa agitação nas cenas em que há sangue mesmo de mentirinha, a explicação dada é que este intérprete tem um método rigoroso e metódico de trabalho e nem mesmo nas horas de folga deixa de viver sua criação.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

DECISÕES EXTREMAS

NOTA 7,0

Drama aborda doença infantil
sem cura, mas deixa de lado a
choradeira para fazer críticas ao
capitalismo e ao universo científico
Os campos da ciência e da medicina estão sempre em constantes avanços quanto o combate e a cura de doenças, mas paralelo a isso os males não dão trégua e frequentemente ficamos estarrecidos com novas ou até mesmo antigas mazelas que conhecemos através da mídia. Em um primeiro momento podem parecer casos isolados, mas é espantoso como existem pessoas espalhadas pelo mundo sofrendo com problemas de saúde que poucos conhecem e o cinema acaba se tornando uma ferramenta importante para divulgar essas informações, prestando assim importantes serviços sociais. Quem se aventura a explorar assuntos do tipo coloca a arte cinematográfica em um outro patamar. É quase como um serviço voluntário. Embora atores e todos que atuam atrás das câmeras recebam seus cachês pelos serviços prestados, é certo que os mesmos não esperam que o filme conquiste lucros animadores. Sim, existe um preconceito com produções que abordam doenças, ainda mais quando as vítimas são crianças. É desse mal que sofre Decisões Extremas, competente drama que tinha tudo para dar certo, a começar por contar nos créditos com os atores Brendan Fraser e Harrison Ford, mas que praticamente em todo o mundo foi lançado diretamente em DVD devido a rejeição que filmes relacionados a problemas de saúde somatizam. Baseado no livro “A Cura”, da jornalista vencedora do prêmio Pullitzer Geeta Anand, que por sua vez é inspirado em fatos reais, o longa mostra a emocionando batalha de um homem para salvar a vida de seus filhos, mas que acabou trazendo benefícios para milhares de outras crianças. John Crowley (Fraser) e sua esposa Aileen (Keri Russell) fazem de tudo para dar uma vida normal e com qualidade aos pequenos Megan (Meredith Droeger) e Patrick (Diego Velazquez), respectivamente com oito e seis anos de idade, que são portadores da doença de Pompe, uma enfermidade genética que compromete os músculos, deixando-os enfraquecidos, e os órgãos internos, que podem ter seus tamanhos ampliados significativamente. Segundo estudos, poucos pacientes com este diagnóstico conseguem passar dos nove anos de idade. Curiosamente, o filho mais velho do casal, John Jr. (Sam M. Hall), nasceu completamente saudável. Correndo contra o tempo, Crowley tenta entrar em contato com o conceituado pesquisador Robert Stonehill (Harrison Ford), que já está empenhando na busca da cura dessa doença, mas todas as suas tentativas falham.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

MENINA DOS OLHOS

NOTA 7,0

Comédia segue a risca os
mandamentos do gênero e
sua má reputação não tem
justificativa sólida
O ator Ben Affleck atualmente vive uma fase mais tranquila na carreira após peitar os preconceituosos e assumir a função de diretor em Medo da Verdade e Atração Perigosa, dois filmes bem realizados e que passaram ilesos pela crítica. Podem não ter sido sucessos extraordinários, mas o ajudaram a limpar o seu currículo do passado. Bem, não que sua história no cinema seja uma tragédia, mas quando se dá um passo maior que a perna é preciso tomar cuidado com as consequências. Desde o início da carreira alternando projetos comerciais de pouca visibilidade com outros alternativos ainda mais desconhecidos, sua grande estréia acabou acontecendo em Gênio Indomável, drama no qual atuou e escreveu o roteiro em parceria com o amigo Matt Damon, o protagonista do longa. Um ator que tem a capacidade de roteirizar uma história tão forte conquista um lugar de destaque na indústria cinematográfica, mas então é preciso fazer jus ao lugar que ocupa e é ai que está o problema de Affleck. Dedicando-se a projetos comerciais de sucesso como Armageddon e naufrágios retumbantes como sua parceria com Jennifer Lopez em Contato de Risco, o ator construiu uma carreira pautada pelo óbvio. Foi justamente o longa em que atuou ao lado da atriz e cantora que o colocou definitivamente na lista negra dos críticos e consequentemente do público. Na realidade ele é injustiçado pelo estigma que um Oscar de Melhor Roteiro Original em sua casa lhe trouxe. Para uma pessoa que demonstrou ter inteligência de tal forma, atuar em projetos comerciais no estilo mais do mesmo é algo imperdoável dizem. Aliás, para muitos ele deveria ter investido na escrita e fugido de frente das câmeras, mas será que todos os seus trabalhos são tão ruins quanto pintam? Por exemplo, Menina dos Olhos é uma agradável comédia romântica com todos os elementos básicos do gênero, mas foi recebida a pedradas, ainda hoje é mal avaliada e a culpa é atribuída ao protagonista. Contribui para essa imagem negativa o fato do longa ser dirigido por Kevin Smith, diretor que teve seu nome alçado a uma posição de destaque ao realizar produções alternativas como Procura-se Amy e Dogma. Declaradamente fã de quadrinhos e demais elementos da cultura pop, o cineasta já vinha conquistando uma turma de fãs fiéis que curtiam seu estilo, mas ele surpreendeu ao se entregar ao engessado modo de contar uma história romântica e com final piegas que enfoca a redenção.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

