segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

UM HERÓI DE BRINQUEDO

NOTA 7,0

Com os costumeiros exageros das
produções natalinas, longa diverte e
traz uma atemporal crítica ao espírito
consumista que impera no fim de ano
Que saudades do tempo em que as crianças acordavam no dia 25 de dezembro empolgadas para ver se ganharam os brinquedos que pediram de Natal. Hoje muito cedo elas estão trocando as cartinhas para o Papai Noel por mensagens diretas aos pais através de celulares e ipads que provavelmente serão trocados por produtos idênticos entregues comodamente por sites de empresas loucas para destroçarem lojas físicas. Qual a graça de uma festa sem surpresa, magia e principalmente corre-corre de última hora? Assistir Um Herói de Brinquedo é nostalgia pura, é lembrar de uma época em que os brinquedos já flertavam com os avanços da tecnologia, mas ainda assim deixavam espaço para a imaginação da criançada rolar e não as escravizavam. O gostinho de lembrança boa é acentuado ao ver o grandalhão Arnold Schwarzenegger fazendo caras e bocas a cada tropicão ou vacilo ao tentar realizar o desejo do filho. Ele vive Howard Langston, o típico homem de negócios que coloca o trabalho à frente da família, não raramente frustrando a esposa Liz (Rita Wilson) e o pequeno Jamie (Jake Lloyd). Após perder a apresentação de caratê do garoto na qual ele trocaria de faixa, para tentar compensar mais um furo ele promete dar ao menino qualquer coisa que pedisse para o Natal. O filho então pede algo aparentemente muito simples: um boneco do "Turbo Man", o brinquedo sensação da época oriundo de uma série de TV. Teoricamente ele poderia ser encontrado facilmente em qualquer loja de brinquedos ou departamentos, mas não às vésperas dos festejos natalinos. Todas os estabelecimentos estão com estoques zerados, mas Langston se propõe a cumprir sua promessa custe o que custar e assim ele se mete em uma série de enrascadas em uma verdadeira odisséia em busca do boneco tendo em sua cola o carteiro Myron Larabee (Sinbad), um trapaceiro que também fez a mesma promessa ao filho.

sábado, 23 de dezembro de 2017

TAL MÃE, TAL FILHA

Nota 7,0 Juliette Binoche se destaca em em comédia em que mãe e filha se descobrem grávidas

Uma cinquentona que leva a vida sem responsabilidades tal qual uma adolescente se vê inesperadamente grávida de seu ex-marido ao mesmo tempo que sua filha um tanto mais ajuizada também anuncia que está esperando um bebê. O argumento de Tal Mãe, Tal Filha é típico de historinhas água-com-açúcar americanas e até poderia cair como uma luva a uma comédia popular brasileira daquelas que levam multidões aos cinemas, no entanto, é o ponto de partida de uma simples e divertida produção francesa. Para dar visibilidade ao filme, não por acaso a versátil e mundialmente conhecida Juliette Binoche, prata da casa, assume o papel de Mado, uma mulher de meia-idade que não tem trabalho fixo, tampouco objetivos de vida, e que se comporta como uma jovem rebelde desde que foi abandonada pelo marido Marc (Lambert Wilson). Perambulando pelas ruas de Paris montada em uma chamativa moto cor-de-rosa, a espevitada senhora dificilmente perde o bom humor e suas atitudes infantis chegam a ser confundidas até com mal de Alzheimer, mas nada que a faça perder o rebolado. Já sua filha Avril (Camille Cottin) está na casa dos trinta anos, é bem-sucedida profissionalmente e apaixonada por Louis (Michaël Dichter), seu marido que não trabalha, apenas estuda. Pouco vaidosa, por vezes bronca e bastante metódica, a jovem vive trocando farpas com a mãe que vive de favor em seu apartamento. Cada um pode e deve viver como bem entender, isso desde que seja respeitada a individualidade e privacidade dos demais e é nesse ponto que a relação delas estremece. A princípio a diretora e roteirista Noémie Saglio parece se ater ao clichê do choque entre gerações reciclando piadas previsíveis e impregnadas de vícios ianques, contudo, quando mãe e filha se descobrem grávidas praticamente simultaneamente a trama ganha outros rumos. Abobalhada com a ideia de ser mãe e avó e coagida por Avril, Mado aceita a ideia de fazer um aborto, mas atrapalhada como sempre se esquece de tomar no tempo certo o medicamento (fique claro prescrito por um obstetra, diga-se de passagem, um tanto estranho) e decide levar a gravidez adiante em segredo até onde puder, ou seja, a omissão não vai muito longe.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

TINHA QUE SER ELE?

NOTA 4,0

Com piadas de conflitos de gerações
e de rivalidade entre genro e sogro,
comédia oferece o trivial e perde chance
de explorar perfil de jovem excêntrico
O ator Ben Stiller interpretou um rapaz que passou por vários sufocos para tentar conquistar o sogrão vivido por um desconfiado e esperto Robert DeNiro em Entrando Numa Fria e suas continuações, produções sempre tentando manter as situações cômicas no limite para poder passar pelo crivo de uma censura mais branda. Com piadas de teor sexual a vontade e investindo pesado em diálogos repletos de palavrões,  Tinha Que Ser Ele? basicamente conta com o mesmo argumento, os problemas e desconfianças entre futuros parentes, mas no caso é o sogro que vai passar um dobrado nas mãos do namorado da filha. Ned Flaming (Bryan Cranston) viaja com a esposa Barb (Megan Mullally) de Michingan até a California para conhecer o genro Laird Mayhew (James Franco), um multimilionário do ramo de tecnologia e dos games cuja personalidade expansiva e sem papas na língua de imediato batem de frente com o jeitão careta do pai de Stephanie (Zoey Deutch). Desde quando viram o rapaz por acaso ao fundo numa videoconferência com a filha, diga-se de passagem, ele se despindo sem pudor algum, os pais da jovem já ficaram com um pé atrás quanto a este relacionamento, contudo, mal sabiam eles o que estava por vir. Convidados para passar o Natal na mansão do jovem empresário levando a tira-colo o caçula do clã Scotty (Griffin Gluck), os Flamings se deparam com um cara completamente excêntrico que não se intimida em cumprimentar a sogra com beijinho de leve na boca, tatuou a família da namorada nas costas e até fez uma pista de boliche adornada com seus rostos antes mesmo de conhecê-los e, talvez o pior de tudo, embora muito inteligente tem seu vocabulário bastante reduzido e a cada dez palavras que emite oito são "foda". Ned desde o início deixa claro que reprova o namoro, mas seu genro tinhoso vai fazer de tudo para ganhar a bênção para se casar, até mesmo apelar para o truque apelativo de que o sogro não vai perder uma filha e sim ganhar um novo filho.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

NOTA 8,0

Embora suavize o quanto pode as
feridas do nazismo, drama consegue
emocionar e divertir de forma equilibrada
e conta com elenco afiado e cativante
O nazismo é uma das temáticas de época mais exploradas pelo cinema. A intensa e controversa ditadura do alemão Adolf Hitler já rendeu diversos filmes, cada qual abordando um viés diferente seja por meio de um acontecimento específico, consequências de algum fato ou a maneira como um grupo de pessoas ou até mesmo um único indivíduo vivenciou tal período. Baseado no best-seller de Markus Zusak, em A Menina Que Roubava Livros temos um modesto retrato da época pelos olhos da esperta e sensível Liesel Meminger (Sophie Nélisse), ou melhor, a história da garota está inerentemente atrelada às atrocidades do regime alemão e curiosamente nos é contada por ninguém menos que a própria Morte (que se faz presente pela voz soturna de Roger Allam no original). Sim, o espectro que tantas boas almas levou por conta da guerra se interessou pela menina quando veio buscar seu irmão mais novo durante a viagem que faziam rumo a um subúrbio da Alemanha para serem adotados por uma nova família depois que a mãe fora acusada e perseguida por comunismo. A popularmente chamada de "ceifadora de almas" poupou a jovem certamente por ter sua curiosidade aguçada já que ela surrupia durante o sepultamento do irmão um livro que o coveiro deixou cair, uma espécie de manual para rituais funerários. Por que uma criança se interessaria por tal leitura? A Morte então passa a acompanhar a trajetória de Liesel desde sua chegada à rua Paraíso, de fato um local que parece transpirar tranquilidade, mas seus moradores apenam tentam levar uma rotina normal, no fundo vivem em constante clima de tensão já que nunca se sabe quando haverá uma batida policial ou uma bomba pode ser lançada por lá. Em troca de dinheiro um casal de meia-idade, adoradores do nazismo apenas de fachada, aceita dar asilo à Liesel que curiosamente aos dez anos de idade ainda era analfabeta, porém, demonstrava uma enorme vontade de saborear a descoberta das palavras. Essa é a deixa para que Hans Hubermann (Geoffrey Rush), seu afetuoso pai adotivo, possa estreitar laços com ela ensinando-a a ler e a escrever.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

