segunda-feira, 13 de novembro de 2017

AMITYVILLE - O DESPERTAR

NOTA 3,5

Tentando dar novos rumos à
franquia de terror sem apelar para
um remake literal, fita não inova nos
sustos e trama fica a dever em emoção
Família se muda para uma casa que no passado foi palco de uma chacina e desde então todos os moradores tiveram terríveis experiência no local. Esse é o argumento básico dos filmes de residências assombradas, mas também é a semente de uma das mais longínquas franquias do cinema norte-americano. Amityville - O Despertar é nada mais nada menos que o 18º longa com raízes fincadas na obra do autor Jay Anson a respeito de um homem que assassinou toda a família supostamente guiado por vozes malignas que o obrigaram. A primeira adaptação foi lançada em 1979, mas Terror em Amityville teve uma recepção fria por parte de público e crítica e foi preciso o passar dos anos para ser reconhecido, tanto que hoje é considerado um clássico do terror. Depois vieram continuações, produtos caça-níqueis direto para consumo doméstico, teve um telefilme e em 2005 uma refilmagem tentou resgatar a franquia. Após quatro anos de adiamentos, o diretor e roteirista Franck Khalfoun encontrou uma boa ideia para voltar ao lendário casarão do vilarejo localizado na cidade de Babylon, uma remota parte de Nova Iorque. A quem interessar, a residência ainda existe e vira e mexe está disponível para novos e corajosos moradores. Talvez pensando justamente nisso, sobre como seria viver em um local cercado de negativismo e ciente de toda tragédia que lá aconteceu, é que o cineasta preferiu realizar uma história ligeiramente original e abandonar a ideia de mais um desnecessário remake (se bem que não dá para fugir muito do argumento original). Após sofrer um acidente indiretamente provocado por um ato inconsequente de sua irmã gêmea Belle (Bella Thorne), o jovem James (Cameron Monaghan) entrou em estado vegetativo e acabou tendo morte cerebral, porém, Joan (Jennifer Jason Leigh), sua mãe, decide se mudar com a família, que inclui a pequena Juliet (Mckenna Grace), para a tal casa macabra onde teria espaço para montar uma UTI doméstica. De fato, na nova moradia o rapaz começa milagrosamente a apresentar melhoras, mesmo com os médicos afirmando que seria impossível ele voltar do coma.

domingo, 29 de outubro de 2017

DOIDAS DEMAIS

Nota 6,0 Comédia investe em clichês e se acomoda sobre talento e carisma de protagonistas

Manter uma amizade não é nada fácil. Se já é complicado quando jovem e sem maiores complicações, pior ainda quando adultos, época em que relacionamentos amorosos, carreira e até o nível social podem revelar-se entraves para manter os amigos por perto. A comédia Doidas Demais aborda o assunto através do reencontro de duas mulheres que já foram grandes amigas, mas quis o destino que elas trilhassem caminhos bem opostos no futuro. Suzette (Goldie Hawn) é alto-astral e desencanada, mas quando perde seu emprego em uma boate cai na real de que não tem como se sustentar, assim resolve viajar centenas de milhas para procurar uma antiga amiga com quem aprontou poucas e boas nos tempos das discotecas. Bem, elas não eram adeptas dos passinhos coreografados e polainas com brilhos e sim do som pauleira e das jaquetas de couro. Elas eram tão próximas que eram chamadas como as "irmãs doidas demais" e amavam tietar bandas de rock, inclusive faziam verdadeiras loucuras para conseguirem chegar perto de seus ídolos. Contudo, Lavinia (Susan Sarandon) deixou o jeitão porra-louca para trás e agora é uma mãe de família e dona-de-casa cheia de regras e metódica e renega totalmente seu passado desregrado, inclusive não atende chamados por Vinnie, o nome que usava quando era roqueira. Obviamente o reencontro gera estranhamento. Enquanto uma insiste em viver como se estivesse nos anos setentistas, a outra se empenha para evitar que as filhas Ginger (Eva Amaurri - filha de Sarandon na vida real) e Hannah (Erika Christensen) façam tantas besteiras quanto ela e se arrependam no futuro. Detalhe, as adolescentes e o marido Raymond (Robin Thomas), este com aspirações políticas, desconhecem suas estripulias da juventude, mas tais lembranças inevitavelmente voltam à tona com a chegada da amiga. Inicialmente Lavínia tenta manter certo distanciamento, mas não demora a querer provar para si mesma que ainda pode ser feliz como antigamente dosando com a vida de responsabilidades que assumiu.

sábado, 28 de outubro de 2017

DE CASO COM O ACASO

Nota 7,0 Longa aborda como pequenos detalhes cotidianos podem ou não interferir no futuro

Nem a publicidade da atriz Gwyneth Paltrow ter ganho o Oscar no início de 1999 por Shakespeare Apaixonado ajudou. De Caso Com o Acaso teve um lançamento um tanto modesto, algo como vamos estrear nos cinemas para algumas pessoas saberem que o filme existe e depois procurarem nas locadoras. Bem, de fato, este romance se adapta melhor ao aconchego do lar, visto que é desprovido de qualquer atrativo visual ou técnico parecendo muito mais um telefilme. Contudo, a trama é simpática e bem construída. Com direção e roteiro de Peter Howitt, a história tem um ponto de partida reflexivo: pequenos acontecimentos do cotidiano podem alterar drasticamente nossos destinos? Paltrow vive Helen, uma jovem que certo dia levanta da cama com o pé esquerdo. Ela era relações públicas de uma conceituada empresa, mas da noite para o dia perdeu o emprego graças aos seus excessos na vida pessoal que começaram a atrapalhar em sua rotina de trabalho. Voltando mais cedo para casa, ela perde o metrô ao trombar por acaso com uma garotinha. O que poderia acontecer na vida da moça caso tivesse conseguido embarcar naquele vagão? E pegando o próximo? O enredo então passa a se alternar nestes dois distintos caminhos. A deixa é um efeito visual como se rebobinasse alguns poucos segundos do dia da protagonista, mais especificamente quando descia uma escadaria. A partir de então, em uma possibilidade, Helen pegaria o primeiro metrô, onde conheceria o carismático James (John Hannah), e chegaria em casa mais cedo surpreendendo o namorado Gerry (John Lynch) a traindo com Lydia (Jeanne Tripplehorn), sua ex. A outra hipótese é que ela poderia perder a condução e ser assaltada, indo parar no pronto-socorro e assim dando tempo de chegar em casa sem flagrar o companheiro com outra, embora existam algumas evidências que ele deverá esconder para ela não desconfiar que alguém esteve no apartamento.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

UM TIO QUASE PERFEITO

NOTA 6,5

Com a velha premissa do sem
noção que cresce com as adversidades,
comédia agrada crianças e adultos com
fórmula comum a filmes para toda família
O título tenta um claro link com Uma Babá Quase Perfeita, a clássica comédia do saudoso Robin Williams, mas felizmente a estratégia é apenas para publicidade. Para o bem do cinema nacional e seu amadurecimento, mesmo com um ou outro momento que possam remeter a citada comédia, estruturalmente Um Tio Quase Perfeito segue seu próprio caminho e foge de tentar recriar situações vividas pelo pai que para poder conviver mais tempo com os filhos assume a identidade de uma simpática senhora. No caso, o bonachão Tony (Marcus Majella) é um aspirante a ator que sem sorte se aproveita de seu talento para ganhar alguns trocados nas ruas vivendo desde uma estátua viva em trajes de guerreiro romano até um pastor vigarista que vende uma água pretensiosamente milagrosa, mas o tipo mais difícil de interpretar é aquele que já deveria estar acostumado: o de tiozão. Sempre contanto com o apoio de Cecília (Ana Lucia Torre), sua mãe, ele vive de pequenos golpes na rua, mas sempre endividados eles acabam sendo despejados de onde moram e para não ficarem pedindo esmolas, o que para eles não seria problema algum tamanha cara-de-pau que ambos tem, eles pedem asilo para Angela (Letícia Isnard), irmã do rapaz. O convívio com a família nunca foi dos melhores e a moça sempre tentou manter certo distanciamento, assim não gosta nada da ideia de abrigar a dupla em sua casa, ainda mais para evitar que os seus maus costumes sirvam de exemplo aos filhos pequenos, Patrícia (Julia Syacinna), João (João Barreto) e Valentina (Sofia Barros). Contudo, um compromisso profissional fora da cidade a obriga a viajar de uma hora para a outra e com o sumiço da babá das crianças não lhe resta alternativa a não ser deixá-las sob a batuta do tio e da avó destrambelhados. Eles não teriam que fazer nada de outro mundo, apenas manter a rotina dos pequenos de ir à escola, fazerem a lição, manter a casa em ordem, mas como já é de se esperar, uma série de situações vão revelar o quanto Tony é imaturo ao mesmo tempo que aos poucos os sobrinhos vão conquistando seu carinho e atenção.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

MORTE SÚBITA (2007)