MINHAS MÃES E MEU PAI

NOTA 7,5

Longa tenta mostrar uma
família pouco comum de
modo natural, mas acaba
esbarrando em convenções
O mundo está mudado e cada vez mais aceitando os grupos que outrora eram considerados diferentes e, portanto, excluídos da sociedade. O cinema acompanhou este avanço social e não é de hoje que tem procurado retratar as relações homossexuais de forma digna e natural, embora ainda os estereótipos do “bichinha” e da “sapatona” ainda imperem. Aliás, o lesbianismo que antes era introduzido em produções B ou com conteúdo duvidoso para o delírio de fetichistas de plantão hoje é tratado de forma mais realista como prova Minhas Mães e Meu Pai, uma agradável mistura de comédia e drama que conquistou a crítica provocando boas risadas e até emocionando, porém, tal tema também fez muita gente torcer o nariz. Talvez não seja o conteúdo em si o motivo de certa repulsa, mas sim a superexposição que o longa teve sendo apontado como um dos melhores títulos lançados em 2010. Este trabalho da diretora Lisa Cholodenko ganhou projeção ao vencer o Globo de Ouro de Melhor Comédia e ter conquistado quatro indicações ao Oscar, mas visto pelo prisma das premiações o longa decepciona. Despretensiosa e muito simplória em sua apresentação, a obra é honesta e até ousada em certos momentos, mas longe de poder ser considerada algo excepcional, embora talvez seja um caso isolado de comédia com conteúdo lançado no período. Visto principalmente levando-se em consideração seu humor inteligente e peculiar, ai sim podemos dizer que é um bom filme. Com o foco na adaptação social de famílias formadas por homossexuais, a trama nos apresenta à Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), duas mulheres que vivem um relacionamento amoroso já a algum tempo e não abriram mão do desejo de serem mães e cada uma teve um filho por inseminação artificial com o material genético de um mesmo doador anônimo. Ao longo dos anos elas construíram um lar harmonioso ao lado dos filhos, hoje adolescentes, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson) que nunca demonstraram preconceito ou estranharam a situação da família. Tudo ia muito bem, até que os irmãos se unem para tentar encontrar o pai biológico e conseguem os documentos do laboratório onde foram feitos. Indo contra a vontade das mães, a dupla entra em contato com o pai, Paul (Mark Ruffalo). Quando as progenitoras descobrem que os filhos se encontraram com o pai as coisas complicam, mas ainda assim elas respeitam o direito e a vontade deles e Paul é convidado para um almoço em família, no qual se mostra muito simpático com Jules, o que deixa sua companheira atenta. O rapaz fecha um acordo com a moça, que é paisagista, para que ela trabalhe na reforma de seu jardim, mas eles extrapolam os limites profissionais. Na medida em que o pai começa a fazer parte da vida de todos, de forma positiva ou negativamente, um novo e inesperado capítulo se inicia para esta família pouco convencional e o amor do casal lésbico é colocado em xeque.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A FEITICEIRA

