sexta-feira, 31 de julho de 2015

HAIRSPRAY - EM BUSCA DA FAMA

NOTA 9,0

Refilmagem de cult movie dos
anos 80 privilegia o estilo
musical a la Broadway para
falar sobre preconceitos e sonhos
Entre algumas das surpresas que a sétima arte tem nos proporcionado neste início de século 21 podemos destacar a volta em grande estilo dos musicais. Originais, refilmagens, de estilos clássicos ou moderninhos. Tem opções para todos os gostos. As produções da Broadway obviamente tornaram-se uma grande fonte de inspiração e alguns trabalhos curiosamente antes de chegarem aos palcos já tinham passado pelos cinemas. É uma relação muito amistosa que existe entre estas duas manifestações artísticas e sempre há a possibilidade de se melhorar aquilo que já era bom a cada nova adaptação como é o caso do filme Hairspray – Em Busca da Fama, um musical com um elenco espetacular, mas, como todos os títulos do gênero, divide opiniões. Milhões de pessoas se renderam às gargalhadas e acabaram dançando ao som da animada trilha sonora. Na mesma proporção, há quem critique, se irrite com tanta cantoria e não veja o menor fundamento para tal obra existir. É preciso deixar a alegria falar mais alto para poder aproveitar este filme cujas duas horas passam voando visto a quantidade de situações e personagens que o roteiro oferece. O diretor Adam Shankman fez a adaptação para o cinema do famoso musical da Broadway, que inclusive já teve a sua versão brasileira, mas esta deliciosa história já teve outra versão cinematográfica. O excêntrico cineasta John Waters baseou-se em suas memórias de infância para criar um de seus trabalhos mais famosos e mais próximo do estilo comercial, Hairspray - E Éramos Todos Jovens. O longa se tornou um cult movie instantâneo e foi sucesso de crítica e público. Tanto o filme dos anos 80 quanto o mais recente são exagerados e coloridos, mas o antigo fica em desvantagem em alguns pontos em relação a sua reinvenção. Envelheceu bastante e o visual kitsch pode incomodar, além de que não era assumidamente um musical. De qualquer forma, ambos são divertidos, marcaram época e ainda continuam colecionando fãs. Em 2002, o texto de Waters foi reformulado para ocupar os palcos e finalmente ganhou status de musical e foi nesta fonte que Shankman bebeu e construiu um delicioso show que diverte e ainda toca em uma ferida aberta há centenas de anos, mas que até hoje não cicatrizou totalmente: o preconceito. Tudo aqui parece tão cheio de vida justamente porque Waters pessoalmente levou o diretor a conhecer a cidade de Baltimore, o local onde as ações do longa acontecem, e passou a ele informações valiosas sobre o passado do local e como se comportava a sociedade da década de 1960. Shankman que até então tinha projetos modestos no currículo, como Operação Babá e Doze é Demais, teve finalmente em suas mãos um verdadeiro tesouro que soube cuidar muito bem e que atraiu um elenco sensacional, incluindo os coadjuvantes.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

AS HORAS

NOTA 10,0

Drama mistura épocas e
dramas através das histórias
de três mulheres vivendo
períodos pessoais difíceis
Existem produções que participam do Oscar e que marcam mesmo sem ter arrebatado a atenção dos votantes da Academia de Cinema. Detentor apenas do prêmio de Melhor Atriz, dado à Nicole Kidman, o filme As Horas é uma das grandes atrações que marcaram a História desta festa, mas que acabaram não recebendo o devido valor. Tudo bem, o páreo na época era duro, mas o fato de até o roteiro ter sido ignorado é um fato inexplicável. Baseado na obra homônima do escritor Michael Cunningham, a história adaptada por David Hare e dirigida por Stephen Daldry, de Billy Elliot, felizmente foi reconhecida em outras premiações. Desenvolvido em três épocas distintas, mas ainda assim mantendo elementos entre si que permitem narrativas paralelas e fragmentadas, o longa é poesia pura não só em seus diálogos, mas também em suas belíssimas cenas. Basicamente o roteiro fala de forma introspectiva sobre a doação da mulher ao homem, a respeito da sua anulação como pessoa e como ela lida com seus rompantes de desejos. A rotina de um só dia de três mulheres separadas por algumas décadas é narrada tendo como ponto de ligação o romance “Mrs. Dalloway”. Na década de 1920, a escritora Virginia Woolf (Nicole Kidman) está escrevendo a obra ao mesmo tempo em que lida com as limitações impostas por sua esquizofrenia e pelo excesso de zelo do marido Leonard (Stephen Dillane). Nos anos 50, Laura Brown (Julianne Moore) é uma dona-de-casa infeliz que está lendo o livro ao mesmo tempo em que prepara um bolo de aniversário para o marido Dan (John C. Reilly). A leitura poderá mudar seus pensamentos e ações de forma drástica. Por fim, em 2001, Clarissa Vaughan (Meryl Streep) está as voltas com os preparativos de uma festa em homenagem ao seu ex-amante e poeta Richard Brown(Ed Harris), que está a beira da morte. Ela praticamente está vivendo as mesmas ações que a protagonista do quase centenário livro.

domingo, 26 de julho de 2015

INVERNO DESPEDAÇADO

Nota 8,0 Drama mostra as dificuldades de um casal para superar a perda repentina da única filha

