sexta-feira, 3 de julho de 2015

PÂNICO

NOTA 9,0

Basicamente requentando clichês
do gênero, longa surpreende com seu
ritmo, diálogos e interpretações críveis,
mas conclusão poderia ser mais enxuta
Qual o seu filme de terror favorito? A partir desta simples pergunta e tão comum entre adolescentes quando estão na fase de se reunir com amigos para zoar curtindo alguns sustos é que surgiu um dos maiores fenômenos do gênero, Pânico, um marco que revitalizou o combalido mundo dos seriais killers que de tão indestrutíveis começaram a virar sinônimo de comédia. Alguém lembrou do asqueroso Freddy Krueger? Por uma feliz coincidência ou golpe de gênio mesmo, Wes Craven, o cineasta que na década de 1980 marcou seu nome na História do cinema e tirou o sono de muita gente com A Hora do Pesadelo, voltava uma década mais tarde a fazer o público berrar e roer as unhas. Desde que lançou seu assassino de garras afiadas, pele queimada e um inconfundível figurino uma série de outras produções semelhantes surgiram, inclusive muitas feitas especialmente para lançamento em vídeo aproveitando o boom das videolocadoras. Com o cenário inflado de filmes idênticos a saturação seria inevitável. Eis que Craven decidiu sacudir as coisas simplesmente requentando a velha fórmula do grupo de jovens formado por atores praticamente desconhecidos fugindo de um sádico assassino, mas a forma de apresentar isso a um novo público foi diferenciada. A trama tem como atrativo um serial killer fanático por filmes de terror que está aterrorizando uma pacata cidade do interior da Califórnia assassinando brutalmente adolescentes. O vilão da história não é um ser invencível, mas sim uma pessoa comum com algum tipo de transtorno psicológico, mas ainda assim mais inteligente que boa parte de seus alvos. Sua tática de ataque é um tanto curiosa. Primeiramente, ele telefona para sua vítima e a envolve em uma espécie de brincadeira envolvendo perguntas a respeito do cinema de horror. Quem atende desconfia que isso é um trote de algum amigo e embarca na conversa, porém, tudo fica assustador quando se erra alguma resposta. Imediatamente, uma pessoa usando uma máscara de fantasma e roupas pretas invade a casa da pessoa e a mata com generosos golpes de faca.

Em uma dessas tentativas, Sidney Prescott (Neve Cambell) tem sorte e consegue sobreviver, mas a partir deste momento sua vida se transforma em um verdadeiro inferno. O maníaco passa a persegui-la incansavelmente e não adiantou nem mesmo a moça ter mudado de cidade. Aos poucos, os amigos e conhecidos dela passam a falecer de maneiras brutais, assim como a mãe da garota que foi morta algum tempo antes desses novos episódios. Ao longo do filme são várias as sequências de carnificina, todas bem elaboradas e repletas de suspense, mas isso não impede o assassino de vitimar sem muita enrolação qualquer um que passe na sua frente usando e abusando das mais variadas técnicas de tortura, mas sempre sua fiel faca está por perto para o golpe de misericórdia. Brincando desvairadamente com a pressão do espectador, Craven faz um irresistível jogo de gato e rato e por diversas vezes aplica sustos falsos só para manter a adrenalina lá em cima, mas fugindo da previsibilidade na maior parte do tempo. Com suas trucagens, quando menos se espera, alguém pode subir para o andar de cima. São várias as cenas que merecem destaque, mas sem dúvida o prólogo deve constar na lista dos melhores de todos os tempos. Nele somos apresentados praticamente a tudo que precisamos saber para acompanhar o longa e já é possível suar frio de tanta tensão ao mesmo tempo que é impossível deixar de reconhecer a engenhosidade de transformar um argumento tão simples em uma aula de cinema de horror. De quebra, a introdução traz a atriz Drew Barrymore fazendo suas pazes com o cinema após anos perdidos com vícios em drogas. Curiosamente, ela era um chamariz para o público e se tornava uma incógnita. Se ela morre logo no início, o que esperar do restante? É eminente que o imprevisível poderia acontecer, mas ficava a dúvida se o saldo seria positivo ou negativo. A primeira opção sem dúvida prevaleceu, ainda que para o filme ser perfeito o último ato poderia ser mais enxuto e com explicações mais diretas. Geralmente este tipo de produção é malhada pela crítica, mas neste caso ela foi bastante generosa oferecendo muitos elogios rasgados. Realmente, após um período longo e pobre ao gênero, com minguadas bilheterias e um ou outro título relevante, Craven chegou para abalar as estruturas. Inicialmente apenas mais um filminho para entreter adolescentes, a produção surpreendeu em todo o mundo.

