terça-feira, 30 de junho de 2015

NO CAIR DA NOITE

NOTA 2,5

Apesar do ponto de partida
promissor, terror se prende a clichês,
poupa violência gráfica e causa
sonolência com excesso de escuridão
Todo produto antes de ser lançado passa por um rigoroso estudo a respeito de custos, formatos, tamanhos e outras características. A produção de filmes também passa por processos semelhantes, mas parece que alguns fogem da fila de planejamento e ganham sinal verde aleatoriamente. Esse parece ser o caso de No Cair da Noite, terror que frustra pelos poucos sustos e que explora o batido tema do medo do escuro. A trama é baseada em um curta-metragem original de apenas cinco minutos escrito e dirigido por Joe Harris que imaginou que seu material poderia vir a se transformar em um bom longa. Para tanto se uniu aos roteiristas John Fasano e James Vanderbilt que o ajudaram a desenvolver o argumento, criando personagens e situações adicionais. Antes tivessem focado apenas na ampliação do prólogo que é bem interessante e a única coisa que presta na produção. Ilustrados por fotografias envelhecidas com um tom alaranjado que lembra ao fogo, os primeiros minutos contam rapidamente a história de Matilda Dixon, uma viúva que em meados do século 19 era muito popular na pequena cidade de Darkness Falls por fazer a caridade de trocar os dentes de leite das crianças por moedas de ouro, assim encorajando-as a não ter medo de arrancá-los quando houvesse necessidade. Tal hábito fez com que os habitantes locais a apelidassem de Fada dos Dentes, porém, repentinamente eles próprios se voltam contra a velhinha. Durante um incêndio em sua casa ela tem seu rosto queimado drasticamente o que a obriga a ficar reclusa, tendo coragem de apenas ir para a rua sob a proteção da escuridão da noite e usando uma máscara de porcelana branca. Sua única razão de viver era continuar fazendo o ato de caridade, mas quando duas crianças do povoado desaparecem imediatamente a acusam de sequestrar e matar menores e a condenam à morte por enforcamento. Tomada pelo ódio, em seus minutos finais ela lança uma maldição dizendo que voltaria na escuridão para se vingar. E com razão. Após sua execução os meninos perdidos são encontrados sãos e salvos e não relatam nada envolvendo a falecida. O roteiro seria bem mais interessante mostrando o medo psicológico e o arrependimento da população em tempos em que crenças em maldições eram corriqueiras e com efeitos acachapantes, mas acharam melhor dar um salto de 150 anos para mostrar como a lenda afetou a vida de Kyle Walsh (Chaney Kley), que teve a infância marcada por pesadelos bem realistas com a Fada dos Dentes às avessas, inclusive creditando a morte de sua mãe a ela.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O BANHEIRO DO PAPA

NOTA 9,0

Enredo mescla drama e
comédia com perfeição
acerca de um fato real que
mexeu com os uruguaios
Muita gente escolhe o filme que deseja assistir a partir do seu título que deveria deixar bem claro sobre o que o conteúdo da produção trata, mas nem sempre isso fica bem identificado em poucas palavras. Os longas estrangeiros costumam ter títulos curiosos e até engraçados que também nem sempre vendem bem o peixe. Temos desde expressões refinadas do tipo Como Água Para Chocolate até frases que deixam o espectador com um ponto de interrogação na cabeça como A Teta Assustada. Igualmente engraçado e atrativo, O Banheiro do Papa cai como uma luva para a história de um homem simples que viu a chance de melhorar de vida com a visita ao seu país de um dos maiores ícones da Igreja Católica do século 20. Em 1988, a cidade de Melo, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, está agitada com a notícia de que o Papa João Paulo II em breve estará por lá. A população do local é muito carente e se empolga acreditando que a chegada do religioso abrirá as portas para um novo tempo em que a prosperidade reinará. Na expectativa de que muitas pessoas de toda a América do Sul irão até lá para ver tal santidade, os moradores se animam e começam a fazer planos para lucrar com a venda de bebidas, comidas e lembrancinhas. Beto (César Trancoso), um homem que vive de levar na sua bicicleta bugigangas e produtos de contrabando para abastecer pequenos comércios, decide inovar e cria em seu quintal o “Banheiro do Papa”, um lugar para as pessoas fazerem suas necessidades durante o evento. Para tanto, ele precisa se arriscar em viagens de trabalho, enfrentar a esposa Carmem (Virginia Mendez) e o descontentamento da filha Silvia (Virginia Ruiz). Porém, o mais difícil para concretizar a idéia é conseguir o vaso sanitário, mas este sonhador empreendedor amador fará de tudo para consegui-lo nem que seja no último minuto.

domingo, 28 de junho de 2015

NO TOPO DO MUNDO

Nota 2,0 Estrelado por astro de American Pie, longa é um equívoco desde a concepção da ideia

Muitos atores enchem a boca para falarem daquele que seria o personagem mais importante de sua carreira, contudo, tal afirmação é usada já prevendo que sempre o próximo papel deverá ocupar tal lugar e assim por diante. Teoricamente as coisas deveriam funcionar desse jeito até porque com o acúmulo de experiências de trabalho e de vida a tendência é que o ator cada vez aprimore mais a sua arte, mas parece que para algumas pessoas não basta ter apenas esse raciocínio e força de vontade. É preciso contar com a sorte, muita sorte. Jason Biggs é um exemplo disso. Quem? Seu nome não é muito conhecido, mas seu rosto sim. Basta dizer que ele é o protagonista dos três primeiros filmes da série American Pie. Com cara de bobo, se metendo em inúmeras confusões e trabalhando no limite do aceitável em termos de besteirol e escatologia, ele fez bastante sucesso na época, mas não chegou a se tornar um ídolo, nem mesmo dos adolescentes que podiam se identificar com os dilemas e sensações de seu personagem. Percebendo a estagnação da carreira, felizmente ele pulou fora das demais (e terríveis) continuações da série que o lançou e procurou trilhar novos caminhos. Até o mestre Woody Allen lhe estendeu a mão e o rapaz protagonizou sua comédia romântica Igual a Tudo na Vida, mas realmente o futuro não foi generoso com ele. No Topo do Mundo, por exemplo, até poderia ser um filminho razoável para matar o tempo ocioso, mas torna-se maçante a começar pelas próprias expectativas de quem assiste. Sinônimo de comédia, o nome do ator atrelado a essa produção nos remete ao gênero inevitavelmente, algo reforçado pela sinopse. Na trama roteirizada por John Paul Chapple e Steve Atridge, o ator dá vida ao Cabo Rudy Spruance, um Oficial de informações Públicas que em junho de 1979 é enviado por engano para trabalhar em uma base militar na Groelândia quando na verdade deveria estar servindo no Havaí. Confusões à vista! É óbvio que o rígido lugar vai ficar de pernas pro ar com a presença de um recruta totalmente perdido por lá. Seria bom se o roteiro seguisse tal viés. Fora a introdução em que Spruance acaba sendo vítima de um enxame de mosquitos e logo em seu primeiro dia na base já experimenta a enfermaria, não há resquício de humor no que vem a seguir.

sábado, 27 de junho de 2015

O PÂNTANO (2006)

Nota 2,0 Longa nada mais é que um amontoado de clichês para sustentar enredo fraco e confuso

É muito difícil escrever algum comentário ou até mesmo uma simples sinopse quando um filme não causa o menor impacto positivo. O suspense O Pântano exige paciência do espectador que provavelmente precisará assisti-lo mais de uma vez para tirar algum parecer, mesmo que negativo, desta obra enfadonha e repetitiva. Todos os clichês possíveis do gênero estão presentes, a começar pela protagonista perturbada mentalmente que sai do conforto da sua casa para procurar sarna para se coçar. Claire Holloway (Gabrielle Anwar) é uma jovem e bem-sucedida escritora de livros infantis com toques de horror, mas sua vida pessoal não anda bem. Ela é constantemente assombrada por visões de violência e morte e a situação só piora quando ela resolve passar uma temporada na Fazenda Rose Marsh. Ela viu a foto do local na internet e o achou idêntico a um desenho que possui. Sentindo-se atraída pela região, ela decide ira para lá acreditando que assim conseguiria inspiração para seu novo livro, mas acaba encontrando uma legítima história de fantasmas da qual ela pode ter algum tipo de ligação, o que explicaria seu repentino fascínio pela propriedade. A escritora desenterra uma história dos antigos moradores do casarão em que se hospeda, no entanto, que não fica bem explicada. Primeiro acreditamos que uma garotinha caiu no pântano da propriedade e seu irmão sentindo-se culpado passou a procurá-la desesperadamente e não voltou mais para casa. Depois o conto já é outro, mas de uma estupidez tremenda por parte do roteirista Michael Stokes, forçando uma situação que não convence. Detalhar as explicações tiraria o fator surpresa do longa, se é que ele existe, mas digamos que a primeira versão sobre a morte do adolescente e da menininha cujos fantasmas estão aparecendo para a protagonista era bem melhor que a segunda versão das explicações.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