NOTA 6,0

Apesar da premissa de filme B,
suspense envolvendo gigantesco
crocodilo investe mais no suspense
que na carnificina gratuita
Houve um tempo em que os filmes de animais assassinos estavam em alta. Geralmente pautados em cima de enredos sobre mutações genéticas que deram errado, a mescla de suspense e horror não demorou muito a ser rotulada como trash, produções que causam risos involuntários devido as condições precárias, além de situações e atuações um tanto bizarras. Na época das videolocadoras fitas do tipo eram lançadas aos montes, mas nos cinemas o espaço sempre foi restrito. Agora os animais-vilões acharam lugar na TV fechada, tem até canais que parecem especializados em garimpar pérolas do subgêneros (não é um elogio, é no sentido irônico mesmo). Morte Súbita é um exemplo que tem tudo para virar clássico da telinha. Ou melhor, das multitelas, afinal os tempos são outros. Uma excursão pelas águas do  Parque Nacional Kakadu, no norte da Austrália, conhecidas pelos gigantescos crocodilos que as habitam, se transforma em um verdadeiro pesadelo. Guiados pela corajosa Kate (Radha Mitchell), o passeio seguia bem, mesmo com a desagradável intromissão do ex-namorado dela, o rude Neil (Sam Worthington), até que ela desvia o caminho planejado para socorrer um suposto pedido de ajuda disparado por um sinalizador em uma parte mais densa do rio onde são surpreendidos por um ataque de algo que não conseguem identificar (no meio de um rio cheio de crocodilos, dãããã). Com a embarcação danificada, os turistas ficam ilhados a espera de socorro, mas a maré sobe com rapidez e em questão de poucas horas o local será submerso. Entre os acuados está o jornalista Pete McKell (Michael Vartan), que em um primeiro momento mostra-se fechado e evita contato com seus companheiros de viagem como Simon (Stephen Curry), o viúvo Russell (John Jarratt), Allen (Geoff Morrell) e sua esposa Elizabeth (Heather Mitchell), além da filha do casal, a jovem Sherry (Mia Wasikowska). Contudo, eles terão que se unir para fugir do local que além do avanço das águas guarda um perigo ainda maior: um gigantesco e agressivo crocodilo. Então já sabemos que vai ter muito corre-corre, gritaria, estrondos e que os personagens vão ser devorados um a um até sobrarem os heróis que desde o início são anunciados. Errado!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ERNEST E CELESTINE

NOTA 9,0

Com traços delicados e narrativa,
singela, animação francesa aborda
o preconceito através de uma relação
de amizade que desperta ira e medo 
Disney, Pixar, Dreamworks e alguns esforços intensificados nos últimos anos por empresas como Fox e Paramount. Com os avanços das animações digitais o mercado cinematográfico ganhou muito e a concorrência acirrada fez com que os enredos cada vez se tornassem mais inteligentes, até para também poderem fisgar o público adulto que agora não usa mais a desculpa de levar o filho ou sobrinho ao cinema. Tranquilamente os marmanjos podem assistir a produções animadas com a certeza de que estão vendo uma obra tão boa quanto um elaborado filme com atores de carne e osso. Hollywood abriu os olhos para essa possibilidade dos anos 2000 para cá e ao passo que cada vez mais busca modernidades no campo também volta-se à simplicidade jogando certa luz sobre produções estrangeiras ou do próprio circuito alternativo ianque que se não fossem indicadas ao Oscar da categoria certamente não chegariam a ser conhecidas nem mesmo pelos cinéfilos de carteirinha. A delicada animação Ernest e Celestine é um bom exemplo. Coprodução da França e Bélgica, o longa é baseado nos contos infantis da escritora e ilustradora Gabrielle Vicent que através da fábula aborda a valorização da amizade acima de qualquer obstáculo, principalmente tabus sociais como o preconceito entre raças. A trama conta a história da ratinha Celestine, uma aspirante a pintora que cresceu em um orfanato e nunca compreendeu o medo que outros roedores habitantes do subterrâneo tinham dos ursos, os moradores do chamado mundo de cima. Fascinada pelo desconhecido, pois é justamente desbravando esse outro universo que ela conhece Ernest, um grande urso que em nada lembra a imagem da fera que fora forçada a imaginar com as histórias sobre como os grandalhões peludos eram malvados e forçavam as ratazanas a se refugiarem nos esgotos. Divertido, simpático e prestativo, ele ganha alguns poucos trocados tocando música nas praças, mas garante o sustento da família com pequenos furtos. Ernest encontra a roedora em uma lata de lixo e rapidamente conquista a sua confiança, porém, precisam viver essa amizade escondido, pois as sociedades de ambos não aceitam que animais tão distintos, tanto no físico quanto na personalidade, se relacionem.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A PIRÂMIDE

NOTA 1,5

Apesar do tema rico em
possibilidades, suspense parece
não sair do lugar com trama chata
e efeitos especiais precários
A mitologia egípcia é uma riquíssima fonte de inspiração o cinema desde que ele era em preto-e-branco e sem som. A Múmia com Boris Karloff é um clássico absoluto do gênero de terror enquanto a fita homônima estrelada por Brendan Fraser aos pés da virada do milênio procurou adaptar o universo fúnebre ao campo da aventura com bastante sucesso. Já a caça de Tom Cruise à criatura em 2017 revelou ser um projeto mal lapidado e com pressa de faturar. Outros símbolos da cultura do Egito também instigam a imaginação de cineastas, entre eles obviamente as pirâmides que até hoje intrigam como foram construídas em tempos tão remotos, mas mesmo assim com formas tão perfeitas e arrojadas. Se por fora impactam pelo design e tamanho, por dentro dão arrepios com sua atmosfera claustrofóbica e sensação de que em todos os cantos podem surgir surpresas, belas ou assustadoras. Os desenhos e inscrições nas paredes além dos objetos e adornos das salas colaboram para a mescla de fascínio e tensão. Pena que tal cenário é tão mal explorado pelo cinema, geralmente servindo de palco para histórias tolas em produções obscuras. A Pirâmide poderia fugir desse rótulo, mas infelizmente a estreia na direção do francês Grégory Lavasseur não foi das melhores. Experiente roteirista de horror, tendo escrito Viagem Maldita e Espelhos do Medo, ambos dirigidos por Alexandre Aja, seu amigo de longa data que aqui retribui a parceria assinando como produtor, ao assumir a câmera encontrou dificuldades, afinal há muita diferença entre criar uma história e transformá-la em imagens. Tendo em mãos o enredo feito pela dupla Daniel Meersand e Nick Simon, parece que Lavasseur não teve muita noção de onde estava colocando os pés, alternando a produção entre um "mockumentary" (falso documentário) e um "found footage" (compilação de cenas supostamente reais). O resultado é um trabalho tedioso e extremamente escuro que dispersa a atenção logo nos primeiros minutos desperdiçando o intrigante argumento (fictício, fique claro) da descoberta de uma pirâmide de três lados, quando tais monumentos são quadriláteros.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TERROR NOS BASTIDORES

NOTA 7,5

Desconstruindo os clichês dos
filmes de assassinos mascarados e
repleto de nostalgia, mescla de horror
e comédia diverte e e inteligente
Não se espante com o título. Medo é a última coisa que você vai sentir com Terror nos Bastidores, mais uma produção terrir que busca fazer graça homenageando e ao mesmo tempo desconstruindo um gênero, ou melhor, um subgênero, no caso os slashers movies, os filmes de assassinos mascarados louquinhos para extirpar jovens incautos e salientes. Pode parecer uma tarefa fácil unir dois estilos que de certa forma já se comunicam muitas vezes, muito mais pelo excesso de continuações que fizeram com que as franquias perdessem o vigor original e descambassem para o trash. Todavia, quando o objetivo é de fato divertir propositalmente através do sarro e não involuntariamente as coisas se complicam, até porque é necessário que o espectador tenha repertório cinematográfico suficiente para entender a proposta. O trabalho do diretor Todd Strauss-Schulson não exige que você conheça os pormenores de filmes citados, como é o caso de Todo Mundo em Pânico, mas é preciso ter certo conhecimento do universo a ser recriado, o que aproxima sua produção mais do estilo de O Segredo da Cabana. Contudo, o cineasta é mais modesto e se atém ao mundinho dos seriais killers para narrar a história de Max (Taissa Farmiga), filha de Amanda Cartwright (Malin Akerman) que nos na década de 1980 se tornou um ícone dos filmes de terror de baixo orçamento ao estrelar "Camp Bloodbath" (algo como "banho de sangue no acampamento"), considerado o avô de todos os filmes com a premissa de um grupo de jovens que viajam a fim de curtição e muito sexo e acabam vítimas de um maníaco com passado traumático. É o argumento de Sexta-feira 13 de fato, mas devemos imaginar que ele veio depois do filme fictício que lançou a modinha. Muitos anos se passam e Amanda continua bela e alto astral, mas frustrada por sua carreira ter estagnado. Pena que não teria tempo para tentar dar a volta por cima. Junto com a filha ela sofre um acidente de carro no qual vem a falecer ainda muito jovem. Três anos se passam e Max se torna uma adolescente ainda mais introspectiva do que era antes e vivendo à sombra das lembranças da mãe. Certa noite ela é convidada para uma sessão de cinema especial em homenagem ao filme na qual também será exibida a sua continuação, o que deixa os seus amigos em polvorosa.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CINDERELA (2015)

