domingo, 5 de julho de 2015

BEARY E OS URSOS CAIPIRAS

Nota 2,5 Inspirado em atração da Disneylândia, longa é frágil, datado e carece de humor

O cinema usa os mais diferentes tipos de inspiração, desde uma simples palavra, passando por quadrinhos e videogames, até adaptações de livros gigantescos ou fatos da vida real. Poderia a atração de um parque temático também gerar um filme? Bem, a franquia Piratas do Caribe provou que isso é possível, ou seria apenas um golpe de sorte? Cerca de um ano antes da Disney lançar a primeira aventura do pirata Jack Sparrow o estúdio investiu em Beary e os Ursos Caipiras, transposição para as telonas de um famoso show exibido na Disneylândia, O “Country Bear Jamboree”. Embora até então esse musical fosse conhecido apenas por turistas, a empresa acreditava no carisma dos personagens e deu liberdade ao roteirista Mark Perez para criar livremente em cima da restrita apresentação de bonecos mecânicos que desde 1972 encanta e diverte crianças e também aos adultos que inevitavelmente deixam aflorar o espírito infantil quando visitam o parque. A trama narra a odisseia de Beary, um ursinho de dez anos de idade que fora adotado e criado como um filho pelo Sr. e pela Sra. Barrington (Stephen Tobolowsky e Meagen Fay), um casal caridoso que não sabe direito como lidar com a fase pré-adolescente dele, embora também sejam pais de um garoto um pouco mais velho, o impertinente Dex (Eli Marienthal), que com inveja dos paparicos ao irmão resolve lhe contar a verdade sobre suas origens. Sim, em um mundo onde humanos e ursos convivem harmoniosamente jamais passou pela cabeça do menino peludo e fofinho que ele seria diferente dos demais membros da família, mas agora que sabe sobre a adoção decide tomar coragem e sair de casa para conhecer suas raízes. Partindo para uma região interiorana, Beary encontra a banda “The Country Bears”, ou melhor, conhece seus integrantes em um momento ruim. Sucesso na década de 1970, o grupo acabou se separando por conta de intrigas e carreiras mal administradas. Contudo, a casa de shows onde costumavam se apresentar está em dificuldades financeiras e prestes a fechar as portas, mas o ursinho, como grande fã do grupo, os incentiva a se reunirem novamente a fim de realizarem uma apresentação beneficente para reativar o local onde acredita que seria mais feliz convivendo com outros de sua espécie. Paralelo a isso, os policiais Cheets (Diedrich Bader) e Hamm (Daryl Mitchell) iniciam uma atrapalhada (e sem graça) investigação para tentar achar Beary.

Nos créditos finais várias personalidades do mundo da música prestam depoimentos resgatando memórias sobre a época do auge dos Ursos Caipiras, assim como alguns artistas, a exemplo de Elton John, fazem participações especiais como eles mesmos para engrossar a cantoria e ajudar a rechear o pouco tempo de arte. Essa foi a solução encontrada pelo diretor Peter Hastings para tornar seu projeto de estreia viável já que o roteiro em si é um tanto frágil e destinado a uma pequena parcela de público, literalmente. Ursos mecanizados com movimentos restritos faciais e corporais podem até dar certo como atração na Disneylândia, tomados do espírito de fantasia qualquer bobagem se torna um momento especial, mas para sustentar um filme não. A opção por colocar em cena atores vestidos de ursos, diga-se de passagem, boas caracterizações, não ajuda a dar muita credibilidade à produção que inevitavelmente parece datada, principalmente por ter sido lançada em uma época em que efeitos tecnológicos estavam em alta e se tornavam mais importantes que uma boa história na hora da escolha do público. Contudo, como já dito, nem mesmo uma trama razoável temos aqui. Já é de se esperar as lições de moral de tolerância, respeito e amor ao próximo costumeiras dos filmes da Disney, mas o enredo raso é um mero pretexto para pontas de astros da música norte-americana e o que deveria ser uma atração à parte (aos adultos) acaba não surtindo efeito para quem não é conhecedor da cultura ianque. Reconhecemos no máximo Queen Latifah e pensamos o quanto é constrangedor sua participação falando sobre a importância do grupo de ursos para o cenário musical. Mais triste ainda é ver o talentoso e oscarizado Christopher Walken na pele de Reed Thimple, um banqueiro inescrupuloso e vingativo. Tipos malvados caem como uma luva para o ator de feições peculiares, mas nos deixa ruborizado ver o que o obrigam a fazer, como simular flatulências usando as axilas. Tem graça isso? Beary e os Ursos Caipiras poderia investir mais na brincadeira de transformar animais conhecidos pela ferocidade em criaturas dóceis e pacíficas e suas relações com os humanos em um cotidiano fantasioso, mas o resultado final mais parece um daqueles filmecos feitos para rechear o canal da Disney, uma desculpa para reunir a família em uma tarde de ócio e esquecer rapidamente.

Infantil - 88 min - 2002

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