domingo, 20 de dezembro de 2015

DANÇANDO PARA A VIDA

Nota 4,0 Ancorado pela presença de Emma Watson, longa é frágil e com falhas de edição

Era uma vez um solitário senhor de idade que passou toda a sua vida dedicando-se à paleontologia, sua grande paixão, mas o solitário Matthew Brown (Richard Griffits) tem uma tardia surpresa. De uma hora para a outra se vê obrigado a aceitar em sua casa sua sobrinha Sylvia (Emilia Fox), que acabara de ficar órfã, e sua babá (Victoria Wood), mesmo que a jovem já não fosse mais nenhuma criancinha para precisar de cuidados de uma ama. A inesperada família que forma acaba por abrandar o coração do professor que surpreende ao aceitar a guarda de mais três meninas que ainda bebês são colocadas em seu caminho. Batizadas com o fictício sobrenome Fóssil, homenagem a paixão do idoso por dinossauros e também por ser uma alcunha única como a forma que elas entraram em sua vida, Pauline (Emma Watson), Petrova (Yasmin Paige) e Possy (Lucy Boyton) acabaram crescendo longe do pai adotivo que sumiu em uma expedição e não deixou muitos recursos para se manterem, a não ser sua mansão que para gerar receita acaba virando uma pensão. Ambientado na década de 1930 em um bucólico bairro londrino, Dançando Para a Vida resume essa introdução em poucos minutos adotando certo tom de fábula, mas infelizmente ao longo da projeção percebemos que este não é um cuidado narrativo. A edição rápida e truncada perdura ao longo de todo o filme e tira o brilho da singela história de Heidi Thomas baseado no romance "Ballet Shoes" de Noel Streatfeild. Feito para a televisão britânica e lançado no Brasil diretamente em DVD, o longa claramente se apóia na popularidade de Watson, sendo o primeiro trabalho da então atriz-mirim fora da série de Harry Potter, mas que aqui passa longe da imagem carismática que carregava. Talvez justamente para apresentar um trabalho diferenciado é que tenha aceitado o papel. Inicialmente meiga, Pauline perde a doçura ao descobrir seu talento para a interpretação e quando consegue uma chance para atuar no teatro, despreparada, ela deixa a fama subir à cabeça e passa a agir de forma grosseira e tempestiva com as pessoas e a quebrar regras.

Se fosse para justificar o título, tanto original quanto nacional, o mais correto é que Boyton fosse considerada a protagonista. Abandonada pela mãe junto a um par de sapatilhas, Possy desde  pequena demonstrava talento para a dança e ganha uma oportunidade única de ter aulas na renomada escola de uma bailarina russa, mas também quando é convidada para dar um importante passo na carreira mostra-se imatura. Por fim, Petrova não possui o dom para as artes, embora tentem despertar seu interesse forçosamente, mas apaixonada por máquinas e novidade mecânicas, como automóveis, seu grande sonho é ser aviadora tendo como grande incentivador o bondoso John Simpson (Marc Warren), um dos inquilinos do casarão em que vive e que acaba financiando boa parte dos sonhos das irmãs Fóssil que fazem um pacto de cada qual a sua maneira colocarem seus nomes na História. Para tanto ainda contam com a ajuda de outras pensionistas, as professoras aposentadas Dra. Smith (Harriet Walter) e Dra. Jakes (Gemma Jones), que ajudam com aulas caseiras para suprir as necessidades das meninas de não frequentarem a escola normal, e a instrutora de dança Theo Danes (Lucy Cohu) que anima a casa com seu entusiasmo. Em paralelo ainda é contada (ou tentam) a história do nascimento do amor entre Simpson, que carrega um triste passado, e Sylvia, que está sofrendo com uma doença. É uma pena que a diretora Sandra Goldbacher, do também pouco conhecido A Governanta, não consiga traduzir a delicadeza da trama original em imagens, embora tecnicamente o filme seja bem feito com fotografia, direção de arte e iluminação caprichados. Já a edição, como já dito, é o calcanhar de Áquiles da produção ou apenas reproduz erros do roteiro que não soube trabalhar o argumento com a cadência emocional necessária. Dançando Para a Vida tinha potencial para ser um daqueles filmes singelos que marcam a memória afetiva e com Watson encabeçando o elenco facilmente cairia no gosto do público infanto-juvenil, mas no final das contas é apenas um passatempo pueril. Ironicamente as irmãs-protagonistas não conseguiram a fama que almejavam. Não em termos cinematográfico.

Drama - 84 min - 2007

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