CASAMENTO GREGO 2

NOTA 6,0

Continuação de grande sucesso
demorou demais a ser lançada e
apenas repete situações do original,
mas sem contar com o fator novidade
Lançada em 2002, a comédia Casamento Grego chegou aos cinemas ianques como quem não quer nada e surpreendeu com uma gigantesca bilheteria (visto sob o ângulo da ninharia que custou e a exorbitância que lucrou pode-se afirmar que é um dos longas mais lucrativos de todos os tempos) e conquistou a crítica especializada. Sem efeitos especiais, tampouco apelações e elenco até então desconhecido, o longa já chegou ao Brasil e em outros tantos países ancorado por uma campanha de marketing que enfatizava sua lucratividade e que ganhou um bônus com a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Logo começaram rumores de que uma continuação já estava nos planos. Pena que o projeto demorou demais a ser concretizado. Quase quinze anos depois do original houve a estreia de Casamento Grego 2, mas sem a pompa do original. Público e crítica já não estavam na expectativa de um segundo encontro da família Portokalos e talvez só o elenco ainda alimentasse alguma esperança para voltar a ficar em evidência. Nesse meio tempo Nia Vardalos, protagonista e também roteirista e produtora das duas produções, encarou o fracasso de Falando Grego e Eu Odeio o Dia dos Namorados, e os outros atores amargaram o ostracismo. Porém, não é por falta de talento. Nesta nova reunião familiar os intérpretes mostram mais uma vez ótima sintonia e conquistam o público graças a rápida identificação com seus personagens. É como uma reunião familiar no Natal ou em algum aniversário. Todos tem pelo menos um parente caracterizado por seu jeito extremamente espontâneo, sisudez ou involuntariamente divertido. Eles podem nos fazer passar por momentos vexatórios, mas sejamos sinceros, que graça tem um encontro familiar sem essas situações para servir como lembrança? Vardalos parece plenamente ter consciência da comoção que seu filme anterior causou e de certa forma conseguiu manter a essência. Agora sua Toula é uma mulher mais segura de si para poder dar conta de cuidar de sua casa, do marido Ian Miller (John Corbett), seu primeiro e único amor, e da filha adolescente Paris (Elena Kampouris) que está preste a se formar no colégio e sonha em fazer faculdade fora.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CASAMENTO GREGO

NOTA 8,0

Tirando sarro de uma
patriota família grega,
longa conquista com seu
humor simples e leve 
Para um filme ser um estrondoso sucesso e levar sua fama para todos os cantos do mundo é necessário que ele tenha um roteiro inteligente e complexo, um elenco estrelar, efeitos especiais de ponta ou, melhor ainda, a mistura de todos esses ingredientes. Graças a Deus vez ou outra uma produção extremamente simples e bobinha, no melhor sentido da expressão, surge para nos lembrar que cinema de verdade deve tocar no emocional do espectador e não se resumir a um show pirotécnico ou a uma história que pouca gente entende, mas que mesmo assim enche a boca para falar que adorou só para se passar por esperto. Casamento Grego foi um sucesso espetacular por todos os cantos onde passou isso porque já chegou com uma bela campanha publicitária destacando o número gigantesco de espectadores que conquistou em solo americano. É considerado um feito e tanto por ser uma produção extremamente simples, sem nada de extraordinário no visual e tampouco contando com um elenco famoso, mas que conseguiu chamar a atenção do grande público talvez justamente pela sua falta de brilhantismo ou novidades em sua confecção, algo que causou a fúria dos críticos que desceram a lenha no filme dirigido por Joel Zwick, veterano de programas de TV. Os entendidos de cinema não se conformaram, e provavelmente até hoje não, que um produto estilo sessão da tarde tenha se tornado um fenômeno mundial. Na realidade devem ter se sentido menosprezados já que o público preferiu confiar nas indicações boca-a-boca do que nos textos rebuscados deles (justiça seja feita, alguns críticos até foram bonzinhos com a fita). A obra em si não tem mesmo nada demais, porém, é bem realizado, tem uma história agradável e com boas situações cômicas, os ingredientes básicos de qualquer comédia, embora estejam em falta em diversas produções do tipo contemporâneas. A trama gira em torno de Toula Portokalos (Nia Vardalos), uma mulher grega que já está na casa dos trinta anos e vive com sua enorme, animada e pitoresca família em solo americano. Ela gerencia o restaurante dos pais de comida típica da sua terra natal, mas na realidade ela faz de tudo naquele lugar e não tem tempo para viver uma vida normal e quando o tem se sente um peixe fora d’água em qualquer lugar que vá. Como seus familiares são muito rígidos quando o assunto é manter as tradições do povo grego, a moça cresceu se sentindo uma estranha nos EUA e talvez por isso enterrou sua vida no trabalho.

domingo, 19 de novembro de 2017

DENNIS - O PIMENTINHA

Nota 6,0 Repleto de clichês, clássico sessão da tarde vale a pena por ter o saudoso Walther Matthau

Quem nunca aprontou alguma peraltice na infância que atire a primeira pedra. Curtir umas zoeiras de vez em quando faz parte e é necessário nessa fase da vida, inclusive para tirar lições dos erros, porém, o protagonista de Dennis - O Pimentinha extrapola os limites, mas ainda assim cativa o espectador com sua cara fofa e esperteza. Vivido pelo carismático Mason Gamble, o personagem-título é o típico moleque travesso que existe em toda vizinhança. Sempre com as mãos inquietas e com a cabeça fervilhando mil e umas travessuras, ele não consegue ficar parado e a principal vítima de suas brincadeiras é George Wilson (Walther Matthau), seu vizinho já de idade que tudo que desejava a essa altura da vida era curtir sossegadamente sua bela casa, principalmente seu prezado jardim que cuida com tanta dedicação, ao lado da esposa Martha (Joan Plowright). Contudo, basta ouvir o sonoro "Sr. Wilsooooooonnnnn!!!!" para seus poucos cabelos ficarem em pé. O garoto não faz nada por maldade, mas foi apenas sem querer querendo que entre tantas outras coisas ele joga tinta no churrasco do coroa, troca os dentes de sua dentadura por chicletes ou lhe rouba a atenção na tão aguardada noite em que veria florescer uma exótica planta que cuida nada mais nada menos que a quatro décadas, mas cujo esplendor duro míseros segundos. Rabugento, mas no fundo de coração mole, o florista aceita cuidar do garoto por uns dias quando seus pais precisam viajar a trabalho. Conhecendo a fama de Dennis, nenhuma babá se prontificou a cuidar do ferinha que além de suas costumeiras confusões ainda irá enfrentar, mesmo que levando tudo como uma grande brincadeira, o vagabundo Sam (Christopher Lloyd) que está rondando a pacata vizinhança planejando roubos. Com este simples argumento o diretor Nick Castle criou um dos filmes que viria a se tornar símbolo de nostalgia da década de 1990 e marco na infância de muita gente... Bem, nem tanto por méritos próprios, mas sim pela avalanche de reprises na televisão.

sábado, 18 de novembro de 2017

7 DESEJOS

Nota 1,5 Egoísmo e valor da vida são temas desperdiçados em terror teen genérico e ruim

Tudo o que você faz um dia volta para você. Quem nunca ouviu tal máxima e se pegou refletindo sobre a mesma em momentos de dificuldades? A protagonista de 7 Desejos talvez nunca tenha tido contato com tal pensamento popular. Tampouco os realizadores da fita, visto que abordam uma premissa um tanto surrada sem um pingo de criatividade e de forma assumidamente trash, uma desculpa para investir em cenas pretensamente impactantes com muito sangue e trabalhadas com o trivial do gênero. Os clichês de pouca iluminação, efeitos sonoros estridentes e edição rápida são usados em excesso como em uma ação desesperada para que ao menos visualmente o longa compense a total falta de originalidade ou empatia do roteiro, mas tudo é em vão. Assim como em seu primeiro longa-metragem, Verdade ou Consequência,  a roteirista Barbara Marshall aborda o universo feminino, mais especificamente o microcosmo das adolescentes, e constrói sua narrativa em cima de arquétipos. Desde o inexplicável suicídio da mãe, Clare Shannon (Joey King) leva uma vida infeliz principalmente no colégio onde é vítima de bullying por conta de seu jeito reprimido e por ser ignorada por Paul (Mitchell Slaggert), colega por quem é apaixonada. Contudo, sua pacata rotina vira dos avessos quando Jonathan (Ryan Phillippe), seu pai que vive de catar bugigangas no lixo, encontra uma bela caixa de música com ornamentos orientais e oferece para a filha sem saber dos poderes mágicos do artefato. Ao perceber essa particularidade, a jovem começa a lapidar sua vida através de desejos insanos e sem perceber as consequências, assim tudo que pede é transformado em realidade de forma literal. Por exemplo, quando pede que Darcie (Josephine Langford), sua pior inimiga na escola, apodrecesse de fato a garota de uma hora para a outra apresenta deformações na pele como se estivesse se degenerando como um cadáver. Tudo piora quando Clare faz o pedido para que Paul se apaixone perdidamente por ela, ignorando por completo os sentimentos de Ryan (Ki Hong Lee), que realmente demonstra gostar da garota sem precisar de mandingas para tanto.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CADA UM TEM A GÊMEA QUE MERECE