A cena inicial em que um homem assiste a queda de uma árvore e a fuga assustada de um corvo, símbolo da morte, já anuncia o que vem por aí. A gélida e triste paisagem das terras europeias sem glamour algum no caso de Inverno Despedaçado não serve apenas como cenário, mas também é um ingrediente importantíssimo para a narrativa, pois realça o espírito dos protagonistas, um casal que em pouco tempo acabou congelando suas vidas, porém, um simples tremor pode tratar de quebrar esse gelo e trazer consequências tanto positivas quanto negativas, mas o certo é que no final das contas dificilmente ela ou ele poderá dizer que é plenamente feliz. O roteiro de Pierre-Pascal Rossi narra o drama vivido pelos fazendeiros Jean (Aurélien Recoing) e Laure (Marie Matheron) que há poucos meses perderam a filha de apenas cinco anos em um incêndio. O casal ainda não se adaptou ao vazio que ficou em casa e precisam urgentemente descobrir um novo sentido na vida. A paisagem fria e triste do rigoroso inverno europeu só aumenta a sensação de impotência de Laure, que está abatida, fechada em suas lembranças e apresentando comportamento com rompantes de loucura. O marido também está com dificuldades para seguir sua vida normalmente, até porque ele se sente culpado pelo acidente com a filha devido as más instalações elétricas de sua casa que provocaram o infortúnio, mas chega a um ponto de estresse no qual não poderia também arcar com a loucura da esposa em silêncio. Laure é internada em uma clínica psiquiátrica a contragosto da irmã Valérie (Nathalie Boulin) que não gosta de seu cunhado e aos poucos passa a fazer intrigas a respeito dos sentimentos de Jean em relação a esposa. Enquanto isso, esse homem amargurado decide vender a propriedade da família, muda-se para o antigo restaurante que tinham e larga o trabalho no campo para se dedicar a uma atividade com salário fixo em uma usina. É justamente nesse novo ambiente que Jean encontra esperanças para dar novos rumos a sua trajetória quando conhece Labinota (Gabriela Muskala), uma imigrante polonesa que trabalha no refeitório da empresa. A relação entre eles, apesar de benéfica, pode significar o fim da união de Jean e Laure.

sábado, 25 de julho de 2015

O MISTÉRIO DA LIBÉLULA

Nota 4,5 Com sustos previsíveis e enredo frouxo, suspense com Kevin Costner decepciona

Ele começou a carreira tardiamente e emplacando diversos sucessos e em pouco tempo já estava na frente e atrás das câmeras em uma mesma produção. Por seu primeiro trabalho como diretor faturou o Oscar com seu longo épico Dança com Lobos. Tanto prestígio precocemente aflorou em Kevin Costner a soberba e a megalomania. A partir de então, começou a embarcar em projetos fracassados, outros ele próprio tratou de afundar e colecionou um ou outro filme que não manchasse seu currículo. O Mistério da Libélula não é nada memorável em sua filmografia. Simplesmente é um trabalho que poderia ter sido protagonizado por qualquer ator de meia idade, mas para se manter na ativa vale tudo. Costner interpreta o Dr. Joe Darrow, um respeitado especialista em traumas que é chefe do serviço de emergências de um importante hospital em Chicago. Ele carrega a dor de não saber o que aconteceu com sua esposa, a também médica Emily (Susanna Thompson). Ela estava em uma missão beneficente em uma região montanhosa na Venezuela quando sofreu um acidente, mas seu corpo nunca foi encontrado. Seis meses depois de seu sumiço, seu marido começa a perceber pequenos sinais ligados a imagens de libélulas, inseto cujo formato lembra uma marca de nascença que Emily tinha no ombro. Além disso, ao visitar os antigos pacientes da esposa, crianças do setor de oncologia, Darrow começa a receber estranhas mensagens por meio delas. Muito atormentado diante dos acontecimentos e com seu luto, o médico consegue apoio de outras pessoas, apesar das visões opostas sobre o caso, como a vizinha Miriam (Kathy Bates), que quer ajudá-lo a se libertar das lembranças do passado, e da Irmã Madeline (Linda Hunt), uma estudiosa a respeito das pessoas que estiveram perto da morte. De qualquer modo, juntando as pistas, Darrow tem certeza que sua esposa está tentando entrar em contato do além.

domingo, 19 de julho de 2015

NINGUÉM SEGURA ESSE BEBÊ

Nota 7,0  Criativa e divertida, comédia busca identidade própria e não ser refém da fofura do bebê

Colocar crianças em situações de risco, mas tirando de letra qualquer obstáculo, virou quase uma marca do cinema-família produzido entre as décadas de 1980 e 1990. Por coincidência ou não, a maioria delas tinha um nome em comum na produção: o saudoso John Hughes. O nome do roteirista se tornou símbolo de sessão da tarde, sempre assinando histórias bastante previsíveis, mas leves e divertidas no ponto certo para entreter a criançada sem se tornar um fardo para os adultos que até conseguem esboçar algumas boas risadas com o clima nonsense. Depois de explorar as peripécias de moleques endiabrados em Esqueceram de Mim e Dennis - O Pimentinha, o roteirista voltou suas atenções para o universos de fraldas e mamadeiras em Ninguém Segura Esse Bebê acompanhando as aventuras de um garoto que embora apenas engatinhando vive uma grande aventura circulando bem a vontade pela cidade grande, obviamente contando com a sorte para protegê-lo dos perigos. O bebê Bink (papel revezado entre os gêmeos Adam Robert e Jacob Joseph Worton) é o herdeiro de uma grande fortuna e o xodó de seus pais que fazem questão de mantê-lo em evidência para a sociedade. Quando decidem realizar uma sessão especial de fotos do garoto não esperavam que cairiam na lábia de um grupo de criminosos. Norby (Joe Pantoliano), Eddie (Joe Mantegna) e Veeko (Brian Haley) se passam por fotógrafos profissionais e se aproveitam de um momento de distração de Gilbertine (Cynthia Nixon), a babá, para sequestrar o menino, mas antes mesmo que fizessem um contato com a família para pedir o resgate Bink mostra-se mais esperto e consegue fugir. Solto pelas ruas de Chicago, ele começa uma travessia visitando os lugares que associa às imagens de seu livro preferido e que sua cuidadora lia diariamente. Os bandidos seguem em seu encalço, mas acabam metidos em grandes confusões, mostrando serem menos inteligentes que uma criança que não chegou nem a um ano de idade ainda.