VAMPIROS DE JOHN CARPENTER

NOTA 8,0

Sem firulas, mestre do terror
assina com propriedade longa
divertido e assustador resgatando a
imagem clássica e cruel dos vampiros
John Carpenter já foi conhecido como o mestre do terror. Criador do Halloween original na década de 1970, ele já deu belas escorregadelas com alguns de seus trabalhos, mas em compensação fez plateias se arrepiarem com uma neblina misteriosa, um carro com más intenções, crianças medonhas e com poderes sobrenaturais e até abordando um futuro apocalíptico. Usando artifícios criativos para causar medo, é de se estranhar que ele tenha se interessado em trabalhar com criaturas clássicas do cinema de terror. Porém, esqueça tudo o que você sabe sobre vampiros. Uma frase do tipo é dita pelo personagem de James Woods e deve ser encarada como o grande slogan de Vampiros de John Carpenter, assim mesmo, com a assinatura do cineasta no título atestando e diferenciando sua versão sobre o mundo dos dentuços sanguinolentos. O mestre não quis inovar e sim resgatar o que o tempo deturpou. Os vampiros há anos são personagens muito explorados pelo cinema desde o sinistro Nosferatu, clássico expressionista da década de 1920, passando pelas mais diversas facetas do Conde Drácula, inclusive cômicas, outros trabalhos deram espaço para as vampiras sedutoras brilharem e até os dentuços teens em conflitos românticos já ganharam as telas. Com tantas versões variadas e a maioria romantizando ou ironizando o mito, os temíveis seres da noite foram pouco a pouco perdendo a essência e se descaracterizando. Essas figuras na realidade são malvadas e não pensam duas vezes antes de saciar a sede de sangue. Se apaixonar por suas vítimas então nem pensar. É por esse pensamento mais perverso que Carpenter optou para realizar uma obra que faz uma excelente mistura entre terror e faroeste e que causa arrepios ao mesmo tempo em que faz rir. É isso aí! O longa tem ótimas tiradas graças aos desbocados personagens de Woods e de Daniel Baldwin, mas nada que o transforme em um legítimo trash movie, pelo contrário, mas certamente ele flerta com o estilo de fazer filmes B com boas intenções.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

SEGUNDAS INTENÇÕES


NOTA 9,0

Adaptação de texto clássico
para a modernidade e para
atingir o público jovem é
uma grata surpresa
Dois jovens pertencentes à alta sociedade nova-iorquina fazem de tudo para manter as aparências de que são pessoas idôneas, mas por debaixo dos panos formam uma dupla irremediavelmente depravada que se diverte com joguinhos de sedução e destruindo as reputações de seus desafetos. Por essa breve descrição realmente Segundas Intenções não parece ser um filme muito atrativo, mas quem já lhe deu um voto de confiança não se arrependeu. Quer dizer, isso se tais pessoas tiverem até uns trinta e poucos anos e ainda estarem na fase de curtir a solteirice. Para quem já constituiu família digamos que não deve ser muito agradável pensar que futuramente sua doce filhinha pode cair na lábia de um pervertido, que drogas e sexo farão de certa forma parte do cotidiano destes adolescentes e por aí vai. Este drama voltado para o público jovem foi lançado sem grandes expectativas, mas rapidamente caiu no gosto dos americanos e pouco a pouco foi colecionando fãs em todo o mundo, sendo que hoje a produção é considerada um dos cults movies dos anos 90. Se os grandes filmes para adolescentes datados de uma década antes, geralmente comédias e aventuras, até hoje tachamos como produtos típicos de sessão da tarde, o longa em questão passa bem longe desta classificação por conter cenas fortes, diálogos provocantes e um intenso clima sensual. Sinal dos tempos. A ingenuidade massacrada pelo amadurecimento cada vez mais precoce. Todavia, esta produção não objetiva apenas entreter os adolescentes, mas também conquistar o público adulto com uma trama envolvente que possa trazer certas reflexões que talvez em uma primeira apreciação podem não ser totalmente identificadas. A inspiração para o enredo veio de um clássico literário europeu já bastante explorado pelo cinema, “Les Liaisons Dangereuses”, escrito por Choderlos de Laclos em meados do século 18. Sua versão cinematográfica mais famosa, Ligações Perigosas, até hoje é considerada uma das grandes obras da década de 1980. Tanto para quem já assistiu ou para quem nunca viu nem alguns poucos minutos deste trabalho do cultuado cineasta Stephen Frears, pode parecer muito estranha a opção de trocar os cenários do Velho Continente pela agitada e moderna Nova York, além do fato das personagens da elegante burguesia serem substituídas por jovens ricos e rebeldes que não tem com o que ocupar o tempo ocioso, porém, o resultado dessa adaptação é surpreendente. Causa ainda mais espanto saber que o homem por trás destas modificações na época tinha apenas 23 anos e estreava na direção. Roger Kumble, também responsável pelo roteiro, fez seu debut em Hollywood em grande estilo, mas obviamente não é digno fazermos comparações entre seu clássico moderno adolescente com o clássico oitentista destinado a plateias mais maduras, ainda mais sabendo que ele se deixou empolgar demais com os elogios e os rendimentos financeiros e cometeu o equívoco de realizar uma sequência tão desnecessária que até mesmo o elenco do original preferiu ficar de fora.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

COLD MOUNTAIN

NOTA 8,5

Drama romântico segue a
receita dos grandes
clássicos, mas seu sucesso
não faz jus a seu porte
Os filmes épicos já foram responsáveis no passado por grandes lucros de Hollywood, faturavam prêmios e elogios da crítica e as grandes estrelas do cinema disputavam acirradamente papéis em tais produções. A fase áurea durou até meados dos anos 60, mas a partir da década seguinte o gênero começou a ficar escasso, tendência que perdura até hoje, salvo os longas a respeito de guerras que continuam despertando interesse tanto de profissionais quanto do público. Os altos investimentos exigidos, principalmente para reconstituições de cenários e figurinos, acabam afastando investidores de projetos do tipo, porém, quando se lembra que épicos é quase um sinônimo de Oscar a coisa muda de figura, mas é um risco declarado. O estilo extremamente romântico e a longa duração, além da pretensão de se tornar um marco na história cinematográfica do tipo E o Vento Levou, podem ser as razões do fracasso de público de Cold Mountain, um filme também subestimado até por parte da crítica especializada. Em contrapartida este trabalho foi superestimado pelo seu diretor, o saudoso Anthony Minghella que claramente queria repetir o feito de O Paciente Inglês, um dos maiores recordistas em número de estatuetas do Oscar de todos os tempos. O cineasta se acostumou a se envolver com produções que preservam características do cinemão hollywoodiano de antigamente agregadas ao estilo dos chamados filmes de arte e que são obras declaradamente feitas para participarem das temporadas de premiações. Apesar de diversas indicações a prêmios e sete indicações ao Oscar, que não incluem as famigeradas categorias de filme, direção, ator e atriz, o longa acabou sendo uma surpresa às avessas e se tornando uma mancha no currículo do estúdio Miramax acostumado a sempre se sair bem nos festivais. Na época a empresa metia medo na concorrência quando surgiam boatos de que um novo trabalho dela estrearia em plena temporada do fim de ano americano, período em que os críticos estão de olhos nas votações dos melhores filmes. Um belo conto pinçado de algum livro, atores renomados e talentosos, produção impecável e tudo o mais que compõe um legítimo clássico, essa era a receita do sucesso. Pelo porte do projeto, esperava-se uma repercussão maior desta obra de Minghella, até mesmo por conta do elenco de astros reunido. De qualquer forma, tornou-se um filme injustiçado e que merece uma reavaliação. Não é apenas a parte técnica que nos surpreende, mas sim a bela história de amor e de esperança contada tendo como plano de fundo uma guerra reconstituída minuciosamente.