NOTA 7,5

Longa surpreende no
início com narrativa
inesperada, mas carrega
em clichês no segundo ato
Um longa-metragem ser encaixado na programação da televisão é perfeitamente possível, mas adaptar um programa da telinha (para a época atual cai melhor o termo telão privado) para a telona do cinema não é fácil. Hollywood sempre tenta fazer essa transição recorrendo a sucessos do passado ou contemporâneos. Sex and The City mesmo após o término da série fez certo barulho nos cinemas e ganhou uma continuação e Agente 86 foi resgatado do túnel do tempo de forma ágil e de fácil assimilação por novas platéias. Já As Panteras pisou fundo na adrenalina e nas referências pop e trombou com um público que apostou na nostalgia e se decepcionou. Esses são exemplos mais recentes, mas existem muitos filmes baseados em seriados que foram lançados na época do boom das fitas VHS e que hoje até os canais abertos os relegaram ao ostracismo. Somando muito mais erros que acertos, parece que a indústria de cinema americana não aprendeu a lição e continua investindo na idéia. Ainda há planos, por exemplo, de uma produção baseada na série “24 Horas” que hoje sobrevive de reprises com audiência capenga. Se a intenção é tão forte, o melhor mesmo é procurar formas alternativas de resgatar a memória do seriado e foi isso que a diretora Nora Ephron fez com A Feiticeira recorrendo ao recurso da metalinguagem, o que certamente decepcionou muita gente que comprou a idéia de ver uma espécie de episódio esticado, mas se deparou com um novo projeto, um remake do programa dentro do filme. É surpreendente o número de críticas negativas que até hoje esta comédia recebe, principalmente do público que acompanhava a série que foi ao ar entre 1964 e 1972 e foi reapresentada a exaustão pelas décadas seguintes. Claro que não é uma obra digna de prêmios e elogios rasgados, mas certamente cumpre bem seu papel de entreter, tanto é que passou pela avaliação das platéias mais jovens que provavelmente nunca assistiram a um episódio do seriado e boa parte dos espectadores do sexo feminino. Mexer com ícones culturais, e neste caso um fenômeno quase mundial, é complicado e merece respeito a opção de ousar em ser até certo ponto original entregando aos espectadores algo que eles não esperavam, mas é aquela velha história, o público reclama da mesmice, porém, quer sempre mais do mesmo. Há muitos anos a idéia de levar o clássico para as telas grandes rodava pelos estúdios e no início dos anos 90 Meryl Streep era a mais cotada para ser a protagonista e parecia animada, mas nem mesmo uma ponta lhe deram quando o longa finalmente saiu do papel.


domingo, 11 de janeiro de 2015

ESPÍRITO SELVAGEM

Nota 3,5 Mesmo com várias qualidades técnicas, longa deixa a desejar em sua narrativa e ritmo

Para quem gosta de um cinema mais alternativo ou mais puxado para o estilo clássico, é comum a revolta ao se depararem com a programação dos cinemas cada vez mais voltada a projetos comerciais e a mesma situação se repetir nas opções das locadoras, mas tal situação não é novidade. Centenas de bons projetos todos os anos chegam ao público de forma extremamente tímida e rapidamente caem no ostracismo. Todavia, entre os títulos que se encaixam nesta longa lista alguns parecem involuntariamente clamar por esse esquecimento como é o caso de Espírito Selvagem que curiosamente reúne diversas características que ao menos lhe garantiriam certa visibilidade mesmo com o passar dos anos, porém, sua extrema lentidão impressa em cada cena é seu calcanhar de Aquiles. Adaptado do premiado livro “All The Pretty Horses”, de Cormac McCarthy, um best-seller do início dos anos 90, a trama tem pedigree, mas o roteirista Ted Tally, vencedor do Oscar por O Silêncio dos Inocentes, não soube segurar as rédeas da história que tem como protagonistas John Cole (Matt Damon) e Lacey Rawlins (Henry Thomas), dois jovens texanos que estão em busca de uma vida melhor no final da década de 1940. Decididos a encarar novos desafios, a dupla sai do Texas à cavalo rumo ao México. No meio do caminho eles conhecem Jimmy Blevins (Lucas Black), um jovem problemático que está roubando os cavalos de propriedades privadas, mas sem saberem desse seu desvio de conduta os amigos acabam aceitando o rapaz para seguir viagem junto. Blevin é o responsável pela maior parte dos problemas que os dois caubóis vão enfrentar, mas Cole também irá encontrar um amor nessa trajetória. Ele se apaixona por Alejandra (Penélope Cruz), filha de um rico fazendeiro, mas essa união está ameaçada, pois até preso o rapaz irá ser, além de perder a companhia do amigo de cavalgada Rawlins. Após a captura de Cole, a trama ganha mais fôlego mostrando seu amadurecimento diante das adversidades, mas principalmente por causa do empenho de seu intérprete que já demonstrava ser um grande ator, mesmo não repetindo um desempenho semelhante a que apresentou em Gênio Indomável, até então seu principal trabalho. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