NOTA 8,0

Visualmente e artisticamente
perfeito, sem exageros de efeitos
especiais, adaptação de clássico só
perde pontos por não inovar no enredo
A maioria dos contos de fadas são histórias clássicas criadas no período da Idade Média e o tal felizes para sempre não constam nos originais. Há registros de que na verdade histórias como da Branca de Neve acabam de formas bastante trágicas, porém, as gerações formadas a partir do início do século 20 se acostumaram a comprar as versões dos estúdios Disney como as verídicas e assim um vasto leque de produtos culturais e de bens de consumo derivados dessas animações fizeram a roda do dinheiro girar e muito. Peças de teatro, quadrinhos, livrinhos de colorir, adaptações para a TV, brinquedos, bonecos, materiais escolares, roupas e até produtos alimentícios e de higiene tratam ainda de levar adiante as versões adocicadas da casa do  Mickey Mouse para os contos, além das próprias animações replicadas em mídias físicas, televisão e serviços de streaming. Aproveitando-se de todo esse portfólio, muitas produtoras de cinema se arriscam a fazer suas versões destas histórias ou até mesmo reimaginá-las carregando no humor, tensão ou divagando sobre o que teria acontecido aos personagens caso tivessem tomados decisões diferentes em suas vidas. De olho nessa movimentação dos concorrentes, a Disney não ficou parada e também tentou fazer adaptações diferentes de alguns de seus desenhos consagrados como Alice no País das Maravilhas, acentuando o clima psicodélico já intrínseco no conto original, e Malévola, recontando a história da Bela Adormecida pela ótica da vilã. Ambas adaptações com atores em carne e osso e carregada de efeitos especiais, o público correspondeu as expectativas com polpudas bilheterias, mas visualmente os exageros incomodaram se assemelhando mais a produções adaptadas de quadrinhos de heróis ou videogames que propriamente às famosa obras animadas com traços delicados e cores aquareladas. Com a versão live-action de Cinderela parece que o estúdio finalmente encontrou a fórmula mágica do sucesso: simplesmente recontar a mesma história da versão em desenho animado. Na contramão das histórias de princesas mais recentes do estúdio, como A Princesa e o Sapo e Frozen - Uma Aventura Congelante, nas quais as mocinhas não são mais tão indefesas e o sonho de conseguirem um amor para toda a vida ficou em segundo plano, o roteirista Chris Weitz preferiu não inovar e criou uma protagonista tão bela, gentil e recatada quanto a do desenho que em 1950 salvou a Disney da falência.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A ESPINHA DO DIABO

NOTA 8,0

Um dos primeiros filmes do mexicano
Guillermo Del Toro já deixava suas
marcas abordando suspense, drama e
fantasia com pano de fundo histórico
Os melhores filmes de horror não são aqueles escorados em efeitos especiais ou em violência gráfica. Ok, O Exorcista está aí como uma exceção à regra, mas temos os clássicos O Bebê de Rosemary, O Iluminado e até da safra mais recente Os Outros para comprovar que acima de tudo é preciso ter uma boa história para contar sustentada por personagens críveis e motivações essencialmente humanas. O título A Espinha do Diabo sugere uma obra de literalmente gelar a espinha, mas levando a assinatura do cineasta mexicano Guillermo Del Toro sabemos que não se trata de um terror convencional. Bem, hoje conhecemos muito bem seu estilo de unir drama, fantasia e suspense, porém, na época ainda era um ilustre desconhecido. Ele já tinha engatilhado projetos em Hollywood, como Blade 2 e Hellboy, ambos já carregados de vícios da indústria para faturar alto até por serem baseados em personagens existentes no universo dos quadrinhos. Sendo assim, seu drama com pitadas de sobrenatural tendo como pano de fundo a Guerra Civil Espanhola servia praticamente como seu cartão de visitas. Em meados da década de 1930, um orfanato estrategicamente instalado no meio do nada abriga os já órfãos e os filhos de pais recrutados para o combate. A diretora Carmem (Marisa Paredes) é uma senhora bastante rígida, mas bondosa, e que esconde uma fortuna em barras de ouro que são a obsessão de Jacinto (Eduardo Noriega), um ex-interno que agora trabalha para a idosa com quem também divide a cama eventualmente. Na verdade ele quer o tesouro para fugir com a jovem Conchita (Irene Viseto), cozinheira da casa que também é administrada pelo Dr. Casares (Federico Luppi), poeta, professor e que guarda uma paixão platônica por Carmem por se sentir impedindo pela impotência. Parece um novelão mexicano, mas a mente de Del Toro é muito mais fértil. A relação amorosa mal resolvida destas pessoas vai interferir drasticamente no futuro dos internos, entre eles Carlos (Fernando Tielve) que perdeu o pai vítima de um ataque de bombas e é deixado lá por seu tutor. Logo que chega o menino sente que a vida não será nada fácil e faz alguns amigos graças a curiosidade que desperta por trazer alguns gibis na bagagem, um tesouro para um grupo que necessitava de distração. Assim, de imediato, ele causa ciumeira em Jaime (Iñigo Garcés), até então o centro das atenções e líder natural da turminha.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A GUERRA DE HART

NOTA 4,0

Fugindo dos clichês de filmes de
guerra e se assumindo como um
drama de tribunal, longa não empolga
com trama tão fria quanto seu cenário
Costumamos reclamar sobre a repetição de temas em comédias românticas, mas o que dizer dos dramas de guerra? Está certo que conflitos como os da Segunda Guerra Mundial oferecem inúmeras possibilidade e um mesmo recorte do período pode sugerir mais de uma visão dos fatos. Na época das videolocadoras geralmente até catalogado como um gênero à parte, é certo que as produções do tipo dificilmente hoje em dia fazem sucesso, a não ser quando amparadas por indicações a prêmios. De qualquer forma, há um público cativo e sempre há a esperança de sobrevida como material de apoio à estudantes e professores. A Guerra de Hart foi lançado já sem muita pompa, até porque foi um mega fracasso nos EUA, e o tempo passou e nem nas aulas de História conseguiu ser um título de prestígio. Realmente não é nada de excepcional, mas visualmente transmite bem a frieza do episódio que retrata excluindo até mesmo qualquer participação feminina para evitar dar alguma cor ao longa. No ano de 1944, Tommy Hart (Colin Farrell) é um estudante de direito que se alista no exército para lutar pelos Aliados, mas acaba sendo capturado em uma emboscada e enviado a um campo de concentração onde encontra diversas dificuldades de adaptação, entre elas as desconfianças e inimizade do coronel William McNamara (Bruce Willis), também americano e encarcerado pelos nazistas. Os conflitos entre os confinados se agravam quando os alemães capturam dois pilotos negros, Lamar Archer (Vicellous Reon Shannon) e  Lincoln Scott (Terrence Howard), gerando revolta de alguns brancos que não aceitam compartilhar seu espaço com pessoas de outras raças, mesmo que eles exibam alguma patente. O primeiro é vítima de uma cilada e executado e pouco tempo depois Scott é acusado de matar o suposto assassino do amigo quando pego em flagrante na cena do crime. Apesar dos indícios, tal situação também poderia ser uma armadilha dos demais confinados por puro preconceito, mas o coronel Werner Vissel (Marcel Iures), quem realmente dita as ordens no campo, ordena a execução do negro imediatamente.

domingo, 1 de outubro de 2017

RUTH E ALEX

Nota 3,0 Sem uma trama com objetivo concreto, longa se apoia no carisma e talento dos atores

Para as novas gerações mudar de endereço dificilmente é um bicho de sete cabeças, a maioria já está acostumada com casas de pais separados, estudar ou trabalhar em outra cidade ou dividir o espaço com amigos ou até mesmo desconhecidos. A tendência é que quando forem idosas continuem não sofrendo com apegos a moradias, uma realidade diferente da terceira idade de agora. Ainda há muitos tradicionalistas que se apegam a lembranças, principalmente quando passaram muitos anos e praticamente construíram suas vidas em uma mesma moradia e esse é o dilema vivido pelos protagonistas do drama com pitadas de humor Ruth e Alex protagonizado por Diane Keaton e Morgan Freeman. Casados há cerca de 40 anos e sem filhos, os Carver sempre viveram no mesmo e pacato edifício no subúrbio de Nova York que nem elevador tem, mas agora não reconhecem mais o bairro em que vivem. A abertura da loja de uma poderosa empresa de comunicação na área é a gota d'água para perceberem que não se encaixam mais no local e decidem vender o apartamento, que mesmo antigo está supervalorizado, e procurar um novo cantinho sossegado. Para tanto contam com a ajuda da corretora imobiliária Lily (Cynthia Nixon), sobrinha de Ruth, que organiza um open house, um evento para apresentar o imóvel para possíveis compradores. Contudo, conforme se aproxima a hora de se despedir da antiga moradia, o casal começa a enfrentar uma série de contratempos, inclusive a própria incerteza se querem trocar de casa. Além da disputa de vários interessados no apartamento, cujo valor de venda deve ser equivalente ao que desembolsariam para comprar um novo, eles terão que enfrentar uma inesperada doença da cadelinha de estimação e ainda a presença no bairro de um possível terrorista, fato que pode espantar compradores. Uma mistura de temas um tantinho estranha, não é? Baseado na obra de Jill Ciment, o roteiro de Charlie Peters, de Três Solteirões e Uma Pequena Dama, não se define como um drama, romance, comédia ou até mesmo uma crítica social, visto que aborda a pressão exercida pela exploração imobiliária desenfreada.