NOTA 2,0

Com o humor raso e grosseiro
como de costume, Adam Sandler se
divide em dois personagens e carrega
Al Pacino para uma absurda produção
Homens vivendo papeis femininos há tempos não causam estranheza graças ao empenho e talento de atores como Dustin Hoffman em Tootsie, Robin Williams em Uma Babá Quase Perfeita e até mesmo John Travolta em Hairspray - Em Busca da Fama, este com certo quê de caricatural propositalmente. Um ator contracenar consigo mesmo também se tornou algo obsoleto, principalmente depois que Eddie Murphy conseguiu a proeza de contracenar com meia dúzia de personagens vividos por ele próprio sob pesada maquiagem (literalmente) em O Professor Aloprado. Sendo assim, o que teria chamado a atenção de Adam Sandler para protagonizar em dose dupla a comédia grosseira Cada Um Tem a Gêmea Que Merece? Bem, seu currículo prova que surpreender o expectador com novidades não é lá sua praia, mas melhor acreditar que tenha topado participar de um projeto tão tolo em nome da amizade de longa data com o diretor Dennis Dugan. Até então este era o sétimo trabalho da dupla, uma parceria iniciada em 1996 com Um Maluco no Golfe e que a cada novo filme lançado parece querer superar o nível de baixaria alcançado pelo anterior. O Paizão, de longe, pode ser considerado o que de melhor fizeram juntos. No longa em questão Sandler se desdobra para viver os irmãos Jack e Jill Sadelstein, gêmeos que apesar de fraternos (de sexo oposto) são idênticos tal qual fossem univitelinos, uma mera desculpa para colocar o ator em trajes ridículos e com peruca desgrenhada compondo uma figura que é uma verdadeira aberração. Há anos eles não se encontram, mas certa vez ela decide aparecer na casa do irmão para passar o feriado do Dia de Ação de Graças, a oportunidade perfeita para reatarem os laços familiares.  Será mesmo? Jack está casado, tem filhos, vive em uma bela casa e dirige uma agência de publicidade. Já Jill viveu por anos na barra da saia da mãe recentemente falecida e acabou solteirona, vivendo em uma cidade do interior e ocupando seu tempo com fofocas e perturbando qualquer um que cruze seu caminho com seu jeito expansivo e inconveniente. É óbvio que os irmãos não se dão bem e Jack conta os minutos para se livrar do tribufu o mais rápido possível, mas ela decide esticar um pouquinho  a temporada com a família que irá viver momentos um tanto constrangedores em sua companhia.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

UM BOM PARTIDO

NOTA 4,0

Com muitas tramas paralelas sem
função, argumento que envolve amor
e redenção se perde em trama chata que
não cativa nem mesmo pelo bom elenco
O título cai como uma luva para uma típica comédia romântica, mas mais do que contar uma historinha de amor Um Bom Partido se propõe a falar de redenção através dos aprendizados de George Dryer (Gerard Butler), um ex-jogador de futebol de origem escocesa que já foi um ídolo, inclusive chegou a dividir os gramados com o mito David Beckham da Inglaterra, mas por conta de uma contusão acabou sendo cortado do time e acabou na falência e sem perspectivas de recuperar seu padrão de vida. Tal fato também contribuiu para o fim de seu casamento com Stacie (Jessica Biel) e consequentemente seu afastamento de Lewis (Noah Lomax), seu pequeno filho. Tentando reatar os laços com a família, ele decide se mudar para os EUA e consegue um emprego como técnico esportivo na escola do garoto onde de certa forma reassume sua imagem de celebridade, mas isso é apenas um quebra-galho. Na verdade ele tenta em paralelo se tornar comentarista em um programa de TV em um conceituado canal, mesmo que para isso tenha que fazer uso de seus dotes físicos e beleza. Isso mesmo! Quando não está ensaiando o papel de pai zeloso ou de namorado perfeito para reconquistar a ex, o esportista está enrolado com a mulherada, mais especificamente com as mães dos amiguinhos do filho que descaradamente dão em cima dele. Contudo, o diretor italiano Gabriele Muccino evita explorar o gancho sexual e apenas sugestiona suas aventuras de alcova, preferindo mostrar o protagonista como um homem-objeto no sentido de ser uma pessoa que não toma as rédeas da própria vida e está sempre precisando de um empurrãozinho alheio para se mexer. Por exemplo, consegue bancar um estilo de vida de bacanão com a ajuda do amigo Carl (Dennis Quaid) que lhe oferece uma boa quantia em dinheiro e até uma Ferrari (não tinha um carrinho mais popular para a caridade?) e seu sonhado emprego como apresentador lhe cai nas mãos graças aos contatos de Denise (Catherine Zeta-Jones), uma das bondosas mamães que lhe arranja um teste em troca de uns amassos. Até ter a companhia de Lewis para dormir em sua casa depende do próprio garoto ter a iniciativa para tal aproximação.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

SEM ESCALAS

NOTA 7,0

Com argumento intrigante e que
coloca sob suspeita qualquer
personagem, suspense se sustenta
graças a destreza do diretor
Receio de viajar de avião é uma fobia bastante comum por conta dos riscos de falhas mecânicas que podem resultar em tragédias, embora exista a máxima que garanta que é o meio de transporte mais seguro. Já Hollywood vem alimentando tal medo com um ingrediente a mais: criminosos em ação a muitos pés de altura. Em um ambiente claustrofóbico, vivenciando uma situação limite orquestrada por algum psicopata e sem ter para onde fugir, o que fazer? Voo United 93, Força Aérea Um, Voo Noturno e até o super trash Serpentes a Bordo são alguns exemplos de produções que colocaram os passageiros em apuros por conta de planos mirabolantes de chantagistas ou terroristas. Engrossando a lista temos o eficiente thriller Sem Escalas que tira uma onda com os clichês desse tipo de enredo, especialmente de seus personagens estereotipados. No caso um avião está repleto de pessoas com caráter suspeito, a julgar por seus aspectos físicos ou comportamentos, uma visão mesquinha e preconceituosa que certamente sempre fez parte cultura dos norte-americanos, mas ganhou força com a paranoia instaurada após os atentados de 11 de setembro de 2001. Desconfiar uns dos outros virou uma obrigatoriedade do cotidiano. Embora temos um representante árabe a bordo obviamente visto com provável aspirações terroristas, a ameaça também pode se manifestar na figura de um negro que leva jeito de arruaceiro ou de uma loira bonita e insinuante com poder de persuasão. Por pouco mais de uma hora e meia o diretor catalão Jaume Collet-Serra se diverte colocando sua câmera à disposição para flagrar pistas como olhares suspeitos, cochichos e uso de celulares, o que não seria nenhum problema caso Bill Marks (Liam Neeson) não estivesse sendo chantageado. O ator não é mais jovenzinho e tampouco ostenta um corpo musculoso, mas tendo a sisudez como sua principal característica, além de seus quase dois metros de altura, após a maturidade foi alçado ao posto de herói adicionando uma seriedade dramática aos seus personagens que o afastam do estilo truculento defendido no passado por Arnold Schwarzenegger ou Dolph Lundgren.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