terça-feira, 23 de junho de 2015

A MENTIRA

NOTA 7,0

Comédia adolescente com
roteiro acima da média é
prejudicada por excesso de
coadjuvantes e subtramas
Para variar, mais uma vez a escolha do título brasileiro não foi muito feliz. Será mesmo? A Mentira é muito genérico e poderia sugerir um drama ou suspense, mas quando batemos o olhos em algumas imagens do filme percebemos na hora de que se trata de uma comédia adolescente cuja protagonista tem ares de sósia da atriz Lindsay Lohan, o que convenhamos não é muito animador. A julgar pelos primeiros minutos desta produção também será difícil alguém confiar que ela vá longe. O tema mentiras já foi usado em centenas de filmes, algumas vezes para denegrir imagens, outras para poupar sofrimentos, mas aqui ela é usada para dar um upgrade na vida social de dois adolescentes não muito populares no colégio, sendo o foco principal a garota que ganha fama de mulher fácil de conquistar. Olive (Emma Stone) era uma daquelas estudantes cuja presença ninguém notava até que ela contou uma mentira para Rhiannon (Alyson Michalka), sua melhor amiga, sobre um encontro amoroso e quente com um calouro da faculdade, quando na verdade ela é virgem. O boato sobre o ato promíscuo se espalha rapidamente despertando a ira de Marianne (Amanda Bynes), uma patricinha fanática religiosa, mas Olive não se importa e até gosta da popularidade repentina. Tal fama levou seu amigo Brandon (Dan Byrd), que estava sofrendo horrores na escola pelas desconfianças de ele ser homossexual, a pedir sua ajuda para reverter essa situação e melhorar sua reputação. Eles tiveram a genial idéia de simular em uma festa que transaram. Todos os convidados da escola se amontoaram na frente da porta do quarto para tentar ouvir e espiar o que acontecia lá dentro. Olive e Brandon capricharam nos gemidos e diálogos e de uma hora para a outra passaram a ser o assunto do colégio. No início tudo ia bem, mas aos poucos aquela mentira passou a ganhar outros contornos. A moça acabou levando a sério sua farsa de mulher fatal e viu sua liberdade acabar e os garotos se aproximando dela apenas para se aproveitarem. Definitivamente a mentira foi longe demais. Pronto, o título nacional agora faz todo sentido e cai como uma luva. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

PÂNICO NA FLORESTA (2003)

NOTA 4,0

Basicamente repetindo clichês e
erros de filmes de terror teen, longa
escamoteia suas falhas com clima
envolvente e violência gráfica intensa
Grupo de jovens incautos vai parar em um local aparentemente longe de tudo e de todos, mas logo vão descobrir que não estão sozinhos e terão que correr contra o tempo para fugir de uma trupe de sádico assassinos. Mudam os cenários, os atores e a caracterização dos psicopatas, mas tal argumento é o que sustenta praticamente dez em cada dez filmes para adolescentes e Pânico na Floresta não foge à regra. O título genérico e que pega carona descaradamente na produção que revitalizou o gênero do terror já mostra que criatividade não é o forte desta fita que começa com um manjado prólogo envolvendo um casal de alpinistas que já entrega tudo que podemos esperar. Depois somos apresentados ao protagonista, o jovem Chris Flynn (Desmond Harrington), um estudante de medicina que está a caminho de uma entrevista de emprego e dirige por uma rota segura, mas um acidente na pista o faz tomar outro rumo. Ele vai até um obscuro posto de gasolina à procura de um telefone e lá descobre um mapa que indica uma estrada alternativa em meio à mata cerrada. Antes tivesse aguardado a liberação da pista e optado pelo trajeto tradicional. Na mesma estrada remota ele encontra um grupo de jovens que tiveram os pneus do carro furados por um arame farpado largado no meio do caminho. Jessie (Eliza Dushku) estava deprimida e seus amigos Evan (Kevin Zegers), Francine (Lindy Booth), Scott (Jeremy Sisto) e Carly (Emmanuelle Chriqui) queriam lhe proporcionar uma viagem para melhorar seu astral, mas tudo parece conspirar contra. Chris acaba batendo na traseira do veículo deles e estando todos literalmente em um mato sem cachorro o jeito era unir forças para tentar pedir ajuda, todavia, eles nem imaginam que tenham companhia na floresta. A certa altura o grupo se divide e alguns deles se deparam com uma cabana cercada de automóveis deteriorados. Dentro da choupana, muitas armas de caças, sujeira e pedaços de carne humana por todos os lados. Eis a única novidade (se é que podemos considerar assim) que o longa trás em relação a tantos outros filmes de slasher. Os vilões não são apenas frios psicopatas, mas canibais desfigurados frutos de relações incestuosas, quase monstros, porém, nem tão irracionais quanto parecem. Ágeis, estratégicos e íntimos de tudo quanto é instrumento que possa ferir, eles seriam as figuras mais interessantes do longa. Ou quase isso.

domingo, 21 de junho de 2015

UM NOVO REENCONTRO

Nota 8,0 Drama reúne três grandes astros para contar história que exalta valores familiares

Superproduções do cinema costumam investir milhões para recriar cenários e épocas, mas as vezes o menos é mais. É comum criticarmos os telefilmes por na maioria das vezes eles não carregarem o charme e a beleza plástica de um produto feito para as telonas, mas existem exceções como o belo drama Um Novo Reencontro que reconstitui com perfeição o clima de um vilarejo rural no Kansas na época da Primeira Guerra Mundial. A trama escrita por Patricia MacLachlan começa mostrando um pouco do cotidiano do casal Sarah (Glenn Close) e Jacob Witting (Christopher Walken). Eles são pais da pequena Cassie (Emily Osment), mas na realidade este é o segundo casamento do chefe desta família. Ele perdeu sua primeira esposa no parto do filho Caleb (Christopher Bell), mas isso não o impediu de ser o melhor pai possível para o garoto e para sua irmã mais velha, Anna (Lexi Randall), que está de partida para a capital para ajudar o Dr. Sam Hartley (George Hearn) a cuidar de seus pacientes enquanto aguarda seu marido voltar da guerra. Jacob levou a filha e precisou que passar uma noite fora, mas não imaginava que algumas poucas horas longe de casa mudariam sua vida. Cassie diz que viu um homem estranho rondando a casa, mas é desacreditada pela mãe e o irmão, porém, ele realmente existe e acaba sendo acolhido por Sarah quando percebe que ele está à mercê do rigoroso clima de inverno da região. Ele é John (Jack Palance) que diz ter ido até lá para falar com Jacob, seu filho que não via desde criança. A notícia pega todos de surpresa, pois acreditavam que ele estava morto, mas na realidade ele havia abandonado a família por vontade da própria esposa que não suportava que o marido não tivesse ambições de melhorar na vida. Jacob sabia a verdade, mas preferiu mentir para si mesmo para aceitar a ausência do pai. Compreensiva, Sarah quer tentar reconciliar estes dois homens e assim dar a oportunidade da filha e dos enteados conviverem com o avô, mas no fundo se preocupa se John teria voltado para reclamar as terras da família.

sábado, 20 de junho de 2015

O QUARTO ANDAR

Nota 2,0 Com cara de telefilme capenga, suspense não se segura por mais de vinte minutos

Houve uma época em que muitos filmes eram feitos diretamente para abastecer o mercado de locação de vídeos. Quando o filme do momento não estava disponível, uma fita desconhecida poderia chamar a atenção e garantir a distração do fim de semana. Hoje algumas delas continuam abastecendo as madrugadas dos canais de TV, mas muitas dessas produções acabaram perdidas nas transições de formatos de mídias, embora alguns serviços de streaming estejam resgatam títulos, ainda que temporariamente, e sempre tem alguém que lança no YouTube ou afins uma cópia, embora geralmente com imagem e som sofríveis. O Quarto Andar certamente deve ter chamado a atenção de muitos ratos de locadoras, mas é aquele tipo de suspense que você fica na dúvida em dar uma opinião completa. Isso porque até a metade ele prende a atenção, isso levando-se em consideração que é um trabalho de baixo orçamento e temos ciência de seu estilo de telefilme, ou seja, é de se esperar que o final deixe a desejar. Típico filme que antigamente sustentava o "Super Cine" da Globo, a fita conta a história de Jane Emelin (Juliette Lewis), uma decoradora de interiores que herda um apartamento de uma tia que recentemente faleceu ao supostamente despencar da escadaria do prédio. Apesar disso, em um primeiro momento ela adora sua nova moradia. Isso até conhecer seus vizinhos, um mais estranho que o outro, a começar por Marta Stewart (Shelley Duvall) que logo de cara lhe avisa para evitar contato com qualquer um, mas ela própria tem certo quê de bizarrice. A jovem escolheu morar sozinha para poder ter um tempo para refletir, mas a ideia não agradou nada a seu namorado, Greg Harrison (William Hurt), um homem mais velho conhecido por apresentar boletins do tempo na televisão e que planejava viver uma vida a dois na casa que acabara de comprar.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

