quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O ARTISTA

NOTA 9,0

De origem francesa, preto e branco
e sem um único diálogo sequer, obra
que homenageia o cinema agrada por sua
ousadia e ao mesmo tempo simplicidade
É curioso, mas em plena época em que muitos cineastas, produtores e estúdios passaram a investir pesado em histórias mirabolantes ou tecnologias de ponta e efeitos 3D para atrair o público de volta às salas de cinema ou até mesmo para injetar algo a mais na campanha publicitária de produções deficientes, muita gente do meio cinematográfico se uniu ao coro de críticos do mundo todo para exaltar O Artista, uma surpreendente obra com tom nostálgico que teria tudo para ser pisoteada por onde passasse. Isso na base do preconceito é bom deixar claro. Só vendo para crer no que este trabalho significa, principalmente para os dias atuais em que a arte cinematográfica está tão debilitada e requentada. Filmado em preto e branco, de origem francesa e sem um único diálogo durante toda sua duração, parece até que estamos falando de um daqueles filmes clássicos que vez ou outra são restaurados para serem relançados em cinematecas e salas alternativas, mas o trabalho originalíssimo do cineasta Michel Hazanavicius conseguiu preencher até mesmo as salas multiplex dos shoppings centers. Claro que isso graças às dezenas de premiações que recebeu. De todos os festivais e eventos dos quais participou a obra saiu ao menos com um troféu de lembrança, tendo sua apoteótica consagração no Oscar 2012 que curiosamente não lhe reservou uma das vagas para Melhor Filme Estrangeiro, mas cedeu à obra nada menos que dez indicações das quais cinco transformaram-se em estatuetas douradas, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Apesar de sua origem francesa, o longa é praticamente uma homenagem à Hollywood dos primórdios do cinema, entre as décadas de 1920 e 1930, um tempo em que uma imagem literalmente valia mais que mil palavras. Hazanavicius arquitetou seu trabalho com muito cuidado para fazer o espectador se sentir feliz ao final da projeção e sonhando com um mundo idílico, uma época que infelizmente não volta mais. Apesar do caráter onírico, o enredo enfoca fatos reais e muito importantes tanto para a História da sétima arte quanto para compreendermos a modernização do mundo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A ÁRVORE DA VIDA

NOTA 9,0

Um dos filmes mais originais
dos últimos tempos só não ganha
nota máxima por inevitavelmente ser
uma obra para público específico
Filmes que participam ou vencem festivais já chegam aos cinemas com uma bela propaganda e com um público cheio de expectativas. Quando há um elenco e diretor de peso e o apoio da mídia, principalmente da internet, a ansiedade pelo que está por vir é ainda maior. Tal movimento de divulgação em massa ocorreu, por exemplo, com Melancolia, de Lars von Trier, que muito antes de estrear já chamava a atenção, até por conta das declarações polêmicas do diretor que na ocasião tornou-se pessoa não grata no Festival de Cannes que antes o recebia de braços aberto. O fato é que ter bastante publicidade de forma alguma serve como termômetro para avaliar se um filme é bom ou ruim e nessas muita gente acaba se decepcionando com o que assiste impulsionadas pelo pensamento de que precisa estar por dentro do que está sendo comentado. É ótimo que exista essa vontade de participar de alguma discussão, mas é preciso estar preparado para saber separar o gosto pessoal do coletivo. No caso de A Árvore da Vida também é preciso saber distinguir o que é um cinema de puro entretenimento e o que é uma produção voltada ao conceito de arte. O longa ganhou projeção pelas indicações e prêmios que conquistou e logo virou objeto de análises de blogs e sites que fomentaram sua publicidade, mas só pelo seu poético título já era de se esperar que é uma obra que prioriza sentimentos e contemplação, ainda mais quando descobrimos que leva a assinatura do diretor e roteirista Terrence Malick. Na época completando 38 anos de carreira, ele contabilizada apenas cinco longas em seu currículo, mas a pouca produtividade em nada arranha a fama do cineasta, pelo contrário, curiosamente só soma, sendo que seus filmes surgem com uma aura diferenciada. Após o pouco visto O Novo Mundo, drama épico que conta a história da índia Pocahontas sob uma ótica mais adulta, ele voltava aos holofotes para tratar da relação entre pai e filho de uma família comum propondo uma interessante analogia com o surgimento do universo até o fim dos tempos. Dessa forma, o diretor narra uma grande viagem pela evolução da vida e tenta desvendar seus mistérios ao mesmo tempo em que liga esses temas ao viés familiar mostrando os efeitos da natureza e da fé sobre um grupo de pessoas. Chegaram a tentar rotular o filme como produção de cunho religioso, mas na verdade não existe defesa de dogmas de qualquer tipo de crença. O objetivo é levar à reflexão sobre os caminhos da vida que é feita de momentos de alegria e tristeza em proporções semelhantes, além de ser influenciada pelos rumos da natureza e do próprio ser humano.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

