quarta-feira, 28 de novembro de 2012

IMAGENS DO ALÉM

NOTA 3,0

Refilmagem de fita tailandesa
apenas copia o original não
trazendo novidade alguma ao velho
argumento do fantasma vingativo
Em meados de 2007 estourou a greve dos roteiristas de Hollywood reforçando como a crise econômica e política dos EUA estava abalando todos os setores, algo que teve consequências nos anos seguintes. Para não deixar o cinema clamando por socorro o jeito foi recorrer a refilmagens com orçamentos enxutos e para economizar com escritores.... Pura balela! Na realidade, mesmo antes deste difícil período o fantasma da falta de criatividade já abalava os ianques que já a algum tempo espichavam os olhos para o sucesso dos terrores orientais. Não se pode negar que fitas como O Chamado e O Grito ajudaram o cinemão norte-americano a segurar as pontas em tempos de vacas magras, ainda mais porque contavam com o fator surpresa. Poucos conheciam os filmes originais, estes que só chegaram a ser lançados em DVD em muitos países na esteira do sucesso dos remakes, basicamente cópias minimamente atualizadas e com atores ocidentais. Imagens do Além procurou fazer a política da boa vizinhança e situou sua trama no Japão, dando oportunidade para o elenco local fazer participações, ainda que seja a releitura de uma obra tailandesa. Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado teve certa repercussão em alguns países, como no Brasil, graças a uma agressiva campanha de marketing que destacava o curioso tema de espectros que surgem em fotografias, porém, entre os estadunidenses a produção não teve a menor chance. Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Bangkok, sabemos que os americanos detestam legendas, não toleram dublagens (salvo para desenhos obviamente) e sarcásticos como só eles deitam e rolam com os nomes dos personagens de olhinhos puxados. Para não gastar muito com a refilmagem, Joshua Jackson, de Amaldiçoados, relativamente conhecido entre o público jovem, foi escolhido para interpretar Benjamin Shaw, um fotógrafo de moda que aceita um convite de trabalho em Tóquio e resolve aproveitar a viagem para curtir uma lua-de-mel. Recém-casado com Jane (Rachel Taylor), o casal estava a caminho de um chalé nas montanhas quando é surpreendido por uma jovem que surge do nada na estrada. A esposa tem certeza que sem querer a atropelaram, mas no local não há o menor vestígio da garota.

Tentando esquecer o susto, os noivos logo que se hospedam se divertem fazendo algumas fotos para registrar o momento feliz de núpcias, mas quando as revelam encontram estranhas manchas esbranquiçadas que parecem formar silhuetas sempre perto de suas figuras. Poderia ser algum problema com a câmera ou até envolvendo reflexos da paisagem, no entanto, mesmo quando alugam um apartamento fixo na nova cidade o fenômeno continua acontecendo. Pior ainda, passam a afetar também o trabalho de Shaw cujos caríssimos e trabalhosos editoriais ficam inutilizados. Perturbada e sozinha em um local desconhecido e onde mal consegue se comunicar com alguém, Jane passa a ter seu tempo ocioso ocupado por visões que acredita ser o espírito da tal garota querendo se comunicar ou até mesmo se vingar. A princípio, o fotógrafo tenta ser racional e quer encontrar razões técnicas para tudo que está acontecendo, mas logo percebe que os problemas têm uma só explicação: ele próprio e um segredo de seu passado. O rapaz já havia passado uma temporada no Japão e sua esposa decide bancar a detetive e descobrir qual seria a ligação entre ele e a tal garota que está literalmente tirando seu sono. Como de costume em produções ligadas à cultura oriental, a trama assinada por Luke Dawson recorre a crenças budistas sobre vida após a morte para explicar o mistério. A espiritualidade no país do sol nascente seria tão forte que até publicações especializadas em aprofundar a relação entre espectros e fotografias existiriam. No filme, o editor Ritsuo (James Kyson Lee) mantém um acervo com milhares de fotos do tipo e tenta ajudar Rachel a compreender o drama que está vivendo, ainda mais quando os problemas deixam de ser restritos às fotografias e ao casal norte-americano. Manifestações reais e violentas da tal fantasma tornam-se corriqueiras e a maldição parece se estender aos amigos de Shaw que passam a morrer de formas trágicas. A essa altura já é bem fácil pressupor qual o segredo da trama, aliás, com riqueza de detalhes conseguimos formar em nossa mente o quebra-cabeças com antecedência.

Para quem assistiu a fita tailandesa, não há surpresa alguma. Praticamente uma cópia cena por cena, é possível até identificar onde estão todos os previsíveis sustos do remake. Mudam-se os atores, o local da ação e até um diretor japonês foi convocado para dar mais veracidade ao trabalho, mas Masayuki Ochiai segue a cartilha do mínimo esforço apoiando-se nas aparições da garota fantasma, supostamente os momentos que deveriam impactar. No entanto, alguém ainda se assusta com espectros pálidos, de cabelos escorridos, locomoção lenta e grunhindo? Aqui ainda temos o agravante de que a atriz Megumi Okina escolhida para personificar o medo (a criatividade é tanta que a alma atormentada leva o mesmo nome da intérprete) é inexpressiva em último grau e sua cara de coitada chega a despertar piedade no espectador, o que implica na não identificação com o protagonista. A certa altura enxergamos Shaw como o vilão da história e não mais a vítima. Contudo, isso não eleva a trama. O problema não é exatamente o prato requentado do espírito inquieto em busca de justiça, mas sim a falta de criatividade da narrativa que não dispensa nem o final recheado de flashbacks e explicações nos mínimos detalhes, de certa forma até constrangendo o espectador como se ele fosse incapaz de tirar suas próprias conclusões. Se o roteiro caminha totalmente atrelado ao script original, Imagens do Além ao menos o supera levemente quanto a parte técnica. Como remakes de terrores orientais viraram praticamente um subgênero em Hollywood, é de se esperar efeitos especiais, edição e climatização mais apurados, porém, faltou algum elemento surpresa. Com o público já sabendo de antemão o tipo de ameaça da trama, Ochiai deveria ter se esforçado e fugido da previsibilidade. Apostando mais no terror psicológico e com um fundinho de dramalhão como de praxe em produções do tipo, o diretor perdeu boas oportunidades para usar violência gráfica que aqui fica quase no nível zero. Por fim, em tempos de mídias avançadas e quando outros filmes já haviam relacionado assombrações com celulares, internet e videotapes, apostar na naftalina dos registros fotográficos poderia ser interessante, como foi no caso do original, mas na versão americana não colou, ficou algo extremamente datado parecendo um filme de décadas passadas. Não é um lixo total, mas também não traz nada de novo, apenas um entretenimento ligeiro, até um pouco melancólico.

Terror - 85 min - 2008

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