OS PRODUTORES

NOTA 9,0

Longa baseado em comédia
dos anos 60 ganha uma bela
repaginada seguindo padrão
de espetáculo da Broadway
Os musicais ressurgiram com fôlego renovado nos anos 2000 e o público foi apresentado a um novo estilo do gênero que une as características tradicionais a certas inovações. Tivemos o amor cantado em prosa e verso de Moulin Rouge, a crítica e o sarcasmo implícito de Chicago e Hairspray e ainda o apelo popular das canções famosas e nostálgicas que embalam Mamma Mia!. Curiosamente um representante da categoria que tem toda a pompa e requinte necessários para agradar aos fãs cativos do gênero e novos espectadores infelizmente não fez o sucesso esperado. Os Produtores é a refilmagem de Primavera Para Hitler, uma comédia dos anos 60 dirigida por Mel Brooks e vencedora do Oscar de roteiro original. Bem, a produção assinada por Susan Stroman foi bastante elogiada e concorreu a alguns prêmios, mas foi totalmente desprezada pela Academia de Cinema e consequentemente pelo público que preferiu ir ao cinema ver os longas oscarizáveis da temporada. Uma pena, mas uma falha que felizmente pode ser corrigida e mesmo quem já viu poderá se divertir novamente. No Brasil optou-se pela tradução literal do título e não se apegar ao do passado. A primeira vista pode ser uma atitude sem cabimento ou tino comercial, mas para quem já viu as duas versões certamente ela fará todo sentido. O primeiro filme é curto e quase sem nenhum resquício que o lembre como um musical, caracterizando-se muito mais por ser uma comédia estereotipada. Já o remake é 100% melhor e agrega muito mais elementos necessários para que mantivesse a aura do espetáculo teatral homônimo (este que foi lançado em 2001 sendo reescrito e musicado pelo próprio Brooks), a verdadeira fonte de inspiração para esta obra. Por isso não estranhe as interpretações exageradas e os números musicais, cenários e figurinos que transpiram teatralidade. Susan é uma premiada coreógrafa dos palcos que estreou no cinema com o pé direito adaptando o próprio espetáculo musical da Broadway de maneira que talvez ninguém mais esperava ver na modernidade. Investindo no visual exagerado, praticamente um show de luzes e cores em alguns momentos, a cineasta convida o espectador para reviver a era dos musicais de Hollywood. Tudo flui com tanta naturalidade justamente por ela ter conseguido reunir praticamente todo o elenco original da montagem. Nathan Lane e Matthew Broderick permaneceram com seus papéis de protagonistas defendendo-os de forma excepcional.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

OS GAROTOS ESTÃO DE VOLTA

NOTA 7,0

Drama mostra a adaptação
de um homem a uma nova
rotina que inclui resgatar
o contato com os filhos
Notadamente na maioria das famílias os filhos têm um envolvimento maior com as mães do que com os pais, talvez por elas serem mais carinhosas, compreensivas e abertas ao diálogo, embora esse paradigma esteja cada vez mais em decadência e muitos homens tem assumido seu lado mais emocional perante a família, seja em busca de uma convivência mais harmoniosa com a esposa ou até mesmo para suprir a falta dela dentro de seu clã. O diretor Scott Hicks, de Shine – Brilhante, aborda justamente esta última possibilidade no drama Os Garotos Estão de Volta. Depois da trágica morte de sua segunda esposa, Katy (Laura Fraser), devido a um agressivo câncer, o conhecido jornalista esportivo Joe Warr (Clive Owen) tem que tomar conta de seu filho Artie (Nicholas McAnulty) de apenas seis anos. O problema é que ele era tão dedicado ao trabalho que praticamente não conhece o próprio filho, não fazendo idéia das qualidades, defeitos, vontades, rotina, sonhos, enfim tudo o que possa envolver o universo deste garoto. As coisas ficam ainda mais complicadas para Warr quando o adolescente Harry (George MacKay), filho de seu primeiro casamento, se muda para a Austrália para viver com ele durante uma temporada. A partir desse momento, Warr terá que se virar para manter uma casa habitada só por rapazes, porém, as dificuldades em se lidar com uma criança e um adolescente ao mesmo tempo são muitas, ainda mais quando também estão em jogo as memórias, os ressentimentos do passado e as dúvidas sobre o futuro. Owen é um bom ator que abraça os mais variados tipos de papéis, mas não tem em seu currículo muitos dramas. Aqui ele encabeça o elenco e dá conta do recado direitinho representando o papel do homem contemporâneo, aquele que não pode se dar ao luxo de ter uma mulher em casa para cuidar das crianças e dos afazeres domésticos. Não por opção, mas sim por necessidade, o protagonista precisa lidar com as tarefas cotidianas da casa, cuidar das necessidades de seu trabalho e ainda dar atenção aos filhos, sendo que o mais velho vive em constante conflito com o pai.  Todas as representações destas situações são totalmente críveis. Hicks é um cineasta que sabe trabalhar com a sensibilidade de forma natural e sem ser apelativo, assim dando à obra um toque mais realista.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

BRÜNO

NOTA 5,0

Personagem estereotipado
e cenas de humor pastelão
e apelativo resultam em
uma comédia discutível
Em 2006 ele surgiu para o grande público fazendo um humor ácido e crítico, mas ao mesmo tempo demente e puro besteirol. Com Borat o ator Sacha Baron Cohen conseguiu saltar em grande estilo da televisão para o cinema e em pouco tempo já colecionava milhares de fãs pelo mundo todo. Para tanto, ele não precisou de muito esforço. Simplesmente levou um personagem já conhecido por causa de seu programa chamado "Da Ali G Show", misturou situações reais criadas por ele próprio com outras planejadas pelos roteiristas envolvendo anônimos e atores desconhecidos e assim ele conquistou elogios e prêmios mundo a fora. Um tremendo golpe de sorte. Não é de se estranhar, portanto, que seu projeto seguinte fosse muito aguardado, mas com Brüno as coisas foram diferentes e a recepção de público e crítica foi bem fria, ainda que repetindo a fórmula que o consagrou e a parceria com o diretor Larry Charles. O personagem-título (Cohen) é um estilista homossexual de origem austríaca que perde seu emprego após fazer um barraco em um desfile em Milão, na Itália. Desiludido, ele resolve se mudar para os EUA acreditando no tão famoso sonho americano. Se ele deseja viver entre os flashs e ser reconhecido nas ruas, nada melhor que viver próximo a Hollywood.  Porém, quando chega a seu destino, ele percebe que as coisas não são tão simples quanto pareciam . A partir de então as situações mais bizarras e algumas até constrangedoras passam a desfilar pele tela tendo sempre como protagonista um homem de corpo esguio, olhos arregalados, sotaque esquisito e cabelos oxigenados que não tem medo de se passar por ridículo e aparecer da maneira que pode. Ele tenta emplacar na TV um programa de entrevista, faz de tudo para seduzir um candidato a presidência e até adota uma criança negra que vive em situação de miséria, afinal já que a Madonna e a Angelina Jolie podem porque ele não?

terça-feira, 16 de junho de 2015

MANUAL DO AMOR

NOTA 8,0

Comédia italiana discute o
amor através das quatro
etapas pelas quais uma
relação fracassada passa
Infelizmente vivemos em uma época em que as locadoras passam por uma fase muito difícil vendo seu público trocando o ambiente físico pelo virtual para assistirem filmes. Por outro lado, existem apaixonados por cinema que continuam investindo nesta atividade e compondo um acervo invejável para atender aquelas pessoas que não se entregam a modismos e trocam assistir o super lançamento da semana que está sendo divulgado na internet por uma boa dica de um atendente ou cliente ou ainda pela surpresa de encontrar um título desconhecido ou raro entre as prateleiras da loja. É nessas oportunidades que realmente encontramos os verdadeiros cinéfilos, aqueles que gostam de fuçar cada canto de uma locadora e que se encantam pelos títulos menos procurados que, diga-se de passagem, podem ser bem melhores que os mais comentados do momento. Cansado das comédias românticas americanas? Com um pouco de esforço para encontrar você pode se deliciar com Manual do Amor, produção italiana que certamente poucos depositariam expectativas a primeira vista. O diretor Giovanni Veronesi consegue fazer uma divertida obra fragmentada que amarra quatro histórias acerca da busca pelo amor, mas sem que necessariamente uma dependa das outras para fazer sentido, embora sempre exista um gancho para ligá-las. Cada uma das tramas é como um curta-metragem anunciadas por um título que resume em uma única palavra o tema principal das sequências. Cada episódio tem um casal protagonista específico, mas o cineasta foi esperto ao adicionar ao menos uma cena em que os personagens do próximo segmento têm contanto com os do anterior, assim o espectador não fica com a sensação de que viu uma obra picotada. Além da estrutura narrativa diferenciada, o longa também se beneficia com uma narrativa que prende a atenção usando artifícios muito simples para reproduzir momentos com os quais os espectadores podem se identificar facilmente.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