NOTA 9,0

Drama mostra lado pouco
esplendoroso da Índia através da
história de rapaz de origem humilde
que literalmente vence na vida
Entra ano e sai ano e muita gente continua com suas simpatias e rituais em busca de ajuda para conseguir uma vida financeira confortável. Bem, já que a maioria tem esse desejo, a dica é fechar o ano assistindo Quem Quer Ser Um Milionário?, elogiada e premiada produção americana que mostrou ao mundo uma Índia realista, pobre, repleta de problemas, mas ainda assim com uma população esperançosa. A sugestão não é só pelo fato de ter dinheiro envolvido na história, mas principalmente pela mensagem de otimismo e reflexiva que o filme nos deixa. A câmera do eclético diretor Danny Boyle apresenta o cotidiano do povão que por coincidência não difere muito da realidade das áreas menos favorecidas brasileiras. Até mais interessante que o próprio filme em si é a sua trajetória desde a concepção até o clímax, a festa do Oscar. Um diretor que já trabalhou com a juventude rebelde, lidou com zumbis, frequentou uma ilha aparentemente deserta e se aventurou pela ficção científica em uma época em que o gênero estava praticamente sepultado, só prova que ele não tem medo de experimentar, testar novos temas e ambientações. Por isso não é para se estranhar a sua audácia de voltar suas atenções para um país pouco conhecido e procurar o que havia de mais comum e pobre por lá. O que é espantoso mesmo é a recepção acalorada do público e crítica americana a uma obra com diversos diálogos em língua estrangeira, o hindu, o idioma oficial da índia, o que exige o uso de legendas, coisa que os ianques detestam. E o fenômeno não foi só por lá. Com uma mensagem universal, o longa fez uma carreira brilhante por onde passou e conquistou quase todos os prêmios disponíveis da temporada. O único senão é que o elenco foi esnobado nessas festas, algo já esperado por serem desconhecidos até então e pela origem indiana (foram selecionados entre os populares e aprenderam a atuar “pegando no batente”). Curiosamente, na própria Índia houve rejeição a este trabalho, muito porque condenaram a opção de explorar o universo de favela, mas se a história exige tal cenário não se pode fazer nada. Se a ambientação causa incômodo por expor mazelas sociais, o cinema nada mais fez que mostrar a realidade. Queixas devem ser direcionadas a governantes e afins para mudar esse quadro. O realismo da obra se deve muito ao auxílio do dramaturgo e cineasta indiano Loveleen Tandan, contratado para ceder uma minuciosa pesquisa sobre seu país, mas cuja importância foi tanta que acabou recebendo o crédito de co-diretor.

domingo, 27 de dezembro de 2015

KATE E LEOPOLD

Nota 6,0 Carisma dos protagonistas ajuda a manter interesse por comédia romântica fantasiosa

