sexta-feira, 30 de junho de 2017

A CIDADE DOS AMALDIÇOADOS

NOTA 6,5

Apesar de conter certo teor crítico,
conceito se perde em trama arrastada
e com vários aspectos que tornaram o
filme envelhecido desde o lançamento
Crianças endemoniadas, psicologicamente perturbadas ou simplesmente malvadas por natureza já renderam ótimos filmes de horror e suspense. O Exorcista, A Profecia e Colheita Maldita são alguns exemplos de produções de sucesso, mas há muitas outras que não conseguiram o mesmo nível de repercussão ou status, como é o caso de A Cidade dos Amaldiçoados. Mais conhecida por ser o último trabalho para o cinema do saudoso Christopher Reeve antes do acidente que o deixou paraplégico, a fita fracassou nas bilheterias e os críticos foram impiedosos em suas avaliações. Sem fôlego para ser considerado um clássico como os filmes citados, ao menos hoje o longa tem a seu favor o aspecto nostálgico. Além do chamariz de contar com o eterno Super-Homem como protagonista, a trama tem um ritmo bastante lento e mínimos efeitos especiais, atmosfera e estética que fazem a fita nem parecer ter sido realizada em meados da década de 1990. Poderia muito bem ter sido lançada nos tempos áureos do diretor John Carpenter, contemporânea a obras como Halloween - A Noite do Terror ou Christine - O Carro Assassino, todavia, pelo enredo e direção pouco inspirados certamente não escaparia de ser rotulado como um dos piores trabalhos do cineasta considerado um dos mestres do terror. Reeve interpreta Alan Chaffee, um homem comum que se vê envolvido com um problema sobrenatural após se tornar pai. Certo dia, exatamente as dez horas da manhã, a pequena cidade de Midwich é vítima de um estranho fenômeno no qual sua população e até mesmo os animais permanecem desmaiados por algum tempo. Quando recobram a consciência ninguém se lembra de nada, mas passados alguns dias constata-se que as mulheres em idade fértil estão grávidas. O período de gestação coincide com o estranho episódio e chama a atenção que até mesmo virgens, jovens viúvas e aquelas cujos companheiros não estavam no vilarejo naquele dia agora carregam um feto no ventre. O governo dos EUA escala a Dra. Susan Verner (Kirstie Alley) para investigar os casos e ela propõe total assistência médica e ajuda financeira vitalícia às crianças desde que seus desenvolvimentos possam ser acompanhados periodicamente por uma equipe médica especializada.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

CADÊ OS MORGAN?

NOTA 6,0

Encontro de dois queridinhos do
público feminino se apoia em piadas
previsíveis sobre choque cultural, mas
carisma dos atores eleva a produção
Sarah Jessica Parker caiu nas graças do público feminino com o seriado e os filmes Sex And The City. Hugh Grant construiu sua carreira tendo com alicerces sua cara de bom moço e charme inglês e se tornou um sinônimo de comédias românticas, tendo como um de seus ápices Um Lugar Chamado Notthing Hill. Um encontro cinematográfico entre eles demorou, mas aconteceu no despretensioso Cadê os Morgan? no qual vivem Meryl e Paul, ela uma corretora de imóveis de sucesso e ele um requisitado advogado. Workaholics assumidos, o tempo passou e eles não tiveram filhos, o que certamente balançou a relação. A gota d'água foi uma pulada de cerca do rapaz, mas prestes a assinarem o divórcio ele quase consegue fazê-la desistir da ideia após um jantar romântico. Isso se a noite não terminasse com o casal testemunhando um assassinato e visto o rosto do criminoso. Agora eles são obrigados pelo FBI a abandonarem Nova York e entrarem para o programa de proteção às testemunhas, assim são enviados à pequena cidade de Ray no interior dos EUA e ganham até novo sobrenome. Sem celular, internet e TV a cabo para se distraírem, o casal ainda será forçado a voltar a morar sob um mesmo teto, pelo menos por alguns dias, e serão acolhidos por um outro casal, o xerife Wheeler (Sam Elliott) e sua esposa Emma (Mary Steenburgen), mais experientes e em plena harmonia. A convivência obviamente fará com que os Morgan repensem a relação. E não é só isso. O cotidiano tranquilo do interior também os faz rever suas rotinas ensinando-os a valorizar as coisas simples da vida. O roteiro de Marc Lawrence, também diretor, é limitado a fazer graça contrastando os costumes e bucolismo do campo com a agitação e neuroses metropolitanas. Algumas piadas são previsíveis, como reclamarem do silêncio absoluto a noite e a sufocante pureza do ar. Outras soam exageradas, como ter à mão um manual de instruções para se proteger se porventura um urso invadir seu jardim. Todavia também há boas sacadas envolvendo a política da boa vizinhança que impera na cidade. Todos se conhecem e se ajudam.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A ÚLTIMA PREMONIÇÃO

NOTA 2,0

Calcado em clichês e com

atuações apáticas, longa tenta
surpreender com final surpresa que
no fundo é um tremendo engodo
O título nacional vende bem o peixe. Ou seria vende mal? A Última Premonição tem a proeza de entregar em apenas duas palavras o desfecho de uma história completamente insossa, porém, há quem aponte o último ato como uma cartada certeira para compensar a chatice do restante do filme. Surpreendente ou não, o desfecho não é o suficiente para poupar o diretor Kevin Greutert de umas boas broncas. Parece que se esforçou propositalmente para criar uma das piores produções de suspense dos últimos anos. Assim como em Jessabelle - O Passado Nunca Morre, seu trabalho anterior tão ruim quanto este, o cineasta se cercou de praticamente todos os clichês possíveis, a começar pelo gancho da protagonista traumatizada que se muda para um local isolado para recomeçar a vida. O casal Eveleigh (Isla Fisher) e David Maddox (Anson Mount) decidem deixar a cidade grande e adquirem uma chácara no interior onde pretendem reativar um abandonado vinhedo. Contudo, logo são questionados sobre a coragem de investirem seu tempo e suas economias em um local onde nada rende frutos, um sinal de que deveriam repensar se fizeram um bom negócio. Ganhar dinheiro para eles na verdade é o de menos. O que desejam é oferecer uma melhor qualidade de vida para o filho que estão esperando e esquecer as lembranças de um acidente de carro no qual a moça se envolveu há cerca de um ano e que resultou na morte de uma criança. Eveleigh desde então vive atormentada, principalmente agora que vai ser mãe, mas a mudança de endereço parece só ter piorado as coisas. Dia e noite ela é torturada por vozes, pesadelos, barulhos estranhos e visões de um vulto encapuzado. Para variar ninguém vê ou escuta tais alucinações e como sua atual residência é envolta de mistérios por conta de um episódio do passado a jovem acredita estar tendo visões de alguma tragédia ocorrida por lá, mas como o infeliz título deixa explícito não se tratam de memórias despertadas e sim previsões de algo que irá acontecer, mas Eveleigh só se dará conta disso tarde demais.

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