UMA LADRA SEM LIMITES

NOTA 5,0

Melissa McCarthy mais uma vez
faz o papel da gordinha divertida, mas
encrenqueira, em comédia que requenta
velhas fórmulas e piadas desagradáveis
Todo gordinho obrigatoriamente deve ser engraçado? Bem, se depender dos esforços de Melissa McCarthy tal estereótipo continuará prevalecendo. Desde que foi catapultada ao sucesso com Missão Madrinha de Casamento a atriz vem emendando uma comédia atrás da outra e sempre com uma característica em comum: o humor por vezes grosseiro. Com Uma Ladra Sem Limites as coisas não são diferentes. Aqui ela interpreta Diana, uma experiente estelionatária que aplica um golpe que complica a vida de Sandy Patterson (Jason Bateman), um homem honrado e dedicado à família, mas com azar na vida profissional. Embora seja um aplicado profissional da área financeira ele nunca teve seu talento reconhecido por Harold Cornish (Jon Fraveau), seu chefe que não perde oportunidades para humilhá-lo, mas mesmo assim ele ainda confia que as pessoas boas são de alguma forma recompensadas pela vida. Quando alguns de seus colegas de trabalho resolvem se unir para começarem um negócio próprio o rapaz se entusiasma e decide abraçar a ideia, no entanto, sua documentação é rejeitada devido a inúmeras e pesadas dívidas que constam em seu nome. Por uma feliz coincidência, daquelas que só acontecem na ficção, Sandy recebe um telefonema de um salão de beleza na Flórida para confirmar um horário (descobriram seu número na internet, simples assim). Ele então se recorda que passou dados sigilosos em uma ligação que acreditava ser do banco, mas como a polícia faz corpo mole decide por conta própria investigar. Rapidamente ele chega ao nome de Diana que está usando e abusando da boa índole do nome do rapaz aproveitando-se que Sandy é uma alcunha unissex (tal piada perde totalmente a graça por ser usada a exaustão pelo enredo). Sem pensar duas vezes ele sai de Denver, sua cidade, e viaja para encontrar a criminosa e obrigá-la a se apresentar às autoridades e o inocentar, mas mal sabia ele o tipo de pessoa que encontraria.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

AMITYVILLE - O DESPERTAR

NOTA 3,5

Tentando dar novos rumos à
franquia de terror sem apelar para
um remake literal, fita não inova nos
sustos e trama fica a dever em emoção
Família se muda para uma casa que no passado foi palco de uma chacina e desde então todos os moradores tiveram terríveis experiência no local. Esse é o argumento básico dos filmes de residências assombradas, mas também é a semente de uma das mais longínquas franquias do cinema norte-americano. Amityville - O Despertar é nada mais nada menos que o 18º longa com raízes fincadas na obra do autor Jay Anson a respeito de um homem que assassinou toda a família supostamente guiado por vozes malignas que o obrigaram. A primeira adaptação foi lançada em 1979, mas Terror em Amityville teve uma recepção fria por parte de público e crítica e foi preciso o passar dos anos para ser reconhecido, tanto que hoje é considerado um clássico do terror. Depois vieram continuações, produtos caça-níqueis direto para consumo doméstico, teve um telefilme e em 2005 uma refilmagem tentou resgatar a franquia. Após quatro anos de adiamentos, o diretor e roteirista Franck Khalfoun encontrou uma boa ideia para voltar ao lendário casarão do vilarejo localizado na cidade de Babylon, uma remota parte de Nova Iorque. A quem interessar, a residência ainda existe e vira e mexe está disponível para novos e corajosos moradores. Talvez pensando justamente nisso, sobre como seria viver em um local cercado de negativismo e ciente de toda tragédia que lá aconteceu, é que o cineasta preferiu realizar uma história ligeiramente original e abandonar a ideia de mais um desnecessário remake (se bem que não dá para fugir muito do argumento original). Após sofrer um acidente indiretamente provocado por um ato inconsequente de sua irmã gêmea Belle (Bella Thorne), o jovem James (Cameron Monaghan) entrou em estado vegetativo e acabou tendo morte cerebral, porém, Joan (Jennifer Jason Leigh), sua mãe, decide se mudar com a família, que inclui a pequena Juliet (Mckenna Grace), para a tal casa macabra onde teria espaço para montar uma UTI doméstica. De fato, na nova moradia o rapaz começa milagrosamente a apresentar melhoras, mesmo com os médicos afirmando que seria impossível ele voltar do coma.

domingo, 12 de novembro de 2017

PALAVRAS E IMAGENS

Nota 7,5 Guerra de pontos de vistas de tema complexo sustenta romance fraquinho

O que é mais interessante: uma imagem cheia de simbolismos e significados ocultos ou um texto bem redigido com vocabulário rebuscado e mensagens subliminares? Intelectuais costumam admirar as artes visuais e a literatura com o mesmo grau de importância, mas mesmo dentro deste grupo tão seleto pode haver defensores ferrenhos de cada estilo de manifestação artística e cultural. É disto que se trama o romance Palavras e Imagens, do diretor australiano Fred Schepisi, de ótimos e saudosos títulos como Um Grito no Escuro e A Casa da Rússia.  O professor de literatura Jack Marcus (Clive Owen) idolatra as palavras e tenta ser um modelo de inspiração a seus alunos, principalmente por ostentar que ainda muito jovem publicou um livro premiado e elogiado pela crítica e por isso foi contratado a peso de ouro para lecionar, mas seu problema com o alcoolismo pode jogar por terra toda a sua boa reputação e carreira, aliás, já o castiga na vida pessoal visto que seu próprio filho tenta ao máximo evitar contato com ele. Já Dina Delsanto (Juliette Binoche) é uma artista plástica que já teve seus dias de glória expondo suas obras em importantes galerias, mas por causa de uma artrite reumatóide, uma séria inflamação degenerativa dos músculos, tem seus movimentos limitados e para sobreviver acaba tendo que se contentar com a vaga de professora de artes, profissão que exerce tentando persuadir com seus ideais e personalidade forte. Ele a saudando com um sonoro "foda-se" e ela por sua vez levantando na direção dos olhos dele o seu dedo do meio, de imediato eles se estranham no colégio e deixam claro serem ferrenhos defensores de suas respectivas áreas de trabalho e conhecimento, mas no fundo ambos sabem que tem uma faísca de sentimento amoroso que surgiu, só que extremamente orgulhosos não querem dar o braço a torcer. Contudo, como também não desejam dar as costas um para o outro, acabam iniciando uma guerra dentro do colégio utilizando como armas os próprios alunos que são instigado à rivalidade, assim vira e mexe estão em contato com a desculpa de precisarem solucionar problemas dos adolescentes.

sábado, 11 de novembro de 2017

MEDO (1996)

Nota 4,0 Apesar do título forte, o medo é praticamente nulo em suspense esquemático e bobinho

Para muitos Reese Witherspoon começou sua carreira em 1999, ano em que estrelou o drama juvenil Segundas Intenções e o cult Eleição, mas a atriz já estava na estrada há alguns anos participando de algumas produções pouco lembradas como o suspense Medo. Aqui ela vive Nicole Walker, uma adolescente que como outra qualquer sempre alimentou o sonho de se apaixonar e ser correspondida por alguém especial, um rapaz educado, sensível, mas obviamente belo e desejável. Ela encontra estas características em David McCall, vivido por um jovem Mark Wahlberg também galgando seus primeiros passos rumo ao estrelato. Ela o conheceu em uma festa na qual ele a ajudou em um tumulto e desde então passou a viver em função de agradar e fazer as vontades do rapaz, inclusive perder sua virgindade. Desde o início Steven (William L. Petersen), o pai da garota, demonstra-se reticente quanto a esse namoro porque o passado e a vida particular do rapaz são um mistério. Por outro lado, sua esposa Laura (Amy Brenneman) se simpatiza à primeira vista pelo rapaz, e isso faz com que seu relacionamento com a enteada melhore, e Toby (Christopher Gray), o pequeno filho do casal, se afeiçoa à David a ponto de respeitá-lo como se fosse um pai. Contudo, pouco a pouco a imagem de príncipe encantado vai sendo desconstruída por ele próprio que não consegue esconder seu ciúmes e começa a se enrolar com mentiras e atos violentos. Por amor, Nicole vai perdoando os deslizes, mas quando o flagra a traindo decide colocar um ponto final no relacionamento, porém, a essa altura ela e sua família correm perigo nas mãos de um desequilibrado sedento por vingança.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