Meg Ryan tem uma trajetória profissional mais ou menos como a de Julia Roberts. Seu terreno seguro é o gênero romântico e seus filmes já tem público cativo, talvez por isso elas tenham se tornado símbolo do cinema lucrativo da década de 1990, mas ambas hoje em dia já não estão no mesmo patamar de outrora. A diferença é que a loira de olhos claros não conseguiu transitar bem por outros estilos de filmes e acabou criando raízes em um mesmo, motivo que talvez explique o porquê de sua presença nas telas nos últimos anos ser quase nula. Chegam novas safras de atrizes para ocupar sua vaga e ela sofre com a escassez de bons papéis para mulheres maduras. Todavia, mesmo repetindo um personagem que ela praticamente passou a vida toda interpretando, em Kate e Leopold a balzaquiana prova mais uma vez que faz bem aquilo a que se propõe. Ela dá vida a Kate, uma bela e bem-sucedida executiva do mundo da publicidade que vive brigando com seu ex-namorado Stuart (Liev Schreiber). Eles vivem no mesmo prédio e ela implica com as loucuras do rapaz que se dedica a pesquisas científicas. Um dia, ele descobre um portal que acaba acidentalmente transportando de uma época antiga para os tempos contemporâneos Leopold (Hugh Jackman), um nobre do século 19. Sem saber como mandá-lo de volta para o passado e enfrentando alguns problemas pessoais, Stuart abriga em seu apartamento o rapaz que precisa enfrentar as mudanças radicais existentes entre a época que vivia e a que passou a habitar de uma hora para a outra. Kate inicialmente evita contato com Leopold por achar que ele está fazendo algum tipo de brincadeira já que ele se comporta, fala e se veste estranhamente, mas logo ela passa a se sentir atraída pelo seu jeito gentil e romântico. Um homem do tipo é artigo raro e ela obviamente não poderia deixar passar a chance de literalmente ter um príncipe ao seu lado.

sábado, 26 de dezembro de 2015

A ÚLTIMA PROFECIA

Nota 4,0 Apesar do clima soturno, fita não decola com história arrastada e sem sustos

Embora sabemos que o aviso de baseado em fatos reais geralmente acompanha a publicidade dos filmes mais como um elemento caça-níquel, não é raro nos interessarmos por produções do tipo. Naturalmente elas trabalham em nossas mentes um elemento: a curiosidade. Todos os gêneros lançam mão de tal recurso, mas é certo que fitas de terror e suspense se beneficiam e ainda podem se dar ao luxo de inventar a vontade, afinal sabemos que o argumento é inspirado em episódios reais, mas dificilmente sabemos até que ponto o que vemos na tela de fato aconteceu. Algumas produções também podem esbarrar em temáticas muito regionais, o que impede a repercussão fora de seu país de origem. Bem, no caso de A Última Profecia nem mesmo os americanos deram bola para este suspense arrastado e confuso que não assusta, não envolve emocionalmente e tampouco desperta curiosidade. A fita tem como base a lenda do Homem-Mariposa, um vulto escuro com formas humanas, mas também dotado de um grande par de asas cujas aparições misteriosas sempre antecedem alguma tragédia. Nos EUA há diversos registros de pessoas que afirmam ter tido tal visão, mas ninguém sabe dizer se ele seria um anjo profético,  um mensageiro da morte ou até mesmo um extraterrestre. Também poderia ser delírio de indivíduos facilmente impressionáveis. Baseado em fatos reais ocorridos entre novembro de 1966 e dezembro de 1967 e narrados no livro "The Mothman Profecies" do jornalista e parapsicólogo John A. Keel, o filme acompanha o drama vivido por John Klein (Richard Gere), um jornalista que perde sua esposa Mary (Debra Messing) devido a complicações geradas por um acidente de carro. Ela estava ao volante e momentos antes de perder a direção teria tido estranhas visões que a perturbaram. Durante o período em que ficou internada, ela fazia relatos e desenhava sobre uma criatura sinistra intrigando o marido que após sua morte tenta seguir sua vida, mas o destino parece impedi-lo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