sábado, 18 de julho de 2015

TRAUMA (2004)

Nota 1,0 Suspense cujo protagonista sofre com confusão mental é arrastado e sem emoção

Antes da fama muitos atores precisam aceitar cada abacaxi para poderem pagar suas contas. Quem vê hoje Colin Firth como um símbolo de brilhante ator britânico ou até mesmo a imagem de um galã de meia-idade perfeito, saiba que ele não tem em seu currículo apenas obras de peso ou no mínimo razoáveis, mas também há pelo menos uma produção duvidosa que hoje pode despertar certa curiosidade devido ao nome do protagonista famoso, mas não vá com muita sede ao pote. Depois que suspenses no estilo Efeito Borboleta e Amnésia arrancaram elogios da crítica e conquistaram alguns fãs, virou moda realizar filmes com vai e vem no tempo, reviravoltas e onde o que parece verdade pode ser uma farsa, mas são poucos os produtos que seguem tal fórmula que conseguem bons resultados. A premissa de Trauma até que é interessante, mas sua transposição do papel para o celuloide é esquizofrênica. Firth interpreta Ben, um homem atormentado que ao despertar de um coma descobre que sua esposa Elisa (Naomi Harris) morreu no acidente de carro que sofreram juntos. Mesmo estando perturbado com tantas coisas que não compreende, ele encontra forças para tentar reconstruir sua vida, assim procura a ajuda de um analista, a companhia de amigos antigos e até faz uma nova e importante amizade neste momento difícil com a bela Charlotte (Mena Suvari). Porém, novos acontecimentos inesperados fazem sua vida virar mais uma vez de cabeça para baixo, entre eles o assassinato da cantora Lauren Farris (Alison David), uma grande amiga de sua falecida esposa. Agora Ben precisa entender muitas situações mal explicadas, como o fato de já estar separado de Elisa quando o fatídico acidente de carro ocorreu e também descobrir se tem algo a ver com o assassinato da amiga dela.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

JUNTOS PELO ACASO

NOTA 7,0

Apesar de sabermos que o
final feliz está garantido, longa tem
premissa diferenciada com casal
forçado a conviver sob mesmo teto
Todos crescemos acreditando que existe uma certa ordem natural das coisas para uma vida feliz. Nascemos, nos desenvolvemos, vamos à escola e escolhemos uma carreira. Nesta fase, além da profissão, geralmente também definimos os rumos de nossa vida pessoal. Se apaixonar por alguém com quem compartilhamos afinidades, casar e constituir família há muito tempo deixaram de ser objetivos primordiais para muita gente, mas as vezes o próprio destino dá um empurrãozinho para seguirmos tal trajeto. Em Juntos Pelo Acaso acompanhamos a adaptação de duas pessoas que de uma hora para a outra se veem obrigados a conviver de certa forma como casal. Certa noite, Holly Berenson (Katherine Heighl) e Eric Messer (Josh Duhamel) deveriam ter tido um encontro romântico, mas eles se detestaram à primeira vista. Ela toda regrada e amável e ele completamente descontraído e sem papas na língua, estava na cara que eles desafiariam a máxima que diz que os opostos se atraem. Por obra do destino, ou melhor, de um casal de amigos em comum, eles são obrigados a manter uma convivência forçada ao aceitarem ser padrinhos da pequena Sophie (papel dividido entre as fofíssimas trigêmeas Alexis, Brynn e Brooke Clagett). Um ano depois do nascimento, porém, Peter (Hayes MacArthur) e Alison (Christina Hendricks) acabam falecendo em um acidente e o casal torto é incumbido de fazer as vezes de tutores da menininha. Agora eles precisam deixar suas diferenças de lado e se unir para o bem da afilhada. Tentando equilibrar suas ambições profissionais e vida social e particular, o casal terá que se esforçar ao máximo para viver sob o mesmo teto, mas é óbvio que não tardará para descobrirem estarem apaixonados. É nessa toada que segue o roteiro dos então estreantes Ian Deitchman e Kristin Rusk Robinson que não quiseram se arriscar e seguiram direitinho a cartilha do gênero. Até o manjado truque do bonitão que aparece de mansinho para conquistar a mocinha e forçar o até então indiferente companheiro de casa, digamos assim, a cair na real e assumir seus sentimentos bate ponto, no caso o pediatra Sam (Josh Lucas) serve como esse estopim unindo o útil ao agradável sendo constantemente procurado por Holly cheia de dúvidas.

domingo, 12 de julho de 2015

O CASTELO DE CAGLIOSTRO

Nota 8,5 Um dos primeiros filmes de Hayao Miyazaki é um tesouro a ser redescoberto