sábado, 30 de setembro de 2017

DRÁCULA - MORTO MAS FELIZ

Nota 7,0 Comediante Leslie Nielsen apresenta sua versão cômica de lendário personagem

Qual o mais famoso e prolífico personagem do universo de terror? Sem dúvidas o lendário Conde Drácula encabeça a lista das principais criaturas nefastas que atrelaram seu nome a cultura pop, muito com a ajuda do cinema. Desde a época dos filmes mudos e em preto-e-branco, são centenas de histórias estreladas pelo príncipe das trevas, apresentando-se com seu ar de mistério e sedutor ou até mesmo em versões estilizadas, entre fitas de horror, suspense, dramas, romances e obviamente paródias. O saudoso comediante Leslie Nielsen tratou de apresentar sua versão esculachada do personagem em Drácula - Morto Mas Feliz, descaradamente uma brincadeira em cima do bombado longa baseado no livro de Bram Stoker e dirigido por Francis Ford Coppola lançado três anos antes, assim já antecipando uma tendência das décadas seguintes em trepudiar sucessos recentes. A história começa nos apresentando ao procurador Thomas Renfield (Peter MacNicol) que viaja à Transilvania para se encontrar com o sinistro cliente do título para um negócio imobiliário. O rapaz é hipnotizado e passa a obedecer as ordens do vampirão que mostra-se um homem sedutor, refinado, porém, um tantinho atrapalhado. Juntos eles vão para a Inglaterra que será o novo endereço do conde, mas ao final da viagem Renfield se vê confinado em uma clínica psiquiátrica. Aliás, o local é administrado pelo Dr. Seward (Harvey Korman), o vizinho inglês do Drácula que se encanta por uma das filhas do médico. A noite ele invade o quarto de Lucy (Lysette Anthony) para chupar seu sangue e saciar seus desejos. Ao ver duas estranhas marcas no pescoço da jovem e sua estranha palidez, seu pai decide chamar o Dr. Abraham Van Helsing (Mel Brooks), um especialista em doenças estranhas e também em caçar criaturas das trevas. Com cruzes e alhos, ele tenta proteger a garota de ser atacada novamente, mas Drácula é mais esperto e tem poderes que vão além da transformação em morcego. Contudo, ele não mata suas vontades com apenas uma mulher. O vampirão volta suas atenções para a outra filha do vizinho, Mina (Amy Yasbeck), mas não quer simplesmente saciar desejos momentâneos e sim torná-la sua noiva para toda a eternidade.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O ATAQUE

NOTA 6,5

Mais uma vez a Casa Branca
é atacada e salva por uma dupla
de heróis improvável em ação
divertida e que cheira nostalgia
Coincidência, espionagem industrial ou simplesmente falta de criatividade? Como explicar que de tempos em tempos surjam filmes com temáticas muito semelhantes? Vulcões em erupção ameaçando uma cidade (O Inferno de Dante e Volcano - A Fúria), meteoros prestes a por um fim na humanidade (Impacto Profundo e Armageddon), a exploração da vida dos insetos (Formiguinhaz e Vida de Inseto) e dos animais marinhos (Procurando Nemo e O Espanta Tubarões) e mágicos em destaque (O Ilusionista e O Grande Truque). Isso sem falar sobre a representação de mesmos conflitos da época da Segunda Guerra Mundial, ainda que seja um período de farto material e vários caminhos a serem explorados. Para engrossar a lista, também temos as produções visando a destruição de um dos lugares mais seguros (e também mais visados) de todo o mundo. Após ser invadida por terroristas norte-coreanos em Invasão à Casa Branca, a sede do governo dos EUA mal teve tempo de ser reconstruída e já virou palco de outro show pirotécnico em O Ataque. Orquestrando a destruição ninguém menos que o diretor alemão Roland Emmerich, conhecido pelo seu apreço aos filmes-catástrofes. E as vezes de fato suas produções são verdadeiros desastres, como 10.000 A.C., ou prometem demais como 2012. Ele já destruiu uma vez a Casa Branca em Independence Day (inclusive faz questão de frisar isso em uma rápida fala logo nos primeiros minutos), mas queria explorar mais as ruínas do local narrando o drama vivido pelo jovem John Cale (Channing Tatum), um ex-militar que trabalha na equipe de segurança do congressista Eli Raphelson (Richard Jenkins), mas que sonha em integrar ao serviço secreto e ser um dos responsáveis pela segurança de James Sawyer (Jamie Foxx), ninguém menos que o presidente americano. Ele tem uma entrevista na sede do governo para realizar seu sonho e aproveita para levar a filha Emily (Joey King) para conhecer o local. Todavia, o passeio é interrompido por uma invasão terrorista e agora realmente terá a chance de salvar a vida do político, mas também terá que se preocupar em salvar a garota que está na mira dos criminosos após ser descoberta enviando filmagens do ataque via celular para a internet.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O PESADELO

NOTA 0,5

Trazendo à tona a lenda do
bicho-papão, suspense além de
abusar de clichês peca em um ponto
principal: simplesmente não assusta
Para quem acompanha a carreira do cineasta Sam Raimi seu apreço pelo gênero de horror não é nenhuma novidade. Sua estreia em The Evil Dead - A Morte do Demônio já comprovava isso. De um trabalho amador iniciado na faculdade de cinema ao comando da milionária trilogia original do personagem Homem-Aranha, como diretor em geral não decepciona, porém, como produtor seu nome estampando a publicidade de um filme gera desconfianças. Era de se esperar que viria a concretizar seu sonho de ser proprietário de uma produtora especializada em fitas de terror e suspense, a Ghost House, mas também havia expectativa que seria mais criterioso na escolha dos projetos que investiria. Entre a estreia com o remake oriental de O Grito e o excelente 30 Dias de Noite no meio do caminho deu o aval para a realização de O Pesadelo que tinha tudo para dar certo, afinal de contas pretendia narrar a história do lendário bicho-papão, nos EUA mais conhecido como o monstro do armário. Quem na infância nunca passou ao menos uma noite em claro de olhos bem atentos ao menor ruído ou sombra? O problema é que para o jovem Tim Jensen (Barry Watson) a historinha para assustar e forçar criancinhas a se comportarem não morreu com a puberdade e o atormenta ainda na vida adulta. Ele jura que quando tinha oito anos viu seu pai sendo tragado para dentro do armário de seu quarto por uma estranha criatura na calada da noite, contudo, toda a sua família sustenta a hipótese que o patriarca simplesmente foi embora de casa deixando tudo e a todos para trás. Sua mãe nunca se recuperou do choque e após algum tempo internada em uma clínica acabou falecendo. Agora Jensen precisa tomar coragem e voltar à casa onde passou sua infância para tratar da venda do imóvel, mas principalmente tentar exorcizar de uma vez por todas os seus temores. Além da incerteza do que de fato aconteceu com seu pai, ele ainda sofre com pesadelos com a mãe, algo a ver com o sentimento de culpa de nos últimos anos a ter abandonado... Bem, poderia ser um gancho interessante a desenvolver, mas para o azar da atriz Lucy Lawless o roteiro resume sua participação a menos de dois minutos. Por outro lado, sorte dela que não ficou com a imagem atrelada a tamanha bobagem, assim como também de Charles Mesure que interpreta o pai na introdução.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS

NOTA 8,0

Embora se alongue e ainda assim
esconda alguns fatos sobre os bastidores
do clássico Mary Poppins, fita conquista
com força de seus protagonistas e nostalgia
Por pouco uma das histórias mais clássicas do cinema e dos estúdios Disney não teve um final feliz. Não seria nenhuma tragédia, não houve incêndio e tampouco mortes, mas por um triz o mundo poderia ficar sem um dos mais belos e singelos contos já levados às telas por conta de uma acirrada briga de bastidores. Walt nos Bastidores de Mary Poppins aborda a difícil produção do longa de uma das babás mais famosas de todos os tempos. Lançado em 1964, o longa conquistou cinco Oscars, entre eles o de Melhor Atriz para a inglesa Julie Andrews estreando no cinema no papel-título, uma mulher com poderes mágicos que transforma a amarga rotina de uma família com seu otimismo e alegria. Dizem que na infância as filhas de Walt Disney (Tom Hanks) se apaixonaram pelo livro publicado em 1934 pela escritora australiana Pamela L. Travers (Emma Thompson) e ele fez uma promessa aparentemente bastante simples para quem criara um verdadeiro império da cultura e do entretenimento: transformar as páginas de papel em belas imagens em celulóide. Contudo, não bastava seu dinheiro, fama e poder. Mais do que tudo era preciso vencer a empáfia da criadora que não via com bons olhos o tipo de trabalho do mestre das animações. Durante mais de duas décadas ela resistiu as investidas do magnata, mas quando se viu em apuros financeiros, devido a crise literária que enfrentava a concorrência da televisão e do próprio cinema como meios de entretenimento, aceitou negociar os direitos de sua obra com a condição que pudesse acompanhar de perto o trabalho da equipe por trás das câmeras. Saindo a contra-gosto de sua pacata rotina em Londres para o agitado cenário de Los Angeles, mais especificamente em Hollywood, na realidade ela queria forçar a desistência do projeto uma vez que inseriu no contrato a cláusula de que poderia vetá-lo caso não aprovasse certas liberdades de criação.  A relação de Travers com seu livro não é meramente profissional ou intelectual, mas acima de tudo íntima e nostálgica, o que justifica seu comportamento irascível descaradamente fazendo inúmeras exigências para tentar desanimar a todos. Entrando na pré-estreia de braços dados com Mickey Mouse, o longa tenta fazer média e mostrar a escritora até se divertindo em alguns momentos, mas na realidade odiou o filme e nunca mais cedeu os direitos de suas obras para adaptações.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

AMORES POSSÍVEIS

NOTA 8,0

A partir de um mesmo ponto de
partida, longa apresenta três versões
para o futuro de um casal em uma
narrativa envolvente e bem amarrada
O início da década de 1990 marcou a estagnação do cinema nacional, ou melhor, seu declínio, talvez sua pior fase. Empresas quebraram, o governo deu uma rasteira econômica nos produtores e os poucos filmes lançados foram finalizados a duras penas e provavelmente mais com o intuito de satisfazer o ego de seus realizadores. Público mesmo não esperavam. A segunda metade da década já foi marcada por um reaquecimento da indústria com produção mais regular, salas de exibição mais generosas e apoio para divulgação. A partir do ano 2000 as pessoas pararam de se envergonhar e começaram a assumir com orgulho: vou ao cinema assistir filme nacional! O mesmo acontecia com a ida às videolocadoras que então colocavam o acervo recente verde e amarelo em destaque, não mais escondidinho em um canto qualquer. Claro que para tanto a produção passou por uma recauchutada e os realizadores precisaram tentar se aproximar a um estilo mais hollywoodiano e Amores Possíveis é um bom exemplar. Não fez fortuna e tampouco levou multidões para as salas escuras, mas representou um salto qualitativo, tanto narrativo quanto de parte técnica. A trama entrelaça três possibilidades de encaminhamento para o futuro de Carlos (Murilo Benício) e Júlia (Carolina Ferraz), que marcaram de ir juntos ao cinema em uma noite chuvosa, mas a moça não apareceu. A partir disso a diretora Sandra Werneck devaneia sobre o que aquele desencontro poderia ocasionar em suas vidas quinze anos depois. O rapaz poderia se tornar um respeitado advogado, mas levar uma vida acomodada ao lado da esposa Maria (Beth Goulart) e ficar balançado ao reencontrar seu amor do passado. Em outra versão, ele até teria casado com Júlia e se tornaria pai, mas assumiria ser homossexual e trocaria a esposa por Pedro (Emílio de Mello), um colega com quem jogava futebol. Por fim, a terceira ideia seria a de que Carlos se tornaria um mulherengo dependente da mãe (Irene Ravache) evitando qualquer relacionamento sério até reencontrar a paquera do cinema através de uma agência de encontros acreditando de fato ela ser a mulher da sua vida.

domingo, 20 de agosto de 2017

O RIO SELVAGEM

Nota 6,0 Embora divirta, rara incursão de Meryl Streep no gênero de ação não faz jus a seu talento

Meryl Streep é reconhecidamente uma atriz dramática de mão cheia e esporadicamente surge em alguma comédia demonstrando mesma desenvoltura em fazer rir quanto para fazer chorar. Apesar de aparentemente não ter medo de desafios, atuar em outros gêneros não faz muito sua cabeça. Com dois Oscars em casa, uma premiação em Cannes e muitos outros prêmios e elogios da crítica e público em seu currículo, ela em 1994 não tinha necessidade de provar seu talento e força de vontade, mas surpreendeu ao protagonizar a aventura com toques de suspense O Rio Selvagem. A surpresa não é só pela estranheza em vê-la em uma produção que lhe exige mais força física que lágrimas, mas também porque o papel não está a altura de sua importância. Qualquer atriz mediana poderia dar vida à Gail Hartman, uma dona-de-casa que abriu mão de sua vida profissional para cuidar da família, embora sua relação com o marido Tom (David Straithairn) esteja indo de mal a pior por ele se preocupar demais com o trabalho. Com saudades de sua antiga rotina como guia turística, ela resolve comemorar o aniversário de Roarke (Joseph Mazello), seu filho mais velho, com um acampamento em família com direito a passeio de canoa pelas perigosas águas do Rio Salmon na região de Idaho, nos EUA, cujo percurso ela conhece como ninguém. O passeio segue outros rumos quando ganham a companhia de Wade (Kevin Bacon), um sujeito inicialmente bastante amistoso e que logo conquista a atenção do garotinho que passa admirá-lo pelas atitudes bacanas que seu próprio pai nunca teve com ele. Contudo, não demora para o rapaz se revelar um bandido e que havia planejado o encontro com esta família justamente porque precisa dos conhecimentos de Gail a respeito do trajeto do rio para conseguir atravessar a fronteira para o Canadá com uma fortuna roubada ao lado de seu companheiro de crimes Terry (John C. Reilly).

sábado, 19 de agosto de 2017

O IDIOTA DO MEU IRMÃO

Nota 5,5 Carisma e talento do protagonista segura as pontas em comédia que carece de clímax

O título certamente cairia como uma luva para um filme estrelado por Adam Sandler ou alguém do seu estilo fanfarrão, mas a alcunha O Idiota do Meu Irmão não deve ser levado ao pé da letra. Trata-se de uma comédia americana no melhor estilo independente, ou seja, acerca de personagens cheios de defeitos e problemas e que a certa altura da vida se veem forçados a reatar laços familiares, o típico tema desse tipo de produção. Ned (Paul Rudd) é um rapaz que sempre levou a vida na flauta como popularmente se diz. Vivendo do que ganha em uma barraquinha de orgânicos na feira, ele tira um extra vendendo maconha por fora, mas se dá mal quando cai na armadilha de um policial que mesmo fardado se faz passar por viciado. Desligado e ingênuo, o feirante acaba sendo preso em flagrante, porém, com sua bondade extrema ele acaba ajudando outros presos e tendo bom comportamento na cadeia, assim é liberado alguns meses antes do previsto sob regime de liberdade condicional. Todavia, a vida do lado de fora das grades não parou e sua namorada Janet (Kathryn Hahn) já está vivendo com outro homem e ele acaba sendo acolhido pela irmã Liz (Emily Mortimer), uma mãe de família neurótica que está sendo traída por Dylan (Steve Coogan), seu marido que praticamente não lhe dá atenção. Entretanto, sua companhia acaba trazendo alguns problemas de relacionamento para essa família e que o obrigam a passar alguns dias com suas outras irmãs, a frustrada repórter Miranda (Elizabeth Banks), que justamente agora ganha uma boa chance de trabalho, e a lésbica não tão convicta Natalie (Zooey Deschanel), que anda balançando quanto a seus reais sentimentos pela namorada Cindy (Rashida Jones). Nas temporadas que passa na casa de cada uma delas Ned vai as enlouquecendo com suas manias e atitudes sem noção ou pudor, principalmente seu costume de falar absolutamente tudo que lhe passa pela cabeça sem filtrar informações.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CHRISTINE - O CARRO ASSASSINO