AWAKE - A VIDA POR UM FIO


NOTA 6,0

Com elenco e duração enxutos,
suspense começa bem com uma
ideia bastante perturbadora, mas
não tarda a se entregar aos exageros
Precisar passar por uma cirurgia por si só já é motivo para tirar o sono de muita gente, mas imagine então entrar na sala de operação sabendo que as chances de tudo dar errado são altas ou, pior ainda, que esta não será a solução definitiva de seu caso, apenas um paliativo que lhe oferecerá mais alguns anos de vida. Se desgraça pouca é bobagem imagine ainda que você pode ser uma das pessoas que se enquadram em uma rara estatística. Existe um fenômeno no qual pessoas que recebem anestesia geral não perdem a consciência mental, apenas o corpo físico adormece, assim o paciente acompanha todo o procedimento cirúrgico. Esses são os dilemas vividos pelo jovem Clay Beresford (Hayden Christensen), o protagonista de Awake - A Vida Por Um Fio, uma interessante mescla de drama e suspense. Bem, isso até pelo menos a sua metade. O filme de estreia do diretor e roteirista Joby Harold começa de forma bastante competente apresentando sem pressa os poucos personagens e o cenário principal, um hospital. Pode parecer o mínimo que se espera de um roteiro bem estruturado, mas para uma produção enxuta que não chega a uma hora e meia de arte concreta esses minutos são preciosos. Um incauto qualquer poderia tentar resumir ao máximo a introdução para partir logo ao plot principal, o que certamente prejudicaria o envolvimento do espectador com o protagonista e até mesmo com sua mãe que ganha importância na segunda metade da trama. O milionário Beresford não chegou nem à casa dos trinta anos, mas já sofre de um grave problema cardíaco e só um transplante de coração poderia salvá-lo, ainda que prolongando sua vida por cerca de uma década. O problema é que seu tipo sanguíneo é raro, o que dificulta achar um órgão compatível, mas quando surge a oportunidade o rapaz se vê em meio a outro impasse. Certa vez ele sofreu um ataque cardíaco e por um triz foi salvo pelo Dr. Jack Harper (Terrence Howard) e desde então se tornaram amigos, assim o paciente faz questão que ele faça seu transplante contrariando a vontade de Lilith (Lena Olin), sua mãe que deseja que a cirurgia seja feita pelo renomado Dr. Jonathan Neyer (Arliss Howard).

terça-feira, 31 de outubro de 2017

CONVENÇÃO DAS BRUXAS

NOTA 9,0

Anjelica Huston brilha como a
bruxa-mor que quer exterminar as
crianças neste clássico divertido e
nostálgico que envelhece em boa forma
Dia 31 de outubro festejamos o Halloween, ou melhor, tentamos curtir a data o mais próximo possível do estilo americano, principalmente as crianças e jovens, porém, ficamos nas baladas à fantasia e só. Não temos a tradição de sair por ai pedindo doces, esculpir rostos medonhos em grandes morangas e tampouco temos um personagem característico para representar a época em terras brasileiras. O jeito é recorrer às influências dos ianques e nesse quesito Hollywood é uma fonte riquíssima de inspiração. Hoje não é tão frequente, mas em um passado não muito distante o filme Convenção das Bruxas era uma das vedetes das sessões da tarde na TV e um coringa para ser exibido no Dia das Bruxas. O longa é uma envolvente mistura de suspense, aventura, comédia e fantasia que faz parte das lembranças da infância de muito marmanjo. O filme começa com um tom sombrio de atiçar a curiosidade de qualquer guri. Helga (Mai Zetterling) gosta muito de contar a seu neto Luke (Jasen Fisher) histórias sobre bruxas, o que contraria as ordens dos pais do garoto. Certa noite ela lhe conta que uma menina que conheceu quando criança sumiu misteriosamente quando ia fazer compras, mas a própria começou a aparecer depois em um quadro na sala de sua família e tal imagem ia se desenvolvendo como uma garota real até o dia em que desapareceu de vez. Essa introdução extremamente eficiente não tem desdobramentos ao longo da narrativa, existe apenas uma rápida menção ao episódio mais adiante, porém, nada que estrague a produção. Prosseguindo, a avó ensina o garoto todos os truques que as bruxas utilizam para se manterem vivas por tanto tempo e seus planos para atrair as crianças, estas que para elas tem cheiro parecido ao das fezes de cachorros e devem ser exterminadas. Diabolicamente perversas, elas aparentemente são mulheres comuns, mas suas reais e horrendas feições são encobertas por impecáveis máscaras, perucas e vestimentas. Elas na verdade tem a pele bastante enrugada e deteriorada, não possuem dedos nos pés, são carecas, sentem muita coceira na cabeça, tem as mãos muito grandes e seus olhos reluz uma cor púrpura. Aparentemente tais ensinamentos são inúteis, mas Luke nem imagina que muito em breve eles lhe serão de grande serventia. 

domingo, 29 de outubro de 2017

DOIDAS DEMAIS

Nota 6,0 Comédia investe em clichês e se acomoda sobre talento e carisma de protagonistas

Manter uma amizade não é nada fácil. Se já é complicado quando jovem e sem maiores complicações, pior ainda quando adultos, época em que relacionamentos amorosos, carreira e até o nível social podem revelar-se entraves para manter os amigos por perto. A comédia Doidas Demais aborda o assunto através do reencontro de duas mulheres que já foram grandes amigas, mas quis o destino que elas trilhassem caminhos bem opostos no futuro. Suzette (Goldie Hawn) é alto-astral e desencanada, mas quando perde seu emprego em uma boate cai na real de que não tem como se sustentar, assim resolve viajar centenas de milhas para procurar uma antiga amiga com quem aprontou poucas e boas nos tempos das discotecas. Bem, elas não eram adeptas dos passinhos coreografados e polainas com brilhos e sim do som pauleira e das jaquetas de couro. Elas eram tão próximas que eram chamadas como as "irmãs doidas demais" e amavam tietar bandas de rock, inclusive faziam verdadeiras loucuras para conseguirem chegar perto de seus ídolos. Contudo, Lavinia (Susan Sarandon) deixou o jeitão porra-louca para trás e agora é uma mãe de família e dona-de-casa cheia de regras e metódica e renega totalmente seu passado desregrado, inclusive não atende chamados por Vinnie, o nome que usava quando era roqueira. Obviamente o reencontro gera estranhamento. Enquanto uma insiste em viver como se estivesse nos anos setentistas, a outra se empenha para evitar que as filhas Ginger (Eva Amaurri - filha de Sarandon na vida real) e Hannah (Erika Christensen) façam tantas besteiras quanto ela e se arrependam no futuro. Detalhe, as adolescentes e o marido Raymond (Robin Thomas), este com aspirações políticas, desconhecem suas estripulias da juventude, mas tais lembranças inevitavelmente voltam à tona com a chegada da amiga. Inicialmente Lavínia tenta manter certo distanciamento, mas não demora a querer provar para si mesma que ainda pode ser feliz como antigamente dosando com a vida de responsabilidades que assumiu.

sábado, 28 de outubro de 2017

DE CASO COM O ACASO

Nota 7,0 Longa aborda como pequenos detalhes cotidianos podem ou não interferir no futuro

Nem a publicidade da atriz Gwyneth Paltrow ter ganho o Oscar no início de 1999 por Shakespeare Apaixonado ajudou. De Caso Com o Acaso teve um lançamento um tanto modesto, algo como vamos estrear nos cinemas para algumas pessoas saberem que o filme existe e depois procurarem nas locadoras. Bem, de fato, este romance se adapta melhor ao aconchego do lar, visto que é desprovido de qualquer atrativo visual ou técnico parecendo muito mais um telefilme. Contudo, a trama é simpática e bem construída. Com direção e roteiro de Peter Howitt, a história tem um ponto de partida reflexivo: pequenos acontecimentos do cotidiano podem alterar drasticamente nossos destinos? Paltrow vive Helen, uma jovem que certo dia levanta da cama com o pé esquerdo. Ela era relações públicas de uma conceituada empresa, mas da noite para o dia perdeu o emprego graças aos seus excessos na vida pessoal que começaram a atrapalhar em sua rotina de trabalho. Voltando mais cedo para casa, ela perde o metrô ao trombar por acaso com uma garotinha. O que poderia acontecer na vida da moça caso tivesse conseguido embarcar naquele vagão? E pegando o próximo? O enredo então passa a se alternar nestes dois distintos caminhos. A deixa é um efeito visual como se rebobinasse alguns poucos segundos do dia da protagonista, mais especificamente quando descia uma escadaria. A partir de então, em uma possibilidade, Helen pegaria o primeiro metrô, onde conheceria o carismático James (John Hannah), e chegaria em casa mais cedo surpreendendo o namorado Gerry (John Lynch) a traindo com Lydia (Jeanne Tripplehorn), sua ex. A outra hipótese é que ela poderia perder a condução e ser assaltada, indo parar no pronto-socorro e assim dando tempo de chegar em casa sem flagrar o companheiro com outra, embora existam algumas evidências que ele deverá esconder para ela não desconfiar que alguém esteve no apartamento.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