SOBREVIVENDO AO NATAL

NOTA 7,0

Como toda boa ceia de Natal,
longa conta com situações
tradicionais à produções do gênero
e ratifica mensagens de solidariedade
Todo Natal é a mesma coisa. As pessoas reclamam da correria, dos compromissos, do estresse das compras e do cansaço para os preparativos da ceia e do almoço, mas que atire a primeira pedra quem nunca parou para pensar o quanto seria chato passar esta data sozinho e ignorando tudo que envolva tal festa? Bem, há quem realmente não goste do período natalino e não tem nada que os faça mudar de ideia, mas é certo que muitos preferem esquecer qualquer imagem que lembre ao Papai Noel por causa de lembranças tristes e esse é o ponto de partida de Sobrevivendo ao Natal, comédia que reúne tradicionais elementos de filmes que comemoram a data e exaltam o espírito de solidariedade e a importância da família e amigos, mas que acabou sendo mal recepcionado pela crítica e público americano e consequentemente chegou chamuscado em outros países. A trama gira em torno de Drew Lathan (Ben Affleck), um executivo bem sucedido, mas cheio de problemas emocionais por causa de seu passado humilde e praticamente solitário. Cansado de passar o Natal sozinho ele é aconselhado a voltar à casa em que morou quando criança e assim realizar uma espécie de simpatia para recuperar sua alegria e entusiasmo a respeito da data festiva. O problema é que o tempo só parou de certa forma para o rapaz e agora a residência está ligeiramente modificada e abriga uma nova família, os Valcos. Dizem que tem coisas que o dinheiro não compra, será mesmo? Acostumado a esbanjar dinheiro com futilidades, Lathan não pensa duas vezes e logo propõe uma insólita, porém, tentadora proposta ao clã: oferece um bom dinheiro para que eles finjam serem os parentes que ele nunca teve e lhe proporcionem uma festa natalina tradicional como ele sempre sonhou. O patriarca Tom (James Gandolfini) aceita a ideia numa boa assim como sua esposa Christine (Catherine O’Hara) e seu filho Brian (Josh Zuckerman), mesmo após uma breve hesitação, mas nada que um polpudo cheque não resolvesse. Todo o acordo foi sacramentado com direito a contrato impresso e cláusulas rigidamente estipuladas, mas os Valcos não esperavam que o tal marmanjo iria mudar suas vidas enlouquecendo-os com seus devaneios de família perfeita e tradições natalinas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

P2 - SEM SAÍDA

NOTA 5,0

Suspense poderia ir além abordando
a transformação de uma pessoa diante
de situação de perigo, mas fica no clichê
apostando em sangue e claustrofobia
Quem tem que trabalhar na véspera de Natal realmente rem todos os motivos para surtar, mas se o caso é com alguém já problemático a noite feliz tem tudo para acabar em pesadelo. P2 – Sem Saída, em sua essência, aborda um tema que fica muito em evidência nessa época do ano, a solidão, mas apenas o usa como pretexto para sustentar uma história cujo objetivo é deixar o expectador sob alta tensão, sem preocupação alguma em desenvolver os personagens que, diga-se de passagem, basicamente são dois. Faltam poucas horas para a ceia natalina e a advogada workaholic Angela Bridges (Rachel Nichols) ainda está trabalhando no escritório. Quando decide encerrar seu expediente e seguir para a casa de sua irmã percebe que o prédio comercial já está totalmente vazio e o pior é que seu carro não quer pegar. Presa no segundo andar do estacionamento (para quem ainda não havia compreendido o título), ainda bem que, ou melhor dizendo, infelizmente ela descobre que está na companhia do vigilante noturno Thomas (Wes Bentley). Muito gentil ele lhe oferece ajuda sem hesitar e até a deixa usar seu gabinete para dar um telefone, mas não demora muito para ela descobrir um lobo em pele de cordeiro. O rapaz nutre uma paixão platônica por Angela e armou uma emboscada com direito a ceia romântica e tudo, mas é óbvio que as coisas não saem como ele esperava. Incialmente, o segurança esforça-se para demonstrar seu amor e ser correspondido, porém, a resistência da jovem atiça seu lado perturbado. Começa assim uma longa sessão de tortura na qual a própria Angela é intensamente agredida, mas segundo seu algoz tudo é em nome do amor.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ESTÃO TODOS BEM