GODZILLA (1998)

NOTA 8,0

Diretor especialista em
filmes-catástrofes recria
monstro oriental com êxito,
mas fracassa nas críticas
O cinema japonês coleciona um ou outro sucesso fora de seu país natal, ainda que o visual de suas produções costumem chamar a atenção por sua excelência técnica, principalmente em obras épicas. Curiosamente, a grande marca do cinema feito na terra do sol nascente por um bom tempo era um tanto tosca: um homem vestido com uma fantasia de monstro aterrorizando cidades. Criado na década de 1950, o personagem Godzilla protagonizou exatos 22 longas-metragens ao longo dos anos até que em 1998 foi prometida sua versão definitiva, mais aterrorizante e lucrativa de todos os tempos. Godzilla finalmente ganhava seu remake americano e o enredo prometia uma aventura de tirar o fôlego. Na Polinésia, a radiação causada por testes nucleares bancados pela França provoca uma transformação na vida de todos os seres vivos daquela região e uma destas mutações é o surgimento de um réptil colossal impossível de ser capturado e mantido em cativeiro em seu próprio território de origem. Ao descobrir pegadas gigantescas no Panamá, o governo americano convoca o biólogo Nick Tatopoulos (Matthew Broderick), um perito em modificações do DNA, para analisar as transformações que um simples lagarto sofreu em virtude de radiação nuclear, porém, sua missão tende a ser mais difícil. Ele precisa ajudar a descobrir como deter este imenso réptil que vai parar em Nova York. Nada consegue impedir a fúria desse monstro e a cidade que nunca dorme fica em pânico com essa aparição que destrói tudo o que vê no seu caminho. E a pior notícia ainda está por vir. O biólogo descobre que o imenso réptil está "grávido", pois se reproduz de forma assexuada. Assim, em pouco tempo seus ovos se quebrarão e darão origem à uma ninhada, sendo que cada cria poderá logo colocar seus ovos também. Assim, se o ninho não for logo descoberto, a cidade será completamente destruída. No encalço do lagarto gigante ainda estão o agente secreto francês Philippe Roaché (Jean Reno), o cinegrafista Victor Palotti (Hank Azaria), que quer lucrar conseguindo uma imagem impactante do monstro, e ainda a repórter Audrey Timmonds (Maria Pitillo), ex-namorada de Nick que se reaproxima do rapaz para conseguir a matéria de sua vida, mas que acaba descobrindo que ainda não o esqueceu totalmente.

domingo, 14 de junho de 2015

COMPETINDO COM OS STEINS

Nota 6,0 Título inadequado não vende corretamente a ideia principal desta produção familiar

Nada melhor que uma festa de família para reatar os laços dos parentes que se estranham. Esse é o grande foco de Competindo Com os Steins,  filme dirigido pelo então estreante Scott Marshall, mas é uma pena que o título venda uma ideia errada, forçando a barra para uma comédia no melhor estilo "Sessão da Tarde", cheia de corre-corre, tropicões e gags visuais . Não é bem esta a proposta do roteiro de Mark Zakarin. A trama tem como ponto central o momento de dúvida vivido por Benjamin Fiedler (Daryl Sabara), um garoto judeu que está na época de realizar o tradicional ritual do bar mitzvah, uma espécie de marco de passagem para a vida adulta, mas o problema é que ele não compreende o idioma hebraico e tampouco conhece o suficiente da cultura de seu povo, assim não está muito animado com tal festejo. Já Adam (Jeremy Piven), seu pai, está planejando uma super festa com toda pompa com o objetivo de deixar com inveja Arnie Stein (Larry Miller), um antigo desafeto que fez do bar mitzvah de seu filho Zachary (Carter Jenkins) um evento hollywoodiano. Benjamin, por sua vez, prefere simplicidade nos festejos. Seu objetivo na realidade é reaproximar o pai de seu avô, Irwin (Garry Marshall), já que ambos não se falam há muitos anos. Todavia, juntar as três gerações da família Fiedler não será nada fácil, mas esta é uma oportunidade única e a prova de que o garoto está pronto para assumir as responsabilidades da vida adulta, mesmo ainda tendo apenas 13 anos. Apesar do que o argumento indica, a guerra da família Fiedler com os Steins para ver quem faz a festa mais grandiosa está longe dos clichês de produções semelhantes exibidas à exaustão na TV. Aliás, essa batalha de egos acaba ficando em segundo plano.

sábado, 13 de junho de 2015

SETENTA E CINCO

Nota 4,0 Mais um serial killer está a solta para matar jovens, mas não é original nem no figurino

Os filmes de seriais killers já tiveram sua fase de ouro nos anos 80 quando os indestrutíveis Freddy Krueger e Jason Voorhees tiraram o sono de muita gente em uma série de filmes que tiveram seus altos e baixos. Muitas cópias do estilo surgiram e este subgênero de terror acabou entrando em decadência até que Pânico surgiu em meados da década de 1990 para dar um novo gás a ele. Depois mais uma série de assassinos sádicos foram criados para matar rapazes malhados e mocinhas com corpos bem torneados. O resultado é que esse tipo de produção não surpreende mais, apresenta sustos previamente anunciados e quase sempre apelam ao sexo para prender a atenção da plateia adolescente. Todavia, assistir a um trabalho do tipo hoje em dia, seja ele antigo ou atual, é um programa bastante satisfatório para os fãs de horror. Eles sabem perfeitamente o que vão encontrar, mas o importante é sentir a adrenalina, o coração falar mais alto a cada nova cena de matança. Analisando dessa maneira, Setenta e Cinco cumpre razoavelmente seus objetivos. No passado, um grupo de crianças se divertia em uma noite qualquer com um jogo que uma delas inventou. A brincadeira consiste em segurar uma pessoa desconhecida em uma chamada telefônica por um minuto e quinze segundos contando uma história qualquer. Obviamente o trote favorito é pregar peças envolvendo temas pesados e que mexam com as emoções, como um pedido de ajuda por conta de uma ameaça ou até mesmo morte, mas o problema é que nunca se sabe quem está do outro lado da linha. Um dos enganados se enfurece, descobre a origem do telefonema e vai até o local promover uma série de assassinatos usando um machado. Anos depois, as crianças que sobreviveram ao massacre são agora jovens universitários que querem comemorar o encerramento do ano letivo. Um grupo de amigos é convidado para uma festa em uma isolada mansão, mas o que era para ser uma noite de alegria acaba se tornando um pesadelo macabro por conta de um telefonema. 


sexta-feira, 12 de junho de 2015

DIA DOS NAMORADOS MACABRO

NOTA 3,0

Refilmagem de terror pouco
conhecido apóia-se nos efeitos 3D
para dar sobrevida a trama fraca,
clichê e um tanto datada
Há alguns anos virou moda filmes que tocam o terror às vésperas do Natal, então por que não fazer o mesmo com outras datas emotivas? Dia dos Namorados Macabro não usa os festejos dos namorados (nos EUA conhecido como Dia de San Valentin e comemorado no dia 14 de fevereiro) como algo de suma importância para a trama, mas não se pode negar que o título vende bem o produto: um legítimo trash movie. Dosando bem carnificina e humor proposital, desde o início o roteiro de Todd Farmer e Zane Smith mostra que criatividade não é seu ponto forte. A introdução é ilustrada por reportagens de jornais acompanhadas de uma narração extremamente didática destacando um fatídico acidente em uma mina na pequena cidade de Harmony. O jovem Tom Hanniger (Jensen Ackles), filho do proprietário do local, teria cometido um engano operacional ocasionando a explosão da mineradora e a morte de seis trabalhadores. Após várias tentativas de resgate o único sobrevivente encontrado foi Harry Warden (Richard John Walters) que acaba sendo acusado de assassinato. Ele teria enlouquecido com tal situação claustrofóbica e matado seus companheiros mutilando-os com suas próprias ferramentas de trabalho. O criminoso foi levado para o hospital da cidade onde permaneceu em coma por um ano até despertar em plena comemoração de mais um Dia dos Namorados e não perdeu tempo para se vingar iniciando um novo massacre. Médicos, enfermeiros, pacientes e até crianças foram extirpadas com requintes de crueldade. Depois é óbvio que ele retornaria ao lugar onde realizou seus primeiros assassinatos e mais óbvio ainda que um grupo de jovens desmiolados resolve comemorar a noite dos apaixonados na mina abandonada. Queriam economizar o motel? Um dos incautos é o próprio Hanniger acompanhado da namorada Sarah (Jaime King). O rapaz vai até o carro pegar algumas bebidas e nesse meio tempo um novo massacre em tempo recorde acontece. Muito suspeita essa saidinha, não é? Olhos voam pelos ares, um rapaz tem o rosto desfigurado e uma garota tem a cabeça partida ao meio por um golpe pesado e certeiro com pá de escavação. A violência gráfica vai longe acompanhada de um ritmo frenético que faz os dez minutos iniciais parecerem o clímax da fita.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