NOTA 8,0

Marco do terror, longa aborda
a carência de um jovem suprimida
pelo amor à um veículo que assume
uma posição de controle em sua vida
Ter medo de dirigir é algo bastante comum, mas ter fobia de um carro, em sua figura propriamente dita, é um tanto estranho. Contudo, o mestre do terror John Carpenter provou com Christine - O Carro Assassino que tal repulsa tem fundamentos e faz total sentido. Claro que isso no âmbito da fantasia, mais especificamente dentro do universo de outro mestre do gênero, o escritor Stephen King. A trama se passa em 1978 e tem como protagonista Arnold Cunningham (Keith Gordon), ou simplesmente Arnie, um adolescente não muito popular, sempre ameaçado pelos valentões e que vive à sombra de seu melhor amigo, Dennis Guilder (John Stockwell), o astro do time de futebol do colégio e alvo de desejo das garotas, o estereótipo do jovem de sucesso. O tímido rapaz ainda tem que conviver com sua mãe repressora, Regina (Christine Belford), que parece não querer que ele cresça. Sua vida muda completamente quando avista em um ferro-velho a carcaça da velha Christine, um glamoroso exemplar do Plymouth Fury vermelhão embora deteriorado, e torna-se obcecado pelo veículo. Ele junta suas economias e o compra passando a dar-lhe mais importância do que a tudo e a todos, inclusive sua família e Leigh (Alexandra Paul), a garota por quem era apaixonado. Dennis tenta ao máximo alertar o amigo sobre sua mudança de comportamento e obsessão pelo seu novo brinquedinho, mas diante das agressões e repulsa que passa a sofrer pouco a pouco começa a se afastar. Desse ponto em diante já é possível prever os próximos acontecimentos. Nesta relação de amor entre homem e máquina, onde o carro assume praticamente uma postura humana quanto ao ciúme e senso de justiça, o jovem Arnie não percebe suas mudanças de personalidade, mas tem consciência de que está encobrindo crimes cometidos pelo seu veículo que literalmente ganha vida quando se trata de proteger seu dono a quem deve sua segunda chance de sobrevivência. Detalhe, seu velho rádio interno serve como forma do possante se expressar, sempre com boas canções de rock, mas cujas letras são escolhidas a dedo para amedrontar qualquer um que estivesse dentro ou fora dele.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

UM AMOR DE VIZINHA

NOTA 4,0

Colocando novamente dois grandes
astros na condição de protagonistas,
romance não foge do convencional e nem
oferece oportunidades para brilharem
Michael Douglas e Diane Keaton já foram nomes disputadíssimos por diretores. Cada um com uma estatueta do Oscar em casa e com alguns sucessos de público e crítica nos currículos, é uma pena que nos últimos anos tenham sofrido com o preconceito da idade. A aura brilhante que carregavam pouco a pouco minguou e com os convites cada vez mais escassos se viram obrigados a aceitar participar de qualquer bobagem. Não que precisassem de dinheiro, mas para continuarem a se sentirem vivos e com dignidade, mesmo que fossem relegados a papéis coadjuvantes e muitas vezes desnecessários. O primeiro e tardio encontro da dupla em Um Amor de Vizinha os elevou novamente a condição de protagonistas, porém, um projeto apagadinho e que não oferece a oportunidade de mostrarem que o físico de um ator obviamente envelhece, mas seu talento permanece intacto ou até aperfeiçoado. Nesta comédia romântica voltada para a terceira idade Douglas vive Oren Little, um agente imobiliário sessentão que precisa realizar uma última grande venda para então usufruir de uma boa aposentadoria. A casa em questão é sua própria moradia onde agora vive sozinho após a morte da esposa e a partida do filho Luke (Scott Shepherd) viciado em drogas com quem não tem contato há anos. Rabugento, egoísta e solitário, mas com uma polpuda conta bancária, ele é a prova de que dinheiro não compra felicidade. Sua vida muda quando é obrigado a receber a neta em sua casa, Sarah (Sterling Jerins), prestes a completar dez anos e que até então não conhecia, enquanto seu filho cumpre uma temporada na prisão. No entanto, é óbvio que inicialmente ele não tem o menor traquejo com a menina, assim ela passa alguns dias hospedada com Leah (Keaton), uma adorável e prestativa vizinha, mas com quem Oren vive trocando farpas, para variar. Todavia, eles tem algo em comum: dificuldades para lidar com assuntos mal resolvidos do passado, principalmente perdas.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

DIAS INCRÍVEIS

NOTA 6,0

Mais um exemplar da safra de
comédias sobre homens que não querem
amadurecer, filme não aprofunda o tema,
apoiando-se no humor dos protagonistas
Prorrogar ao máximo a juventude, esse é sem dúvida o maior sonho de todas pessoas e o cinema por diversas vezes se aproveitou de tal devaneio, mas a mensagem final geralmente é a mesma: viva intensamente o momento, envelhecer é preciso. Passar por procedimentos estéticos e viver de remédios ditos milagrosos apenas retardam rugas, mas algum sinal de que a idade avançou mais cedo ou mais tarde aparecerá. E como lidar com o espírito da juventude que teima em não amadurecer? Pensando nisso, tem uma turma de atores americanos que se especializou em lidar com tal temática e praticamente criou um subgênero para a comédia. Nos últimos anos tem se popularizado as fitas de humor focando as desventuras de trintões e quarentões que precisam na marra aceitar que já não são adolescentes, mas sempre que tentam dar um passo adiante parece que há uma força sobrenatural que os puxa para retroceder outros dois. Dias Incríveis segue bem essa linha e traz um trio bastante representativo encabeçando o elenco e que resolve exorcizar as mágoas da vida adulta voltando aos bons tempos da escola literalmente. Mitch (Luke Wilson) sofreu uma decepção amorosa quando voltou de viagem e encontrou a namorada em sua casa praticando swing. Frank (Will Ferrell) conseguiu se casar, mas basta o mínimo contato com alguma lembrança dos tempos de escola para que perca as estribeiras e não se importe de sair pelado correndo pelas ruas. Já Beanie (Vince Vaughn) também casou e tem filhos, mas não trai a mulher, embora sinta saudades de quando era livre e sem as responsabilidades de assumir uma família. Quando Mitch aluga uma casa dentro de um campus universitário, os amigos logo lançam a ideia de montar uma república estudantil à moda antiga, ou seja, um lugar para homens se reunirem e darem altas festas com muita música, bebidas e mulheres, muitas mulheres. Logo na primeira balada tem a presença luxuosa do rapper Snoop Doggy. Como pagaram seu cachê?... Bem, isto é uma comédia, então vale tudo, até mesmo um cantor famoso acostumado com multidões aceitar fazer um pequeno show em um jardim.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O SEGREDO DA CABANA

NOTA 8,0

Com base em uma trama comum
de fitas de horror, longa desconstrói
chavões do gênero e surpreende com
final que reverencia monstros sagrados
Um grupo de jovens decide passar um final de semana em uma isolada cabana no meio de uma floresta, uma viagem movida a bebidas, drogas, sexo e.... Mortes! Tal argumento caberia como uma luva para centenas de títulos, assim como se encaixa perfeitamente para O Segredo da Cabana, mas não se engane com a alcunha genérica. Este não é um filme de terror convencional, mas uma produção ímpar que ao mesmo tempo reverencia, desconstrói e também parodia (não no sentido pejorativo) chavões do gênero tendo como referência óbvia o cultuado (e também odiado em proporções semelhantes) The EviL Dead – A Morte do Demônio. Quando Sam Raimi realizou sua obra maldita ele ainda era apenas um aspirante a cineasta, mas transbordava criatividade e paixão por fazer cinema. Provavelmente não lhe passava pela cabeça de que o filme que realizou aos trancos e barrancos e na base de trucagens caseiras viria a se tornar um modelo para tantos outros diretores, ainda que os trabalhos dos pupilos por acaso inevitavelmente deixassem transparecer certa deficiência de personalidade. Não é o caso da fita em questão. Basicamente deitando e rolando sobre os principais clichês do cinema de horror, a fita nem de longe lembra o estilo tosco e debochado da série Todo Mundo em Pânico graças ao tom de homenagem adotado pelo diretor Drew Goddard, co-roteirista do superestimado Cloverfield - Monstro no qual precisou segurar as rédeas de sua imaginação em nome do suspense. Em sua estreia na direção, agora ele pôde  literalmente exorcizar seus monstros. A metalinguagem se faz presente do início ao fim revelando os mecanismos que sustentam as produções de terror. A aguardada viagem que os estudantes planejavam a meses na realidade é uma armação da equipe de um macabro reality show onde cada um deles tem um personagem definido de acordo com suas personalidades para fins de estudos de psicologia ou algo assim. Dana (Kristen Connoly) é a puritana e certinha do grupo, Jules (Anna Hutchinson) é garota sexy e burra, Curt (Chris Hemsworth) é o esportista metido a valentão, Holden (Jesse Williams) faz as vezes do nerd sedutor e Marty (Fran Kranz) é o chapadão da galera, porém, com inteligência acima da media e o único a sacar os clichês dos filmes de terror que passam a atrapalhar a viagem.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