NÃO É VOCÊ, SOU EU

Nota 7,0 Produção com tom popular mostra que o cinema argentino quer vencer barreiras

Para quem ainda pensa que o cinema latino sobrevive de produções pobres e que se dedicam a mostrar uma realidade tão paupérrima quanto seus próprios orçamentos, é preciso rever seus conceitos. Há muitas produções que se não fosse pelo detalhe do idioma passariam tranquilamente como um filme americano do tipo independente. O cinema argentino tem se destacado nesse cenário e explorando diversos gêneros. Não é Você, Sou Eu é uma despretensiosa comédia do diretor Juan Taratuto, então estreando no cargo, que agrada com seu texto rápido e repleto de boas piadas. Sua estética é simples e algumas situações lembram a clichês de comédias norte-americanas, porém, o teor do humor é bem mais leve e não deixa ninguém ruborizado com piadas de mau gosto ou escatológicas. A história criada pelo próprio diretor em parceria com Cecília Dopazo gira em torno do cirurgião Javier (Diego Peretti) que mesmo estando na casa dos trinta anos de idade ainda não consegue deixar de levar a vida como um adolescente sonhador. Ele é muito apaixonado por María (Soledad Villamil) e acaba fazendo um casamento às pressas simplesmente para que a moça possa fazer uma viagem para os EUA. Ela foi na frente para ir se ajeitando e tentar algum trabalho. Enquanto isso, seu marido ficou em sua terra natal se desdobrando para conseguir dinheiro para viajar também e poder dar a ela uma vida com tudo o que há de bom e de melhor. Depois que vende até seu próprio apartamento e já está de malas prontas, Javier tem uma grande decepção. María o troca por outro e o mundo do rapaz desaba, mas mesmo assim ele não consegue tirá-la da cabeça. A partir de então, ele precisa passar por um processo de amadurecimento forçado e procura alternativas para esquecer sua paixão. Procura a terapia, tenta encontrar uma nova garota e até busca a companhia de um cachorro. É justamente por causa do bichano que ele acaba conhecendo Julia (Cecilia Dopazo), funcionária de um pet shop, a garota que pode lhe ajudar a esquecer as mágoas e amadurecer. O relacionamento que começa com desentendimentos acaba se transformando em algo positivo para estas duas pessoas solitárias.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

EXORCISTA - O INÍCIO

NOTA 2,5

Exploração de fatos anteriores
ao clássico O Exorcista resulta
em um filme fraco, confuso e que
não faz jus ao título que carrega
Já é costume que os títulos do gênero de terror não sejam filhos únicos. Independente de fazerem sucesso ou não, é quase certo que toda produção do tipo terá sua vida útil ampliada graças a continuações, podendo ser lançadas inclusive tardiamente. A Casa de Cera e Horror em Amityville são exemplos raros que não ganharam ao menos uma segunda parte, porém, são refilmagens de produções antigas. Contudo, o grande temor dos fãs de horror continua sendo o fantasma das sequências. Dificilmente estas tentativas de mostrar possíveis desdobramentos de uma história conseguem fazer tanto sucesso quanto a obra original. Será que é por isso que cerca de três décadas após o lançamento de O Exorcista o diretor Renny Harlin, frustrado já uma vez por tentar recuperar o prestígio dos filmes de piratas com A Ilha da Garganta Cortada, quis trazer a tona o mesmo frisson causado pelo realismo e pelas cenas perturbadoras contidos no clássico setentista de William Friedkin apostando em um prequel? Para quem não sabe, prequel é a palavra comumente usada para se referir a um filme cujo objetivo é apresentar fatos que antecederam aos eventos de uma outra obra, ou seja, no caso de Exorcista- O Início o próprio título já diz tudo. Desde seu lançamento em 1973, público e crítica se renderam ao poder de atração do até então mais famoso longa a abordar o tema possessão e ano após ano os cofres do estúdio e distribuidora Warner foram ficando mais cheios com os dividendos do trabalho de Friedkin. Não demorou muito e algumas continuações oficiais do sucesso foram feitas tentando repetir repercussão e bilheterias similares, mas na realidade se transformaram em verdadeiros fracassos e hoje vivem no total ostracismo. Isso sem falar nas inúmeras produções lançadas diretamente em fitas VHS que também beberam na mesma fonte e procuraram aproveitar o boom das locadoras entre os anos 80 e 90. Ainda assim executivos de cinema sempre quiseram ganhar mais alguns trocados com a história de possessão e exorcismo que chocou o mundo todo, mas para a empreitada dar certo era necessário que essa providencial sequência tivesse alguma ligação com a obra original na qual o padre Merrin, então vivido por Max Von Sydow, menciona ter encontrado o demônio frente a frente ainda em sua juventude. A partir deste gancho os escritores William Wisher e Caleb Carr imaginaram como o tal sacerdote teve seus primeiros contatos com o tema possessão e o que o levou a se especializar nestes casos. As intenções eram boas, mas o roteiro finalizado por Alexi Hawley não está a altura do porte e da importância que este projeto deveria ter.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O EXORCISTA