AS ASAS DO AMOR

NOTA 9,0

Drama poderia ser apenas mais
uma história sobre um triângulo
amoroso, mas consegue ir além
explorando perfis dos personagens
Ao pensarmos no ator Johnny Depp automaticamente nos lembramos do nome do diretor Tim Burton por conta dos diversos trabalhos que a dupla realizou. A união destes profissionais foi tão produtiva quanto a relação do cineasta com a atriz Helena Bonham Carter. Durante os treze anos que viveram uma união estável, essa talentosa britânica participou de praticamente todos os filmes do marido sendo praticamente seu amuleto da sorte. Todavia, antes de dar vida aos diversos e estranhos personagens do universo burtiniano ela já estava construindo uma carreira de sucesso com bons trabalhos e reconhecimento da crítica. No final dos anos 1990 Helena viveu um excelente momento na carreira quando protagonizou As Asas do Amor, elogiada produção de época baseada no romance homônimo escrito por Henry James, o mesmo autor da obra que originou o filme Retrato de Uma Mulher. A trama se passa em Londres no início do século 20 quando Kate Croy (Carter), uma jovem de origem aristocrática, não está com sua vida financeira muito saudável, mas para sobreviver em uma sociedade hipócrita e que vive de aparências precisa lutar para manter sua posição social. Após o falecimento da mãe, a moça corta os laços afetivos com Lionel (Michael Gambon), seu pai viciado em ópio, e vai morar com sua tia Maud (Charlotte Rampling) que lhe oferece ajuda financeira. Porém, as coisas não são resolvidas facilmente. Kate só continuará ostentando seus ares e costumes de nobre se aceitar o casamento arranjado que seus familiares estão providenciando, caso contrário nunca será independente financeiramente. O problema é que ela já mantém uma relação às escondidas com Merton Densher (Linus Roache), um pobre jornalista.  Levando a situação como pode, ora burlando a vigilância da tia e ora se mostrando interessada nos planos que tecem para ela, a jovem se sente todos os dias ameaçada contra a parede. Durante uma viagem pela Europa, ela conhece uma rica órfã americana. Milly Theale (Alison Elliot) é livre dos preconceitos e esnobismos que regem a alta sociedade da época e imediatamente as jovens fazem amizade. Ao conhecer Densher, a moça demonstra interesse amoroso por ele, mas ela nem desconfia que o jornalista e Kate tem um caso.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

ALÉM DA VIDA

NOTA 7,0

Clint Eastwood dirige drama
cujo foco é especular sobre as
coincidências da vida e as
reações sobre o tema morte
Todo mundo pelo menos uma vez já se perguntou como seria a vida depois da morte e esse é um tema bem intrigante que acaba chamando a atenção de muita gente independente da religião, pois diz respeito a uma dúvida universal. Por mais estudos e relatos que possam ser encontrados, ninguém sabe ao certo como seria o paraíso e o inferno, se é que eles existem, ou o que nos espera depois que partimos, mas o cinema está aí para criar e perpetuar imagens e tentar vender uma ideia de como funciona o além. Ficcionais ou não, estas especulações podem nos confortar ou nos amedrontar, mas servem principalmente para mudarmos nossas condutas e pensamentos no presente e no futuro. O espiritismo tem sido uma corrente forte no cinema nacional, tendo seu ápice entre os anos de 2009 e 2011, mas parece que o modismo atravessou os oceanos e também se espalhou por outros países, incluindo os EUA. Foi o Brasil que influenciou os gringos ou foram nossos cineastas que buscaram inspiração numa temática em alta mundo afora? Tanto faz, o fato é que os mistérios que envolvem o tema vida após a morte já estiveram presentes em inúmeras produções, sejam elas de terror, suspense, alguns bem intencionados dramas e até mesmo em comédias. O artifício que antes era usado com mais frequencia para assustar plateias parece que agora está sendo levado mais a sério e recebendo o merecido respeito, tanto que até o conceituado ator e diretor Clint Eastwood foi seduzido pelo assunto e assinou Além da Vida, uma interessante obra que visa tocar o emocional de todos os tipos de público independente de suas crenças, mas que encontra certas dificuldades para atingir tal objetivo. O roteiro de Peter Morgan nos apresenta a três personagens distintos que apesar de morarem longe e não serem parentes ou amigos acabam sendo muito próximos devido as circunstâncias que estão passando em um determinado período de suas vidas. Literalmente é a morte que os une e todos eles têm contato com ela de alguma forma diferente. O enredo converge no terceiro ato todas estas histórias paralelas. Apesar de ter com pano de fundo o espiritismo, a produção enfoca na realidade a relação do ser humano com a morte, mas infelizmente não chega a conclusões definitivas, apenas despertando o espectador à reflexão. Na melhor das hipóteses, a obra procura explorar as misteriosas coincidências que fazem com quem pessoas completamente estranhas possam de repente encontrar pontos em comum que as unem.

terça-feira, 9 de junho de 2015

POLARÓIDES URBANAS

NOTA 3,5

Longa tenta fazer um bem
humorado painel social
do caos cotidiano, mas erra
pela falta de unidade
Todos sabem que é bastante comum no cinema nacional beber em fontes teatrais para ter inspiração e a partir do momento em que alguns de nossos filmes comerciais passaram a ter êxito nas bilheterias a relação entre estes produtos culturais foi intensificada, porém, nem sempre o casamento gerou bons frutos como é o caso de Polaróides Urbanas que marca a estréia do mil e uma utilidades Miguel Falabella como diretor de cinema. Baseado na peça teatral "Como Encher um Biquíni Selvagem" (sabe-se lá o porquê desse título e do sucesso), o longa é uma tragicomédia que tem uma introdução interessante, mas aos poucos o roteiro vai entrelaçando as histórias de diversos personagens e o humor acaba sendo diluído em meio a cenas dramáticas, outras confusas e algumas que tentam fazer o telespectador ao menos dar um sorrisinho amarelo. O roteiro, adaptado para as telonas por Falabella de seu próprio espetáculo, é na realidade uma série de segmentos que procuram interligar as vidas de pessoas comuns, mas o resultado frustra pela ausência de um gênero predominante. Comédia ou drama? Difícil saber. A história começa mostrando a simplória Magda (Marília Pêra) que está entusiasmada para ir assistir pela primeira vez uma peça de teatro, mas para sua surpresa a atriz principal, Lise Delamare (Arlete Salles), interrompe o espetáculo e assume que tem está com síndrome do pânico de se expor em público e que sua carreira está em franca decadência. As duas já se conheciam do consultório da psicanalista Paula (Natália Do Valle), que não dá muita atenção para a sua filha Melanie (Ana Roberta Gualda) que está passando por um período conturbado e não pode nem contar com a ajuda da amiga Vanessa (Juliana Baroni), garota fútil que pensa mais em sua beleza e em uma forma de ser famosa. A moça problemática consegue auxílio com Dulce (Stella Miranda), uma atendente do centro de auxílio aos depressivos que acaba entrando em contato com Crioula (Neusa Borges), a empregada da casa de Melanie. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