Como profissional do ramo do cinema de animação, podemos dizer que Hayao Miyazaki tem uma posição no Japão semelhante a que Walt Disney ocupou em solo americano, porém, só tardiamente ele veio a ter reconhecimento mundial graças aos diversos prêmios e indicações conquistados por A Viagem de Chihiro, mas infelizmente mesmo com tanta publicidade importantes e curiosas obras daquele que é considerado um mestre da animação japonesa ainda são desconhecidas em boa parte do mundo, ainda que algumas tenham sido lançadas no mercado na época das fitas de vídeo. Temos hoje em dia acesso a obras mais recentes do diretor, como O Castelo Animado, mas obras anteriores a 2001 não são encontradas em mídias originais, provavelmente por questões jurídicas. Ou a ausências de tais títulos seriam por falta de interesse do público? Bem, uma tentativa de comercializar as obras do início da carreira de Miyazaki foi feita com o desconhecido O Castelo de Cagliostro, mas parece que os resultados de repercussão e venda não foram satisfatórios. Uma pena. A produção é na realidade o segundo e mais bem-sucedido de seis longas-metragens baseado em uma famosa série de TV que narra as aventuras de Lupin III, um bandido que comete um grande roubo em um cassino, mas logo descobre que todo o dinheiro que pegou é falso e que sua origem é de um país chamado Cagliostro. Contudo, ele não se deixa abalar e já começa a planejar um novo golpe, desta vez de olho em um tesouro que estaria escondido no castelo do citado país, mas envolto em uma misteriosa história. Seus objetivos mudam quando descobre que a adorável princesa Clarisse está sendo forçada a se casar com o dono da propriedade e consequentemente o governante daquelas terras. Com a ajuda de seu fiel companheiro Jigen e do mestre espadachim Goemon, Lupin vai tentar resolver o mistério que envolve o castelo ao mesmo tempo em que deseja salvar a princesa, porém, o inspetor Zenigata estará sempre em seu encalço para atrapalhar seus planos. Em questões visuais e até mesmo narrativas, o projeto lembra um pouco as séries de desenhos orientais produzidos para exibição contínua na TV e que vira e mexe viram febre, só não espere a mesma agilidade e uso de violência. Ainda bem!

sábado, 11 de julho de 2015

A PRESENÇA

Nota 1,0 Arrastado e sem sustos, longa vale apenas pela cuidadosa e melancólica ambientação

Escritor com bloqueio criativo decide se refugiar em um lugar isolado para se concentrar e escrever aquela que poderia ser sua grande obra, mas acaba se desequilibrando com acontecimentos estranhos. Em quantas madrugadas insones você já não se deparou com filmes sustentados por um argumento do tipo? E quantas vezes se decepcionou com o que viu? Com o suspense A Presença não é diferente. A trama gira em torno de uma escritora (Mira Sorvino) que se muda temporariamente para uma cabana em uma remota ilha onde passou alguns momentos da sua infância em busca de tranquilidade para escrever um novo romance, no entanto, ela não estará sozinha. Ela é vigiada todo o tempo por um rapaz (Shane West), um espírito que habita a choupana e que passa a influenciar no cotidiano e nas atitudes da moça. Não demora muito e ela também ganhará a companhia de seu noivo (Justin Kirk) que veio com o propósito de pedi-la em casamento e que involuntariamente desperta uma obsessão ainda maior do tal espectro pela nova inquilina. Sentindo-se perseguida tanto pelo pretendente quanto pela presença de alguém do além, a escritora perde a noção entre a sanidade e a loucura. Tentando manter a aura de mistério do início ao fim, Tom Provost, roteirista e estreando como diretor, não dá nomes aos seus personagens, apenas um coadjuvante é batizado, o Sr. Browman (Muse Watson). Ele é o vizinho mais próximo desta mulher que procura refúgio em um local cujo acesso só pode ser feito através de barco, mas a participação deste senhor na trama é mínima e nada acrescenta a algo que não tem um momento sequer empolgante. No desenrolar da história ficamos sabendo que a protagonista tem um trauma que a impede de sequer pensar em formar uma família e que o espírito com expressões blasé quer persuadi-la a matar seu noivo, mas nada que injete empolgação na pasmaceira. Do inexplicável regresso à casa que lhe traz lembranças danosas da época que era criança à uma exagerada e descabida cena de discussão de relação com o noivo que deveria ser o clímax, não conseguimos criar empatia com a protagonista e seus dramas e medos inconsistentes.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

GRITOS MORTAIS

NOTA 7,0

Com clima e visual que remetem
ao horror clássico, longa assusta
com trama acima da média, mesmo
com clichês e personagens manjados 
Alguém ainda pode sentir medo de brinquedos possuídos por almas demoníacas? Quando Brinquedo Assassino foi lançado até que gerou certo impacto por transformar em algo ameaçador um objeto que deveria ser sinônimo de ternura e aconchego. Suas diversas continuações e também fitas genéricas que tentaram pegar carona em seu sucesso trataram rapidamente de jogar a ideia para a categoria de filmes trash, assim não é de se estranhar o receio para o lançamento de Gritos Mortais, terror cujo vilão é personificado na figura de um boneco de ventríloquo. Poucos filmes exploraram o tema, como o pouco conhecido e antigo Magia Negra estrelado por Anthony Hopkins vivendo um artista que pouco a pouco é dominado por seu boneco. Três décadas depois, esse trabalho quase folclórico voltou a inspirar, mas talvez pelo fato de não ser popular não ajudou a criar um sucesso. O jovem Jamie Ashen (Ryan Kwanten) tem sua esposa Lisa (Laura Regan) brutalmente assassinada na mesma noite em que recebem um misterioso pacote sem remetente contendo um estranho boneco. Antes a moça havia relembrado uma história que ouvia quando criança sobre uma mulher chamada Mary Shaw (Judith Roberts) que não possuía filhos, apenas bonecos que tratava como pessoas de carne e osso, e quando alguém a visse em sonhos jamais deveria gritar, caso contrário estaria condenado a morte. Atordoado com o assassinato da companheira, porém, com a polícia apontando-o como o principal suspeito, o rapaz resolver regressar à sua cidade natal, Ravens Fair, a fim de provar sua inocência e punir o verdadeiro criminoso que julga ser o tal fantoche. No povoado todos conhecem a lenda de Mary Shaw, uma senhora que ganhava a vida com suas apresentações de ventriloquismo, mas certa noite quando teve a veracidade de seu show questionada acabou surtando e matou a criança que ousou afrontá-la. Inconformada, a população se vingou de maneira bizarra e cruel. A artista foi morta e teve sua língua arrancada, mas seu corpo foi enterrado junto de suas dezenas de bonecos de trabalho como havia pedido em testamento. Algum tempo depois os moradores da região começaram a sofrer mortes misteriosas e seus corpos sempre eram encontrados com as línguas arrancadas e em posições estáticas. Paralelo a isso, os bonecos também passaram a sumir de suas covas, o que gerou a lenda de que os fantoches de ventriloquismo seriam sinônimos de mal presságio e Ashen se apega à crença para solucionar a morte da esposa.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O LORAX - EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA

NOTA 6,0

Abordando a preservação da
natureza e os perigos do consumismo,
longa agrada as crianças, mas falta
ousadia para agradar aos adultos
Theodor Seuss Geisel, ou simplesmente Dr. Seuss, era um autor de livros infantis cujas obras até hoje fazem muito sucesso em países de língua inglesa, mas no Brasil o conhecimento sobre seus trabalhos é muito limitado. Infelizmente, sua literatura por aqui depende e muito do cinema para chegar ao grande público, mas ainda assim os resultados deixam a desejar. Coloridos, com boas lições de morais e com personagens com características físicas inconfundíveis, O Grinch, O Gato e Horton e o Mundo dos Quem não foram incríveis sucessos de bilheteria fora dos EUA onde faturaram horrores, mas até que ajudaram na venda de livros mundo a fora. A mesma situação se repetiu com O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida, uma animação que não traz mensagens importantes apenas para as crianças, mas também para adultos, afinal é a preservação da natureza que está em pauta, assim como os perigos da ambição sem limites. E olha que esse livro foi lançado em 1971 e já naquela época os avanços do desmatamento das florestas era uma preocupação mundial, o que torna o conteúdo deste filme extremamente atual, quiçá atemporal. A história adaptada por Ken Daurio e Cinco Paul se passa em uma cidade futurista, local onde tudo é feito de plástico ou metal e o verde das vegetações não encontra mais espaço. O jovem Ted está à procura de uma árvore verdadeira para impressionar Audrey, sua vizinha por quem está apaixonado. Nesta busca, ele acaba saindo dos limites da cidade e descobrindo que ele e toda sua comunidade vivem em uma espécie de prisão. Do outro lado do muro que circunda seu mundinho existem apenas ruínas, escuridão e abandono. É nesse mundo obscuro que vive Once-ler (ou Umazevildo, seu nome na versão brasileira), um empresário ganancioso que está desmatando as áreas ocupadas pelas trúfulas, exóticas árvores com pêlos no lugar de folhas, e consequentemente eliminando a sobrevivência de qualquer espécie de fauna ou flora e até mesmo a permanência de riachos e afins. O garoto então toma conhecimento sobre o Lorax, uma criatura encarregada de proteger a natureza, mas que só pode aconselhar a respeito dos danos que o progresso sem limites pode acarretar, não tem poderes para barrar por conta própria.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

DIGA QUE NÃO É VERDADE

NOTA 1,0

Escatologia, piadas de cunho sexual
e sarro até mesmo com minorias
marcam a estreia de pupilo dos irmãos
Farrelly em comédia vexatória
Teoricamente uma comédia deve provocar risos, mas como alcançar tal objetivo quando a seleção de piadas de um roteiro não tem graça alguma? O jeito é mandar às favas qualquer compromisso com o realismo e embarcar de cabeça no nonsense. Parece que este foi o pensamento do diretor James B. Rogers na condução de Diga Que Não é Verdade, fita com argumento de comédia romântica, mas que assume seu lado besteirol sem vergonha alguma. A trama tem como protagonistas Jo Wingfield (Heather Graham) e Gilbert Noble (Chris Klein), dois jovens que estão perdidamente apaixonados, mas que descobrem um terrível segredo: eles na verdade são irmãos por parte de mãe, a inescrupulosa Valdine (Sally Field). Para não cometerem um incesto, ou melhor, para não continuarem vivendo em pecado já que a relação deles já passou o sinal vermelho faz tempo, eles decidem se separar e cada um procura seguir sua vida. Ela se muda de cidade enquanto o rapaz continua em sua região interiorana tornando-se alvo de chacotas. Todavia, tudo pode mudar quando Gilly (apelido carinhoso do rapaz) descobre que na verdade houve uma série de mal entendidos e que eles não tem qualquer vínculo sanguíneo. Imediatamente ele parte desesperadamente para encontrar Jo e impedir que ela se case com outro homem, mesmo que para isso precise atravessar praticamente metade dos EUA e se meter nas maiores enrascadas. Contudo, Valdine vai fazer de tudo para impedir esse reencontro já que não considera seu "ex-filho" um bom partido para a moça, entenda-se então que ele é um zé ninguém que não tem onde cair morto. Pupilo dos irmãos Peter e Bobby Farrelly, que assinam a fita como produtores, Rogers não renega sua escola e deixa em cada cena transparecer a essência de seus tutores. Seu primeiro trabalho solo atrás das câmeras é marcado por piadas envolvendo pessoas com deficiências e abusos de animais entre outras tantas polêmicas misturadas a outras sequências nauseantes ou ofensivas ao espectador.