NOTA 8,0

Com trama folhetinesca que
mescla estilo de cinema europeu
e independente americano, drama
conquista com temas universais 
O mundo mudou, mas o tempo não apaga o desejo dos pais em verem seus filhos bem encaminhados na vida. Por mais moderninhos que possam ser, que atire a primeira pedra o pai ou a mãe que não sonhou ao menos uma vez com um futuro brilhante para seus pimpolhos, incluindo a escolha da profissão que seguiriam? É a partir dessa ansiedade que se alicerça o drama Estão Todos Bem, versão americana do italiano Estamos Todos Bem dirigido por Giuseppe Tornatore em 1990. Com roteiro e direção de Kirk Jones, do simpático Nanny McPhee – A Babá Encantada, o longa nos apresenta a Frank Goode (Robert De Niro), um sessentão viúvo e aposentado que ocupa seus dias com tarefas domésticas como limpar a casa, cuidar do jardim e fazer compras. Aliás, sua última visita ao supermercado foi especial, pois ele comprou os ingredientes para uma refeição muito aguardada. Além do trivial, escolheu um bom vinho e até comprou uma churrasqueira, tudo para recepcionar com muito carinho seus quatro filhos para um almoço. Depois que se tornaram adultos e cada um seguiu sua vida em um lugar diferente dos EUA, há anos eles não conseguiam se reunir, mas este homem sabe que essa separação não é algo recente. Ele sempre trabalhou em uma fábrica de cabos telefônicos dedicando-se ao máximo para poder dar de tudo do bom e do melhor para sua família, mas só agora que está sozinho se deu conta que ao longo da vida dedicou pouca atenção a eles e não os viu crescer. Contudo, todo entusiasmo de Frank transforma-se em frustração quando cada um dos convidados telefona na véspera do encontro para avisar que não poderá ir mais, cada um com uma desculpa. Todos menos David, esse que nem chegou a justificar sua ausência. Só por esses minutos iniciais o longa já fisga a audiência. Os filhos estariam mesmo com problemas ou o passado da família é que os impedem de tentarem se aproximar do pai? Sejam lá quais forem os motivos, o elo com espectador já está praticamente estabelecido afinal de contas quem nunca passou por uma situação frustrante semelhante? Muitos pais que o digam, mas o amor incondicional paterno passa por cima de qualquer adversidade ou mal entendido e por isso Frank resolve fazer suas malas e viajar para visitar cada um de seus filhotes e em cada porta que bate uma surpresa o espera. Os rostos sorridentes e inocentes de suas crianças foram substituídos por feições abatidas e levemente tristes, mas custa para este senhor à moda antiga compreender que nada mais é como antes e que os planos que traçou para cada um deles não vingaram. A sensação de decepcioná-lo seria o motivo do afastamento destes jovens adultos, mas existe um agravante na situação.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ANASTASIA

NOTA 7,5

Seguindo a risca fórmulas Disney,
animação cumpre seu papel de entreter,
mas apesar da trama de cunho adulto
longa peca no quesito originalidade
Não tem jeito. Longa-metragem de animação divertido e de qualidade é sinônimo de Disney e ponto final. Durante muito tempo tal empresa conseguiu ostentar elogios do tipo, mas no final da década de 1990 outros estúdios começaram a se organizar para contra-atacar a gigante do entretenimento familiar. Após um longo e conturbado período a casa do Mickey Mouse conseguiu se reerguer com sucessos como O Rei Leão, projeto que mostrou que ousar poderia ser o segredo para se manter no topo, porém, versões infantilizadas de contos como Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame não conseguiram a repercussão esperada. Mesmo assim, outros estúdios resolveram entrar na briga pela audiência infantil e consequentemente conquistar a atenção de seus pais explorando tramas originais ou de cunho mais adulto. A Twenty Century Fox, uma das mais tradicionais companhias cinematográficas dos EUA, aproveitou um momento de descuido da concorrente que relançava no Natal de 1997 o clássico A Pequena Sereia apoiando-se na publicidade da restauração do longa e assim conseguiu espaço para Anastasia brilhar, ainda que discretamente. Animação tradicionalíssima, a fita combina todos os elementos que fizeram a fama da Disney: capricho visual, cenários e figurinos repletos de detalhes, canções que ajudam a contar a história e astros e estrelas emprestando suas vozes aos personagens, além de momentos açucarados ou de emoção escancarada. No centro das atenções uma linda princesa trata de passar a mensagem de que para ser alguém na vida é preciso ter coragem, determinação e caráter e é claro que um detestável vilão não poderia faltar para reforçar a lição de moral de que o crime não compensa. Baseada na peça teatral de Marcelle Maurette, a trama se passa na Rússia entre as décadas de 1910 e 1920 e segue os passos da infância à juventude de Anastasia, a filha do Czar Nicholas. Em dezembro de 1916, durante uma noite de festa no palácio da nobre família Romanov, uma confusão acontece devido a Revolução Russa e o maldoso feiticeiro Rasputin aproveita para se livrar de todos aqueles a quem declarou guerra. Do tradicional e poderoso clã apenas a Imperatriz Maria sobrevive ao ataque. Sua dor é maior pela perda da neta ainda criança, assim decide se mudar Paris para tentar esquecer a tragédia.