JOHNNY E JUNE

NOTA 10,0

Cinebiografia de casal de
cantores famosos dosa bem
a exploração de suas vidas
dentro e fora dos palcos
Um jovem que sonha em viver da sua música, se desliga da família e de sua região rural rumo a solidão e ao corre-corre da cidade grande, passa a ganhar alguns trocados fazendo uns bicos até que o sucesso bate em sua porta trazendo fama, dinheiro, mulheres, mas também tristezas e vícios. Esta é a história de vida que muitos cantores escrevem, que o diga os calouros de nossos programas de auditório que surgem do nada, experimentam o sucesso repentino e logo caem nas armadilhas das drogas, bebidas e do consumo desmedido chegando até um fatídico fim. Felizmente algumas personalidades conseguem fugir desta triste trajetória, com muita força de vontade e a ajuda de um ombro amigo. Já diz o ditado que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher e é isso que nos mostra Johnny e June, a cinebiografia dos músicos Johnny Cash e June Carter que formaram uma dupla que marcou a música americana, principalmente o estilo country entre os anos 60 e 70, mas cujas carreiras seguiram caminhos sinuosos antes do definitivo encontro entre o amor e a música que os ligava. Baseado em dois livros de autoria do próprio Cash, "Man in Black" e "Cash: The Autobiography", o longa não traz inovações, é um tanto convencional, mas as interpretações vivas e sinceras de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon nos papéis-título compensam qualquer falta de ousadia, ou melhor, só o fato de ambos evitarem a dublagem e encararem o desafio de regravar as canções que compõe a trilha sonora já é o bastante para que o filme seja lembrado com destaque. A idéia era manter o foco na vida do cantor que ficou conhecido como “O Homem de Preto”, devido a seus trajes de trabalho sempre escuros, e isso fica evidente pelos primeiros minutos do filme que enfocam sua vida desde a infância sob os cuidados do severo pai Ray (Robert Patrick) até sua complicada juventude quando precisou aceitar qualquer trabalho para sustentar a família que formou com Vivian (Ginnifer Goodwin). Apesar da dedicação aos filhos e à esposa, o rapaz nunca foi um marido fiel, assim ele caiu de amores quando conheceu June durante uma apresentação. Não ficamos conhecendo em detalhes o passado da moça, apenas que ela já tinha uma má reputação devido a seus vários relacionamentos amorosos fracassados, porém, a personagem era tão importante na vida do Cash da vida real que foi impossível mantê-la como uma coadjuvante na ficção e assim ela teve sua participação ampliada e em várias partes do mundo passou a ter destaque na campanha de divulgação do longa. O título original “Walk the Line” é o nome de uma das famosas canções do músico e cria uma ironia afinal andar na linha nunca foi do feitio de Cash. Já no Brasil, por exemplo, optou-se por destacar o casal, inclusive mudando a arte do material publicitário, provando que sem o papel feminino não haveria história. A idéia funciona, ainda vende perfeitamente o filme, mas também pode induzir o espectador a confundir com uma comédia romântica bem água com açúcar. De qualquer forma é um drama relativamente leve.

domingo, 7 de junho de 2015

TEMPESTADES DO AMOR

Nota 4,5 Mescla de drama, suspense e romance começa envolvente, mas falta tempero à mistura

A Índia é um país fascinante e inspirador para histórias com um quê de sensualidade ou até mesmo envoltas a suspenses. A cultura exótica e os cenários misteriosos, no entanto, não colaboraram para o drama Tempestades do Amor funcionar. O vendaval ostentado no título ficou só nas intenções. A trama escrita e dirigida por Nanda Anand narra a história da Samantha Harthley (Kelli Garner), jovem norte-americana que em 2006 visitava a cidade Rajapur com um objetivo em mente: se hospedar no Palácio de Nivas, lendária residência de um antigo xeique. Após sua morte, o local foi transformado em um luxuoso hotel, contudo, a moça terá que se hospedar em outro local. Há anos hóspedes não são mais permitidos, a construção é apenas para visitação, mas ela tem a sorte de conquistar a simpatia de Jai Singh (Manoj Bajpai), o atual dono do casarão e um dos homens mais poderosos da cidade. Ele a confunde com uma profissional que aguardava para fazer um relatório sobre a região a fim de conseguir subsídios governamentais, mas o equívoco cai como uma luva para os planos da moça. Ela desejava mesmo se infiltrar no palácio para investigar sobre a visita de um casal no início dos anos 80. Em poucos minutos matamos a charada. Samantha quer descobrir o que aconteceu com seus pais, Sara (Lynn Collins) e Jeremy Reardon (Justin Theroux), durante a lua-de-mel e que levou a sua avó a abrir um processo contra Jai por homicídio. Para tanto ela conta com a ajuda de Ned Bears (Frank Langella), dono de um sebo onde sua mãe teria adquirido um livro, e de Amar (Bhanu Goswami), sobrinho do dono do palácio que rapidamente descobre a identidade falsa da garota, mas ainda assim promete manter o segredo e até a ajuda nas investigações, mas chega um ponto que não tolera mais a imagem de vilão que ela tem de seu tio. Praticamente toda a cidade é sustentada por Jai através dos empregos que cria e de doações, mas isso pouco importa para Samantha que está disposta a achar provas de que o figurão estaria envolvido na morte precoce de seu pai.

sábado, 6 de junho de 2015

AMERICANO (2005)

Nota 3,0 Trilha sonora e belas locações é o que se salva de drama com ambições edificantes 

O sonho de boa parte dos jovens é ter liberdade plena. Muitos sonham em atingir a idade mínima para se tornarem responsáveis pelos seus próprios atos perante a lei e o dia do aniversário de 18 anos parece ter o mesmo poder de uma carta de alforria. É como se nessa idade você se libertasse totalmente de qualquer tipo de amarras e o mundo abrisse suas portas oferecendo coisas boas e ruins, cabendo a cada um seguir os caminhos que julgue melhor para si. O fato negativo é que todas essas expectativas alimentadas durante muitos anos, principalmente hoje em dia em que as crianças são obrigadas ou por vontade própria estão amadurecendo mais cedo, podem não ser correspondidas totalmente. É frustrante descobrir que seu sonho de colocar uma mochila nas costas e seguir viagem sem destino mundo a fora é substituído por um número bem maior de tarefas e responsabilidades em relação aos seus afazeres quando ainda era um “dependente”. Entre as principais exigências dessa fase da vida dos jovens está a opção da profissão, o que implica também na escolha de algum curso ou faculdade para ter a almejada independência financeira, afinal de contas não basta achar que é dono do próprio nariz e na hora de dar um passo a frente pedir um dinheirinho para os pais, assim o sonho do adolescente aventureiro precisa ser retardado por algum tempo. É numa situação desse tipo que se encontra o jovem Chris McKinley (Joshua Jackson), o protagonista do drama edificante Americano que já pelo título enxuto deixa claro que se trata da história de um ianque experimentando uma nova realidade em outra cultura. A trama escrita e dirigida por Kevin Noland é ambientada na Espanha, na centenária Festa de San Fermín, mais conhecida como a Corrida de Touros de Pamplona. Chris é um recém-formado que está aproveitando seus últimos momentos de férias ao lado dos amigos Ryan (Timm Sharp) e Michelle (Ruthanna Hopper). Daqui a três dias ele deve voltar para os EUA e já tem um compromisso profissional agendado, mas um imprevisto o fará repensar seus planos. Após perder sua mochila com todos os seus documentos, parece que tal acontecimento foi uma ação proposital do destino.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