terça-feira, 7 de julho de 2015

MUITA CALMA NESSA HORA

NOTA 2,0

Com estilo americanizado,
longa só vale uma espiada
em caso de não haver outra
coisa para fazer
O cinema brasileiro cresceu tanto nos últimos anos que precisou abrir novos caminhos para se sustentar. Se antes filme nacional era símbolo de prêmios e elogios e pouca bilheteria, isso já na época pós-retomada, agora sabemos que existe espaço e necessidade também para produções mais comerciais em nosso mercado cinematográfico. Houve inclusive um período fértil no qual público e crítica aplaudiram trabalhos brasileiros que conseguiram não só espaço nas salas especiais e cults, mas também nos multiplex dos shoppings. Finalmente era compreendido que um mercado de cinema competitivo e ativo precisa equilibrar qualidade e diversão, assim os filmes-pipoca são de extrema importância. Um sucesso da grife Daniel Filho, como Se Eu Fosse Você, pode bancar dois ou três filmes menores para agradar a um público mais intelectual e ainda concorrer prêmios. É essa a lógica que segura as pontas até mesmo de Hollywood. O problema é que algumas pessoas andam levando a sério demais o termo cinema comercial e realizando produções desastrosas que no final das contas não passam de veículos chamativos para empresas que querem melhorar suas imagens através do patrocínio a arte brasileira. O modelo de cinema imposto pela apresentadora Xuxa está fazendo escola. Se nos últimos tempos ela se ausentou das telas grandes com a sua trupe de amigos (entenda-se pagodeiros, modelos, ex-paquitas e artistas em evidência na época), o diretor Felipe Joffily veio para ocupar o posto com a bomba Muita Calma Nessa Hora, uma espécie de road movie com influências do cinema americano. O diretor tentava falar a língua dos jovens, algo que já havia procurado com seu trabalho anterior Ódiquê?, mas especificamente neste filme em destaque ele subestimou a inteligência de seu público-alvo. Repare na sinopse do longa. Tita (Andréia Horta), Mari (Gianni Albertoni) e Aninha (Fernanda Souza) são três jovens amigas que estão enfrentando momentos problemáticos em suas vidas. Decididas a relaxar, elas partem para uma viagem para curtir um fim de semana em Búzios. No caminho elas encontram Estrella (Débora Lamm), uma hippie a quem dão carona e que está atrás de seu pai desaparecido. Em um cenário paradisíaco, as quatro moças vão passar por situações adversas, noitadas quentes e conhecer diversas pessoas, cada uma com seus conflitos, manias e virtudes que de certa forma irão interferir na vida delas, cujo rumo muda a cada minuto e assim elas passam a olhar o futuro com outros olhos.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

DEU A LOUCA NOS MONSTROS

NOTA 8,0

Mescla de aventura, comédia e
terror ganhou status de ícone
nostálgico, um retrato de uma época
de inocência, descobertas e diversão
Que saudades da década de 1980! Tempos em que criança vivia como criança e muitos filmes clássicos que marcaram a infância de marmanjos são o retrato de uma época que infelizmente não volta mais. Qual guri hoje em dia tem um clubinho de amigos para planejar aventuras e sonha em ter uma casa na árvore? Contatos virtuais não valem. Qual garoto cultiva aquele amor platônico que o faz desejar ser grande o mais rápido possível? Com as redes sociais a paquera perdeu sua inocência. E as madrugadas viradas assistindo filmes de terror regadas a refrigerante e pipocas com a galera? Hoje até rola programas do tipo, mas cada um na sua casa na base dos filmes on demand e a zoeira é via comentários whats up ou webcam.  Para quem já passou dos trinta anos certamente vez ou outra deve sentir saudades de ir até a locadora escolher aquele filminho bacana que serviria de desculpa para a reunião com os amigos no fim de semana, mesmo com o inconveniente de ter que rebobinar a fita e sair de casa para devolver. Hoje praticamente extintos, tais estabelecimentos comerciais tiveram sua importância, pois com eles o acesso as produções dos mais diferentes gêneros se tornara bem mais fácil que uma ida ao cinema e as fitas de terror se beneficiaram dessa aproximação com o público mais jovem. Do trash levado a sério, passando pelo “terrir” até chegar a tramas de horror legítimo, muitas fitas de arrepiar ou que usavam o medo apenas como pano de fundo marcaram momentos inesquecíveis de muitas pessoas como é o caso de Deu a Louca nos Monstros, divertida aventura que ressuscitava criaturas clássicas do horror que arrepiaram plateias entre as décadas de 1930 e 1950,  mas que teve alguns problemas para encontrar seu público logo de cara por ser uma mescla de gêneros e conter palavras e situações incomuns em produções que teoricamente visava crianças e adolescentes, como um jovem fumando, vampiras seminuas ou pais sendo provocados pelos filhos, o que no fundo é pura hipocrisia da época. A trama começa em um castelo da Transilvânia quando o Dr. Abraham Van Helsing (Jack Gwillim) e um grupo de habitantes locais invadem o castelo do Conde Drácula (Duncan Regehr), a fim de detê-lo para sempre, mas algo dá errado e o próprio caçador acaba sumindo em meio a um redemoinho que traga tudo e a todos a sua volta. Um século mais tarde (lembrando que o filme é de 1987), o príncipe das trevas volta à vida desejando recuperar um antigo amuleto mágico, o mesmo que foi usado no ritual para destruí-lo, e ressuscita o Frankenstein (Tom Noonan), a Múmia (Michael Reid Mackay), o Lobisomem (Carl Thibault) e o Monstro da Lagoa Negra (Tom Woodruff) para ajudá-lo nessa tarefa que tem prazo certo para acabar, caso contrário, todos eles voltariam para o limbo de onde saíram.

domingo, 5 de julho de 2015

BEARY E OS URSOS CAIPIRAS

Nota 2,5 Inspirado em atração da Disneylândia, longa é frágil, datado e carece de humor