Caindo no gosto do público alvo instantaneamente, é óbvio que a fita gerou continuações e filhotes não tardariam a chegar. Certamente foi a produção responsável pelo movimento cinematográfico conhecido como terror teen que gerou nos anos seguintes sucessos como Lenda Urbana e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado e até outros países sem tradição no gênero entraram na onda dos seriais killers. Na década de 2000, inevitavelmente, esse estilo caiu em desuso com a repetição da fórmula e ascensão das refilmagens de fitas de horror orientais, porém, produtos semelhantes continuam sendo lançados para alimentar o consumo doméstico, como os canais de TV paga e os serviços de streaming, mas a repercussão é infinitamente menor. Não é por acaso que Pânico teve o mérito de dois anos depois de seu lançamento estar em uma conceituada lista dos 500 melhores filmes de todos os tempos e até hoje o título marca presença em algumas listagens do tipo, um espaço raríssimo para produtos do horror. Desde a concepção da ideia, passando pelo roteiro e diálogos, do início ao fim esta produção é triunfal. A história com pitadas de humor negro foi desenvolvida por Kevin Williamson, nome que passou a ser disputadíssimo por diversas produtoras, principalmente as especializadas em produções de horror e suspense. Ele foi responsável não só pelas eletrizantes sequências de perseguição e tortura, com direito a muito sangue sem escamoteações, o que levou a obra a ser mutilada em diversos países, mas também por desenvolver de maneira crível os personagens. Além de Neve Campbell, o casal David Arquette e Courtney Cox brilhou respectivamente como Dewey, um policial não muito astuto, e Gale, uma jornalista sem escrúpulos. O trio se destacou tanto que ficou com a imagem irremediavelmente ligada ao longa. Projeção bem-vinda na época, hoje eles sofrem com a escassez de convites para atuar no cinema. Por outro lado, a contabilidade da franquia é gigantesca e deve bancá-los ainda por um bom tempo. Estima-se chegar a uma fortuna de vários milhões somando os lucros mundiais de cinema, venda para TV paga, aberta, DVD e serviços de download. Em 2000, a trilogia seria fechada com um filme que causava sustos, mas no fundo tirava sarro da obra original. Dirigida também por Craven, na época ele afirmava que não revisitaria mais essa história, porém, em 2011 o quarto episódio foi lançado. Com a morte do cineasta, melhor mesmo que a franquia tenha acabado. Qualquer aventureiro em busca de lucros fáceis poderia arruinar uma quadrilogia com seus altos e baixos, mas cujo primeiro capítulo suplanta qualquer problema dos demais.

Terror - 110 min - 1996 

-->
PÂNICO - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Um comentário:

Vetor Polessi disse...

Pânico teve uma grande importância para o gênero terror nos anos 90,onde o gênero Slasher estava perdendo espaço,ele conseguiu inserir uma metalinguagem inteligente,uma paródia sem perder a seriedade,criou um ícone do horror,o Ghostface e uma trilha sonora tensa,é um filme extremamente tenso e criativo,pânico deu um novo ar ao gênero e se tornou um clássico e uma referência ao gênero terror.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...