domingo, 20 de dezembro de 2015

DANÇANDO PARA A VIDA

Nota 4,0 Ancorado pela presença de Emma Watson, longa é frágil e com falhas de edição

Era uma vez um solitário senhor de idade que passou toda a sua vida dedicando-se à paleontologia, sua grande paixão, mas o solitário Matthew Brown (Richard Griffits) tem uma tardia surpresa. De uma hora para a outra se vê obrigado a aceitar em sua casa sua sobrinha Sylvia (Emilia Fox), que acabara de ficar órfã, e sua babá (Victoria Wood), mesmo que a jovem já não fosse mais nenhuma criancinha para precisar de cuidados de uma ama. A inesperada família que forma acaba por abrandar o coração do professor que surpreende ao aceitar a guarda de mais três meninas que ainda bebês são colocadas em seu caminho. Batizadas com o fictício sobrenome Fóssil, homenagem a paixão do idoso por dinossauros e também por ser uma alcunha única como a forma que elas entraram em sua vida, Pauline (Emma Watson), Petrova (Yasmin Paige) e Possy (Lucy Boyton) acabaram crescendo longe do pai adotivo que sumiu em uma expedição e não deixou muitos recursos para se manterem, a não ser sua mansão que para gerar receita acaba virando uma pensão. Ambientado na década de 1930 em um bucólico bairro londrino, Dançando Para a Vida resume essa introdução em poucos minutos adotando certo tom de fábula, mas infelizmente ao longo da projeção percebemos que este não é um cuidado narrativo. A edição rápida e truncada perdura ao longo de todo o filme e tira o brilho da singela história de Heidi Thomas baseado no romance "Ballet Shoes" de Noel Streatfeild. Feito para a televisão britânica e lançado no Brasil diretamente em DVD, o longa claramente se apóia na popularidade de Watson, sendo o primeiro trabalho da então atriz-mirim fora da série de Harry Potter, mas que aqui passa longe da imagem carismática que carregava. Talvez justamente para apresentar um trabalho diferenciado é que tenha aceitado o papel. Inicialmente meiga, Pauline perde a doçura ao descobrir seu talento para a interpretação e quando consegue uma chance para atuar no teatro, despreparada, ela deixa a fama subir à cabeça e passa a agir de forma grosseira e tempestiva com as pessoas e a quebrar regras.

sábado, 19 de dezembro de 2015

ESTRADA MALDITA

Nota 5,0 Com ambientação própria ao medo, longa peca ao revelar segredos cedo demais

Parece que a véspera de Natal está se tornando uma data macabra, ao menos para o cinema. Se antigamente a época era sinônimo de comédias leves para toda a família, nos últimos anos têm chamado a atenção a quantidade de produções que usam o festejo como pano de fundo para contar histórias de suspense e horror, sempre colocando suas vítimas diante de situações extremas que as forçam a acionar seus instintos de sobrevivência. Estrada Maldita segue bem essa linha. O roteiro de Joe Gangemi e Steven Katz, este responsável pelo texto do ótimo A Sombra do Vampiro, começa em uma sala de aula quando uma estudante (Emily Blunt) está trocando mensagens de celular com uma amiga a respeito da viagem que fará para passar o Natal com a família. Pela primeira vez ela iria fazer o trajeto de ônibus, mas um mural de recados da faculdade lhe chama a atenção e ela resolve aceitar a carona oferecida por um outro aluno (Ashton Holmes), uma prática comum nos EUA. Aparentemente o rapaz só estava fazendo uma gentileza, mas aos poucos a garota começa a desconfiar que ele não é um completo desconhecido e que sabe demais sobre sua vida, sendo a oferta da carona algo premeditado. O pé atrás aumenta quando o jovem decide pegar um atalho que os leva a uma rota alternativa em meio a uma densa floresta. Estaria ele tramando um sequestro ou estupro? O fato é que a viagem que deveria durar cerca de seis horas acaba entrando madrugada a dentro por conta de um acidente que atrapalha os reais planos do rapaz, tempo suficiente para a dupla tentar ajustar suas diferenças, mas fatores externos interrompem constantemente a conversa. Sem comida, com o celular fora de área, presos dentro do carro por conta de uma forte nevasca e tentando se proteger de um frio literalmente de matar, eles aguardam ansiosos por ajuda, mas as chances de alguém passar por aquele lugar isolado são mínimas. Será mesmo?