NÃO É MAIS UM BESTEIROL AMERICANO

NOTA 5,5

Parodiando comédias e romances
teens, longa é acima da média para
seu estilo e com boas citações a filmes da
época e também clássicos da década de 1980
No ano 2000 Todo Mundo em Pânico foi produzido com uma ninharia e faturou alto, muito alto, achincalhando os filmes de terror e alguns sucessos da época de outros gêneros. Não demorou muito para produtores despertarem interesse pela paródia de gêneros e assim é que surgiu Não é Mais um Besteirol Americano, uma brincadeira em cima de comédias e alguns poucos dramas voltados para os jovens. O título original seria algo como "não é outro filme de adolescentes", mas tanto ele quanto a alcunha que ganhou no Brasil não vendem corretamente a ideia da fita. Este é sim mais um filme para adolescente e também é mais um besteirol americano, porém, que surpreendentemente conta com algumas boas piadas como a inserção de um número musical com as entonações e coreografias calcadas no exagero do exagero. A trama principal, parodiando Ela é Demais, tem como protagonista Janey Briggs (Chyler Leigh), uma estudante de um tradicional colégio para riquinhos e metidos, mas quem não segue um padrão estético definido automaticamente é marginalizado. É bem o caso. Mal vestida, com óculos chamativos e um rabinho de cavalo broxante, ela não tem muitos amigos e sonha em se tornar uma famosa artista plástica. Sem querer ela acaba entrando na mira de Jake Wyler (Chris Evans), o bonitão do colégio que aposta com os colegas que conseguirá transformar a garota mais feia do pedaço na rainha do baile de formatura. Enquanto isso, o time de futebol americano dos estudantes, liderado pelo próprio Jack assumindo o lugar do capitão Reggie Ray (Ron Lester), seu melhor amigo que corre risco de vida após um acidente, está enfrentando problemas no campeonato que estão disputando por despreparo do novo líder, a desculpa perfeita para as líderes de torcida darem aquela forcinha se exibindo em minúsculas roupas e em coreografias sensuais para os rapazes, como a piriguete Priscilla (Jaime Pressly).

domingo, 13 de agosto de 2017

O PAIZÃO

Nota 7,5 Despretensiosa e divertida, comédia já ditava o estilo de trabalho de Adam Sandler

Muitos homens fogem como o Diabo da cruz quanto a ideia de se tornarem pais. Assumir responsabilidades, ter que alterar suas rotinas e de certa forma perder a liberdade que tanto se orgulham de ter são alguns dos empecilhos de colocar um filho no mundo. E o que dizer de caras dispostos a encarar o desafio por amor a uma criança que literalmente bate à sua porta sem mais nem menos? Esse é o plot da comédia O Paizão, mais uma entre tantas comédias semelhantes no currículo de Adam Sandler, na época já um astro nos EUA, mas no Brasil um ilustre desconhecido. Na trama que o próprio assina como produtor e o roteiro em parceria com Steve Franks e Tim Herlihy, ele dá vida ao boa-vida Sonny Koufax, rapaz formado na faculdade de direito, mas que se contenta com a merreca que ganha trabalhando como cobrador em um pedágio em Nova York, ao contrário de seus amigos que exercem a profissão e ganham altos salários. Sua preocupação no momento é a todo custo provar para namorada Vanessa (Kristy Swanson) que não é nenhum inútil e assim reconquistá-la. O pé na bunda era o que ele precisava para acordar para a vida e amadurecer. No entanto, essa mudança de vida só é possível a partir do momento que conhece o pequeno Julian (papel revezado pelos gêmeos Cole e Dylan Sprouse), um garotinho de cinco anos que é abandonado com um bilhete da mãe pedindo para procurar certo homem. Sonny não é o tal cara, mas de imediato compra a ideia da adoção pensando em reconquistar a namorada, mas não esperava se afeiçoar tanto ao menino. A transição de adolescente fanfarrão para adulto responsável é feita de maneira convincente. O roteiro aborda várias situações em que ele educa o garoto como se fosse um amigo dando conselhos ao outro, claro que a maioria reprováveis, mas dentro de seu universo perfeitamente aceitáveis, até seus amigos aprovam. Somente quando é criticado por alguém de fora de seu circuito de amizades é que lhe cai a ficha dos erros que está cometendo.

sábado, 12 de agosto de 2017

40 DIAS E 40 NOITES

Nota 7,0 Com temática sexual, comédia surpreende com texto mais maduro e piadas inteligentes

Todo homem gosta em uma roda de amigos de bancar o pegador e se conseguir levar para cama mais de uma mulher em uma mesma noitada melhor ainda. Agora, será que alguém se gabaria de passar muito tempo sem sexo? Esse é o desafio que o jovem Matt Sullivan tenta vencer na comédia 40 Dias e 40 Noites, uma espécie de filhote não-reconhecido da franquia American Pie. Vivido por Josh Hartnett, colhendo frutos do épico Pearl Harbor e então uma promessa de astro que não vingou, o protagonista acaba de terminar de forma desastrosa o relacionamento com Nicole (Vinessa Shaw) e cai na farra. Como numa espécie de vingança contra o sexo feminino ele passa a dormir com praticamente todas as garotas que cruzam seu caminho, como se a maioria fosse se importar de ser usada. Contudo, ele passa a enxergar em todas as mulheres o semblante da ex e decide que é hora de dar um tempo em sua vida sexual e faz uma promessa a si mesmo: ficará uma temporada sem qualquer tipo de contato físico com o sexo oposto. Pensamentos que induzam a masturbação também são proibidos durante pouco mais de um mês. Inicialmente ele até resiste as tentações e conta com o apoio de seu irmão John (Adam Trese), que está estudando para ser padre e aconselha o irmão quanto aos pecados da carne, mas quando conhece Erica (Shannyn Sossamon), que julga ser a companheira ideal, seus planos de castidade podem ir por água abaixo. Eles começam a ter encontros frequentes amigavelmente, mas esfriar os hormônios não será nada fácil. O rapaz sofre pressão dos amigos para deixar a promessa de lado, tudo para ganharem um bolão promovido por Ryan (Paulo Costanzo) que lançou a proposta em uma página na internet. Com lances de grana alta em jogo e a participação de desconhecidos, a vida sexual do jovem então passa a ser acompanha com torcida e atenção como uma final de Copa do Mundo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PETS - A VIDA SECRETA DOS BICHOS

NOTA 7,0

Apesar do ritmo frenético, tramas
paralelas e personagens cativantes,
animação fica a dever a diversão e
curiosidade prometidas em seu título
Quem nunca imaginou o que deve fazer seu bichinho de estimação quando ele está sozinho em casa? Será que ele dorme o tempo todo? Fica admirando a paisagem pela janela? Ou na mesma posição que fica quando seu dono se despede pela manhã permanece até a sua volta? Explorar tal ideia é o argumento que sustenta Pets - A Vida Secreta dos Bichos. Ou assim deveria ser. A publicidade do filme vendia a fantasia de que na ausência de seus tutores por algumas horas os animais curtiam baladas alucinantes e zoavam a torto e a direito com outros vizinhos pets. Umas duas ou três cenas de fato traduzem este espírito anárquico, mas o roteiro em si apresenta uma outra proposta explorando a jornada de personagens reencontrando o caminho de casa, mas também aprendendo como é a vida longe do conforto de seus lares. Max é um cãozinho com pedigree acostumado aos paparicos de sua dona e que aproveita todas as regalias de seu apartamento durante o dia enquanto ela sai para trabalhar. Quando ela volta ele a enche de carinhos como retribuição, mas certa noite uma surpresa faz seu mundo perfeito cair. Ela chega em casa acompanhada de Duke, um vira-lata peludo e grandalhão com quem agora terá que aprender a dividir as atenções e seu espaço físico. À primeira vista os cãezinhos já se estranham, não só pelo ciúme, mas também pelo choque de personalidades, afinal um é extremamente mimado e organizado enquanto o outro é espaçoso e desordeiro. Em uma das brigas que travam eles acabam indo parar no meio da rua e passam a ser caçados não só pelo controle de zoonoses como também por um bando de malvados felinos e por uma gangue de animais rejeitados. A dupla então se mete em uma série de aventuras enfrentando o trânsito caótico de Nova York, o submundo das tubulações de esgoto e os perigos oferecidos pelas construções e monumentos da cidade. E assim o filme se resume a muita ação e poucos conflitos. Os animais correm de um lado para o outro, soltam piadinhas visuais ou em diálogos aqui e ali, mas seus perfis são bastante limitados. Sabemos apenas o estritamente necessário para diferenciar os mocinhos da turminha do mal, embora é bom destacar a inversão de personalidade de alguns poucos personagens.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A CASA DAS COELHINHAS