NOTA 10,0

Quanto mais o tempo passa
melhor fica este clássico do
terror cujo visual datado
trabalha a favor da obra
Existem filmes que ficam melhores a cada ano que passa e o fator tempo só contribui positivamente. Quando comparados a trabalhos contemporâneos eles podem ficar em desvantagem ou surpreendentemente se sobressaírem, como é o caso de O Exorcista, uma das melhores produções de terror de todos os tempos cujo aspecto datado acaba trabalhando a favor da obra e reforçando a atmosfera de suspense e claustrofóbica. Lançado na década de 1970, o longa ajudou a recuperar um gênero que estava fadado a disputar público com as comédias ou viver de nichos específicos. O terror, alguns anos antes, era dominado pelos filmes de monstros e trashs que até podiam causar um ou outro susto, mas a quantidade de risos eram bem superiores. Foi uma menina com o demônio no corpo literalmente que salvou o cinema de horror de afundar na lama de vez. Naquela época o mundo já estava um caos com muita violência, protestos, famílias se desfazendo e o ser humano perdendo a fé na religião (pelo visto as coisas não mudaram muito daqueles tempos para cá), um cenário ideal para o demônio dominar e aprontar. Apesar de tantos anos se passarem, a produção continua provocando bons sustos, mas é claro que não causa o mesmo impacto que antes. O cinema evoluiu, regrediu em certos aspectos também, mas o fato é que já vimos coisas bem mais nojentas e impactantes do que uma garota vomitando algo verde ou mutilando a si mesma, porém, para a política cinematográfica atual, é totalmente repreensível uma menor de idade simulando uma masturbação com um crucifixo. Embora a cena não seja explícita no visual, concentra suas forças sexuais no texto o que já é o suficiente para a censura de hoje cair em cima, por isso os produtos de terror atuais podem até ser mais ousados, mas ainda ficam com o pé no freio para que uma publicidade gratuita não seja revertida de forma negativa afugentando o público. Mesmo assim, em 2001, o clássico ganhou alguns minutos a mais com cenas que foram cortadas da versão original que só vieram acrescentar mais qualidade ao que já era excelente.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