UM TIO QUASE PERFEITO

NOTA 6,5

Com a velha premissa do sem
noção que cresce com as adversidades,
comédia agrada crianças e adultos com
fórmula comum a filmes para toda família
O título tenta um claro link com Uma Babá Quase Perfeita, a clássica comédia do saudoso Robin Williams, mas felizmente a estratégia é apenas para publicidade. Para o bem do cinema nacional e seu amadurecimento, mesmo com um ou outro momento que possam remeter a citada comédia, estruturalmente Um Tio Quase Perfeito segue seu próprio caminho e foge de tentar recriar situações vividas pelo pai que para poder conviver mais tempo com os filhos assume a identidade de uma simpática senhora. No caso, o bonachão Tony (Marcus Majella) é um aspirante a ator que sem sorte se aproveita de seu talento para ganhar alguns trocados nas ruas vivendo desde uma estátua viva em trajes de guerreiro romano até um pastor vigarista que vende uma água pretensiosamente milagrosa, mas o tipo mais difícil de interpretar é aquele que já deveria estar acostumado: o de tiozão. Sempre contanto com o apoio de Cecília (Ana Lucia Torre), sua mãe, ele vive de pequenos golpes na rua, mas sempre endividados eles acabam sendo despejados de onde moram e para não ficarem pedindo esmolas, o que para eles não seria problema algum tamanha cara-de-pau que ambos tem, eles pedem asilo para Angela (Letícia Isnard), irmã do rapaz. O convívio com a família nunca foi dos melhores e a moça sempre tentou manter certo distanciamento, assim não gosta nada da ideia de abrigar a dupla em sua casa, ainda mais para evitar que os seus maus costumes sirvam de exemplo aos filhos pequenos, Patrícia (Julia Syacinna), João (João Barreto) e Valentina (Sofia Barros). Contudo, um compromisso profissional fora da cidade a obriga a viajar de uma hora para a outra e com o sumiço da babá das crianças não lhe resta alternativa a não ser deixá-las sob a batuta do tio e da avó destrambelhados. Eles não teriam que fazer nada de outro mundo, apenas manter a rotina dos pequenos de ir à escola, fazerem a lição, manter a casa em ordem, mas como já é de se esperar, uma série de situações vão revelar o quanto Tony é imaturo ao mesmo tempo que aos poucos os sobrinhos vão conquistando seu carinho e atenção.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

MORTE SÚBITA (2007)

NOTA 6,0

Apesar da premissa de filme B,
suspense envolvendo gigantesco
crocodilo investe mais no suspense
que na carnificina gratuita
Houve um tempo em que os filmes de animais assassinos estavam em alta. Geralmente pautados em cima de enredos sobre mutações genéticas que deram errado, a mescla de suspense e horror não demorou muito a ser rotulada como trash, produções que causam risos involuntários devido as condições precárias, além de situações e atuações um tanto bizarras. Na época das videolocadoras fitas do tipo eram lançadas aos montes, mas nos cinemas o espaço sempre foi restrito. Agora os animais-vilões acharam lugar na TV fechada, tem até canais que parecem especializados em garimpar pérolas do subgêneros (não é um elogio, é no sentido irônico mesmo). Morte Súbita é um exemplo que tem tudo para virar clássico da telinha. Ou melhor, das multitelas, afinal os tempos são outros. Uma excursão pelas águas do  Parque Nacional Kakadu, no norte da Austrália, conhecidas pelos gigantescos crocodilos que as habitam, se transforma em um verdadeiro pesadelo. Guiados pela corajosa Kate (Radha Mitchell), o passeio seguia bem, mesmo com a desagradável intromissão do ex-namorado dela, o rude Neil (Sam Worthington), até que ela desvia o caminho planejado para socorrer um suposto pedido de ajuda disparado por um sinalizador em uma parte mais densa do rio onde são surpreendidos por um ataque de algo que não conseguem identificar (no meio de um rio cheio de crocodilos, dãããã). Com a embarcação danificada, os turistas ficam ilhados a espera de socorro, mas a maré sobe com rapidez e em questão de poucas horas o local será submerso. Entre os acuados está o jornalista Pete McKell (Michael Vartan), que em um primeiro momento mostra-se fechado e evita contato com seus companheiros de viagem como Simon (Stephen Curry), o viúvo Russell (John Jarratt), Allen (Geoff Morrell) e sua esposa Elizabeth (Heather Mitchell), além da filha do casal, a jovem Sherry (Mia Wasikowska). Contudo, eles terão que se unir para fugir do local que além do avanço das águas guarda um perigo ainda maior: um gigantesco e agressivo crocodilo. Então já sabemos que vai ter muito corre-corre, gritaria, estrondos e que os personagens vão ser devorados um a um até sobrarem os heróis que desde o início são anunciados. Errado!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ERNEST E CELESTINE

NOTA 9,0

Com traços delicados e narrativa,
singela, animação francesa aborda
o preconceito através de uma relação
de amizade que desperta ira e medo 
Disney, Pixar, Dreamworks e alguns esforços intensificados nos últimos anos por empresas como Fox e Paramount. Com os avanços das animações digitais o mercado cinematográfico ganhou muito e a concorrência acirrada fez com que os enredos cada vez se tornassem mais inteligentes, até para também poderem fisgar o público adulto que agora não usa mais a desculpa de levar o filho ou sobrinho ao cinema. Tranquilamente os marmanjos podem assistir a produções animadas com a certeza de que estão vendo uma obra tão boa quanto um elaborado filme com atores de carne e osso. Hollywood abriu os olhos para essa possibilidade dos anos 2000 para cá e ao passo que cada vez mais busca modernidades no campo também volta-se à simplicidade jogando certa luz sobre produções estrangeiras ou do próprio circuito alternativo ianque que se não fossem indicadas ao Oscar da categoria certamente não chegariam a ser conhecidas nem mesmo pelos cinéfilos de carteirinha. A delicada animação Ernest e Celestine é um bom exemplo. Coprodução da França e Bélgica, o longa é baseado nos contos infantis da escritora e ilustradora Gabrielle Vicent que através da fábula aborda a valorização da amizade acima de qualquer obstáculo, principalmente tabus sociais como o preconceito entre raças. A trama conta a história da ratinha Celestine, uma aspirante a pintora que cresceu em um orfanato e nunca compreendeu o medo que outros roedores habitantes do subterrâneo tinham dos ursos, os moradores do chamado mundo de cima. Fascinada pelo desconhecido, pois é justamente desbravando esse outro universo que ela conhece Ernest, um grande urso que em nada lembra a imagem da fera que fora forçada a imaginar com as histórias sobre como os grandalhões peludos eram malvados e forçavam as ratazanas a se refugiarem nos esgotos. Divertido, simpático e prestativo, ele ganha alguns poucos trocados tocando música nas praças, mas garante o sustento da família com pequenos furtos. Ernest encontra a roedora em uma lata de lixo e rapidamente conquista a sua confiança, porém, precisam viver essa amizade escondido, pois as sociedades de ambos não aceitam que animais tão distintos, tanto no físico quanto na personalidade, se relacionem.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A PIRÂMIDE

NOTA 1,5

Apesar do tema rico em
possibilidades, suspense parece
não sair do lugar com trama chata
e efeitos especiais precários
A mitologia egípcia é uma riquíssima fonte de inspiração o cinema desde que ele era em preto-e-branco e sem som. A Múmia com Boris Karloff é um clássico absoluto do gênero de terror enquanto a fita homônima estrelada por Brendan Fraser aos pés da virada do milênio procurou adaptar o universo fúnebre ao campo da aventura com bastante sucesso. Já a caça de Tom Cruise à criatura em 2017 revelou ser um projeto mal lapidado e com pressa de faturar. Outros símbolos da cultura do Egito também instigam a imaginação de cineastas, entre eles obviamente as pirâmides que até hoje intrigam como foram construídas em tempos tão remotos, mas mesmo assim com formas tão perfeitas e arrojadas. Se por fora impactam pelo design e tamanho, por dentro dão arrepios com sua atmosfera claustrofóbica e sensação de que em todos os cantos podem surgir surpresas, belas ou assustadoras. Os desenhos e inscrições nas paredes além dos objetos e adornos das salas colaboram para a mescla de fascínio e tensão. Pena que tal cenário é tão mal explorado pelo cinema, geralmente servindo de palco para histórias tolas em produções obscuras. A Pirâmide poderia fugir desse rótulo, mas infelizmente a estreia na direção do francês Grégory Lavasseur não foi das melhores. Experiente roteirista de horror, tendo escrito Viagem Maldita e Espelhos do Medo, ambos dirigidos por Alexandre Aja, seu amigo de longa data que aqui retribui a parceria assinando como produtor, ao assumir a câmera encontrou dificuldades, afinal há muita diferença entre criar uma história e transformá-la em imagens. Tendo em mãos o enredo feito pela dupla Daniel Meersand e Nick Simon, parece que Lavasseur não teve muita noção de onde estava colocando os pés, alternando a produção entre um "mockumentary" (falso documentário) e um "found footage" (compilação de cenas supostamente reais). O resultado é um trabalho tedioso e extremamente escuro que dispersa a atenção logo nos primeiros minutos desperdiçando o intrigante argumento (fictício, fique claro) da descoberta de uma pirâmide de três lados, quando tais monumentos são quadriláteros.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TERROR NOS BASTIDORES

