sábado, 1 de outubro de 2016

RIPPER - MENSAGEIRO DO INFERNO

Nota 2,0 Mesmo buscando inspiração em lendário assassino, terror não sai do lugar comum

Sabe aquele sábado chuvoso ou de frio que te dá a maior vontade de ficar curtindo uma preguiça em casa? Datado desde seu lançamento, Ripper – Mensageiro do Inferno seria uma companhia típica para madrugadas do tipo. É um daqueles filmes que os amantes de terror certamente alugariam por não ter outra opção na locadora ou chamaria a atenção dando uma zapeada pelos canais de TV, mas acabaria sendo esquecido em poucos minutos. Lançado quando as fitas de seriais killers viviam um período já de franco esgotamento depois de Pânico e similares esgotarem as possibilidades de surpreender o público repaginando o subgênero tão característico da década de 1980, não sobrou muita coisa para o diretor John Eyres brincar de assustar. A história começa mostrando um massacre promovido por um psicopata ocorrido durante uma viagem de barco do qual apenas uma adolescente se salvou. Ela é Molly Keller (A. J. Cook) que após cinco anos da tragédia ingressa em um curso para se especializar na análise de perfis psicológicos e de comportamento de assassinos seriais. Suas ideias quanto ao histórico de vida e como ele influencia no jeito de ser e agir destes bandidos batem de frente com os pensamentos do misterioso professor Martin Kane (Bruce Payne). Em uma das aulas ele comenta sobre o lendário Jack, o Estripador, um dos primeiros assassinos em série da História que chocou a cidade de Londres, na Inglaterra, violentando e mutilando cruelmente prostitutas, sempre mantendo um mesmo estilo de ataque. Poucos dias após a tal aula, uma das alunas é assassinada com dezenas de facadas e requintes de crueldade (ou deveria ser assim) durante uma festa, o que aguça a curiosidade de um grupo de estudantes a traçarem o perfil do criminoso. Quando outra universitária é encontrada morta e seu corpo com sinais de violação praticamente idênticos ao da outra garota, eles passam a desconfiar que o assassino segue a mesma metodologia de Jack. Além disso, o detetive de polícia Kelso (Jurgen Prochnow), que investigou o massacre que traumatizou Molly, tem a certeza de que o mesmo psicopata está de volta para se vingar da jovem e todos que a cercam também correm perigo. Ou seria ela mesma a assassina?

Seguindo à risca a cartilha do gênero, o roteiro de Pat Bermel, baseado na história nada original de John A. Curtis e Evan Tylor, reúne elementos desgastados. A chuva nos momentos de tensão, a garota promíscua que se torna a primeira vítima, a protagonista traumatizada e existe até o manjado artifício de que o assassino poderia se utilizar de uma sequência de letras para escolher suas vítimas. Vivendo no anonimato após o primeiro massacre, a trama não explora com afinco o perfil de Molly, não sabendo construir uma aura de mistério para justificar que a certa altura ela própria é apontada como suspeita dos novos e possivelmente também dos antigos assassinatos, mas a coisa não vai longe. Quando todos desconfiam que podem ser a próxima vítima, Bermel também não tem habilidade para manter em paralelo as dúvidas sobre a idoneidade dos personagens. E o que dizer das cenas de mortes? Eyres apresenta um trabalho amador desde a introdução, que deveria investir pesado na violência gráfica, e o mesmo estilo contido preserva nos demais assassinatos. Nenhuma morte choca, sendo a mais elaborada quando uma jovem é arremessada de um carro para um penhasco. A cena tem desdobramentos, mas o estilo estranho da edição faz com que a sequência perca força. O mesmo se pode dizer das cenas em um necrotério e em uma velha serralheria. Além dos cortes imprecisos, o diretor não explora tais cenários a favor da trama. E olha que ele não tinha presa de finalizar a parada. Com duração acima da média para o gênero, aproximadamente duas horas, Ripper – Mensageiro do Inferno até teria um argumento que poderia tirar leite de pedra, inclusive enveredando por uma linha psiquiátrica para explicar as ligações entre a mente perturbada do vilão e o estilo do tal estripador londrino, mas optaram pelos clichês de sempre culminando em um final confuso quando a paciência do espectador já está saturada. Descartável, ainda assim a fita gerou uma sequência em 2004 que não teve nem mesmo lançado oficial nos EUA, celeiro de produções do tipo (embora a original fosse um lançamento do Canadá). Nenhum ator do primeiro filme aceitou voltar para a continuação. Alguém tem dúvidas do que deve ser esse engodo?

Terror - 112 min - 2001

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