PLANETA VERMELHO

NOTA 0,5

Mais uma desnecessária
viagem cinematográfica à
Marte resulta em um tremendo
e merecido fracasso
Filmes sobre viagens intergalácticas já tiveram seu período de auge em um passado distante, mas as tentativas de ressuscitar este subgênero da ficção científica entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000 já mostrava que esse tipo de produção não tinha futuro. Mesmo assim vira e mexe Hollywood volta a investir no tema, até porque existe sim um nicho de público fã dessas aventuras, mas não em número suficiente para gerar dinheiro e ressuscitar o gênero. Em tempos em que a população mundial respirava aliviada que o mundo não acabou na virada do milênio, alguns produtores desatinados ainda acreditavam que o público sonhava que a salvação da humanidade era reconstruir a vida em outro planeta e investiram grana em Planeta Vermelho, produção que já tinha desde sua concepção todos os ingredientes necessários para dar errado e o resultado não foi diferente. Em primeiro lugar estreou pouco tempo depois dos mal sucedidos Supernova e Missão: Marte, o que já afugenta uma parcela de público que não curte repetecos de temas, ainda mais quando as palavras fracasso ou bomba parecem estar de formas invisíveis atreladas à obra. Como já dito, o gênero desta fita andava para lá de capenga. Por fim, quem quer brincar de astronauta precisa de disposição e interesse para tanto e o que vemos na tela são efeitos especiais e cenários precários o que automaticamente tacham a produção como um legítimo produto trash, embora a produtora Warner tenha lançado mão de um polpudo orçamento. A trama se passa no ano de 2050, para variar em um futuro apocalíptico quando os recursos naturais da Terra estão se esgotando e a humanidade precisa buscar um novo lugar onde possa sobreviver. O local em vista é o planeta Marte. O engenheiro Robby Gallagher (Val Kilmer), a comandante Kate Bowman (Carrie-Anne Moss), o Dr. Quinn Burchenal (Tom Sizemore), o Dr. Bud Chantillas (Terence Stamp) e os cientistas Ted Santen (Benjamin Bratt) e Chip Pettengill (Simon Baker) formam a tripulação da sonda de astronautas que é convocada para uma expedição para explorar as condições do desconhecido satélite e torná-lo um lugar habitável. Quantas dezenas de anos de pesquisas seriam necessárias para tanto? No caso temos que engolir que tal tarefa seria a jato.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PROJETO DINOSSAURO

NOTA 0,5

Recorrendo ao recurso da colagem
de cenas supostamente reais, longa
não tem gênero definido e reforça a cada
minuto sua vocação trash e despropósito
O cinema de tempos em tempos se reinventa, mas o que é novidade hoje amanhã já pode estar ultrapassado. Há alguns anos os filmes-mosaicos, aqueles que intercalam história de diversos personagens e que quase sempre deixam interrogações aos espectadores, viraram febre. Dramas pesados e com verniz de produções para intelectuais ganharam as salas de multiplex, mas hoje já parecem realocados nos circuitos alternativos. Outra mania que pegou nos últimos tempos são os “found footage”, filmes que vendem a ideia de serem uma edição de imagens de fitas amadoras, mas que na verdade são produções razoavelmente elaboras que usam o recurso para escamotear precariedades, embora existam exceções. Pode-se dizer que A Bruxa de Blair deu o pontapé inicial na onda, mas o que economizou financeiramente esbanjou em criatividade para sua campanha publicitária. [Rec] e Cloverfield – Monstro usaram a técnica justamente para fugir da mesmice que assolava o gênero de terror e suspense. Já Atividade Paranormal e suas continuações, ainda que tenham se tornado sucessos comerciais, contribuíram para que a colagem de imagens supostamente reais caísse em decadência, ainda mais porque produções menores e de segunda usaram e abusaram do recurso. Projeto Dinossauro veio para engrossar essa lista de fracassos, apesar da premissa curiosa. Um grupo inicia uma expedição por uma área remota do Congo para investigar indícios da existência de estranhos animais na região, espécies que deveriam estar extintas a milhões de anos ou que poderiam ser mutações de répteis com traços pré-históricos. Marchant (Rochard Dillane) é o líder da missão e terá que lidar com diversos imprevistos, como a presença de Luke (Matt Kane), seu filho adolescente que embarca na viagem clandestinamente, e também a repentina mudança de personalidade de Charlie (Peter Brooke), até então seu melhor amigo e que se transforma no vilão da história. Epa! Isso é mesmo preciso em um filme cujos astros deveriam ser ferozes dinossauros? O problema é que este é o primo pobre de Jurassic Park e o constrangimento diante das figuras criadas pela equipe de efeitos especiais (se é que podemos chamar assim) é inevitável, assim como também soam ridículas as atuações, direção e a trama. Não há nada que salve a produção. Sua nota mínima seria apenas pelo argumento, embora desperdiçado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