NOTA 7,5

Desconstruindo os clichês dos
filmes de assassinos mascarados e
repleto de nostalgia, mescla de horror
e comédia diverte e e inteligente
Não se espante com o título. Medo é a última coisa que você vai sentir com Terror nos Bastidores, mais uma produção terrir que busca fazer graça homenageando e ao mesmo tempo desconstruindo um gênero, ou melhor, um subgênero, no caso os slashers movies, os filmes de assassinos mascarados louquinhos para extirpar jovens incautos e salientes. Pode parecer uma tarefa fácil unir dois estilos que de certa forma já se comunicam muitas vezes, muito mais pelo excesso de continuações que fizeram com que as franquias perdessem o vigor original e descambassem para o trash. Todavia, quando o objetivo é de fato divertir propositalmente através do sarro e não involuntariamente as coisas se complicam, até porque é necessário que o espectador tenha repertório cinematográfico suficiente para entender a proposta. O trabalho do diretor Todd Strauss-Schulson não exige que você conheça os pormenores de filmes citados, como é o caso de Todo Mundo em Pânico, mas é preciso ter certo conhecimento do universo a ser recriado, o que aproxima sua produção mais do estilo de O Segredo da Cabana. Contudo, o cineasta é mais modesto e se atém ao mundinho dos seriais killers para narrar a história de Max (Taissa Farmiga), filha de Amanda Cartwright (Malin Akerman) que nos na década de 1980 se tornou um ícone dos filmes de terror de baixo orçamento ao estrelar "Camp Bloodbath" (algo como "banho de sangue no acampamento"), considerado o avô de todos os filmes com a premissa de um grupo de jovens que viajam a fim de curtição e muito sexo e acabam vítimas de um maníaco com passado traumático. É o argumento de Sexta-feira 13 de fato, mas devemos imaginar que ele veio depois do filme fictício que lançou a modinha. Muitos anos se passam e Amanda continua bela e alto astral, mas frustrada por sua carreira ter estagnado. Pena que não teria tempo para tentar dar a volta por cima. Junto com a filha ela sofre um acidente de carro no qual vem a falecer ainda muito jovem. Três anos se passam e Max se torna uma adolescente ainda mais introspectiva do que era antes e vivendo à sombra das lembranças da mãe. Certa noite ela é convidada para uma sessão de cinema especial em homenagem ao filme na qual também será exibida a sua continuação, o que deixa os seus amigos em polvorosa.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CINDERELA (2015)

NOTA 8,0

Visualmente e artisticamente
perfeito, sem exageros de efeitos
especiais, adaptação de clássico só
perde pontos por não inovar no enredo
A maioria dos contos de fadas são histórias clássicas criadas no período da Idade Média e o tal felizes para sempre não constam nos originais. Há registros de que na verdade histórias como da Branca de Neve acabam de formas bastante trágicas, porém, as gerações formadas a partir do início do século 20 se acostumaram a comprar as versões dos estúdios Disney como as verídicas e assim um vasto leque de produtos culturais e de bens de consumo derivados dessas animações fizeram a roda do dinheiro girar e muito. Peças de teatro, quadrinhos, livrinhos de colorir, adaptações para a TV, brinquedos, bonecos, materiais escolares, roupas e até produtos alimentícios e de higiene tratam ainda de levar adiante as versões adocicadas da casa do  Mickey Mouse para os contos, além das próprias animações replicadas em mídias físicas, televisão e serviços de streaming. Aproveitando-se de todo esse portfólio, muitas produtoras de cinema se arriscam a fazer suas versões destas histórias ou até mesmo reimaginá-las carregando no humor, tensão ou divagando sobre o que teria acontecido aos personagens caso tivessem tomados decisões diferentes em suas vidas. De olho nessa movimentação dos concorrentes, a Disney não ficou parada e também tentou fazer adaptações diferentes de alguns de seus desenhos consagrados como Alice no País das Maravilhas, acentuando o clima psicodélico já intrínseco no conto original, e Malévola, recontando a história da Bela Adormecida pela ótica da vilã. Ambas adaptações com atores em carne e osso e carregada de efeitos especiais, o público correspondeu as expectativas com polpudas bilheterias, mas visualmente os exageros incomodaram se assemelhando mais a produções adaptadas de quadrinhos de heróis ou videogames que propriamente às famosa obras animadas com traços delicados e cores aquareladas. Com a versão live-action de Cinderela parece que o estúdio finalmente encontrou a fórmula mágica do sucesso: simplesmente recontar a mesma história da versão em desenho animado. Na contramão das histórias de princesas mais recentes do estúdio, como A Princesa e o Sapo e Frozen - Uma Aventura Congelante, nas quais as mocinhas não são mais tão indefesas e o sonho de conseguirem um amor para toda a vida ficou em segundo plano, o roteirista Chris Weitz preferiu não inovar e criou uma protagonista tão bela, gentil e recatada quanto a do desenho que em 1950 salvou a Disney da falência.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A ESPINHA DO DIABO

NOTA 8,0

Um dos primeiros filmes do mexicano
Guillermo Del Toro já deixava suas
marcas abordando suspense, drama e
fantasia com pano de fundo histórico
Os melhores filmes de horror não são aqueles escorados em efeitos especiais ou em violência gráfica. Ok, O Exorcista está aí como uma exceção à regra, mas temos os clássicos O Bebê de Rosemary, O Iluminado e até da safra mais recente Os Outros para comprovar que acima de tudo é preciso ter uma boa história para contar sustentada por personagens críveis e motivações essencialmente humanas. O título A Espinha do Diabo sugere uma obra de literalmente gelar a espinha, mas levando a assinatura do cineasta mexicano Guillermo Del Toro sabemos que não se trata de um terror convencional. Bem, hoje conhecemos muito bem seu estilo de unir drama, fantasia e suspense, porém, na época ainda era um ilustre desconhecido. Ele já tinha engatilhado projetos em Hollywood, como Blade 2 e Hellboy, ambos já carregados de vícios da indústria para faturar alto até por serem baseados em personagens existentes no universo dos quadrinhos. Sendo assim, seu drama com pitadas de sobrenatural tendo como pano de fundo a Guerra Civil Espanhola servia praticamente como seu cartão de visitas. Em meados da década de 1930, um orfanato estrategicamente instalado no meio do nada abriga os já órfãos e os filhos de pais recrutados para o combate. A diretora Carmem (Marisa Paredes) é uma senhora bastante rígida, mas bondosa, e que esconde uma fortuna em barras de ouro que são a obsessão de Jacinto (Eduardo Noriega), um ex-interno que agora trabalha para a idosa com quem também divide a cama eventualmente. Na verdade ele quer o tesouro para fugir com a jovem Conchita (Irene Viseto), cozinheira da casa que também é administrada pelo Dr. Casares (Federico Luppi), poeta, professor e que guarda uma paixão platônica por Carmem por se sentir impedindo pela impotência. Parece um novelão mexicano, mas a mente de Del Toro é muito mais fértil. A relação amorosa mal resolvida destas pessoas vai interferir drasticamente no futuro dos internos, entre eles Carlos (Fernando Tielve) que perdeu o pai vítima de um ataque de bombas e é deixado lá por seu tutor. Logo que chega o menino sente que a vida não será nada fácil e faz alguns amigos graças a curiosidade que desperta por trazer alguns gibis na bagagem, um tesouro para um grupo que necessitava de distração. Assim, de imediato, ele causa ciumeira em Jaime (Iñigo Garcés), até então o centro das atenções e líder natural da turminha.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A GUERRA DE HART