O cinema usa os mais diferentes tipos de inspiração, desde uma simples palavra, passando por quadrinhos e videogames, até adaptações de livros gigantescos ou fatos da vida real. Poderia a atração de um parque temático também gerar um filme? Bem, a franquia Piratas do Caribe provou que isso é possível, ou seria apenas um golpe de sorte? Cerca de um ano antes da Disney lançar a primeira aventura do pirata Jack Sparrow o estúdio investiu em Beary e os Ursos Caipiras, transposição para as telonas de um famoso show exibido na Disneylândia, O “Country Bear Jamboree”. Embora até então esse musical fosse conhecido apenas por turistas, a empresa acreditava no carisma dos personagens e deu liberdade ao roteirista Mark Perez para criar livremente em cima da restrita apresentação de bonecos mecânicos que desde 1972 encanta e diverte crianças e também aos adultos que inevitavelmente deixam aflorar o espírito infantil quando visitam o parque. A trama narra a odisseia de Beary, um ursinho de dez anos de idade que fora adotado e criado como um filho pelo Sr. e pela Sra. Barrington (Stephen Tobolowsky e Meagen Fay), um casal caridoso que não sabe direito como lidar com a fase pré-adolescente dele, embora também sejam pais de um garoto um pouco mais velho, o impertinente Dex (Eli Marienthal), que com inveja dos paparicos ao irmão resolve lhe contar a verdade sobre suas origens. Sim, em um mundo onde humanos e ursos convivem harmoniosamente jamais passou pela cabeça do menino peludo e fofinho que ele seria diferente dos demais membros da família, mas agora que sabe sobre a adoção decide tomar coragem e sair de casa para conhecer suas raízes. Partindo para uma região interiorana, Beary encontra a banda “The Country Bears”, ou melhor, conhece seus integrantes em um momento ruim. Sucesso na década de 1970, o grupo acabou se separando por conta de intrigas e carreiras mal administradas. Contudo, a casa de shows onde costumavam se apresentar está em dificuldades financeiras e prestes a fechar as portas, mas o ursinho, como grande fã do grupo, os incentiva a se reunirem novamente a fim de realizarem uma apresentação beneficente para reativar o local onde acredita que seria mais feliz convivendo com outros de sua espécie. Paralelo a isso, os policiais Cheets (Diedrich Bader) e Hamm (Daryl Mitchell) iniciam uma atrapalhada (e sem graça) investigação para tentar achar Beary.

sábado, 4 de julho de 2015

O CAIXÃO

Nota 2,0 Bom argumento é desperdiçado em suspense fraco que flerta levemente com o drama

Muitas pessoas relatam que em momentos de profunda tristeza já chegaram a sonhar com o próprio funeral e considerem isso um mal sinal, porém, há quem acredite que deitar em caixões é a solução para gravíssimos problemas de saúde, seja do corpo ou da alma. Esse é mote do suspense O Caixão, mas cujo argumento interessantíssimo é desenvolvido de forma vagarosa e sem grandes momentos apoiando-se nos clichês já conhecidos do horror oriental. A Tailândia é berço de pequenas produções de terror e suspense que ganharam projeção internacional, como Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado, e a julgar pela introdução o diretor e roteirista Ekachai Uekrongtham prometia superar expectativas com este trabalho. Sua câmera capta com maestria uma cena impressionante. Uma jovem em close relata que está o mais próximo possível da morte deitada em seu caixão e vivenciando seu próprio funeral ainda em vida. A câmera recua e percebemos que ela está deitada em uma das centenas de urnas funerárias que circundam uma gigantesca estátua de uma venerada entidade da cultura tailandesa. Os participantes do ritual em massa acreditam que dessa forma conseguem enganar a morte e fugir da má sorte. O professor Thanachai (Michael Pupart) estuda há anos vários casos de pessoas que afirmam que se livraram de graves problemas de saúde ou de acidentes após passarem um tempo repousando dentro de caixões, mas se elas conseguem prolongar suas vidas estranhamente algo de ruim acontece a pessoas próximas a elas. Essa espécie de maldição vai tirar o sossego de Su (Karen Mok) e Chris (Ananda Everingham) dois estranhos que tiveram suas vidas cruzadas inesperadamente por notícias ruins. A garota foi diagnosticada com câncer no pulmão enquanto o rapaz poucos dias antes do casamento recebeu a notícia de que sua noiva entrou em coma de uma hora para a outra.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

PÂNICO

NOTA 9,0

Basicamente requentando clichês
do gênero, longa surpreende com seu
ritmo, diálogos e interpretações críveis,
mas conclusão poderia ser mais enxuta
Qual o seu filme de terror favorito? A partir desta simples pergunta e tão comum entre adolescentes quando estão na fase de se reunir com amigos para zoar curtindo alguns sustos é que surgiu um dos maiores fenômenos do gênero, Pânico, um marco que revitalizou o combalido mundo dos seriais killers que de tão indestrutíveis começaram a virar sinônimo de comédia. Alguém lembrou do asqueroso Freddy Krueger? Por uma feliz coincidência ou golpe de gênio mesmo, Wes Craven, o cineasta que na década de 1980 marcou seu nome na História do cinema e tirou o sono de muita gente com A Hora do Pesadelo, voltava uma década mais tarde a fazer o público berrar e roer as unhas. Desde que lançou seu assassino de garras afiadas, pele queimada e um inconfundível figurino uma série de outras produções semelhantes surgiram, inclusive muitas feitas especialmente para lançamento em vídeo aproveitando o boom das videolocadoras. Com o cenário inflado de filmes idênticos a saturação seria inevitável. Eis que Craven decidiu sacudir as coisas simplesmente requentando a velha fórmula do grupo de jovens formado por atores praticamente desconhecidos fugindo de um sádico assassino, mas a forma de apresentar isso a um novo público foi diferenciada. A trama tem como atrativo um serial killer fanático por filmes de terror que está aterrorizando uma pacata cidade do interior da Califórnia assassinando brutalmente adolescentes. O vilão da história não é um ser invencível, mas sim uma pessoa comum com algum tipo de transtorno psicológico, mas ainda assim mais inteligente que boa parte de seus alvos. Sua tática de ataque é um tanto curiosa. Primeiramente, ele telefona para sua vítima e a envolve em uma espécie de brincadeira envolvendo perguntas a respeito do cinema de horror. Quem atende desconfia que isso é um trote de algum amigo e embarca na conversa, porém, tudo fica assustador quando se erra alguma resposta. Imediatamente, uma pessoa usando uma máscara de fantasma e roupas pretas invade a casa da pessoa e a mata com generosos golpes de faca.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