domingo, 13 de dezembro de 2015

EM MEUS SONHOS

Nota 2,5 Romance é amontoado de clichês, incluindo o mundo gastronômico como pano de fundo

O universo gastronômico é um prato cheio para o gênero romântico e Em Meus Sonhos é mais uma pequena fita que o utiliza como pano de fundo para conquistar o paladar, ou melhor, a preferência do espectador, principalmente mulheres jovens mais propensas a fantasias com príncipes encantados. Natalie Russo (Katharine McPhee) e Nick Smith (Mike Vogel) são dois jovens que estão desacreditados quanto a possibilidade de um amor verdadeiro e obviamente o destino dará aquele empurrãozinho para que seus caminhos se cruzem, porém, somente em sonhos. Se apegando a uma crença da cidade em que vivem que diz que há uma fonte dos desejos, ambos jogam ao mesmo tempo uma moedinha torcendo para que encontrem sua alma gêmea, mas ignoram a presença um do outro. Contudo, eles passam a se encontrar em seus sonhos e a viver um amor platônico, um romance que segundo a lenda deverá ser concretizado em até uma semana, caso contrário o feitiço da fonte se esvai. Talvez se ficasse restrita ao onírico a trama escrita por Teena Booth e Suzette Couture teria uma cadência melhor, mas para dar sustento ao frágil argumento foram (mal) inseridos conflitos cotidianos para os personagens. Nick está insatisfeito com seu trabalho e em paralelo está desenvolvendo um projeto em segredo que acredita que será um ponto de virada em sua carreira, mas vive com seu foco desviado por conta das visitas surpresas e inoportunas de sua mãe. Charlotte (JoBeth Willians) não vê a hora de ver seu filho casado e tenta empurrá-lo novamente para os braços de Lori (Chiara Zanni), sua ex-noiva, mas mesmo que ele não se acerte com ela o importante é que a mulher escolhida passe pelo crivo da sogra. É óbvio que ao conhecer Natalie ela vai implicar e fazer de tudo para impedir o romance... Errado! Contrariando expectativas a mãe do rapaz conhece a garota por acaso antes mesmo do filho e de cara se simpatiza com ela. Numa receita tão insossa, a velha rixa nora versus sogra faz falta.

sábado, 12 de dezembro de 2015

FILHA DA LUZ

Nota 3,0 Na onda do medo da chegada do anticristo, suspense apenas requenta clichês

De tempos em tempos ocorre um fenômeno no cinema e curiosamente diversas produções com temáticas semelhantes são lançadas em períodos muito próximos. Seria espionagem industrial? Bom, no caso de Filha da Luz podemos dizer que foi oportunismo, porém, muito mal aproveitado. Durante o período que antecedeu a virada para o século 21 e para o novo milênio existia o medo do fim do mundo ou da chegada do anticristo na Terra, o que aguçou Hollywood a extravasar seus demônios literalmente. Diversas produções exploraram estes temas e até o clássico O Exorcista foi relançado com cenas adicionais. O longa dirigido por Chuck Russel, da comédia-sucesso O Máskara, e estrelado por Kim Basinger foi só mais um título a explorar o satanismo e a engrossar a lista de produções ruins da safra. Lançado na época de auge das videolocadoras e do DVD e ainda com o frisson das dúvidas espalhadas por fanáticos religiosos quanto ao futuro da humanidade, certamente a fita atraiu curiosos e aficionados pela temática, mas hoje é esquecido. E com razão. Basinger interpreta Maggie O’Connor, uma solitária e pacata enfermeira que tem sua rotina modificada com a visita surpresa de sua irmã mais nova, a irresponsável e viciada em drogas Jenna (Angela Bettis), que chega acompanhada da filha recém-nascida. O intuito da visita é apenas entregar a criança para Maggie que acaba adotando-a meio que à força, porém, o tempo passa e uma relação de mãe e filha se estabelece com a pequena Cody (Holliston Coleman). Aos seis anos de idade e com um leve autismo diagnosticado, a menina começa a demonstrar ter dons especiais, o que chama a atenção de uma seita religiosa que acredita que ela seria uma espécie de reencarnação de Jesus Cristo, a única pessoa capaz de deter os planos do Diabo para dominar o planeta.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A HORA DA VIRADA

