sábado, 5 de dezembro de 2015

A CASA DOS MORTOS

Nota 3,0 Produção insossa recicla argumento da casa assombrada por episódio macabro 

De forma simplificada, título é a sintetização da ideia central de uma história transmitida através de uma única ou algumas poucas palavras. Muito se comenta sobre as estranhas nomeações que alguns filmes recebem, mas também há casos em que a escolha apesar de condizente com o enredo acaba soando genérica demais e não empolga. Um bom exemplo disso é A Casa dos Mortos. Quantas produções você já assistiu que se encaixariam perfeitamente a esse título? Usando e abusando do chamado found footage, o uso de imagens de vídeos caseiros e supostamente verídicos, o que turbinou a publicidade de filmes como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, a trama escrita por Doug Simon, Max Lobello e Will Canon, este que também assina a direção, não deixa de ser um alinhavado de clichês. Michele (Cody Horn), Bryan (Scott Mechlowicz), John (Dustin Milligan), Donnie (Aaron Yoo) e Jules (Megan Park) formam um grupo de jovens que resolve gravar um documentário em uma antiga e abandonada casa que no passado foi palco de um massacre no qual cinco adolescentes foram brutalmente assassinados por uma amiga da escola após realizarem um ritual de invocação satânica, aliás, ela própria se enforcou depois. É claro que para a gravação ter credibilidade e realismo, o grupo decide fazer a mesma sessão espírita que mais uma vez resulta em tragédia. John seria o único sobrevivente do episódio e passa a ser interrogado pela psicóloga Elizabeth Klein (Maria Bello), mas o rapaz está em estado de choque e com dificuldades para relembrar o que aconteceu, embora afirme que dois de seus amigos estão vivos, porém, desaparecidos. Paralelo a isso o detetive Mark Lewis (Frank Grillo) analisa detalhadamente as fitas gravadas pelos jovens na tal residência, assim tendo em mãos um quebra-cabeças que por vezes parece extremamente complexo. Será mesmo tão complicado assim? Para o expectador diplomado no gênero não é muito difícil desvendar os mistérios da trama, o duro é manter a atenção em algo tão insosso.

A produção é repetitiva desde o início tendo como introdução uma série de colagens de notícias que narram o macabro episódio de décadas atrás. A trama passa então a ser desenvolvida alternando os relatos de John com a análise das filmagens caseiras de seus amigos, estes cujos destinos ficamos intrigados. Ou melhor, deveríamos nos importar, mas os personagens não fogem dos estereótipos do gênero. Temos o rapaz tímido e misterioso, o arrogante, a loira sedutora e malvada e não falta a personificação do policial cético e da psicóloga amável e compreensiva. É curioso que essa colcha de clichês tem em seus créditos o nome de James Wan, diretor que nos últimos anos fez muita gente suar frio com Jogos Mortais, Sobrenatural e Invocação do Mal. Embora o material publicitário destaque o seu nome, neste caso o cineasta assina como produtor e é o pai do argumento, cabendo a direção ao estreante Canon que certamente planejava uma nova cinessérie de horror de sucesso, mas a baixa repercussão da fita jogou água fria nos planos, mesmo contando com um gancho para uma continuação. Além de diálogos risíveis, interpretações fracas e situações que não convencem, o longa ainda é prejudicado pela inconsistência do roteiro que não consegue guardar segredos. Diálogos, olhares e gestos tratam de minar o clima de suspense razoavelmente bem construído na primeira metade. Quando as sequências de sustos aumentam e deveriam se tornar o clímax, diga-se de passagem, todas acompanhas de estridentes efeitos sonoros para preparar o espectador, o mistério desparece e o filme segue arrastado até o fim. Se fosse lançado nos tempos áureos das videolocadoras, A Casa dos Mortos certamente teria vida útil longa aguçando a curiosidade de adolescentes afim de umas horinhas de curtição regadas a pipoca e refrigerante. Para os tempos atuais, é apenas mais um título que será reprisado a exaustão na televisão para tapar buracos na programação.

Terror - 83 min - 2015 

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