NOTA 4,0

Fugindo dos clichês de filmes de
guerra e se assumindo como um
drama de tribunal, longa não empolga
com trama tão fria quanto seu cenário
Costumamos reclamar sobre a repetição de temas em comédias românticas, mas o que dizer dos dramas de guerra? Está certo que conflitos como os da Segunda Guerra Mundial oferecem inúmeras possibilidade e um mesmo recorte do período pode sugerir mais de uma visão dos fatos. Na época das videolocadoras geralmente até catalogado como um gênero à parte, é certo que as produções do tipo dificilmente hoje em dia fazem sucesso, a não ser quando amparadas por indicações a prêmios. De qualquer forma, há um público cativo e sempre há a esperança de sobrevida como material de apoio à estudantes e professores. A Guerra de Hart foi lançado já sem muita pompa, até porque foi um mega fracasso nos EUA, e o tempo passou e nem nas aulas de História conseguiu ser um título de prestígio. Realmente não é nada de excepcional, mas visualmente transmite bem a frieza do episódio que retrata excluindo até mesmo qualquer participação feminina para evitar dar alguma cor ao longa. No ano de 1944, Tommy Hart (Colin Farrell) é um estudante de direito que se alista no exército para lutar pelos Aliados, mas acaba sendo capturado em uma emboscada e enviado a um campo de concentração onde encontra diversas dificuldades de adaptação, entre elas as desconfianças e inimizade do coronel William McNamara (Bruce Willis), também americano e encarcerado pelos nazistas. Os conflitos entre os confinados se agravam quando os alemães capturam dois pilotos negros, Lamar Archer (Vicellous Reon Shannon) e  Lincoln Scott (Terrence Howard), gerando revolta de alguns brancos que não aceitam compartilhar seu espaço com pessoas de outras raças, mesmo que eles exibam alguma patente. O primeiro é vítima de uma cilada e executado e pouco tempo depois Scott é acusado de matar o suposto assassino do amigo quando pego em flagrante na cena do crime. Apesar dos indícios, tal situação também poderia ser uma armadilha dos demais confinados por puro preconceito, mas o coronel Werner Vissel (Marcel Iures), quem realmente dita as ordens no campo, ordena a execução do negro imediatamente.

domingo, 1 de outubro de 2017

RUTH E ALEX

Nota 3,0 Sem uma trama com objetivo concreto, longa se apoia no carisma e talento dos atores

Para as novas gerações mudar de endereço dificilmente é um bicho de sete cabeças, a maioria já está acostumada com casas de pais separados, estudar ou trabalhar em outra cidade ou dividir o espaço com amigos ou até mesmo desconhecidos. A tendência é que quando forem idosas continuem não sofrendo com apegos a moradias, uma realidade diferente da terceira idade de agora. Ainda há muitos tradicionalistas que se apegam a lembranças, principalmente quando passaram muitos anos e praticamente construíram suas vidas em uma mesma moradia e esse é o dilema vivido pelos protagonistas do drama com pitadas de humor Ruth e Alex protagonizado por Diane Keaton e Morgan Freeman. Casados há cerca de 40 anos e sem filhos, os Carver sempre viveram no mesmo e pacato edifício no subúrbio de Nova York que nem elevador tem, mas agora não reconhecem mais o bairro em que vivem. A abertura da loja de uma poderosa empresa de comunicação na área é a gota d'água para perceberem que não se encaixam mais no local e decidem vender o apartamento, que mesmo antigo está supervalorizado, e procurar um novo cantinho sossegado. Para tanto contam com a ajuda da corretora imobiliária Lily (Cynthia Nixon), sobrinha de Ruth, que organiza um open house, um evento para apresentar o imóvel para possíveis compradores. Contudo, conforme se aproxima a hora de se despedir da antiga moradia, o casal começa a enfrentar uma série de contratempos, inclusive a própria incerteza se querem trocar de casa. Além da disputa de vários interessados no apartamento, cujo valor de venda deve ser equivalente ao que desembolsariam para comprar um novo, eles terão que enfrentar uma inesperada doença da cadelinha de estimação e ainda a presença no bairro de um possível terrorista, fato que pode espantar compradores. Uma mistura de temas um tantinho estranha, não é? Baseado na obra de Jill Ciment, o roteiro de Charlie Peters, de Três Solteirões e Uma Pequena Dama, não se define como um drama, romance, comédia ou até mesmo uma crítica social, visto que aborda a pressão exercida pela exploração imobiliária desenfreada.

sábado, 30 de setembro de 2017

DRÁCULA - MORTO MAS FELIZ

Nota 7,0 Comediante Leslie Nielsen apresenta sua versão cômica de lendário personagem

Qual o mais famoso e prolífico personagem do universo de terror? Sem dúvidas o lendário Conde Drácula encabeça a lista das principais criaturas nefastas que atrelaram seu nome a cultura pop, muito com a ajuda do cinema. Desde a época dos filmes mudos e em preto-e-branco, são centenas de histórias estreladas pelo príncipe das trevas, apresentando-se com seu ar de mistério e sedutor ou até mesmo em versões estilizadas, entre fitas de horror, suspense, dramas, romances e obviamente paródias. O saudoso comediante Leslie Nielsen tratou de apresentar sua versão esculachada do personagem em Drácula - Morto Mas Feliz, descaradamente uma brincadeira em cima do bombado longa baseado no livro de Bram Stoker e dirigido por Francis Ford Coppola lançado três anos antes, assim já antecipando uma tendência das décadas seguintes em trepudiar sucessos recentes. A história começa nos apresentando ao procurador Thomas Renfield (Peter MacNicol) que viaja à Transilvania para se encontrar com o sinistro cliente do título para um negócio imobiliário. O rapaz é hipnotizado e passa a obedecer as ordens do vampirão que mostra-se um homem sedutor, refinado, porém, um tantinho atrapalhado. Juntos eles vão para a Inglaterra que será o novo endereço do conde, mas ao final da viagem Renfield se vê confinado em uma clínica psiquiátrica. Aliás, o local é administrado pelo Dr. Seward (Harvey Korman), o vizinho inglês do Drácula que se encanta por uma das filhas do médico. A noite ele invade o quarto de Lucy (Lysette Anthony) para chupar seu sangue e saciar seus desejos. Ao ver duas estranhas marcas no pescoço da jovem e sua estranha palidez, seu pai decide chamar o Dr. Abraham Van Helsing (Mel Brooks), um especialista em doenças estranhas e também em caçar criaturas das trevas. Com cruzes e alhos, ele tenta proteger a garota de ser atacada novamente, mas Drácula é mais esperto e tem poderes que vão além da transformação em morcego. Contudo, ele não mata suas vontades com apenas uma mulher. O vampirão volta suas atenções para a outra filha do vizinho, Mina (Amy Yasbeck), mas não quer simplesmente saciar desejos momentâneos e sim torná-la sua noiva para toda a eternidade.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O ATAQUE

NOTA 6,5

Mais uma vez a Casa Branca
é atacada e salva por uma dupla
de heróis improvável em ação
divertida e que cheira nostalgia
Coincidência, espionagem industrial ou simplesmente falta de criatividade? Como explicar que de tempos em tempos surjam filmes com temáticas muito semelhantes? Vulcões em erupção ameaçando uma cidade (O Inferno de Dante e Volcano - A Fúria), meteoros prestes a por um fim na humanidade (Impacto Profundo e Armageddon), a exploração da vida dos insetos (Formiguinhaz e Vida de Inseto) e dos animais marinhos (Procurando Nemo e O Espanta Tubarões) e mágicos em destaque (O Ilusionista e O Grande Truque). Isso sem falar sobre a representação de mesmos conflitos da época da Segunda Guerra Mundial, ainda que seja um período de farto material e vários caminhos a serem explorados. Para engrossar a lista, também temos as produções visando a destruição de um dos lugares mais seguros (e também mais visados) de todo o mundo. Após ser invadida por terroristas norte-coreanos em Invasão à Casa Branca, a sede do governo dos EUA mal teve tempo de ser reconstruída e já virou palco de outro show pirotécnico em O Ataque. Orquestrando a destruição ninguém menos que o diretor alemão Roland Emmerich, conhecido pelo seu apreço aos filmes-catástrofes. E as vezes de fato suas produções são verdadeiros desastres, como 10.000 A.C., ou prometem demais como 2012. Ele já destruiu uma vez a Casa Branca em Independence Day (inclusive faz questão de frisar isso em uma rápida fala logo nos primeiros minutos), mas queria explorar mais as ruínas do local narrando o drama vivido pelo jovem John Cale (Channing Tatum), um ex-militar que trabalha na equipe de segurança do congressista Eli Raphelson (Richard Jenkins), mas que sonha em integrar ao serviço secreto e ser um dos responsáveis pela segurança de James Sawyer (Jamie Foxx), ninguém menos que o presidente americano. Ele tem uma entrevista na sede do governo para realizar seu sonho e aproveita para levar a filha Emily (Joey King) para conhecer o local. Todavia, o passeio é interrompido por uma invasão terrorista e agora realmente terá a chance de salvar a vida do político, mas também terá que se preocupar em salvar a garota que está na mira dos criminosos após ser descoberta enviando filmagens do ataque via celular para a internet.

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