 Nota 2,0 Comédia é apenas mais uma a investir na união do esporte e das lições de moral
 
Todos sabem que os americanos são fanáticos por esportes e que o casamento de tal temática com o cinema já rendeu vários sucessos, mas também muitos filmes esquecíveis não por serem necessariamente ruins e sim pelo fato de não apresentarem novidade alguma, simplesmente repetirem fórmulas já testadas e quase sempre com conteúdo moral edificante. A Hora da Virada não foge à regra e seu título nacional já deixa explícita a mensagem de positivismo trabalhada na base dos clichês pelo roteiro de Jon Lucas e Scott Moore e pela direção de Steve Carr que assim como em seu longa anterior, A Creche do Papai, cria um passatempo ligeiramente divertido, mas sob medida para entreter as crianças, seu público-alvo. Roy McCormick (Martin Lawrence) é um treinador de basquete que veio do nada, mas alcançou fama rapidamente treinando grupos universitários. Sua conta bancária também cresceu em semelhante proporção graças aos vários contratos publicitários que fechou, o que lhe rendeu a alcunha de “o rei do patrocínio”. Porém, o tempo passou e chegou um momento em que a maré de azar bateu e sua equipe perdeu todos os jogos e assim o treinador deixou aflorar seu temperamento egocêntrico e explosivo. Após um ataque de fúria durante uma das partidas, McCormick acaba perdendo o emprego e consequentemente seu contrato com a agência de publicidade. Todavia, para tentar recuperar sua credibilidade e a boa vida que tinha, ele conta com a ajuda de seu empresário, Tim Fink (Breckin Meyer), este que na verdade também é ganancioso é não quer perder seu potencial cliente. O rapaz o convence a recomeçar de baixo, assim com muito custo ele consegue um trabalho voluntário na mesma escola que em sua adolescência o consagrou um campeão das quadras.

sábado, 5 de dezembro de 2015

A CASA DOS MORTOS

Nota 3,0 Produção insossa recicla argumento da casa assombrada por episódio macabro 

De forma simplificada, título é a sintetização da ideia central de uma história transmitida através de uma única ou algumas poucas palavras. Muito se comenta sobre as estranhas nomeações que alguns filmes recebem, mas também há casos em que a escolha apesar de condizente com o enredo acaba soando genérica demais e não empolga. Um bom exemplo disso é A Casa dos Mortos. Quantas produções você já assistiu que se encaixariam perfeitamente a esse título? Usando e abusando do chamado found footage, o uso de imagens de vídeos caseiros e supostamente verídicos, o que turbinou a publicidade de filmes como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, a trama escrita por Doug Simon, Max Lobello e Will Canon, este que também assina a direção, não deixa de ser um alinhavado de clichês. Michele (Cody Horn), Bryan (Scott Mechlowicz), John (Dustin Milligan), Donnie (Aaron Yoo) e Jules (Megan Park) formam um grupo de jovens que resolve gravar um documentário em uma antiga e abandonada casa que no passado foi palco de um massacre no qual cinco adolescentes foram brutalmente assassinados por uma amiga da escola após realizarem um ritual de invocação satânica, aliás, ela própria se enforcou depois. É claro que para a gravação ter credibilidade e realismo, o grupo decide fazer a mesma sessão espírita que mais uma vez resulta em tragédia. John seria o único sobrevivente do episódio e passa a ser interrogado pela psicóloga Elizabeth Klein (Maria Bello), mas o rapaz está em estado de choque e com dificuldades para relembrar o que aconteceu, embora afirme que dois de seus amigos estão vivos, porém, desaparecidos. Paralelo a isso o detetive Mark Lewis (Frank Grillo) analisa detalhadamente as fitas gravadas pelos jovens na tal residência, assim tendo em mãos um quebra-cabeças que por vezes parece extremamente complexo. Será mesmo tão complicado assim? Para o expectador diplomado no gênero não é muito difícil desvendar os mistérios da trama, o duro é manter a atenção em algo tão insosso.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...