ENCANTADA

NOTA 8,5

Apesar do tom de sátira,
comédia serve como uma
homenagem da Disney ao seu
próprio histórico de vida
Houve um tempo em que férias era sinônimo de Disney. Nesses períodos longos de descanso dos estudantes era tradição sempre ter uma bela animação do estúdio para virar a febre da temporada com direito a muitas bugigangas para colecionar estampadas pelos personagens, mas o tempo passou e este calendário sofreu mudanças significativas. Claro que ainda temos os desenhos feitos pelo próprio estúdio ou em parceria com a Pixar, mas mesmo com as críticas geralmente positivas tais produções aparentemente não causam o mesmo barulho da época de A Bela e a Fera ou Aladdin. Aliás, diga-se passagem, as animações computadorizadas lançadas após a junção das duas empresas já não são mais nenhuma unanimidade quando o assunto é diversão e nem mesmo os filmes das produtoras concorrentes parecem alcançar o mesmo nível de repercussão de outrora. Repetição de temas, personagens similares, visual sobrepondo-se à historia entre outras coisas tiraram totalmente a originalidade e o brilho do campo das animações, tanto que dá até saudades de curtir aquelas boas e velhas histórias de princesas. A Disney tentou voltar ao estilo com A Princesa e o Sapo e Enrolados, mas ironicamente o sucesso veio com um filme criado justamente para tirar um sarro de tudo aquilo que ajudou a criar o império do Sr. Walt Disney. Encantada surpreendeu o mundo com uma narrativa clássica, porém, totalmente diferente de algo que se espera do estúdio. Desde que Shrek surgiu pegando a todos de supetão satirizando os famosos contos de fadas, com cutucadas explícitas da empresa Dreamworks à Disney, é certo que a casa do Mickey Mouse e tantos outros personagens que entraram para o universo pop mundial foi perdendo cada vez mais espaço no campo das animações. A solução encontrada pelos executivos foi um tanto comercial: se pessoas alheias ao estúdio podem deitar e rolar sobre nosso material por que não fazemos o mesmo? Assim os roteiristas Bill Kelly, Rita Hsiao e Todd Alcott aparentemente tiveram carta branca para remexer nas memórias Disney e pinçar diversas características que se tornaram marca de suas produções e outras tantas referências cinematográficas e culturais que fossem de fácil assimilação para o público que automaticamente se lembraria de ter visto cena semelhante alguma vez na vida. O diretor Kevin Lima, que já havia entregue ao estúdio o live action 102 Dálmatas e a animação Tarzan, acertou em cheio ao iniciar e fechar seu longa com animação tradicional e recheá-lo com atores de carne e osso representando o encontro do mundo real com o de fantasia.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

ÁGUA NEGRA

NOTA 8,0

Enredo de suspense se
torna uma obra com toques
de drama familiar graças a
sensibilidade do diretor
No início da década de 2000 pode-se dizer que Hollywood complementou seu orçamento graças as refilmagens de produções de terror e suspense orientais, alguns comandados inclusive pelos mesmos diretores de suas versões originais para não correr risco de decepcionar o público. Alguns foram muito bem aceitos, porém, outros verdadeiros fiascos devido a inevitável repetição de clichês. Quando surge alguém disposto a colocar as mãos nesse material e dar algum ar de novidade o povo cai em cima com críticas negativas e infelizmente nem os entendidos na arte do cinema procuram exaltar a iniciativa. Foi isso que atrapalhou a carreira de Água Negra, refilmagem de um terror psicológico que explora a relação muito próxima de uma mãe e sua filha pequena diante da necessidade de darem um novo rumo as suas vidas. A produção original assinada por Hideo Nakata mantinha uma atmosfera assustadora desde a introdução até sua trágica conclusão e o clima de tensão era acentuado devido ao uso de movimentos lentos de câmera. Ainda criando a sensação de medo com uma narrativa mais lenta e planos-sequências que privilegiam o detalhamento dos cenários e a captura de expressões dos atores, o diretor brasileiro Walter Salles aceitou o convite para comandar esta refilmagem, mas fez questão de imprimir seu estilo privilegiando o lado dramático do enredo pouco explorado na versão oriental. Após a boa aceitação de Diários de Motocicleta no mercado internacional complementando o histórico de premiações do cineasta fora do Brasil, esta era a chance dele ter um verdadeiro blockbuster em mãos, mas não se deixou corromper ou pelo menos tentou contar a história do seu jeito já que diversas mudanças foram impostas pelo estúdio que bancou o projeto. Todavia, a história de pessoas assombradas por algo desconhecido em um apartamento um tanto sombrio ganhou um enfoque bem mais interessante. Aqui o problema deixa de ter cara exclusivamente espiritual e passa a ter feições de alterações psicológicas, já que a protagonista, além de enfrentar eventos misteriosos em sua residência, também precisa exorcizar fantasmas de seu passado triste.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

CAÇA ÀS BRUXAS

NOTA 3,5

Misto de aventura épica e
suspense sobrenatural
não empolga e descarta
material histórico
Um dia no céu, outro no inferno. A carreira de Nicolas Cage pode ser resumida no contexto desta curta frase. Sobrinho do cineasta Francis Ford Coppola, ganhador de um Oscar e sinônimo de sucesso nos anos 90, parecia que o ator sempre estaria no topo, mas desde 2003 ele estava vivendo uma fase conturbada no âmbito profissional. Fora A Lenda do Tesouro Perdido e sua continuação, todos os seus projetos cinematográficos estão sendo fiascos de crítica e público, porém, contraditoriamente, ainda seu nome chama a atenção. Certo diretor de uma distribuidora independente de filmes no Brasil chegou a afirmar que a grife Cage não rende nos cinemas, mas ainda é bem vista no mercado do home vídeo, embora cada vez mais o nível das produções que ele estrela caiam. Esse sucesso “caseiro” seria um indicativo de que o nível cultural da população mundial está caindo na mesma proporção que os trabalhos do ator? É uma hipótese plausível, tanto que daqui alguns anos possivelmente seu nome terá o mesmo peso que hoje em dia tem Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme, Wesley Snipes e tantos outros brucutus que fizeram fortuna no passado com fitas meia-bocas de ação. Por outro lado Cage tem a seu favor o fato de não ter sua imagem atrelada a um gênero específico, o que pode lhe garantir uma sobrevida. De qualquer forma, já é possível perceber que este ator está sofrendo certa perseguição. Todos os anos dezenas de produções de época são lançadas em cinemas ou diretamente em DVD e muitas delas são bem piores que Caça às Bruxas, longa no qual o ex-astro de Hollywood vive Behmen, um soldado templário que lutou por vários anos nas Cruzadas acreditando que estava expulsando da Terra os inimigos de Deus, mas com o tempo perdeu a própria fé. A decepção total veio após uma batalha na qual morreram muitas mulheres e crianças inocentes. Ao desistir de ajudar a Igreja em suas lutas pelo poder, nas quais precisou matar e saquear em nome da religião, Behmen encontra um mundo em degradação que sofre com a fome, a peste negra e outras mazelas. Ao lado de seu fiel escudeiro Felton (Ron Perlman), ele torna-se inimigo dos governantes e dos defensores da fé, para a tristeza do Cardinal D’Ambroise (Christopher Lee).


terça-feira, 2 de junho de 2015

AMALDIÇOADOS

NOTA 5,5

Terror teen tenta dar sobrevida
ao mito do lobisomem, mas acaba
se tornando uma ótima opção de
humor com seus deslizes
A figura do lobisomem já rendeu filmes realmente de arrepiar no passado, desde os tempos dos clássicos de terror dos estúdios da Universal até o período oitentista quando chegamos a ver uma impressionante e detalhada transformação de um homem em lobo em Gritos de Horror. Depois disso houve outras tantas tentativas para dar sobrevida ao monstro peludo, mas os resultados foram insatisfatórios e nem mesmo o talentoso Jack Nicholson convenceu na pele do bichão no apático Lobo. Já nos anos 2000, antes de Benício Del Toro protagonizar O Lobisomem, uma reinvenção do mito que fez muito barulho por nada, o cineasta Wes Craven, criador das séries A Hora do Pesadelo Pânico, também tentou resgatar o conto a seu modo, ou seja, colocando um bando de adolescentes na mira da fera. Em Amaldiçoados o lobisomem está a solta na época contemporânea (lembrando que é uma fita de 2005) e com um louco desejo de atacar seres vivos e com sangue quente atendendo seus instintos de sobrevivência. A onda de ataques começa  com um acidente de carro envolvendo Ellie (Christina Ricci) e seu irmão Jimmy (Jesse Einsenberg) em uma estrada deserta na qual são atacados por um animal que não conseguem identificar. Pouco tempo depois, ambos começam a agir de forma estranha tendo vontade de comer carne crua, se sentindo mais fortes, entre outros indícios de que estariam infectados por algo desconhecido. Conforme investigam, diga-se de passagem, por uma rápida pesquisa na internet que em questão de minutos revela tudo que querem saber, descobrem que as mudanças ocorreram devido ao ataque de um lobo e que precisam encontrá-lo e sacrificá-lo antes que se tornem também monstros sedentos por carne e sangue fresco. Pela sinopse até podemos imaginar que este é um super filme de terror, mas seu diretor deve ter perdido a mão no meio do caminho ou quis assumir o risco de ser linchado optando por fazer um legítimo representante dos trash movies, ou seja, investindo em humor em algo que deveria causar arrepios e ainda contando com uma produção tosca. Na realidade o dinheiro falou mais alto. Craven, em comum acordo com o roteirista Kevin Williamson, abriu mão de sua ideia original para acatar as exigências dos produtores (no caso os poderosos e influentes irmãos Bob e Harvey Weinstein) em troca do dobro do pagamento inicial. Maldita ganância!

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