ENROLADOS

NOTA 9,0

Disney reencontra o caminho
do sucesso voltando a investir
em conto clássico, mas com
uma boa dose de modernidade
A delicada Branca de Neve, a adormecida Aurora, a borralheira Cinderela, a sonhadora Ariel, a amorosa Bela, a indiazinha Pocahontas e corajosa chinesinha Mulan. A Walt Disney Pictures já presenteou o mundo com obras inesquecíveis protagonizadas por mulheres. Histórias clássicas ou inseridas em contextos históricos, cada uma dessas heroínas tem seus próprios conflitos e características, mas todas têm em comum carisma e beleza. Fazer um desenho animado não é fácil. O que dizer então de realizar 50 animações? Pois o estúdio do Mickey Mouse alcançou essa inacreditável marca (excluindo produtos lançados diretamente para venda e locação e os que apenas distribuiu para a Pixar) voltando as suas origens, mas com um toque de modernidade. Curiosamente, quase um século após a fundação do maior estúdio de animação do mundo é que um clássico conto de fadas ganhou sua versão animada feita na casa. Trata-se de "Rapunzel". Para as novas gerações esse nome pode não significar nada, mas é só falar na moça dos longos cabelos que vive presa em uma torre que vem o estalo. Enrolados é a versão moderna e descolada para o texto de origem alemã de autoria dos Irmãos Grimm sobre uma jovem que passou muitos anos presa em um quarto e que cultivou uma longa cabeleira que por fim era usada por sua mãe para conseguir chegar até ela. Posteriormente a moça descobriu que seus cabelos também poderiam levá-la ao mundo que tanto desejava conhecer. Desde Branca de Neve e os Sete Anões, da longínqua década de 30, o primeiro desenho animado de longa-metragem da história, já se percebia as características que marcariam o estilo Disney de fazer animação. Uma história baseada em um famoso conto de fadas, com mocinhos e vilões bem delineados, animais fofinhos e outros endiabrados com o poder de se comunicar pela fala ou dotados de inteligência, canções que ajudam no desenvolvimento do enredo e belos e perfeitos traços. A mistura desses ingredientes fez com que o estúdio enfrentasse a passagem do tempo com sucesso e cada vez mais ganhando a atenção e o carinho de novas gerações. O modelo foi copiado a exaustão por diversas produtoras que também realizaram belas obras, mas não atingiram o mesmo nível da concorrente. Curioso que algumas dessas empresas apostaram em uma nova receita para animações computadorizadas, deram certo e aí foi a vez da pioneira correr atrás das novas tecnologias para não ficar perdida no tempo. Após recuperar seus cofres com projetos em parceria com a Pixar, era então o momento da empresa olhar com carinho para suas origens e tentar reformular a receita caseira.

domingo, 4 de janeiro de 2015

UM AMOR PARA RECORDAR

 Nota 7,5 Previsível e maniqueísta, romance caiu no gosto popular e é amado pelas adolescentes

Quando os cinemas multiplex surgiram vendia-se o benefício do poder de escolha dado ao cliente afinal em um mesmo shopping ao invés de dois ou três filmes em cartaz era possível encontrar de dez a quinze opções diferentes. Não demorou muito para a cobiça corromper tal ideia e os blockbusters passarem a ocupar até metade destes complexos de exibição. E quem deseja ver um filme de menos destaque? Para tanto é preciso garimpar endereços e horários em cinema alternativos e é nessas horas que pinta a saudade das videolocadoras. Além da variedade de títulos, tais estabelecimentos traziam a vantagem do atendimento personalizado e da troca de experiência direta com outros clientes, assim muitos filmes com passagem relâmpago ou que sequer chegaram a ser exibidos nos cinemas conquistaram fama. Foi na base da propaganda boca-a boca que o romance Um Amor Para Recordar tornou-se um moderno clássico, pelo menos essa é a opinião de boa parte do público juvenil, o grande alvo da fita. A trama escrita por Karen Janszen se sustenta sobre a manjada premissa do jovem rebelde que imediatamente muda de vida e comportamento ao se apaixonar por uma garota exemplar, mas nada popular no colégio. Landon Carter (Shane West) é um rapaz irresponsável e impulsivo que acabou sendo punido na escola por fazer uma brincadeira de mau gosto com um colega que quase ficou paraplégico. Como punição, porém, com finalidade socioeducativa, ele é obrigado a participar da montagem de uma peça teatral, algo que queimaria o filme de qualquer moleque metido a bad boy. Todavia, durante os ensaios, ele faz amizade com Jamie Sullivan (Mandy Moore), a filha do pastor da cidade, uma moça conservadora e exemplar em suas atitudes e talvez por isso um tipinho nada popular ou atraente.

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