segunda-feira, 2 de março de 2015

PROVA FINAL

NOTA 6,0

Basicamente reciclando clichês de
fitas de horror teen, longa tenta um
toque de originalidade investindo na
ficção científica, mas esquece de assustar
O medo de uma invasão alienígena já é um tema para lá de batido no cinema. Em algumas produções o que deveria ser assustador acaba tornando-se cômico com a falta de estrutura dos roteiros e efeitos especiais um tanto capengas. Mesmo assim ainda há diretores e roteiristas que investem no filão e não é que vez ou outra um título cult surge como se caísse literalmente do céu? O horror teen Prova Final é um desses raros casos. A produção não é lá essas coisas, facilmente pode ser criticada pelo espectador comum, porém, é aquele tipo de filme pequeno que alimenta curiosidades. Para quem entende de cinema dois nomes fazem a diferença nos créditos. O roteiro é de Kevin Williamson, na época em alta com a repercussão dos dois primeiros filmes da série Pânico e de Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, mas neste trabalho optou por fugir do universo dos seriais killers e investir na ficção científica. Para tanto, a assinatura assumidamente trash do cineasta mexicano Robert Rodriguez, já venerado por trabalhos como El Mariachi e Um Drink no Inferno, foi essencial. Acostumado a trabalhar com orçamentos baixos e confiar mais na criatividade, o diretor conseguiu criar um típico filme de terror adolescente, mas intrigante, com reviravoltas, atuações acima da média e com vilões que fogem do lugar comum. A trama é praticamente uma releitura do clássico Os Invasores de Corpos, inclusive citado ao longo do filme, e a ação se passa em uma escola secundária do interior dos EUA onde situações suspeitas passam a acontecer de uma hora para a outra. O treinador Joe Willis (Robert Patrick) passa a beber água em excesso e a provocar alunos, a professora Karen Olson (Piper Laurie) muda o jeito de se vestir e se comportar demonstrando uma altivez desconhecida e até mesmo a simpática e politicamente correta Elizabeth Burke (Famke Janssen) se transforma em uma pessoa agressiva e confrontadora. Delilah Profitt (Jordana Brewster), uma patricinha editora do jornalzinho da escola, procurava um furo de reportagem e começa a perceber o estranho comportamento de funcionários do colégio e estudantes, desconfianças também alimentadas pelo nerd Casey Connor (Elijah Wood) que encontra uma estranha criatura no campo de esportes que acredita ser alguma manifestação alienígena que domina corpos.

Embora aparentem que tudo está sob controle escamoteando os fatos estranhos com desculpas esfarrapadas, as desconfianças da dupla de que seus professores estão tomados por algo de outro mundo se confirmam quando flagram Willis e Karen tentando assassinar a enfermeira Rosa Harper (Salma Hayek), mas nem adianta chamar a polícia. Parece que pessoas de fora da escola também já estão sendo dominadas e os jovens só podem contar com a ajuda de seus colegas que também compartilham o medo da invasão alienígena. Stokely Mitchell (Clea DuVall), uma aficionada pela temática, Stan Rosado (Shawn Hatosy), o esportista de sucesso do colégio, e Zeke Tyler (Josh Harnett), um malandro que produz e vende entorpecentes, se unem para tentar salvar ao menos suas vidas. A única novata do grupo é Marybeth Hutchinson (Laura Harris), recém-chegada na instituição. Conforme as manifestações estranhas avançam, não há mais como ter certeza de quem continua totalmente humano, assim colocando em xeque a conduta dos próprios integrantes do grupo. Por ironia, o largadão Zeke é quem descobre a possível solução. Ele cria em seu laboratório caseiro uma fórmula a base de cafeína e aspirina que quando aspirada pelos contagiados revelam quem eles são de verdade, mas para acabar com a invasão e salvar vidas precisam descobrir e destruir quem é o manda-chuva dos alienígenas. Sem alterar muito a estrutura de seus roteiros anteriores, Williamson mais uma vez lança mão de arquétipos adolescentes e de fácil identificação por seu público-alvo. Apresentados logo no início com o detalhe de seus nomes estamparem a tela com suas imagens congeladas e perfis rapidamente delineados, temos o nerd que se sente deslocado, a fútil que quer provar ter conteúdo, o galã esportista, a introspectiva mal compreendida, o rebelde que só quer fazer tipo e a garota nova que quer se enturmar a todo custo. É claro que tendo tais tipos em cena o bullying bate cartão, uma discussão indispensável quando se aborda o universo adolescente, mas a temática é explorada de forma rasteira mostrando Connor como o bobalhão que descobrirá potencial para herói e Stokely que é hostilizada por seu estilo de se vestir e se comportar se assemelhar ao de uma lésbica assumida.

Ainda que a trama seja um tanto fantasiosa, ela é contada de forma coesa, com ritmo e mantendo o suspense até os minutos finais graças as atuações de um elenco convincente e que parecia promissor. Infelizmente, apenas dois dos jovens selecionados seguiram a passos largos na carreira. Elijah Wood, então já com mais de uma dezena de filmes em seu currículo, viria depois a protagonizar a trilogia O Senhor dos Anéis e com o sucesso se dar ao luxo de se dedicar a produções estilo outsider como Uma Vida Iluminada. Já Josh Harnett, que vinha de Halloween – H20, conseguiu manter-se na profissão atuando em produções tão inexpressivas quanto suas atuações, mas emplacou sucessos como Pearl Harbor e Falcão Negro em Perigo. Os demais atores teens não tiveram a mesma sorte, nem mesmo Jordana Brewster filha de mãe brasileira e que chegou a ser comparada como a nova Demi Moore, embora nesta produção atuem de forma digna, mas certamente por conta dos esforços de Rodriguez que levou a sério o material absurdo que tinha em mãos. Por outro lado, atores mais experientes parecem se divertir em cena e capricham nas ameaças (seria uma metáfora ao poder de comando que os professores teoricamente perderam nos últimos anos ou que alguns usam em demasia?) e se entregam aos efeitos especiais e de maquiagem toscos, mas que escondem de forma eficiente o baixo custo da produção. Mesmo tendo rendido só no mercado ianque quase duas vezes mais que seu orçamento, Prova Final não causou o frisson esperado. Em uma época em que o seriado “Arquivo X” mobilizava milhões de pessoas diante da TV no mundo todo, parecia que era o momento ideal para a ficção científica ser revitalizada no cinema, ainda mais com uma embalagem pop e cheia de referências, frescor e dinamismo. Até a crise de água é abordada tentando fazer um link com nossa realidade (no fim dos anos 90 já havia o receio da escassez), mas Rodriguez apenas pincela temas para discussão, sua intenção na verdade é oferecer diversão escapista. O problema é que o medo esperado nunca vem à tona. No final parece que a produção foi uma exigência do próprio Williamson para provar a si mesmo que poderia explorar outros universos, ainda que se cercando de elementos conhecidos para não derrapar... ao menos não completamente.

Suspense - 101 min - 1998 

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