CONFIA EM MIM

NOTA 3,0

Apesar da parte técnica correta
até demais, longa derrapa na
narrativa clichê e sem novidades
que engessa seus protagonistas
Para cumprir a cota de exibição de filmes nacionais os cinemas passaram a aceitar produções amadoras? Em uma primeira apreciação é essa sensação que nos deixa Confia em Mim, longa que na época de seu lançamento foi amparado por uma propaganda maciça na televisão, local que, diga-se de passagem, o projeto se enquadra bem melhor simplesmente porque parece um compacto de uma novela. Bem, a estreia do diretor Michel Tikhomiroff não é necessariamente de qualidade duvidosa, pelo contrário, técnica e esteticamente cumpre suas funções além do necessário, mas seus problemas vão desde as atuações estereotipadas, passando pelo roteiro atropelado até chegar na direção inconsistente, ou seja, a produção é falha em seus pilares de sustentação. Não há tempo suficiente para amadurecer situações e personagens e tudo é muito previsível desde a introdução que tenta vender ao espectador a ideia de uma açucarada comédia romântica. A jovem Mari (Fernanda Machado) é subchefe de um restaurante de médio porte, mas parece frustrada profissionalmente, sempre tendo suas ideias rejeitadas pelo patrão Edgar (Fábio Herford), e também não mantém um bom relacionamento com Beatriz (Clarissa Abujanra), sua mãe que ao que tudo indica é milionária. Todavia, seus problemas aparentemente são solucionados em um passe de mágica ao conhecer o simpático Caio (Mateus Solano) durante uma degustação de vinhos. O rapaz demonstra ter se apaixonado por ela à primeira vista e seus sentimentos são correspondidos logo no primeiro encontro. O romance caminha a passos largos, com direito a planos de dividirem o mesmo teto, mas o caldo entorna quando a garota é incentivada pelo namorado a abrir seu próprio restaurante e ele, com toda pose de empresário de sucesso, iria ajuda-la com a parte burocrática e administrativa. Caio deveria acertar os detalhes da aquisição de um imóvel, mas acaba sumindo com as economias da companheira, ou melhor, com o dinheiro que ela conseguiu de empréstimo da mãe. Sempre muito pacata e ingênua, Mari agora não tem apenas uma dívida financeira a honrar, mas também um acerto de contas consigo mesma, algo que só irá conseguir colocando seu grande amor atrás das grades. Em quantas madrugadas de insônia você já encontrou um filmeco do tipo tapando buraco na TV para lhe fazer companhia?

quarta-feira, 1 de julho de 2015

MULAN (1998)

NOTA 10,0

Arriscando-se com trama mais
madura e cheia de mensagens,
Disney consegue uma animação
madura, mas sem perder a doçura
Nas primeiras décadas de existência da Disney, suas princesas e heroínas eram jovens doces, meigas e que viviam sonhando com um príncipe com quem viveriam felizes para sempre, como a percursora Branca de Neve. A ingenuidade das moças também era característica dos rapazes quando protagonistas dos contos, como no caso do boneco de madeira Pinóquio, e até animais como Bambi resgatavam tal pureza nas telas. Os anos passaram, o criador do estúdio faleceu, a crise assolou os profissionais que tentavam dar continuidade a sua obra e histórias água-com-açúcar já não conquistavam nem mesmo as crianças. Quando buscaram inspiração em contos com mais dramaticidade, como A Pequena Sereia, embora floreando um pouco as coisas, a Disney conseguiu se reerguer e tomar coragem para projetos mais ousados. As personagens femininas outrora recatadas e submissas passaram a demonstrar coragem e independência chegando ao ápice com a protagonista de Mulan, longa baseado em um antigo e milenar poema chinês. Roteirizado a dez mãos por Rita Hsiao, Chris Sanders, Philip LaZebnik, Raymond Singer e Eugenia Bostwick-Singer, a trama começa de forma impactante. Os hunos estão invadindo a China liderados pelo inescrupuloso Shan-Yu ofendidos com a construção da Grande Muralha. Para enfrentar os invasores, o Imperador ordena que cada família deve ceder um homem para se juntar ao exército, mas antes disso somos apresentados à Mulan que está às voltas com os preparativos para aquele que deveria ser o grande momento da sua vida, o dia em que seria avaliada por uma casamenteira que lhe arranjaria um bom marido e assim traria honra à sua família conhecida por venerar tradições. No entanto, a jovem não nasceu para ser uma dona-de-casa submissa. De espírito naturalmente livre, ela é alegre, corajosa e inteligente e seu compreensivo pai a respeita e a ama do jeito que ela é. O amor entre eles é tão grande que ela não pensa duas vezes quando sabe da convocação imperial. Como seu pai é o único homem do clã, mas já está com idade e debilitado por um problema em uma das pernas, a jovem decide assumir seu lugar na batalha e defender a honra de seus familiares para que esqueçam a vergonha de ter sido rejeitada para o casamento.

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