NOTA 3,0

Apesar do argumento principal
explorar a valorização da imagem,
comédia dispensa aprofundamentos e
pega leve até mesmo com piadas picantes
Não é só no Brasil que a revista Playboy já não goza mais do prestígio de outrora. Com a popularidade da internet, a publicação deixou de ter o gostinho de proibido que aguçava adolescentes e que garantia milhões de dólares mensalmente na conta bancária de seu criador Hugh Hefner. Todavia, ainda há muitas garotas que sonham em se tornar coelhinhas, nome carinhoso dado as ninfetas que estampam as edições, e a famosa mansão de mesma alcunha continua enraizada no imaginário masculino. Nela vivem lindas jovens com corpos esculturais e que passam dia após dia se divertindo em festas a beira piscina e com pouquíssima roupa. Bem, na verdade essa imagem da Mansão Playboy é mais uma especulação, mas não deve ser muito diferente do que vemos na comédia A Casa das Coelhinhas, que não só homenageia ao mesmo tempo que debocha do status ilusório que este universo paralelo adquiriu, como também retrata uma problemática intrínseca à cultura jovem dos EUA. Se você não é popular você não existe. Será mesmo? Shelley Darlingson (Anna Faris) é uma das dondocas que habita o casarão, mas ao atingir 27 anos, o que em sua "carreira" é como se já beirasse a terceira idade, ela acaba sendo expulsa. Na verdade ela é vítima de uma de suas coleguinhas invejosas que arma uma cilada que a faz crer estar sendo dispensada, isso sem ter tido a honra de ser fotografada para algum ensaio. Como nunca trabalhou ou estudou, simplesmente viveu de pernas para o ar e fazendo caras e bocas, a moça se vê sem rumo e vai bater na porta de uma irmandade onde apenas patricinhas populares e ricas vivem, mas para sua surpresa é logo de cara dispensada. Transtornada, literalmente ela cai na frente da Zeta Alpha Zeta, o lar que abriga as estudantes desajustadas, problemáticas e nerds. O local está sob ameaça de ser fechado pela universidade por falta de interesse de novas moradoras em dividir o espaço e então Shelley encontra a maneira perfeita para pagar sua estadia: ajudando as garotas a mudarem de vida, tornando-as atraentes e alvo de cobiça dos rapazes, assim a casa viraria sinônimo de alegria e diversão e atrairia novas hóspedes. Detalhe: ela vira a líder das perdedoras sem nem mesmo ser uma estudante, contrariando uma regrinha básica das tais irmandades. Todavia, sua personalidade altiva perante a postura cabisbaixa de suas pupilas a rotulam naturalmente como um ser superior, um modelo a ser seguido.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A FAMÍLIA FLYNN

NOTA 7,5

Baseado em fatos reais, drama
comove com história de reencontro
de pai e filho com passado conturbado,
mas arrastado último ato prejudica obra
Saber lidar com os infortúnios da vida não é nada fácil. Assumir fracassos ou frustrações menos ainda. Histórias baseadas em fatos reais do tipo sempre foram uma grande fonte de inspiração para o cinema, mas o que não é comum é que o próprio personagem da vida real participe da realização de seu filme autobiográfico. A Família Flynn não só é inspirado no livro de memórias "Another Bullslit Night in Suck City" escrito pelo romancista Nick Flynn como ele próprio é um dos produtores. A narrativa aborda suas difíceis lembranças da infância e juventude e seu complicado relacionamento com seu pai. Interpretado por Paul Dano na fase adulta, Nick é posto para fora de casa após trair a namorada e está precisando de um emprego que lhe ofereça estabilidade. Já alimentava o sonho de ser escritor há um bom tempo, mas ainda assim duvidava de seu próprio talento e o destino parecia lhe negar a chance de melhorar de vida. Em suas andanças acabou conhecendo dois rapazes de índole duvidosa e foi morar com eles em um imóvel que ocupavam ilegalmente. Vivendo no submundo, inevitavelmente acabou caindo no vício das drogas e só não deu continuidade a sua degradação graças ao apoio de Denise (Olivia Thireby), uma jovem que trabalha em um abrigo para sem-tetos. Eles começam a namorar e ela lhe consegue um emprego no local. Quando acredita que as coisas estão melhorando, sua tranquilidade é abalada por um telefonema de Jonathan (Robert De Niro), seu pai que não via e nem mesmo conversava há quase vinte anos. Quando o filho era pequeno ele foi preso por alguns delitos, o que explica o afastamento entre eles, mas também sempre foi um homem desajustado, violento, alcoolatra, preconceituoso e homofóbico. Parece que todos os adjetivos negativos se encaixam na descrição de seu perfil que também engloba a mania de grandeza e o sentimento de superioridade. Considerando-se um grande contador de histórias, acredita que os EUA teve apenas três grandes escritores e é óbvio que ele seria um deles, embora por toda a sua vida tenha se dedicado a escrever um calhamaço sem fim que ninguém nunca leu, mas que autointitula como o maior romance americano de todos os tempos.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O MISTERIOSO CASO DE JUDITH WINSTEAD

NOTA 3,0

Apesar da boa proposta, montar um
documentário com edição de imagens de
um caso de possessão demoníaca,
fita entedia com ritmo lento e poucos sustos
Zumbis, assassinos mascarados, monstros, casas assombradas, eventos sobrenaturais... O gênero terror possui diversas vertentes e é interessante que os estilos e temas acabam marcando determinadas épocas. A década de 1980 ficou rotulada pelas fitas de horror trash, a década seguinte pelo revival dos seriais killers e os anos 2000 pelo ápice do cinema gore. Em paralelo as vísceras expostas e torturas sem limites, os primeiros anos do novo milênio também serão lembrados por uma técnica em específico que se encaixa em todos os estilos citados no início: o found footage. Compilação de imagens de vídeos caseiros, o recurso caiu como uma luva para ajudar a contar histórias de arrepiar supostamente reais, mas tudo que é demais não tarda a enjoar. Desde o final de 1999 quando A Bruxa de Blair causou frisson e faturou alto vendendo a ideia de um filme exclusivamente editado a partir de fitas encontradas em uma floresta onde adolescentes desapareceram, muitas outras produções tentaram repetir o sucesso imbuídos do espírito altruísta de que para fazer cinema basta uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. A realidade não é tão fácil assim e com exceção de Atividade Paranormal filmes do tipo costumam dar prejuízos o que nos leva a questionar o porquê de alguns diretores ainda apostarem no estilo. O Misterioso Caso de Judith Winstead procurou dar um gás para à técnica assumindo a identidade de um documentário, mas para um filme cujo principal objetivo é aterrorizar o espectador o casamento de gêneros falhou. Fora um ou outro momento, no geral não impacta e tampouco assusta na medida necessária. Acompanhamos com tédio a história escrita e dirigida por Chris Sparling, do pouco visto Enterrado Vivo, apesar de seus esforços para oferecer algo diferenciado.  A trama nos apresenta o Dr. Henry West (Willian Maphother), cientista que em meados da década de 1970 criou o Instituto Atticus, local para estudos psicológicos voltado para pessoas com habilidades especiais.  Muitos pacientes foram submetidos a diversos testes para verificação de atividades paranormais, alguns poucos casos de fato comprovados e tantos outros considerados fraudes, mas nenhum deles desafiou tanto a equipe médica quanto o episódio da jovem do título.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

MORTDECAI - A ARTE DA TRAPAÇA

NOTA 3,0

Estranha e confusa, comédia
comete o pecado de não ser engraçada
e atuação afetada de Johnny Depp
revela necessidade de se reciclar
Johnny Depp é reconhecidamente um ator que não tem vergonha em literalmente vestir um personagem e por muitas vezes se entregou de corpo e alma às bizarrices de seu amigo pessoal Tim Burton, o diretor com quem mais trabalhou. Com outros no comando, é fato que ele tem certas dificuldades e não rende o esperado. Uma rara exceção foi a criação do excêntrico Jack Sparrow em parceria com Gore Verbiski que dirigiu os três primeiros filmes da série Piratas do Caribe. Não é a toa que nos demais episódios das aventuras pelos sete mares o ator apenas repetiu trejeitos e caras e bocas, seus diretores não souberam extrair vivacidade do papel. Sim, Depp é o tipo do ator que parece deixar transparecer quando não está a vontade em uma produção e é essa a sensação que temos ao assistir Mortdecai - A Arte da Trapaça, mais uma tentativa do astro em provar que não precisa ser refém de personagens (não tão) bizarros e tampouco se aposentar representando um pirata trapaceiro, bêbado e de sexualidade duvidosa. Contudo, não se pode dizer que com este filme esperava ser levado a sério, afinal o objetivo é fazer graça com as peripécias do personagem-título. Charles Mortdecai é um conhecido negociador de obras de artes que conhece muito bem as artimanhas e vigarices que movimentam este meio. Ele próprio é um vigarista de mão cheia. Casado com Johanna (Gwyneth Paltrow) e tendo Jock (Paul Bettany) como seu fiel escudeiro, ele está passando por dificuldades financeiras, o que o obriga a colocar a venda algumas das preciosidades de seu acervo pessoal. Sabendo da crise, o inspetor Martland (Ewan McGregor) pede a ajuda de Mortdecai para solucionar o mistério em torno do assassinato de uma restauradora de quadros que no momento de sua morte trabalhava em um valiosa pintura do espanhol Goya que sumiu. Ele aceita a tarefa, pois ao final poderá ter sua dívida com o governo abonada e assim viaja na companhia de seu guarda-costas para várias partes do mundo para descobrir o paradeiro do quadro, deixando assim o caminho livre para o inspetor dar em cima de sua mulher por quem é apaixonado desde a juventude.

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