sábado, 4 de julho de 2015

O CAIXÃO

Nota 2,0 Bom argumento é desperdiçado em suspense fraco que flerta levemente com o drama

Muitas pessoas relatam que em momentos de profunda tristeza já chegaram a sonhar com o próprio funeral e considerem isso um mal sinal, porém, há quem acredite que deitar em caixões é a solução para gravíssimos problemas de saúde, seja do corpo ou da alma. Esse é mote do suspense O Caixão, mas cujo argumento interessantíssimo é desenvolvido de forma vagarosa e sem grandes momentos apoiando-se nos clichês já conhecidos do horror oriental. A Tailândia é berço de pequenas produções de terror e suspense que ganharam projeção internacional, como Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado, e a julgar pela introdução o diretor e roteirista Ekachai Uekrongtham prometia superar expectativas com este trabalho. Sua câmera capta com maestria uma cena impressionante. Uma jovem em close relata que está o mais próximo possível da morte deitada em seu caixão e vivenciando seu próprio funeral ainda em vida. A câmera recua e percebemos que ela está deitada em uma das centenas de urnas funerárias que circundam uma gigantesca estátua de uma venerada entidade da cultura tailandesa. Os participantes do ritual em massa acreditam que dessa forma conseguem enganar a morte e fugir da má sorte. O professor Thanachai (Michael Pupart) estuda há anos vários casos de pessoas que afirmam que se livraram de graves problemas de saúde ou de acidentes após passarem um tempo repousando dentro de caixões, mas se elas conseguem prolongar suas vidas estranhamente algo de ruim acontece a pessoas próximas a elas. Essa espécie de maldição vai tirar o sossego de Su (Karen Mok) e Chris (Ananda Everingham) dois estranhos que tiveram suas vidas cruzadas inesperadamente por notícias ruins. A garota foi diagnosticada com câncer no pulmão enquanto o rapaz poucos dias antes do casamento recebeu a notícia de que sua noiva entrou em coma de uma hora para a outra.

Os jovens decidem participar do ritual tailandês para afastar a má sorte de suas vidas e de fato veem resultados, mas a boa fase dura pouco. Logo a dupla ou pessoas próximas passam a ser vítimas de uma série de acontecimentos sobrenaturais ou até mesmo fatais que sugerem que o equilíbrio dos seus universos cármicos foi alterado, assim como aconteceu nos casos estudados por Thanachai a quem Su e Chris pedem ajuda. Descartando a tentação de explorar a fobia de ser enterrado vivo, algo já clichê, O Caixão tem um ponto de partida bastante intrigante, mas parece que o diretor apenas pegou uma ideia no ar e não se aprofundou para saber suas origens, mistérios e possíveis estudos de casos. Na ânsia de fazer algo original e que fugisse dos fantasmas de garotas com cabelos escorridos, ainda que não tenha conseguido totalmente, Uekrongtham constrói uma história sem ritmo e que não assusta. Traz apenas umas duas cenas de sustos e nada mais. Se reclamamos normalmente das portas que se fecham sozinhas, ruídos estranhos e trilha sonora estridente que sinaliza momentos de perigos, neste caso tais chavões fazem falta. O filme segue em tom de drama, um flerte com o cinema alternativo reforçado pela conclusão que tenta adicionar poesia visual e conceitual sobre vida e morte talvez para tentar apagar a má impressão que o longa deixa. O título mórbido vende gato por lebre ao espectador que com razão tende a se injuriar. A integração entre os protagonistas também demora a acontecer e como de costume em produções orientais os rostos muito parecidos confundem o espectador que não cria laços com os personagens, principalmente por causa das fracas atuações de seus intérpretes. Su e Chris vão se apaixonar? Irão morrer? Voltar a participar do ritual colocaria suas vidas nos eixos? Pouco importa a quem assiste. Apesar da curta duração, parece que a produção se arrasta além do necessário e só deixa o gostinho da curiosidade em descobrir mais sobre esse lado sombrio da cultura tailandesa. Para tanto que tal o Google?

Suspense - 86 min - 2008

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