sexta-feira, 12 de junho de 2015

DIA DOS NAMORADOS MACABRO

NOTA 3,0

Refilmagem de terror pouco
conhecido apóia-se nos efeitos 3D
para dar sobrevida a trama fraca,
clichê e um tanto datada
Há alguns anos virou moda filmes que tocam o terror às vésperas do Natal, então por que não fazer o mesmo com outras datas emotivas? Dia dos Namorados Macabro não usa os festejos dos namorados (nos EUA conhecido como Dia de San Valentin e comemorado no dia 14 de fevereiro) como algo de suma importância para a trama, mas não se pode negar que o título vende bem o produto: um legítimo trash movie. Dosando bem carnificina e humor proposital, desde o início o roteiro de Todd Farmer e Zane Smith mostra que criatividade não é seu ponto forte. A introdução é ilustrada por reportagens de jornais acompanhadas de uma narração extremamente didática destacando um fatídico acidente em uma mina na pequena cidade de Harmony. O jovem Tom Hanniger (Jensen Ackles), filho do proprietário do local, teria cometido um engano operacional ocasionando a explosão da mineradora e a morte de seis trabalhadores. Após várias tentativas de resgate o único sobrevivente encontrado foi Harry Warden (Richard John Walters) que acaba sendo acusado de assassinato. Ele teria enlouquecido com tal situação claustrofóbica e matado seus companheiros mutilando-os com suas próprias ferramentas de trabalho. O criminoso foi levado para o hospital da cidade onde permaneceu em coma por um ano até despertar em plena comemoração de mais um Dia dos Namorados e não perdeu tempo para se vingar iniciando um novo massacre. Médicos, enfermeiros, pacientes e até crianças foram extirpadas com requintes de crueldade. Depois é óbvio que ele retornaria ao lugar onde realizou seus primeiros assassinatos e mais óbvio ainda que um grupo de jovens desmiolados resolve comemorar a noite dos apaixonados na mina abandonada. Queriam economizar o motel? Um dos incautos é o próprio Hanniger acompanhado da namorada Sarah (Jaime King). O rapaz vai até o carro pegar algumas bebidas e nesse meio tempo um novo massacre em tempo recorde acontece. Muito suspeita essa saidinha, não é? Olhos voam pelos ares, um rapaz tem o rosto desfigurado e uma garota tem a cabeça partida ao meio por um golpe pesado e certeiro com pá de escavação. A violência gráfica vai longe acompanhada de um ritmo frenético que faz os dez minutos iniciais parecerem o clímax da fita.

O filme seria excelente se ficasse apenas neste prólogo, um divertido e nauseante curta-metragem, mas os roteiristas tiveram a péssima ideia de espichar desnecessariamente um argumento um tanto frágil e previsível. Sarah consegue fugir da mina com o amigo Axel (Kerr Smith) deixando o namorado para trás em meio a corpos mutilados e com o serial killer em seu encalço, mas o rapaz é salvo pelo xerife Burke (Tom Atkins) que dá um golpe fatal em Warden. Dez anos se passam, porém, a mídia e a população local ainda não esqueceram do terrível massacre que vitimou mais de vinte pessoas. Neste ano as comemorações do Dia dos Namorados vão contar com a presença de Hanniger que teria abandonado a cidade traumatizado pelos dois fatídicos episódios ocorridos na propriedade de sua família. Com a morte de seu pai, o rapaz decidiu vender seu patrimônio, mas seu retorno tira a paz da população local. Sarah, agora casada com Axel promovido a xerife, não gosta nada de reencontrar o ex-namorado que parece persegui-la. Além de um rival na área, o novo homem da lei do pedaço ainda terá que driblar Megan (Megan Boone), sua amante que está grávida e exige que ele se separe da esposa. Paralelo aos problemas de ordem pessoal, o xerife ainda terá que lidar com uma nova e oportunista onda de assassinatos. Curiosamente Hanniger é apontado sempre de alguma forma envolvido com as vítimas, mas também intriga o fato de o corpo de Warden ter desaparecido da sepultura. Teria ele realmente falecido? Alguém estaria tentando se vingar do herdeiro da mineradora? A história não é nada original, literalmente. Na verdade, trata-se de uma refilmagem de uma produção homônima de 1981, mas ao contrário de similares como Halloween e Sexta-feira 13 que foram um estouro e geraram diversas continuações, a história do escavador assassino não foi um sucesso. Embora pegasse leve com as cenas mais violentas por conta da censura da época, a palavra sangue no título em inglês não causou boa impressão e os lucros apenas pagaram os custos da produção que não sobreviveu a ação implacável do passar do tempo. Por que refazer uma obra que não criou vínculos com o imaginário popular ou a cultura pop? Oportunismo é a palavra-chave. 

Com os avanços das técnicas de efeitos tridimensionais muitas produções de terror passaram a usá-los como forma de oferecer uma experiência diferenciada ao público. Não é exatamente uma novidade. Desde a década de 1980 esporadicamente alguns filmes do gênero já lançavam mão desse trunfo, ainda que os resultados fossem fracos ou descaradamente toscos. Dia dos Namorados Macabros foi pensado meticulosamente do início ao fim para oferecer um entretenimento mais interativo digamos assim. Por pouco o espectador não é banhado pelo sangue que jorra generosamente a cada cena de assassinato. Aliás, as mutilações estão no mesmo nível das atrocidades vistas em Jogos Mortais ou O Albergue, com muitas vísceras em closes generosos e até um globo ocular é atirado em direção a quem assiste. O assassino costuma abrir as caixas torácicas das vítimas para literalmente roubar corações no dia dos enamorados e quem assiste com óculos 3D quase pode enfiar a cabeça dentro dos cadáveres, mas quem acompanha do modo tradicional também pode se divertir sem problemas, basta ser amante do gênero e do gore (sangue e nojeiras). Um dos momentos mais sádicos é quando um casal de pervertidos é atacado enquanto transam, desculpa para explorar a nudez gratuita da atriz (oi?) Betsy Rue e acaba sobrando até para a dona do motel, a baixinha caricata vivida por Selene Luna que é massacrada de forma bastante curiosa. Vale destacar também a cena em que duas garotas são perseguidas em um supermercado a noite, sequência repleta de tensão e que recupera a essência dos “slashers movies”. Aliás, como todo profissional da área que se preze, o vilão capricha em sua indumentária e apetrechos de trabalho. Trajando uma máscara que acentua o som de sua respiração, além de protetor ocular e capacete típicos de quem trabalha com escavações, o assassino usa com desenvoltura a picareta para seus ataques, mas não dispensa qualquer outro objeto que possa ferir que esteja a seu alcance. As vítimas, como de praxe, são atores oriundos de seriados de TV, sendo Kerr Smith o mais famoso por conta do suspense Premonição. Sabendo gritar, chorar escandalosamente, fazer caras de pânico e ter disposição para correr é o que basta para atuar em produções do tipo. O diretor Patrick Lussier, de Drácula 2000 e Luzes do Além, é chegado no gênero e sabe que ninguém espera atuações dignas de Oscar e sim sustos e aflições em grau máximo, assim deita e rola com a tridimensionalidade. Não se pode negar seu cuidado para realizar as cenas com barreiras texturizadas (vidros, grades e até estrado de cama) para criar os efeitos desejados colocando o espectador para compartilhar a visão das vítimas das situações, mas é pouco para garantir o interesse e nos fazer esquecer as falhas e clichês.

Terror - 100 min - 2009

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